Confirmado! Bolsonaro foi mesmo avisado da corrupção que “rolava na aquisição da vacina” 

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Camila Turtelli e Daniel Weterman
Estadão

Em troca de mensagens no WhatsApp com assessor do presidente Jair Bolsonaro em que denunciou irregularidade na compra de vacinas para covid-19, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que estava “rolando esquema de corrupção pesado” no Ministério da Saúde. “Tenho as provas e as testemunhas”, escreve Miranda em uma das mensagens as quais o Estadão/Broadcast (leia abaixo) teve acesso.

O aviso foi enviado às 12h54 do dia 20 de março ao número de celular de um ajudante de ordem do presidente. Como resposta, o auxiliar de Bolsonaro responde com uma bandeira do Brasil. Uma hora depois, Miranda insiste: “Não esquece de avisar o PR (presidente). Depois não quero ninguém dizendo que eu implodi a república. Já tem PF e o c… no caso. Ele precisa saber e se antecipar”. A resposta é outra bandeira do Brasil.

ESTAVA A CAMINHO – Às 16h, Miranda informa ao auxiliar do presidente que estava “a caminho”. No mesmo dia, Bolsonaro recebeu o deputado no Palácio da Alvorada. O encontro foi registrado nas redes sociais por Miranda, que na ocasião disse ter ido tratar de combustíveis e vacinas.

Passados dois dias, o deputado voltou a procurar o auxiliar. “Pelo amor de Deus… isso é muito sério!”, escreveu Miranda no dia 22. Sem resposta, ele insiste no dia seguinte. “Bom dia irmão, o PR está chateado comigo? Algo que fiz?”. O auxiliar do presidente responde: “Negativo, deputado. São muitas demandas. Vou relembrá-lo”.

Também pelo aplicativo de mensagens, Miranda envia ao ajudante de ordem uma fatura de compra em nome da empresa Madison Biotech PTE LTDA. O documento, segundo afirmou o deputado ao Estadão, era uma fatura no valor de US$ 45 milhões referente a importação da vacina indiana Covaxin.

FALTAVA LIBERAR – O pagamento, porém, dependia da assinatura de seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, que é chefe do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. O parlamentar afirmou que seu irmão se recusou a assinar, pois a área técnica da pasta considerou indevido o pagamento antecipado.

O Ministério da Saúde assinou o contrato para a aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin no dia 25 de fevereiro. Como revelou o Estadão, o valor que a pasta aceitou pagar pelo imunizante (US$ 15 por dose) é 1.000% mais alto do que a própria fabricante, o laboratório Bharat Biotech, estimou seis meses antes (US$ 1,34).

Diferentemente dos demais imunizantes, negociados diretamente com seus fabricantes (no País ou no exterior), a compra da Covaxin pelo Brasil foi intermediada pela Precisa Medicamentos.

ALVO DA CPI – A empresa Precisa  virou alvo da CPI da Covid, que na semana passada autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário de um de seus sócios, Francisco Maximiano. O depoimento do empresário na comissão estava marcado para hoje, mas ele alegou estar em quarentena após voltar da Índia e não compareceu.

O Ministério Público Federal (MPF), que investiga suspeitas envolvendo a compra da Covaxin, afirmou ver indícios de crime e “interesses divorciados do interesse público” na contratação.  A procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira, do Distrito Federal, decidiu enviar parte da apuração para a área criminal do MPF.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse caso, no jargão policial, é tipo “batom na cueca”. O marido chega em casa de madrugada, bêbado, dizendo que estava com os amigos. Quando tira as calças para vestir o pijama, a mulher percebe que tem batom na cueca dele… Não tem advogado que dê jeito. (C.N.)

11 thoughts on “Confirmado! Bolsonaro foi mesmo avisado da corrupção que “rolava na aquisição da vacina” 

  1. Então o deputado federal e seu irmão forjaram o documento? O ministro Onix e o Coronel Helcio demonstraram, sem deixar qualquer dúvida, a fraude montada contra o governo. O mínimo que se espera é que sejam presos.

  2. Caso se confirmar as suspeitas de envolvimento do Ministério da Saúde nessas duas gravíssimas irregularidades – aquisição de vacinas e cloroquina com preços hiper-super-ultra-mega faturados -, Pazuello será a gota d’água que comprometerá a imagem dos militares de forma indelével em termos negativos!

    Um general de Divisão na ativa ser flagrado em corrupção, seria um verdadeiro desastre às FFAA.
    Não será possível Pazzuelo sequer explicar que “não sabia de nada”, lançando mão das desculpas idiotas e imbecis de Lula.

    Também arrastará consigo o governo de seu amo e senhor, Bolsonaro, colocando uma pá de cal em cima da também falsa intenção de combater a corrupção, por parte do presidente atual.

    Pior:
    se Bolsponaro foi avisado, e não tomou providências nenhuma contra o general, a cumplicidade explícita está irremediavelmente estampada nesta atitude do Planalto.

    De certa forma, entendemos as razões pela quais Mourão foi excluído das reuniões ministeriais, pois certamente o vice tem plenos conhecimentos deste fato perturbador, e que irá desestabilizar a administração civil-militar que governa o Brasil, SE devidamente comprovado tais acontecimentos.

    Outra questão intransferível será a necessária e improrrogável decisão do alto comando das FFAA com relação a essas acusações.
    Na hipótese de omissão ou de se jogar para baixo do tapete essa imundície pelos militares, Bolsonaro se igualará a Lula, comprovando que temos algo parecido com algum tipo de carma ou que devemos purgar pelos pecados desta nação, desde o seu descobrimento!

  3. Cadê a turma que dirá no Governo Bolsonaro não tem corrupção???

    Comentando o caso, veja que nível de profissionalismo temos nos cargos públicos comissionados.

    O assessor do Presidente lê a mensagem de denúncia e responde com a bandeirinha do Brasil…

    Quanto se paga para um servidor comissionado desses que ocupa o cargo de assessor do gabinete do Presidente, do Ministro de Estado, vocês tem ideia? Uns 20 mil reais, ou mais, por mês (né?)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *