BC prevê retomada da economia, mas o problema agora é a pressão inflacionária

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Charge do Edra (Arquivo Google)

Alexandro Martello,
G1 — Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta terça-feira (22), por meio da ata de sua última reunião, que os últimos dados disponíveis sobre o nível da atividade econômica “continuam surpreendendo positivamente”, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia.

O encontro do Comitê ocorreu na semana passada, quando a taxa básica de juros foi elevada de 3,5% para 4,25% ao ano, o maior patamar em um ano e meio.

RETOMADA – A instituição repetiu, no documento divulgado nesta terça-feira, que o segundo semestre do ano deve mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente.

Os economistas do mercado financeiro elevaram para 5% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, segundo pesquisa divulgada pelo BC nesta segunda-feira (21).

“O Copom avalia que os dados de atividade e do mercado de trabalho formal sugerem que a ociosidade da economia como um todo se reduziu mais rapidamente que o previsto, apesar do aumento da taxa de desemprego”, acrescentou o BC.

INFLAÇÃO PERSISTENTE – O Copom avaliou também que a persistência da inflação tem sido maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais, e citou preocupações sobre o impacto da crise hídrica nas tarifas de energia elétrica.

“Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta [de produtos e serviços], a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do real [queda do dólar]”, informou.

O BC estimou que a inflação deve somar 5,8% neste ano, ou seja, que ela deve estourar o teto do sistema de metas — que é de 5,25% ao ano. Para 2022, a expectativa da instituição é de que o IPCA some 3,5%. As projeções do BC consideram uma alta dos juros para 6,25% ao ano, até o fim de 2021, e uma taxa de câmbio de R$ 5,05.

TAXA SELIC – O Copom fixa a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação, olhando para o futuro pois as decisões demoram de seis a nove meses para terem impacto pleno na economia.

Neste ano, a meta central é de 3,75%, mas o IPCA pode ficar entre 2,25% a 5,25% sem que a meta seja formalmente descumprida. Para 2022, a meta central é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Para 2022, meta no qual o BC já está mirando ao fixar o juro básico, a previsão do mercado financeiro está em 3,78%, ou seja, acima do objetivo centra de 3,5% fixado pelo Conselho Monetário Nacional.

ALTA MAIOR – O Banco Central também informou que avaliou uma “redução mais tempestiva dos estímulos monetários” na semana passada, ou seja, uma alta maior dos juros.

Com a mudança da “normalização parcial” para uma estratégia que leve os juros a um patamar neutro, o Banco Central indicou que a taxa Selic deverá ser elevada a um nível que permite o crescimento da economia, mas com inflação sob controle. Analistas estimam que o juro neutro estaria ao redor de 6,5% ao ano no Brasil.

O mercado financeiro já passou a projetar, na semana passada, que a taxa de juros devera atingir esse patamar de 6,5% ao ano, sinalizado pelo Banco Central, no fim deste ano — acima do estimado anteriormente. Algumas instituições financeiras, porém, avaliam que o Copom terá de subir a taxa Selic acima desse nível para conter as pressões inflacionárias.

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