Celular de Vorcaro vira mapa das conexões do Banco Master com autoridades de todo tipo

Crise do Supremo é apenas uma reação aos pecados de usura, orgulho e vaidade

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O conceito de pecado continua sendo um excelente operador para a análise do comportamento dos homens. Para os incautos, vale salientar que você não precisa ser religioso para entender o valor dos pecados como marcadores de vícios de comportamento.

O caso do STF é um exemplo gritante, entre outras causas, de corrupção e da ação dos pecados da usura, do orgulho e da vaidade. O STF caiu, como Adão e Eva, e vai pôr em risco a credibilidade da Justiça, se nada for feito contra esse processo de decadência.

FALTA DE CARÁTER – Que o caráter humano seja facilmente corruptível é óbvio. Alguém pode olhar para o lado numa situação de abuso de um representante do poder público ou numa empresa para não ser preso ou demitido — todos sabemos que a corrupção no Brasil é mais intrínseca ao tecido social do que a língua portuguesa.

Qualquer pessoa ou instituição que tenha poder no Brasil pode abusar de você se assim o quiser, e sua capacidade de defesa é quase nula. Se você tiver algum dinheiro, pode torrá-lo se defendendo; se não, sua saída é compactuar com o abuso e a humilhação.

Todo esse “blábláblá” em época de eleição é puro “bullshit”. Falar de soberania, combate ao crime organizado, desigualdade social, cidadania, no Brasil, é quase sempre fake. A luta pelo “bem político” no país é, na maioria dos casos, mero nicho para ganhar dinheiro e manipular o poder político e econômico a seu favor ou dos seus amigos. Hoje, o próprio crime organizado deve ganhar dinheiro combatendo o crime organizado.

DANO GIGANTESCO – Vejamos o caso recente da “queda do STF”. Quando essa dinâmica chega ao coração da República e do Estado democrático de Direito, como parece existir fortes indícios de que tenha ocorrido nos últimos anos, o dano é significativamente gigantesco. Ou a justiça é imparcial, ou é um dos mais violentos instrumentos de poder ilegítimo que existe. Quer ver uma comparação didática?

Você já viu filmes de faroeste antigos? Ou filmes em que aparecem estados da América Latina, muitas vezes inventados, ou do Leste Europeu, estes quase sempre citados de forma explícita, em que a polícia, o poder Judiciário, o Executivo e Legislativo, assim como os milionários, todos convergem num sistema de violência contra os cidadãos comuns?

Você já teve vontade de gritar para o mocinho ou para a mocinha “não confie nesse cara!”, ou “ela foi posta aí para te seduzir e te matar”? E, no caso do faroeste, o xerife e o latifundiário do gado roubam as terras dos pequenos criadores e, se não for pelo Clint Eastwood, você está ferrado?

NOSSA REALIDADE – Pois bem, essa é a realidade do Brasil hoje —sem nenhum Clint Eastwood à vista—, apesar de idiotas do Nelson Rodrigues, à direita e à esquerda, acharem que todos os escândalos ligados ao STF são jogadas políticas contra seus ídolos. Talvez pensar como um idiota do Nelson Rodrigues seja, para além da pura e simples má-fé, uma defesa regressiva e infantil contra a realidade nua e crua da miséria política e moral do país.

Pensar em um código de ética para o STF talvez não seja tão complicado assim, se partirmos dos pecados da usura, do orgulho e da vaidade. “Se achar” – ou deixar-se seduzir pela aspiração de ser celebridade e rico – é rota segura para a corrupção do caráter, matriz de toda forma de corrupção.

Quando você tem tão imenso poder, como os membros da corte suprema, você não pode ter os poucos privilégios que os fracos e comuns têm. A você não deveria ser permitido ter redes sociais. Frequentar festas do poder em Brasília deveria ser absolutamente interditado. Fazer palestras, jamais. Frequentar seminários ou festas literárias para quê?

CLÁUSULA PÉTREA – Criar institutos ou ser sócio de qualquer escritório de advocacia deveria ser cláusula pétrea de interdição. Jamais dar entrevistas. Não emitir qualquer opinião sobre o país e os fatos que acontecem à sua volta. Não deveríamos lembrar do seu nome, nem do seu rosto. Nenhuma selfie.

Sua vida financeira deveria ser totalmente acessível para a população. Ou o poder é transparente, ou será sempre ilegítimo. Aliás, pensando bem, esse tópico deveria ser regra para todo servidor público, e os seus, a partir de um certo posto da hierarquia, como presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores, ministros e secretários de Estado, membros do Ministério Público e da magistratura.

Você acha que tudo isso é demais? Muita proibição da vida privada? Não gostou? Sinto muito. Vá ganhar a vida no setor privado. Aliás, o modelo deveria ser próximo do monge. Quando os membros do STF foram seduzidos pelo status de celebridade, enterrou-se a ética do Supremo. O silêncio deveria ser seu elemento.

Foto de Gonet com Vorcaro amplia pressão e oposição pede afastamento ao STF

Presidenciáveis endurecem discurso contra PGR

Julliana Lopes
CNN

A divulgação da foto de Paulo Gonet ao lado de Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de pressão sobre o procurador-geral da República. Neste sábado (19), o deputado e candidato Nikolas Ferreira (PL) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma representação para que a Corte analise o afastamento cautelar de Gonet.

Na representação, Nikolas sustenta que a fotografia, as mensagens extraídas do celular de Vorcaro e as referências ao PGR e a familiares no material da investigação justificam a análise de um possível conflito de interesses. O deputado pede que Fachin encaminhe o caso ao órgão competente do STF e que a discussão seja levada ao plenário.

ARGUMENTO – Um dos principais argumentos apresentados é a comparação entre a imagem e as explicações dadas por Gonet ao próprio Supremo. Na sessão do dia 15, o procurador-geral afirmou que não mantinha relação de proximidade com Vorcaro, citou um único encontro, em abril de 2024, e disse que uma ligação intermediada por advogado havia sido “brevíssima e banal”.

A fotografia, extraída pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, mostra os dois em Londres durante um evento em 2024. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e afirmou que se trata do mesmo encontro já mencionado por Gonet, realizado com a presença de outras autoridades.

A iniciativa de Nikolas se soma à pressão que já vinha sendo feita pela oposição e ganhou força com a divulgação da foto. Entre os presidenciáveis, Romeu Zema foi o mais direto. O candidato do Novo defendeu neste sábado a renúncia de Gonet e voltou a relacionar a crise ao governo Lula, responsável pela indicação do procurador-geral.

REAÇÃO – Flávio Bolsonaro também reagiu à imagem. O candidato do PL publicou a foto nas redes sociais e afirmou que os envolvidos estariam “rindo da cara do povo sofrido”. A campanha de Flávio já vinha usando as revelações do caso Master para cobrar explicações de Gonet e de outras autoridades mencionadas nas mensagens de Vorcaro.

A CNN Brasil entrou em contato com a Procuradoria-Geral da República para solicitar um posicionamento a respeito da foto divulgada. O espaço segue aberto para manifestação.

Mensagens de Vorcaro revelam proximidade com Hugo Motta: “Sou number 1”

Na poesia genial de Carlos Pena Filho, desejos e sonhos frustrados no Bar Savoy

Carlos Pena Filho, o Poeta do Azul inscrito na eternidade - Vermelho

Pena Filho era conhecido como o Poeta do Azul

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960), no poema “Chopp”, mostra os desejos e os sonhos frustrados no refrão do Bar Savoy.

CHOPP

Carlos Pena Filho

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados

‘Fiel da balança’: rejeição à política na igreja contrasta com influência de líderes sobre o voto

A nova disputa pelo voto passa pelas igrejas

Bernardo Mello
Kaio Magalhães
O Globo

Depois de passar metade da vida frequentando a mesma Assembleia de Deus em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, a psicanalista Alessandra Silva, de 40 anos, sentiu necessidade de mudar de igreja nas eleições de 2022. Ela diz que o estopim, à época, foi o incômodo com a forma como seu pastor orientava voto “no candidato que ele já tinha escolhido”, apresentado por ele como “representante da pátria e da família” e “contra o homossexualismo (sic)”.

O relato de Alessandra vai ao encontro de dados captados na pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, feita pelo Instituto de Estudos da Religião (ser) com a Quaest. Os dados começam a ser divulgados neste domingo pelo O Globo, no primeiro capítulo da série de reportagens “Fiel da balança”, que vai abordar as mudanças religiosas no país e seus impactos nas eleições e nos hábitos dos brasileiros.

CONTRA O DEBATE – O levantamento, com 15 mil entrevistas presenciais ao redor do país, aponta que oito em cada dez pessoas são contrárias a discutir política em espaços religiosos. Além disso, nove a cada dez brasileiros não querem que sua liderança religiosa permita a presença de candidatos na igreja — esses percentuais são similares entre católicos, evangélicos e outras religiosidades.

Mesmo com essa rejeição, a pesquisa também mostra em que medida os líderes, em especial pastores, tentam influenciar os votos dos fiéis. Questionados sobre o papel da liderança religiosa da comunidade que frequentavam na eleição de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter sido orientados por ela a votar no então presidente Jair Bolsonaro (PL), e 5% em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

ÍNDICE – No caso dos evangélicos, o índice dos que foram orientados a votar em Bolsonaro chega a 20% entre os protestantes, como batistas e presbiterianos. Entre os pentecostais, grupo que inclui denominações como as Assembleias de Deus — igreja de Alessandra —, a Universal e a Quadrangular, 23% afirmam ter recebido de seu pastor a indicação de optar por Bolsonaro.

— O que aquele pastor dizia sobre o candidato não era manifestação espiritual, e sim a preferência pessoal dele — diz Alessandra, que hoje frequenta outra Assembleia de Deus. — Não quero que ninguém venha me dizer o que eu tenho que fazer. Quem convence o homem é o Espírito Santo, em qualquer área da sua vida. Isso inclui também a política.

MARCADOR SOCIAL – Para a antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa Religião e Vida Pública e do Iser, os dados mostram que a religião é um entre vários marcadores sociais que podem influenciar o comportamento eleitoral. Apesar do apoio maciço de pastores das maiores igrejas a Bolsonaro em 2022, a pesquisa mostra que na região Nordeste, por exemplo, onde o PT vem tendo seus melhores desempenhos, Lula conseguiu 35% do apoio entre evangélicos, quase o mesmo desempenho que o de seu adversário (38%) no segundo turno neste grupo.

O levantamento também traz nuances entre as igrejas. No caso de fiéis da Universal, 27% afirmam que o pastor recomendou voto em Bolsonaro, e 12% em Lula, percentuais acima da média em ambos os casos. Além disso, no caso da Universal, 26% dos fiéis disseram concordar que o pastor indique em quem votar, o dobro da média geral da pesquisa.

CORRELAÇÃO DE FORÇAS – Na avaliação de Lívia Reis, os dados mostram que não há um “voto evangélico” homogêneo, mas sim uma correlação de forças nas igrejas.

— Não se trata de o pastor mandar e o fiel obedecer. Na pesquisa, os evangélicos aparecem mais engajados religiosamente do que outros grupos, e a igreja é uma rede de confiança. É nesse sentido que uma liderança pode acabar influenciando o voto, por exemplo, a partir das informações que circulam no grupo de WhatsApp dessa comunidade. Mas também há o inverso, pessoas que deixam a igreja reclamando da insistência do pastor de indicar voto — diz a pesquisadora.

Na atual corrida ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) vem tentando repetir a estratégia do pai em 2022 e busca o apoio de lideranças evangélicas — que têm hesitado, porém, em declarar voto de forma explícita. Em pronunciamentos, Flávio tem prometido indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam “contra o aborto e contra as drogas”, fazendo eco a discursos dessas lideranças. O presidente Lula, por sua vez, critica o que chama de “uso político da religião” e diz que não montará “comitê de campanha” em igrejas por “respeito à fé das pessoas”.

DESCONFORTO – Por experiência própria, Gustavo Catarino, de 50 anos, sabe que há um certo “desconforto dos membros” quando pastores “sugerem a igreja se vinculando” a um candidato. Atualmente trabalhando como supervisor em uma empresa de energia e membro de uma igreja Assembleia de Deus, Catarino já foi pastor da Igreja Nova Vida, no Rio.

Em época de eleição, Catarino diz já ter recebido candidatos a vereador na igreja em que era pastor, mas tomando certos cuidados, como o de não lhes franquear a palavra durante o culto. A liderança religiosa, argumenta Catarino, não deve agir como se a política não fizesse parte da vida dos fiéis, mas sim orientá-los a “não trocar seus votos por saco de cimento”.

— Eles sofriam assédio de políticos, e eu dizia que é preciso votar consciente. Já vi colegas pastores colocando a direita como salvadora, que iria resgatar a moralidade. Quando os altares começam a se tornar verdadeiros falantes políticos, não sou a favor. No meu caso, os candidatos participavam do culto, mas sem oportunidade de fala. Depois fazíamos uma oração — lembra.

NARRATIVA – Já a cuidadora de animais Renata Nascimento, de 47 anos, diz ter testemunhado outra faceta do discurso político em igrejas: o uso da narrativa religiosa para atacar adversários. Evangélica desde os 20 anos e hoje frequentando uma igreja batista em Realengo, na Zona Oeste do Rio, ela conta que o pastor de outra igreja da qual fez parte buscava demonizar candidatos de esquerda.

— Ele disse, com todas as letras, que quem votasse no Lula era do capeta. Para mim, aquilo foi o fim da picada — critica.

O antropólogo Flávio Conrado, diretor da Casa Galileia e coautor do relatório “Narrativas evangélicas e contexto eleitoral” junto ao Instituto Democracia em Xeque, avalia que lideranças mais radicalizadas podem estar menos vocais no púlpito, mas seguem usando as redes sociais e outros espaços para “circunscrever o voto religioso à direita”.

PROTAGONISMO – Ele aponta ainda que pastores das principais igrejas têm posicionado o ministro do STF André Mendonça, que é presbiteriano e foi indicado à Corte por Bolsonaro, como personagem de uma “luta do bem contra o mal” envolvendo o colega Alexandre de Moraes, com impactos eleitorais.

— A ideia transmitida é que Mendonça está numa batalha espiritual contra um “sistema corrompido”, que certas lideranças associam à ocupação do Executivo e do STF pela esquerda — avalia Conrado.

Segundo o levantamento realizado pelo Iser e pela Quaest, apenas uma minoria — um a cada cinco entrevistados — participa de grupos ou comunidades religiosas nas redes sociais. Entre os participantes, porém, há a percepção de atividade política nesses espaços: 48% veem “sempre” ou “frequentemente” outros participantes compartilhando conteúdos de política nesses grupos no Facebook, e 34% veem o mesmo no WhatsApp.

MAIS ACESSO –  Católicos praticantes, pentecostais e protestantes tendem a relatar mais acesso a esse tipo de conteúdo nos grupos de que participam, em comparação a católicos não praticantes e evangélicos sem igreja.

Para pesquisadores, os dados sugerem que a tentativa de influência política a partir do discurso religioso vai além, hoje em dia, do que é dito de forma explícita dentro da igreja. Em discursos na Avenida Paulista, em São Paulo, no feriado de 7 de Setembro, que depois se tornaram cortes em suas redes sociais, nomes como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e a bispa Sonia Hernandes, da Igreja Renascer, pediram orações a Mendonça e associaram sua atuação no caso Master a uma oportunidade para, nas eleições, “derrotar homens injustos” e não permitir que as “trevas ocupem nenhum cargo” no país.

“FORÇA MENDONÇA” – Presente ao mesmo ato, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), distribuiu camisetas com a frase “Força, Mendonça” que, segundo relatou ao portal Metrópoles, foram entregues a ele por grupos ligados à Igreja Católica.

— Talvez estejamos vendo uma aproximação de práticas entre cristãos conservadores, sejam católicos ou evangélicos — diz a pesquisadora Brenda Carranza, professora de Antropologia da Religião da Unicamp. — A campanha eleitoral passa cada vez mais pelos influenciadores cristãos em redes sociais. E os líderes de igrejas passam a trabalhar mais com a defesa de determinados valores, que sejam verbalizados por políticos, do que se restringir a candidatos da própria igreja.

Prazo para Mendonça responder a Moraes termina, e Fachin avalia próximos passos

É melhor eleger um Lula velho e cansado ou um jovem rachadista como Flávio?

Vai, Pix! Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (6).  #meio #newsletter #charge #flaviobolsonaro #lula

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O bom moço Flávio Bolsonaro, candidato rachadista, se gaba na propaganda eleitoral: “Todo mundo conhece meu pai, né?”.  Claro, quem vai esquecer da nefasta e pegajosa figura. Nem as pedras das ruas. Jair Bolsonaro, é claro, sabia que o filho era amigão do banqueiro fraudador Vorcaro, de quem recebeu 140 milhões de reais para aquele filme de terror que ficou de ser lançado, mas sumiu.

O pai é aquele golpista, condenado e preso, que debochou da pandemia e das vacinas contra a Covid. Bolsonaro, o ex-presidente, gostava de xingar os repórteres diante dos fãs, no cercadinho da portaria do Palácio da Alvorada.

URNA FRAUDULENTA – O pai do candidato é aquele Bolsonaro que não admitiu a derrota, acusando as urnas de fraudulentas. É também o mesmo Bolsonaro que em carta melosa e piegas pediu ao filho que resgatasse o Brasil.

Ora, a nação se livrou de Jair Bolsonaro. E não precisa de outro Bolsonaro para presidir o Brasil. Seria oceânico castigo. Entre um idoso Lula, experiente e trabalhador, mesmo com muitos defeitos, e um jovem incapaz, prepotente  e falastrão, cheio de acusações e suspeitas que não consegue refutar, como Flávio Bolsonaro, prefiro ficar com o idoso.

Quando a Casa Branca decide quais são os jornalistas que podem cobrir o presidente

BTG/Nexus: Lula recua, Flávio mantém 37%, e disputa fica empatada na margem de erro

Petista marca 40% e rival do PL registra 37% no primeiro turno

Marina Costa
Folha

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem tecnicamente empatados no primeiro turno e no segundo turno, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (21). O petista tem 40% das intenções de voto, contra 37% do rival. O cenário é de estabilidade em relação à semana passada, quando o placar estava em 42% a 37%.

O escritor Augusto Cury (Avante) é o terceiro colocado na simulação de primeiro turno, com 6% das intenções, o mesmo percentual da última pesquisa. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, manteve 5%. Renan Santos (Missão) oscilou um ponto percentual para cima e registra 3%. Assim como na semana passada, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) marcaram 1% cada.

SEM PONTUAÇÃO – Os demais presidenciáveis —Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata)— não pontuaram. Brancos e nulos são 4%, e 2% não souberam dizer ou não responderam.

Leonardo Avalanche, candidato anunciado pelo PRTB na última terça-feira (15) para substituir o influenciador Pablo Marçal, cuja candidatura foi negada por unanimidade pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não aparece no levantamento.

Foram entrevistados por telefone 2.006 eleitores com 16 anos ou mais de todo o país entre sexta-feira (18) e domingo (20). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-00485/2026.

EMPATE TÉCNICO – Lula e Flávio têm 46% e 45%, respectivamente, no segundo turno. Assim, mantêm o empate técnico constatado no levantamento anterior, no qual o atual mandatário tinha 47% e o filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, 46%.

O petista e o candidato do PL oscilam poucos pontos percentuais, marcando sempre entre 45% e 47%, nas últimas cinco rodadas da pesquisa, desde o dia 24 de agosto. Lula e Caiado têm o mesmo índice, 45%, em simulação de segundo turno. O petista lidera nos cenários contra Renan Santos (47% a 39%) e Zema (47% a 41%). O presidente aparece tecnicamente empatado em um eventual enfrentamento contra Cury —eles têm, respectivamente, 44% e 43%, ante 45% e 42% na semana passada.

Centrão muda de cálculo e já discute apoio a Flávio contra Lula no segundo turno

Moraes e a mulher não sabem se defender e necessitam de um advogado de verdade

Explicações de mulher de Moraes não convencem advocacia, é hora de o  ministro falar - Estadão

Cobiça e ganância destruíram o futuro de Moraes e Viviane

Carlos Newton

Não foi surpresa para ninguém a notícia de que o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, admitiu que o magistrado acompanhou sua dedicada esposa em voos realizados pela empresa de táxi aéreo Prime Aviation, quando ainda pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro.

É claro que o escritório da doutora Barci e dos filhos teria de dar alguma resposta, depois da publicação da foto do casal desembarcando no Aeroporto do Galeão. Isso não surpreendeu a ninguém. O que causa espanto é o primarismo da narrativa, que agrava de forma absoluta as acusações contra o antes respeitado casal, que era o mais importante de Brasília, a ponto de oferecer jantar aos presidentes da República, da Câmara e do Senado, como ocorreu em agosto.

DESCULPA IMBECIL – Em nota, o escritório informou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation, da qual Vorcaro foi sócio. É uma desculpa imbecil, porque desmente o que informa o gabinete de Moraes no Supremo, como também desmoraliza o próprio contrato redigido pelo ministro para que a mulher faturasse R$ 131,2 milhões às custas do banqueiro Daniel Vorcaro.

Em abril o gabinete do STF afirmou, em nota oficial: “O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.

Bem, já sabia que isso era uma tremenda mentira, devido aos registros dos aeroportos que a imprensa divulgou. Mas agora, cinco meses depois, quem desmente o marido é a mulher de Moraes. “Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes”, disse.

CRITÉRIOS OPERACIONAIS – A nota, ao alegar que o jatinho foi “alugado” pelo escritório, afirma ainda que a contratação de serviços de táxi aéreo não implica vínculo pessoal com os proprietários dos jatos e segue critérios operacionais. “A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation.”

Essa desculpa do “casal fenômeno” da advocacia brasileira, cujos honorários são de invejar as bancas de Wall Street, indica claramente que Moraes e Viviane, apesar de vitoriosos e milionários na profissão, não conseguem sequer se defender e deveriam contratar, com a máxima urgência, um advogado de verdade.

A nota de “aluguel” do jatinho é desmentida pelo próprio contrato que Moraes redigiu, pois uma das cláusulas afirma que todos os deslocamentos do escritório Barci de Moraes, inclusive aéreos, seriam pagos pelo Banco Master, que custearia todas as despesas, até mesmo a de fotocópias. Como se vê, Moraes é tremendamente pão-duro e sovina, só faltou exigir que Vorcaro pagasse o cafezinho no escritório da doutora Barci…

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P.S. 1
Portanto, o casal 20 da advocacia brasileira simplesmente não sabe se defender. Bastaria ter alegado que o Banco Master tinha obrigação de bancar as viagens a serviço da dra. Barci. Mas os dois simplesmente se esqueceram desse importante item do contrato.

P.S. 2 –  É certo que o casal Alexandre e Barci está vivendo seus piores momentos, com brigas diárias, cada um culpando o outro. É algo surrealista, porque a derrocada ocorre justamente quando eles estavam vivendo o melhor momento de suas vidas, com Moraes reinando no Supremo e Barci tocando o escritório de advocacia mais lucrativo do mundo, com poucos advogados, poucos clientes, poucos processos, porém com rentabilidade absolutamente recorde..

P.S. 3 – Agora, o sonho acabou e o futuro do casal não vale uma nota de três dólares. Nessa situação, Moraes e Barci precisam não somente contratar um advogado de verdade, como também uma clínica que possa acalmá-los e refrescar suas memórias, para lembrarem os contratos que assinam. (C.N.)

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TSE aceita ação de Flávio contra Lula e Alckmin por suposto abuso no desfile de carnaval

Candidato alega abuso de poder político e econômico

Hadass Leventhal
G1

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu aceitar uma ação de investigação judicial eleitoral contra o presidente Lula (PT) e seu vice Geraldo Alckmin (PSB), candidatos à reeleição, por suposto abuso de poder político e econômico cometido durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em fevereiro deste ano, no carnaval do Rio. O desfile teve a história de Lula como enredo.

A ação foi admitida pelo corregedor-eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, na sexta-feira (18). A petição, apresentada pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) e seu vice Alfredo Gaspar, também cita a primeira-dama Janja Lula da Silva, o candidato a deputado federal pelo PT Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, como investigados. Pela decisão do ministro, eles têm até cinco dias para apresentar defesa.

REQUISITOS – Admitir a ação de investigação não é analisar o mérito, ou o assunto do caso. Aceitar o processo significa que o corregedor-eleitoral entendeu que os fatos apresentados se encaixam nos requisitos de admissibilidade. Alguns aspectos levados em consideração são: quem propôs a ação, se há a indicação de provas e se os fatos narrados poderiam, em tese, configurar abuso de poder econômico ou político.

Para Márcio Nogueira, presidente da OAB de Rondônia e especialista em Direito Eleitoral e Digital, este tipo de processo é um dos instrumentos “mais severos de responsabilização na Justiça Eleitoral”. O especialista lembra que, se julgada procedente, a ação de investigação judicial eleitoral pode levar à cassação do registro ou do diploma do candidato beneficiado e à inelegibilidade por oito anos de quem tenha praticado ou contribuído para o abuso.

Nogueira explica que a ação de investigação judicial eleitoral é utilizada para apurar abuso de poder econômico, abuso de poder político ou de autoridade e uso indevido dos meios de comunicação que, pela gravidade, comprometam a normalidade e a legitimidade da eleição. Investigações desta natureza estão contempladas no artigo 22 da Lei Complementar 64 de 1990.

ABUSO DE PODER –  Uma ação de investigação judicial não é a mesma coisa que uma representação eleitoral, classe de processo que o TSE tem recebido aos montes. “AIJE é voltada à apuração de abuso de poder, exigindo a demonstração da gravidade da conduta e podendo resultar em cassação e inelegibilidade”, afirma o presidente da OAB de Rondônia.

“Já as representações eleitorais são utilizadas para apurar infrações específicas previstas na legislação eleitoral, como propaganda irregular ou determinadas condutas vedadas, e as consequências dependem de cada infração, podendo envolver, por exemplo, multa ou cassação.”

ARGUMENTOS –  Na petição, os candidatos argumentam que o abuso de poder econômico ocorreu porque, segundo eles, os municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, o estado do Rio de Janeiro e a Embratur teriam destinado R$ 9,6 milhões à escola de samba. Ainda de acordo com eles, os repasses teriam ocorrido depois do anúncio do enredo, em julho de 2025. Além disso, haveria receitas privadas ainda não esclarecidas, possivelmente de empresas com contratos públicos e sem histórico de patrocinar escolas de samba.

Flávio e Alfredo Gaspar também afirmam que houve uso indevido dos meios de comunicação social. Sustentam que o desfile foi transmitido em rede nacional de televisão aberta por cerca de 79 minutos, e que a gravação continuou disponível em plataformas digitais. Segundo os candidatos, esta exposição teria escapado ao regime jurídico da propaganda eleitoral.

PRODUÇÃO DE PROVAS – No documento, pedem a produção de provas de diversos órgãos e entidades públicas e particulares, além de depoimentos de Janja, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves. Solicitam também que, se reconhecido o abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, que Lula e Alckmin sejam cassados e declarados inelegíveis nos oito anos seguintes.

O G1 entrou em contato com a assessoria de campanha do PT para perguntar se gostariam de se manifestar sobre o caso, mas não obteve resposta. O texto será atualizado se alguma nota for enviada.

Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições e cita escalada de pressão

Pressão de Trump sobre Brasil acende alerta

Luísa Marzullo
O Globo

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório no qual aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano e identifica uma escalada da pressão americana sobre o Brasil. O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo O Globo.

No documento, a Abin aponta um “nível de criticidade” em relação à possibilidade de interferência externa e afirma haver uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. A avaliação é de que houve uma intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao país nos últimos meses.

ESTRATÉGIA DE TRUMP – A agência relaciona esse movimento à estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina. Segundo o relatório, os Estados Unidos buscam reduzir a influência de potências rivais na região, sobretudo da China, e impedir o acesso desses países a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura. A Abin também aponta uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo norte-americano.

O relatório cita ainda as sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas e avalia que as medidas representam uma mudança de fase na pressão americana sobre o país. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também é citado no documento, que atribui à sua atuação um componente ideológico e o objetivo de influenciar a política externa dos países da região.

SEM SINAIS CONCRETOS –  No TSE, porém, a avaliação até o momento é de que não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral, segundo integrantes da Corte ouvidos reservadamente pelo O Globo. A leitura é que o alerta feito pela Abin deve ser acompanhado pelo tribunal, mas que, até agora, esse risco não se traduziu em episódios de interferência percebidos no andamento das eleições.

A Abin participa de dois grupos de trabalho no TSE e mantém interlocução com a Corte durante o período eleitoral. A presença da agência nesses colegiados faz parte da estrutura de acompanhamento do pleito e permite o compartilhamento de informações relacionadas a eventuais ameaças ao processo eleitoral.

Pedido de vista no TSE trava maioria que liberava imagem de Bolsonaro em santinhos

TSE interrompe julgamento sobre imagem de Bolsonaro

Rafael Moraes Moura
O Globo

 Uma manobra do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), travou nesta sexta-feira (18) a conclusão de um julgamento que poderia liberar o uso da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em santinhos de candidatos de todo o país. Cueva pediu vista e paralisou a análise do caso, mesmo já tendo votado no mesmo julgamento contra a permissão.

No último dia 15, a ministra Estela Aranha deu uma liminar proibindo o uso da imagem de Bolsonaro em santinhos e materiais impressos. Indicada ao cargo pelo presidente Lula, a ministra alegou que a utilização em propaganda eleitoral da imagem de Bolsonaro “em posição de destaque”, ao lado do número e do nome de um candidato, burlaria a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que proibiu que Bolsonaro divulgue manifestos políticos-eleitorais, inclusive por terceiros, “independentemente do meio utilizado”.

PLENÁRIO DIVIDIDO – O caso foi levado ao plenário virtual do TSE e rachou o plenário, formado por sete magistrados. Do lado de Estela ficaram os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques, amigo pessoal de Moraes há décadas.

Contra a liminar, ou seja, a favor de liberar o uso da imagem de Bolsonaro em santinhos, se posicionaram o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o vice-presidente da Corte, André Mendonça, ambos indicados ao Supremo pelo ex-presidente. “A utilização da imagem de Jair Bolsonaro, nessas circunstâncias, comunica ao eleitorado a identificação política do candidato com determinada liderança ou corrente política”, escreveu Nunes Marques.

“A liberdade de expressão política protege precisamente a possibilidade de o candidato apresentar ao eleitorado suas referências e afinidades políticas, inclusive mediante a associação de sua candidatura a lideranças e correntes ideológicas. A possibilidade de utilizar, para esse fim, a imagem pública de uma liderança política integra o espaço de manifestação protegido pela Constituição Federal”, frisou Nunes Marques.

MAIORIA PROVISÓRIA – Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Dias Toffoli seguiram o mesmo entendimento de Nunes Marques e Mendonça, formando a maioria provisória de quatro votos pela liberação. No entanto, uma hora após Toffoli desempatar o placar e pavimentar a maioria pela liberação do uso da imagem de Bolsonaro em santinhos, Cueva pediu vista e travou o julgamento, mesmo já tendo votado horas antes contra a liberação.

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) critica a liminar de Estela Aranha, sob a alegação de que a propaganda eleitoral de Lula está veiculando imagens antigas de Bolsonaro para fins críticos, enquanto o senador não pode usar o próprio pai na campanha do PL.

“As vedações impostas a Jair Bolsonaro são ‘de dentro para fora’. Não pode ele externar suas posições e preferências, nem mesmo mandando recados, avisos ou cartas por terceiros. Mas a sociedade em geral não está proibida de se manifestar em relação a Jair Bolsonaro, figura pública e que faz parte da história brasileira”, sustenta o PL.

BANCO DE RESERVAS – Antonio Carlos Ferreira deixa o TSE neste sábado (19), quando encerra o seu mandato. A saída de Ferreira (que votou pela liberação da imagem de Bolsonaro) abre caminho para a efetivação do ministro substituto Sebastião Reis, que não participou do julgamento por estar no “banco de reservas”.

Na prática, isso significa que se o mesmo tema vier à tona em outro processo similar, o resultado desse segundo julgamento pode ser diferente, devido à troca na composição do TSE, com a saída de Ferreira e a efetivação de Sebastião Reis como ministro titular.

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Michelle assume espaço de Bolsonaro e grava para candidatos aliados em todo o país

Candidatos fazem romaria até Brasília por vídeo

Thaísa Oliveira
Folha

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem atuado para compensar a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso, na campanha eleitoral de aliados e gravado vídeos para candidatos de diferentes regiões.

A demanda levou a ex-primeira-dama a reservar um dia da semana apenas para candidatos de fora do Distrito Federal e a produzir peças para cerca de 20 pessoas por dia, em média, no começo da propaganda eleitoral obrigatória. Outros três dias da semana passaram a ser usados para filmagens da campanha dela própria ao Senado e de candidatos que integram a chapa da governadora de Brasília, Celina Leão (PP), de quem é amiga.

POPULARIDADE – De olho na popularidade de Michelle, o candidato do PL ao Governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, foi a Brasília exclusivamente para a gravação, no começo do mês, com a candidata dele a vice, a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL).

O material foi usado no programa eleitoral obrigatório de rádio e TV da última quarta-feira (16), em um esforço para atrair o voto de mulheres cristãs e conservadoras, segundo um integrante da campanha de Ruas. “A Fernanda cuida de quem cuida”, disse Michelle.

REGIME DOMICILIAR – Condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está preso em regime domiciliar desde março e proibido de usar as redes sociais dele ou de outras pessoas.

Pessoas próximas a Michelle afirmam que ela tem dado prioridade para candidatos para quem Bolsonaro faria campanha, se estivesse solto. Um dos nomes citados é o do vereador de Porto Alegre (RS) coronel Ustra (PL), candidato a deputado federal.

Ustra é sobrinho do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, herói de Bolsonaro que comandou um dos principais centros de tortura na Ditadura Militar. O vereador é tenente-coronel da reserva do Exército e chefiou a equipe de segurança do ex-presidente no GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

“CONFIANÇA” – “Esse é o coronel Ustra e eu sei da confiança que o presidente Bolsonaro sempre teve nele. É alguém que esteve ao lado do Jair e compartilha os mesmos valores que nós”, disse Michelle no vídeo ao lado de Ustra. O vereador de Belo Horizonte (MG) Vile Santos (PL) contou à Folha que foi para Brasília apenas para a filmagem com Michelle. O vídeo dos dois juntos está sendo distribuído pela campanha de Vile por WhatsApp.

“Sou amigo da família há muito tempo. Michelle é uma grande amiga. Me ajuda muito com o público feminino e com cristão”, disse o vereador, que se apresenta como “candidato a deputado federal do Bolsonaro em Minas Gerais”. Na gravação, Vile diz que estava com “a nossa eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro” porque “o nosso presidente Jair Bolsonaro não pode estar aqui conosco”.

ASSESSOR DE BOLSONARO – A ex-primeira-dama também produziu materiais para Mosart Aragão (PL), candidato a deputado estadual por São Paulo. Mosart foi um dos assessores mais próximos de Bolsonaro na Presidência e o acompanhou em uma série de agendas.

Em 2022, Bolsonaro designou o irmão Renato Bolsonaro (PL) para coordenar a campanha dele a deputado federal. O ex-presidente queria que o capitão fosse um dos candidatos mais votados de São Paulo, mas ele não foi eleito.

A ex-primeira-dama também gravou para o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) e para o filho dele, Gilson Machado Filho (Podemos), candidatos respectivamente a deputado federal e deputado estadual por Pernambuco. Gilson é amigo de Bolsonaro, mas acabou trocando o PL pelo Podemos alegando falta de apoio do partido para lançar o nome dele ao Senado.

“CANDIDATOS DO JAIR” – Na lista de “candidatos do Jair”, aparece ainda o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), apelidado por Bolsonaro de Hélio Negão. Hélio transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima para aumentar as chances de ser eleito senador e adotou o sobrenome Bolsonaro nas urnas.

Em 2022, Michelle viajou pelo país para pedir votos para Bolsonaro. A ex-primeira-dama tem dito que não poderá repetir o esforço neste ano em prol da candidatura à Presidência do enteado mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL), por causa das condições de saúde do marido.

Após semanas de mal-estar público, a ex-primeira-dama gravou um vídeo curto com Flávio em que um pede votos para o outro. Michelle também tem falado do senador nas agendas de campanha dela em Brasília.

AUTORIZAÇÕES – No último dia 8, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ampliou a lista de visitantes e autorizou a entrada do pai, da madrasta e de duas irmãs de Michelle, além de Renato Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente afirma, porém, que Michelle queria autorização permanente do ministro para que eles pudessem acessar a casa a qualquer momento —e não por apenas duas horas, dois dias da semana, como visitantes.

“Com essa decisão, também os atos de campanha da candidata ao Senado Federal —Michelle Bolsonaro—continuam restringidos e prejudicados”, afirmou a assessoria de imprensa de Michelle.