Ruy Castro revela que ainda não tem celular, embora seja entusiasta das novas tecnologias

Castro não tem celular, mas se comunica por e-mail

Ruy Castro
Folha

Em coluna recente, desapontei alguns leitores ao revelar que nunca beijei Jane Fonda, nunca tolerei Bob Dylan, nunca dirigi um avião e não tenho celular, Instagram ou Facebook. As três primeiras deficiências foram magnanimamente absorvidas. Mas as três últimas me marcaram como um contemporâneo dos pterodáctilos, um inimigo da tecnologia.

É uma injustiça, sou fã da tecnologia. Mas, por mais que me empenhe, vivo correndo atrás. Assim que adoto uma de suas maravilhas, ela é cancelada por um dispositivo mais avançado e, enquanto estudo a possibilidade de aderir a este, fico sabendo que ele também foi superado e que já há outra novidade a caminho. É um turbilhão.

FICHA E CARTÃO – O orelhão, por exemplo. Durante décadas, sempre que na rua, fui seu grande usuário. Mas, nos anos 90, a ficha, com que ele funcionava tão bem, foi substituída por um suspeito cartão. Nunca mais falei neles.

Pouco depois, o orelhão foi sucedido pelo celular, que, no começo, não passava de um orelhão portátil. E, quando eu ainda estava analisando o bicho, eis que o celular se inspirou no Bom Bril e se tornou um produto de 1001 utilidades, todas muito complexas para mim.

O mesmo quanto ao computador. Escrevo exclusivamente em computadores desde 1988, quando eles ainda eram do tamanho de um fogão e gravavam nossos textos em disquetes flexíveis, de quase um palmo de altura.

PARA QUE PRESSA? – De lá para cá, os computadores evoluíram muito, e eu com eles —mas sempre com um equipamento dez anos atrasado, para que ele não se meta a exigir operações além da minha capacidade.

Aliás, para que pressa? Sabendo que, um dia, tudo que se inventa acaba superado, limito-me a relaxar e tratar da vida.

Ouvi dizer que, daqui a dois anos, os grandes musts de hoje, WhatsApp, Zoom, Kindle, Bluetooth etc., estarão tão defasados que ninguém saberá mais para que serviam. Estou apenas me antecipando.

6 thoughts on “Ruy Castro revela que ainda não tem celular, embora seja entusiasta das novas tecnologias

  1. Quem me dera pudesse viver livre da “ditadura das redes sociais”. Adoraria ficar sem celular pelo resto da vida, só me informar pela internet como venho fazendo nos últimos anos. Odeio qualquer tipo de imposição, principalmente aquela que vem dos mais próximos quando estes não conseguem entender que nem todo mundo adora viver só para saber a opinião alheia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *