A direita entre ratos e rupturas: o dilema da herança bolsonarista

“Bolsonarismo atrapalha críticas que o PT merece”, diz Luiz Felipe Pondé

Da Alma e dos Ossos Aforismos de Crítica Cultural: uma Ciência Melancólica.  Novo livro do Pondé. Um convite à lucidez em tempos de ruído. Entre  aforismos e ensaios breves, ele propõe um

O filósofo Pondé não aceita a polarização

Jorge Fernando Rodrigues
da CNN

O filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé afirmou que “o movimento bolsonarista tem destruído a capacidade de se fazer uma crítica ao monopólio que o PT [Partido dos Trabalhadores] tem no país”, caracterizando o bolsonarismo como um elemento que “só atrapalha”. 

A declaração foi feita durante sua participação no programa ‘WW Especial’, da CNN, que discutiu se a democracia brasileira precisa de salvadores. Pondé expressou preocupação com a insistência em figuras políticas já conhecidas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), indicando que tal cenário sugere que “a democracia precisa ser salva”. 

LULA EM 2026 – “Quando eu vejo gente que está capacitado, tem experiência, faz parte do pensamento público em geral, desejar, por exemplo, que Lula venha a ser o candidato em 2026, me dá a impressão de que a democracia precisa ser salva no sentido de que é a mesma coisa de quem insiste em achar que o Bolsonaro é uma grande figura”, afirmou. 

Para o filósofo, a verdadeira solução para a atual polarização política viria com o surgimento de novas lideranças que rompessem com os caminhos já estabelecidos.

“Se aparecesse algum candidato, seja à direita, seja à esquerda, que rompesse com esses dois caminhos representados pelo Lula e pelo Bolsonaro, quem sabe se chegaria a uma qualidade de liderança política menos delinquente como a gente está vivendo hoje”, declarou. 

CONGRESSO RUIM – As críticas de Pondé estenderam-se ao Poder Legislativo, que, em sua análise, parece focar em interesses próprios em detrimento do bem-estar nacional. 

“A mesma coisa acontece quando se fala no legislativo, que às vezes dá a impressão que está mais preocupado consigo mesmo, com seus interesses, não está muito preocupado com o país, com coisa nenhuma”, criticou. 

O escritor também lamentou que a discussão política atual esteja presa a um embate entre bolsonaristas e petistas, enquanto, em sua visão, “o país está indo para o brejo”.

SEM CONFIANÇA – Por fim, Pondé dirigiu sua atenção ao STF (Supremo Tribunal Federal), alertando para os riscos da excessiva visibilidade que a Corte tem recebido nos últimos tempos. Ele enfatizou que essa exposição pode minar a confiança pública na instituição.

“Em certa medida, nos últimos tempos, o STF acabou ficando muito sob luzes. E a gente sabe que quando alguma forma de poder institucional fica muito sob luzes, a credibilidade começa a rachar e as pessoas começam a perceber que, talvez, a coisa não seja tão sólida quanto parece que deveria ser”, finalizou, criticando a insistência dos políticos em manter as emendas parlamentares. 

Bolsonaristas preveem nova leva de sanções da Lei Magnitsky por Trump

Especialistas apontam chantagem de Trump em sanções contra o Brasil

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Malu Gaspar e Johanns Eller
O Globo

Aliados de Jair Bolsonaro que monitoram com lupa a articulação de retaliações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil, preveem que uma nova leva de sanções da Lei Magnitsky a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) só será deflagrada a partir de setembro. De acordo com esses bolsonaristas, vai depender das sinalizações do Congresso Nacional sobre a discussão de uma anistia aos presos do 8 de janeiro nas próximas duas emanas.

As medidas têm sido costuradas nos EUA pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo, que têm defendido nas redes a necessidade de o “sistema digerir” a ofensiva americana antes de iniciar uma nova leva de restrições. Como antecipamos no blog, Eduardo entregou à Casa Branca nesta semana um dossiê detalhando a repercussão política das sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.

HÁ ESPAÇO – O prazo também leva em conta o cronograma do julgamento de Bolsonaro e aliados pela trama golpista contra a posse de Lula, que deve ser concluído no mês que vem. Segundo esse cálculo, há espaço para uma frente de sanções antes ainda de uma eventual condenação do ex-presidente, dada como certa até mesmo entre bolsonaristas.

 Trump classifica o processo como uma “caça às bruxas” e uma “execução política” contra o ex-presidente, e o utiliza como justificativa para o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.

Aliados de Eduardo e Figueiredo afirmaram à equipe do blog que a dupla seguirá acompanhando junto do governo americano as tratativas entre deputados e senadores pela inclusão da anistia na pauta do Congresso – o que, em última instância, poderia livrar Bolsonaro de cumprir pena –, bem como a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra Moraes no Senado Federal, e ainda o comportamento de seus colegas nos bastidores do Supremo.

NOVAS SANÇÕES – O objetivo é verificar se a sanção do ministro via Magnitsky será suficiente para isolá-lo ou desgastar suficientemente seu apoio na Corte e no Legislativo. Se isso não ocorrer, novas sanções poderão vir.

Um acordo firmado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) que pôs fim ao motim da oposição na Casa, na semana passada, e foi firmado à revelia do atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), previa que seria dada prioridade na votação da anistia e do projeto que acaba com o foro privilegiado para parlamentares. Motta, porém, desautorizou o acordo em entrevista à GloboNews na última quinta e disse que não poderia validar um acerto do qual não participou.

O presidente da Câmara também jogou outro balde de água fria nas expectativas de bolsonarista ao declarar que não vê clima para uma “anistia ampla, geral e irrestrita”, nos exatos termos utilizados por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, sobretudo “para quem planejou matar pessoas” – uma referência ao plano de assassinato de Moraes, Lula e o então vice eleito Geraldo Alckmin, uma das bases da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os acusados na trama golpista.

SEM IMPEACHMENT – No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tem a prerrogativa exclusiva de acatar ou engavetar pedidos de impeachment contra ministros do STF, já declarou que não tem a menor pretensão de colocar o tema em pauta.

A decisão de Moraes, que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro sem consultar a PGR e colegas do STF, no último dia 4, provocou críticas nos bastidores do Tribunal e levou os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes a pedirem que Moraes maneirasse suas decisões. Entretanto, seus aliados na Corte mantêm a defesa incondicional de seus atos, sem indicação de recuo ou desidratação do capital político de Moraes no Supremo.

Em outras palavras, é pouco provável que haja mudanças expressivas no cenário do Congresso e do STF, o que deve abrir caminho para novas retaliações americanas em setembro, caso prevaleça a previsão dos bolsonaristas. Entre os possíveis novos alvos estão Barroso, Gilmar e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

MOTTA E ALCOLUMBRE – Em entrevista à BBC Brasil na última quarta-feira, Eduardo reiterou que Hugo Motta e Davi Alcolumbre podem entrar na mira de Trump, o que ampliou a pressão sobre a cúpula do Congresso.

Não está descartada, porém, a inclusão de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, na lista da Magnitsky antes do prazo fatal de setembro. A eventual sanção dela, que é advogada e sócia de um importante escritório em São Paulo, é encarada nos EUA como um complemento às restrições impostas ao magistrado do Supremo no último dia 30.

Como publicamos no blog, ao punir Moraes, Washington deixou Viviane propositalmente de fora das chamadas sanções Ofac – sigla em inglês para Office of Foreign Assets Control, o Escritório de Controle de Ativos Externos do Departamento do Tesouro.

MARGEM DE MANOBRA – A estratégia, segundo interlocutores de Bolsonaro, seria manter uma margem de manobra para os EUA continuarem escalando as medidas contra o ministro e o próprio STF antes de mirar outros magistrados da Corte e demais autoridades do Judiciário, como Gonet. Além disso, a inclusão de apenas uma autoridade na lista de sancionados teria simplificado o processo. Por ser mulher do ministro, a legislação permite que ela seja implicada indiretamente pelas restrições financeiras, bem como outras pessoas próximas a ele.

A Lei Magnitsky prevê a punição de autoridades estrangeiras violadoras de direitos humanos através de restrições comparadas nos bastidores dos EUA a uma “pena de morte financeira”. Isso porque entre as restrições previstas para as sanções Ofac está a proibição de que empresas americanas realizem qualquer transação ou negociação com os sancionados – o que deverá prejudicar o acesso do ministro a cartões de crédito, bancos e até mesmo companhias aéreas.

A retaliação a um ministro do Supremo é inédita nas relações entre Washington e Brasília.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tarifas de importação são algo muito sério.
Quando este conceito se mistura a ilações meramente eleitoreiras, a coisa desanda e fica explosiva. A cada dia a situação se agrava, com provocações de lado a lado. Todos reclamam e ninguém tem razão. É duro de aturar.
(C.N.)

Quando o jornalista acerta a análise política, sente seu “dever cumprido”

Moraes vota por responsabilizar redes sociais por conteúdo postado | Radioagência Nacional

‘Moraes vota por responsabilizar redes sociais por conteúdo postado

Vicente Limongi Netto

O carrancudo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi taxativo em entrevista ao famoso e respeitado jornal americano Washington Post, a respeito do futuro do réu Jair Bolsonaro, no julgamento na suprema corte, marcado para começar dia 2 de setembro.

Aspas para Moraes: Não existe possibilidade de recuar um milímetro. Faremos o que é certo”. Nessa linha, acredito que leitores atentos e exigentes da nossa Tribuna da Internet, recordam o que escrevi, na coluna do dia 19 de julho: “Moraes não cederá, porque ministro do supremo não erra. Nada indica que ministros do STF cederão aos caprichos de Trump”. “

OUTRAS NOTAS – Este veterano repórter prosseguiu argumentando, no mesmo artigo: “Moraes tem consciência, com base nos autos, contra Bolsonaro e o filho fujão,  que antes de tudo é preciso salientar para fariseus, que a soberania brasileira é intocável e precisa ser respeitada”.

Continuei escrevendo. Desta feita na coluna do dia primeiro de agosto, sempre na brava Tribuna da Internet, abri textualmente: “Trump é o maior e mais poderoso amigo do contra da família Bolsonaro”. Para evitar que as letras do meu teclado fiquem entediadas e chamadas por alguns de presunçosas e cabotinas, destaco o que o senhor jornalista Tales Faria, do valoroso Correio da Manhã, escreveu hoje, apenas hoje, 18 de agosto, tirando da cartola cores de quem descobriu nova vacina que salvará a humanidade: “Trump e Braga Neto prejudicam Bolsonaro”. 

CHEGADA A BRASÍLIA – Alma da Ana Dubeux é abençoada. Jornalista e cronista que atende aos clamores dos leitores. Jornalismo da Dubeux nasceu com a energia dos deuses. Não se abate. Procura oferecer soluções. Clareia questões obscuras. Textos de Ana Dubeux são carregados de emoções. Contribuem com energia positiva para o engrandecimento da profissão. Mesclados com o eterno desejo e esperanças de servir a coletividade.

Há 38 anos Dubeux trocou Pernambuco por Brasília. No coração, o pódio da eterna e marcante exortação do general romano Júlio Cesar: ” Vim, vi e venci”.  No artigo “O arriar das malas em Brasília” (Correio Braziliense – 17/08) a diretora de redação do Correio conta uma pouco da sua fulgurante odisseia, enfatizando, entre outras lembranças, “que jamais vou esquecer o dia que cheguei, porque senti que Brasília era meu novo lugar no mundo”.

Moraes ao Washington Post: “A investigação do golpe vai seguir até o fim”

A imagem mostra um homem em primeiro plano, com uma expressão séria, em um evento. Ele está vestido com um terno escuro e uma gravata azul. Ao fundo, há um pano vermelho que serve como cenário. A imagem é focada no homem, enquanto outras pessoas estão desfocadas ao redor, sugerindo que ele está em uma situação de destaque ou atenção.Terrence McCoy e Marina Dias
The Washington Post

O juiz permitiu a si mesmo um momento de relaxamento. Seu amado time de futebol Corinthians estava jogando na televisão. O jogo não estava bom, disse ele, mas era uma distração útil – das sanções dos Estados Unidos contra ele, das provocações de Elon Musk e das tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump em resposta direta ao seu trabalho.

O breve devaneio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não durou muito. Seu telefone começou a receber várias mensagens. Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente brasileiro que aguarda julgamento no mês que vem sob a acusação de liderar uma conspiração golpista violenta, parecia ter desobedecido a uma ordem de Moraes que o proibia de usar as redes sociais. O juiz agiu imediatamente, ordenando que o político conservador mais popular do País fosse colocado em prisão domiciliar.

REGRAS DE CONDUTA – O episódio, relatado pelo juiz em entrevista exclusiva ao The Washington Post, foi emblemático das regras de conduta de Moraes, que regeram sua carreira marcada por embates de alto risco com políticos e empresários poderosos: nunca ceder. Sempre intensificar.

Como um jovem promotor, ele enfrentou a Prefeitura de São Paulo em uma vasta investigação de corrupção. Como juiz da Suprema Corte do Brasil, ele tem entrado em conflito com Bolsonaro, Musk e outros expoentes da direita global. Agora, seu oponente não é outro senão o presidente dos Estados Unidos.

Descrevendo a relatoria de Moraes na ação penal contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e a campanha do juiz contra a desinformação online como um ataque à liberdade de expressão, Trump voltou toda a força econômica e diplomática dos Estados Unidos contra o Brasil. Ele impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e revogou o visto de Moraes para os Estados Unidos.

LEI MAGNITSKY – No final do mês passado, o Departamento do Tesouro tomou a medida extraordinária de sancioná-lo sob a Lei Magnitsky, que é tradicionalmente usada contra acusados de violações graves dos direitos humanos.

Mas o juiz não se deixou intimidar. “Não há a menor possibilidade de recuar nem um milímetro”, disse Moraes ao The Post em uma rara entrevista de uma hora em seu gabinete. “Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido.”

Empoderado pela Suprema Corte para investigar ameaças digitais, verbais e físicas contra a ordem democrática do Brasil, Moraes tornou-se uma autoridade nacional e uma figura única no mundo: uma espécie de “xerife da democracia”. Seus decretos abrangentes repercutiram em todo o mundo, em sociedades cada vez mais polarizadas por debates sobre liberdade de expressão, tecnologia e o poder do Estado.

BRIGAS SUCESSIVAS – Ele suspendeu plataformas de mídia social, com destaque para o X (antigo Twitter), o que levou Elon Musk a chamá-lo de “Darth Vader do Brasil”. Ele ordenou a prisão de autoridades e destituiu, por decisão monocrática, o governador de Brasília depois que milhares de apoiadores de Bolsonaro invadiram a capital em 8 de janeiro de 2023. Agora, ao colocar Bolsonaro em prisão domiciliar e bloqueá-lo das redes sociais, ele efetivamente silenciou uma das figuras de direita mais reconhecidas do mundo.

“Estou triste com a deterioração da instituição”, disse Marco Aurélio Mello, que se aposentou do Supremo Tribunal Federal em 2021, após 31 anos. “A história é implacável”, continuou Mello. “Ela acerta as contas mais tarde.”

Aos olhos do governo dos Estados Unidos, Moraes é um vilão global. “Juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal”, afirmou o Secretário do Tesouro, Scott Bessent. “O rosto mundial da censura judicial”, nas palavras do diplomata Christopher Landau, número 2 do Departamento de Estado.

“É agradável passar por isso? É claro que não é agradável”, disse o juiz. Porém, segundo o magistrado, Brasil enfrentava forças poderosas que queriam destruir a democracia, e era seu trabalho impedi-las. ”Enquanto houver necessidade”, continuou, “a investigação continuará”.

AUTOCRACIA – Saboreando café dentro de seu gabinete repleto de livros, Moraes discordou. O Brasil havia sido infectado pela “doença” da autocracia, disse o juiz. E era seu trabalho aplicar a “vacina”. “De maneira alguma recuaremos do que devemos fazer,” afirmou Moraes. “Digo isso com total tranquilidade.”

Aos olhos do governo dos Estados Unidos, Moraes é um vilão global. “Juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal”, afirmou o Secretário do Tesouro, Scott Bessent. “O rosto mundial da censura judicial”, nas palavras do diplomata Christopher Landau, número 2 do Departamento de Estado.

À medida que suas investigações se multiplicavam e se expandiam, e a resistência aumentava online, Moraes enfrentou uma gama mais ampla de oponentes. Primeiro veio Musk, que no ano passado se recusou a cumprir as ordens de Moraes de remover contas do X que, segundo o juiz, ameaçavam a ordem democrática do Brasil. Em fevereiro, ele suspendeu o Rumble, uma plataforma popular entre conservadores que compartilha servidores com o Truth Social, depois que ela resistiu às ordens de remoção.

FORA DE CONTROLE – Os impasses aumentaram a visibilidade global de Moraes – e chamaram a atenção de Trump. A empresa de mídia social do presidente americano processou Moraes no início deste ano em um tribunal federal na Flórida, acusando-o de suprimir os direitos de liberdade de expressão dos usuários nos Estados Unidos.

“Este homem está fora de controle”, disse ao The Post o advogado Martin de Luca, que representa a Rumble e a Trump Media na queixa contra Moraes.

Pressionado sobre se detinha poder demais, Moraes rejeitou a ideia. Ele disse que seus colegas da Suprema Corte revisaram mais de 700 de suas ordens após recursos. “Você sabe quantas eu perdi?”, perguntou. “Nenhuma. E a investigação continuará”.

Com vários meses de atraso, Congresso instala nesta semana a CPMI do INSS

Alcolumbre e Motta celebram escolha de novo Papa: 'Continuar legado de Francisco', diz presidente da Câmara

Motta e Alcolumbre fizeram de tudo para atrasar a CPMI

Mateus Salomão e Emilly Behnke,
da CNN

A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) criada para investigar fraudes ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) será instalada nesta semana. A primeira sessão, ainda sem data marcada, confirmará os nomes do senador Omar Aziz (PSD-AM) na presidência e do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) na relatoria. A criação de colegiado parlamentar para investigar o esquema bilionário de descontos a aposentadorias e pensões foi encampada pela oposição no Congresso Nacional.

Ainda que a criação da CPMI tenha sido formalizada em junho, estava pendente a nomeação dos membros e instalação. A espera chega ao fim nesta semana.

IMPRETERIVELMENTE – O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que há um compromisso entre ele e o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) para que a CPMI seja instalada esta semana “impreterivelmente”.

A nomeação de relator pelo presidente Hugo Motta, da Câmara dos Deputados, cumpriu etapa essencial à instalação. O escolhido foi Ricardo Ayres (Republicanos-PB), nome que atende à expectativa da escolha de um relator com habilidade para lidar com a esquerda e com a direita.

Ayres se comprometeu a conduzir um trabalho técnico, imparcial e transparente. “Nosso compromisso é apurar com rigor todas as denúncias de irregularidades que possam ter prejudicado aposentados e pensionistas, garantindo que os culpados respondam pelo que fizeram e que os direitos de cada beneficiário sejam preservados”, escreveu nas redes sociais após a nomeação.

60 PARLAMENTARES – A comissão será composta por 15 deputados e 15 senadores titulares e igual número de suplentes. Os líderes partidários, entretanto, ainda fecham a lista com os escalados para compor o colegiado. As indicações devem respeitar o princípio da proporcionalidade partidária, ou seja, os maiores blocos e partidos têm direito a mais vagas.

O esquema de descontos ilegais na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas foi revelado em abril após operação da Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU).

No total, as entidades teriam cobrado de aposentados e pensionistas um valor estimado de R$ 6,3 bilhões, entre os anos de 2019 e 2024.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A abertura da CPMI foi anunciada tantas vezes que ninguém acreditava mais. Lula está furioso, porque um dos principais investigados é seu irmão mais velho, conhecido como “Frei Chico”, que é vice-presidente de um dos sindicatos envolvidos no desvio de recursos de aposentados e pensionistas da Previdência Social. E não é a primeira vez que fazem isso. Os petistas parecem que são viciados nessa modalidade de corrupção, que levou há alguns anos levou à cadeia o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, que então era marido de Gleisi Hoffmann. (C.N.)

Com a reunião no Alasca, Trump conseguiu fortalecer Putin e enfraquecer a Ucrânia

After meeting Putin, Trump pivots on need for a ceasefire : NPR

Em matéria de enganação, ninguém supera Trump

Caio Junqueira
da CNN

Nesta sexta-feira (15), o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a condição do líder russo, Vladimir Putin, de pária internacional a líder global. Eles chegaram juntos em uma limusine, sob salvas militares e com direito a tapete vermelho, para uma reunião restrita de três horas. 

Nos dez minutos de declaração que concederam após o encontro a portas fechadas, ficou claro que a guerra da Ucrânia não foi resolvida, mas expôs a nova relação dos Estados Unidos com a Rússia. Com isso, a nova posição de Putin no mundo se consolidou.

PARCERIA  VITAL – Putin e Trump buscam uma aliança econômica entre os dois países, tendo por base parcerias em questões estratégicas como tecnologia e poderio nuclear.

No entanto, o ponto principal é a reconfiguração geoeconômica do mundo, que passaria a ser dividido em áreas de influência controladas pelos dois países e a China, desfazendo de vez a ordem do pós-guerra baseada em regras.

Isso consolidaria uma nova ordem mundial baseada na força e aumentaria o risco de subjugação para quem não se incorporar a ela.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não houve o menor avanço em relação à guerra na Ucrânia, muito pelo contrário. O que aconteceu foi um retrocesso, com o presidente ucraniano Zelenski dizendo que pode ceder terras à Rússia, em troca da paz. E agora fica claro que o russo Putin sabe que pode contar com Trump, enquanto a China fica sozinha e atônita. E quem é capaz de entender uma maluquice dessas? (C.N.)

Carluxo foi bem claro e mostrou que governadores caíram na armadilha de Bolsonaro

Após rumor de candidatura de Carlos Bolsonaro, Fiesc diz que SC não precisa importar políticos - A Crítica de Campo Grande

Carlos Bolsonaro mandou recado duro aos governadores

Josias de Souza
do UOL

Acreditar que o clã Bolsonaro trataria bem governadores que acenam com o indulto é semelhante a imaginar que uma tribo de antropófagos deixaria de mastigar alguém apenas por se declarar vegetariano. Carlos Bolsonaro desfez todas as ilusões.

Numa postagem avalizada pelo irmão Eduardo, Carluxo bateu em Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. Não citou os nomes. Nem precisava. Disse ter perdido a paciência com os governadores ditos “democráticos”.

RATOS E OPORTUNISTAS – Chamou-os de “ratos” e “oportunistas”. Avalia que estão preocupados “apenas com seus projetos pessoais”, enquanto seu pai está “preso” em casa e “doente”. Considera insuficiente a promessa de indulto. Tachou o comportamento dos governadores de “desumano, sujo, oportunista e canalha.

– Tentei, até agora, ser a pessoa mais paciente possível diante desses chamados “governadores democráticos”. Mas os fatos, todos os dias, me provam que não há como levar nenhum desses sujeitos a sério, enquanto Jair Bolsonaro está preso, doente e sendo lentamente assassinado? – postou Carlos Bolsonaro.

Convém não questionar Carluxo sobre a degradação humana. Não se deve discutir desumanidade, sujeira, oportunismo e canalhice com um especialista. Mas seria injusto atribuir apenas à perversão do filho 02 a degeneração da imagem dos governadores.

Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho acorrentaram-se voluntariamente a Bolsonaro. Atacam o Supremo, adulam Trump, negligenciam a traição de Eduardo e contemporizam com o golpismo. Todo camundongo sabe que rato que tem só um buraco não tarda a ser apanhado. Os governadores caíram na ratoeira do bolsonarismo.

China foi ofendida por Bolsonaro, mas nem por isso atacou os brasileiros

Dora Kramer
Folha

Governadores que pretendem representar a direita na disputa presidencial de 2026 insistem em responsabilizar o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) pela crise com os Estados Unidos. É a maneira confortável que acharam para se distanciar das ações bolsonaristas. A desonestidade mental na construção de versões não deixa de ser um direito inalienável de seus autores, embora o truque encontre na realidade um poderoso obstáculo.

Verdade que Lula não precisaria ter contaminado a relação entre os dois países com a doença infantil do antiamericanismo. Mais condizente com a tradição diplomática do Brasil teria sido manter a tradição de neutralidade, mas está feito e, pelo jeito, não vai mudar.

ÍNDIA, INCLUSIVE – Ademais, a ofensiva de Donald Trump não atingiu apenas adversários ideológicos. Alcançou governos politicamente amigáveis como a Índia, também sancionada com tarifas de 50%. Portanto, as posições de Lula podem até compor a cena, mas não servem como justificativa nem explicam o todo até agora sem explicação razoável.

Os governadores de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás certamente não estão acometidos por um surto de amnésia. Devem se lembrar muito bem do tratamento que o então governo de Jair Bolsonaro (PL), apoiado por eles, reservava à China, da mesma forma por razões ideológicas.

O maior parceiro comercial do Brasil, à época visto como ameaça comunista, foi alvo de declarações ofensivas, de retórica agressiva e até culpado pela pandemia da Covid-19.

SEM INTERVIR – Em protesto, a embaixada chinesa reagiu com energia, mas nem por isso prejudicou a pauta de exportações nem tentou intervir em nossas questões internas ou aplicar sanções a pessoas cujos atos desagradassem a Pequim.

Pretensões eleitorais não autorizam ninguém a distorcer os fatos de modo para moldá-los às suas conveniências. No caso, o que temos é a figura de um agressor que decidiu acionar sua usina de punições para dar asas à própria violência. Uma doença que um telefonema de Lula não cura.

O inconformismo de Cora Coralina com os menores abandonados

Cora Coralina Biografia: Tudo sobre a poetisa e contista brasileira - THMais - Você por dentro de tudoPaulo Peres
Poemas & Canções

A poeta Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme este poema em que Cora transmite o seu sofrimento com a situação do menor abandonado. 

MENOR ABANDONADO
Cora Coralina

(Versos amargos para o
Ano Internacional da Criança, 1979).

De onde vens, criança?
Que mensagem trazes de futuro?
Por que tão cedo esse batismo impuro
que mudou teu nome?

Em que galpão, casebre, invasão, favela,
ficou esquecida tua mãe?…
E teu pai, em que selva escura
se perdeu, perdendo o caminho
do barraco humilde?…

Criança periférica rejeitada…
Teu mundo é um submundo.
Mão nenhuma te valeu na derrapada.

Ao acaso das ruas – nosso encontro.
És tão pequeno… e eu tenho medo.
Medo de você crescer, ser homem.
Medo da espada de teus olhos…
Medo da tua rebeldia antecipada.
Nego a esmola que me pedes.
Culpa-me tua indigência inconsciente.
Revolta-me tua infância desvalida.

Quisera escrever versos de fogo,
e sou mesquinha.
Pudesse eu te ajudar, criança-estigma.
Defender tua causa, cortar tua raiz
chagada…

És o lema sombrio de uma bandeira
que levanto,
pedindo para ti – Menor Abandonado,
Escolas de Artesanato – Mater et Magistra
que possam te salvar, deter a tua queda…

Ninguém comigo na floresta escura…
E o meu grito impotente se perde
na acústica indiferente das cidades.

Escolas de Artesanato para reduzir
o gigantismo enfermo
da criança enferma
é o meu perdido s.o.s.

Estou sozinha na floresta escura
e o meu apelo se perdeu inútil
na acústica insensível da cidade.
És o infante de um terceiro mundo
em lenta rotação para o encontro
do futuro.

Há um fosso de separação
entre três mundos.
E tu – Menor Abandonado,
és a pedra, o entulho e o aterro
desse fosso.

Quisera a tempo te alcançar,
mudar teu rumo.
De novo te vestir a veste branca
de um novo catecúmeno.
És tanto e tantos teus irmãos
na selva densa…

E eu sozinha na cidade !

Pela primeira vez, Zelenski admite que pode ceder territórios para a Rússia

Lamento que Otan não tenha nos ouvido, diz Zelenski - 24/07/2022 - Mundo -  Folha

Sem apoio dos EUA, Zelesnki devolverá terras à Rússia

Deu na Folha

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou neste domingo (17) que as negociações com a Rússia para o fim da guerra podem ter como base a linha de frente atual do conflito, e esta é a primeira vez que o líder ucraniano admite colocar na mesa parte de seu território.

“Precisamos de negociações reais, o que significa que podemos começar por onde está a linha de frente agora”, disse ele, após encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas.

REUNIÃO, HOJE – O líder ucraniano viajou à sede da União Europeia na tentativa de mobilizar apoio de aliados europeus, todos apartados da cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin na sexta-feira (15). Zeleski, Von der Leyen e outros líderes do continente viajam a Washington nesta segunda-feira (18) para se reunir com o americano.

A cúpula entre Putin e Trump terminou sem um improvável cessar-fogo, que havia sido colocado como condição por Trump para que Moscou não sofresse “consequências severas”. O republicano, no entanto, saiu do encontro emulando os termos do Kremlin para o fim do conflito, defendendo um acordo de paz permanente em vez de um cessar-fogo, algo que favorece a posição russa.

Trump também fala agora em troca de território para finalizar um pacto, termo que agrada ao Kremlin. Putin tem pouco mais de 400 km² sob seu controle em Sumi e Kharkiv, áreas que não fazem parte das quatro regiões que anexou ilegalmente e que reivindica —são elas Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson, além da Crimeia ocupada desde 2014 que já vê como sua e pouco é considerada em discussões sérias sobre o fim do conflito.

NOVAS FRONTEIRAS – Cerca de 6.600 km² de Donetsk ainda estão sob controle ucraniano, embora tropas russas tenham ganhado terreno recentemente próximo a cidades relevantes no local, ameaçando as defesas de Kiev. A troca, portanto, pode se referir à entrega da totalidade de Donetsk aos russos pelo retorno da pequena área de Sumi e Kharkiv. Lugansk já está toda sob controle de Moscou, que pode aceitar recortar Zaporíjia e Kherson e congelar o território no desenho atual da linha de frente.

Neste domingo, apesar do recuo em sua posição até aqui intransigente quanto a ceder territórios, Zelenski reiterou que busca uma pausa no conflito antes de negociar um acordo permanente.

Os péssimos sinais vindos do encontro Putin-Trump para Kiev, apartado na prática da discussão sobre o fim da guerra, é também deplorado por europeus, temerosos das aspirações de Putin para o resto do continente. A reação à cúpula, porém, foi cautelosa e em tom propositivo, com os principais líderes buscando caminhos que contemplassem a nova realidade.

GARANTIAS SÓLIDAS – Ursula von der Leyen, por exemplo, já havia se pronunciado antes de receber o ucraniano, afirmando que “garantias de segurança sólidas que protejam os interesses vitais de segurança da Ucrânia e da Europa são essenciais” e, por isso, que está trabalhando em “estreita colaboração com Zelenski e os EUA”.

Neste domingo, Zelenski e Von der Leyen se reuniram também com o presidente da França, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, do Reino Unido, Keir Starmer, e da Suécia, Ulf Kristersson.

Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia afirmou que a Europa continuará “a apoiar o caminho da Ucrânia em relação à adesão à União Europeia”, adicionando que não poderia haver limitações às Forças Armadas de Kiev em eventual acordo de paz. Não falou em adesão à Otan, a aliança militar ocidental.

FRENTE UNIDA – Macron fez coro à Von de Leyen e ainda afirmou que a reunião de segunda representará uma frente unida da Ucrânia com seus aliados europeus. “Se mostrarmos fraqueza hoje diante da Rússia, estaremos preparando o terreno para conflitos futuros”, alertou.

Um dos pontos em discussão seria implementar garantias de segurança à Ucrânia, semelhante ao que prevê o artigo 5 da carta fundadora da aliança, mas sem incluir Kiev no grupo, algo que é inadmissível para Putin.

A ideia da garantia alternativa foi ventilada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no sábado (16). Neste domingo, o enviado especial americano, Steve Witkoff, afirmou em entrevista à rede americana CNN que Putin concordou com a ideia do oferecimento de garantias de segurança dos EUA e da Europa nos moldes do artigo 5 da Otan a Kiev, sem a admissão dos ucranianos ao grupo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quer dizer que toda a mortandade, toda a destruição de cidades inteiras, toda a gastança de armas, munições, combustíveis e alimentos, tudo isso que ocorreu para evitar que a Rússia avançasse suas fronteiras sobre a Ucrânia, foi tudo em vão? Que mundo é esse, minha gente? Quem explica uma loucura nesse nível? (C.N.)

O poder do silêncio: a lição de Vargas lembrada por Elio Gaspari

Presidente cultivava seus silêncios estratégicos

Pedro do Coutto

No artigo publicado ontem em O Globo e na Folha de S.Paulo, Elio Gaspari lembra que Getúlio Vargas demonstrou, em plena Segunda Guerra Mundial, que o silêncio pode ser mais estratégico do que qualquer discurso. Em 1942, Franklin Roosevelt pressionava intensamente o Brasil a ceder bases militares em Natal e Recife, pontos considerados vitais para a logística americana rumo à África contra o nazismo.

O Pentágono já tinha, como lembra Gaspari, o “Plan Rubber” pronto — um esboço de invasão do Nordeste caso a negociação diplomática fracassasse. Vargas, diante de um cenário que poderia ter transformado o Brasil em mero satélite de Washington, preferiu o caminho da paciência e da ambiguidade. “Ganhou a guerra calado”, escreve Gaspari, sintetizando a habilidade de um líder que soube usar a ausência de resposta como uma forma de poder.

ESTRATÉGIA – O silêncio de Vargas não foi um gesto de submissão, mas uma estratégia calculada. Ao não ceder de imediato, manteve margem de manobra e, quando autorizou a instalação das bases, fez isso em condições que reforçaram a soberania brasileira e asseguraram ganhos políticos e militares. Gaspari lembra que, com essa manobra, o país não apenas evitou a ocupação, como ainda saiu fortalecido na cena internacional, ingressando na guerra como aliado de peso.

O paralelo que Gaspari traça com o presente é revelador. As pressões externas não desapareceram; apenas mudaram de forma e intensidade. Se no passado a diplomacia americana se valia de notas, telegramas e ameaças veladas, hoje ela pode surgir em declarações públicas, tweets presidenciais ou sanções anunciadas em rede internacional.

A diferença está no estilo: enquanto Roosevelt combinava diplomacia firme com cautela estratégica, Donald Trump apostou em humilhações públicas e barganhas de balcão, numa lógica em que a comunicação é mais importante que a construção de confiança.

SILÊNCIO – Há, contudo, um ponto crítico a ser observado. O silêncio de Vargas no plano externo contrasta com o silêncio imposto no plano interno. A mesma habilidade de calar frente a Roosevelt vinha acompanhada, dentro do Brasil, de censura, repressão e autoritarismo. Ou seja, a tática que se mostrou virtuosa no campo diplomático tinha um reverso sombrio quando aplicada à política doméstica.

O ensinamento que Gaspari nos ajuda a revisitar, portanto, não é o de exaltar Vargas em bloco, mas o de compreender que a prudência e o cálculo podem ser mais eficazes que a retórica vazia quando se trata de defender os interesses nacionais.

Num mundo saturado de ruído, declarações impulsivas e confrontos verbais, a lição que emerge desse episódio histórico é clara: saber quando falar é importante, mas saber quando se calar pode ser decisivo. E como conclui Gaspari, talvez o maior legado de Vargas tenha sido mostrar que, diante das grandes potências, o Brasil não precisa se ajoelhar nem gritar — basta ter inteligência para escolher o silêncio certo, no momento certo.

Incluir Malafaia em inquérito de Eduardo Bolsonaro pode causar reação evangélica

Silas Malafaia grava vídeo aos berros após virar alvo da PF

Malafaia desafia a PF: “Estão procurando a pessoa errada”

Carla Araújo
do UOL

A inclusão do pastor Silas Malafaia no inquérito que investiga as ações de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil nos Estados Unidos gerou um alerta no Supremo Tribunal Federal: a reação dos evangélicos. A informação de que o pastor foi incluído no mesmo inquérito que envolve Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foi divulgada pela GloboNews. O inquérito está sob sigilo.

A colunista Bela Megale, do jornal O Globo, relatou que o ministro André Mendonça conversou com o decano Gilmar Mendes sobre a preocupação com a reação da Igreja Evangélica.

MAIS UM ERRO – Mesmo destacando que Malafaia não é uma unanimidade entre os evangélicos, a avaliação é que Moraes reforça a narrativa de que não se pode fazer críticas a sua condução dos inquéritos e que estaria atentando contra a liberdade de expressão.

Outro ministro ouvido pela coluna disse concordar com a avaliação de Mendonça e ressaltou que a comunidade evangélica nos EUA é muito forte e poderosa, por isso a inclusão de Malafaia tende a piorar a situação, com novas sanções.

O inquérito foi aberto em maio e apura supostas ações contra autoridades, contra o tribunal e agentes públicos, além de articulação para obtenção de sanções internacionais contra o Brasil. Foi com base nesse inquérito que Moraes determinou o bloqueio das contas e bens do deputado. De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, a decisão foi comunicada à Casa no dia 24 de julho. A partir dessa data, os “valores serão retidos conforme a determinação recebida”. 

Bancos brasileiros analisam contas de Moraes para aplicar Lei Magnitsky

Banco Master, com 30 processos no STF, contrata escritório de esposa e  filhos de Alexandre de Moraes. - Notícias | Portal 7 Cidades

É preciso saber até que ponto a lei atingirá as famílias

Letícia Casado
do UOL

Os bancos brasileiros estão analisando as contas e ativos financeiros do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para aplicar, onde couber, as restrições impostas pelos Estados Unidos por meio da lei Magnitsky, apurou a coluna.

A punição entrou em vigor no fim de julho. Desde então, as instituições financeiras brasileiras têm feito consultas a escritórios de advocacia nos EUA para entender quais bens e transações do ministro devem ser congelados ou cerceados e executar a ordem.

SOBRAM DÚVIDAS – Existe consenso, entre os especialistas, de que o indivíduo sancionado não pode comprar e vender dólares nem aplicar em nenhum produto de investimento que tenha qualquer conexão com o mercado norte-americano. Mas sobram dúvidas no que diz respeito a outros tipos de operação e às penalidades para os bancos que não cooperarem.

Os grandes bancos ficaram incomodados com os comentários de Eduardo Bolsonaro, na quinta, de que parece que não estão obedecendo à determinação do governo de Donald Trump.

Como se trata de uma situação inédita envolvendo uma legislação internacional complexa e existem regras de sigilo bancário no Brasil que também precisam ser observadas, as instituições financeiras não estão falando publicamente sobre suas ações, mas têm agido para cumprir os requerimentos.

GRANDES VIOLADORES – A lei Magnitsky foi desenhada para ser aplicada a grandes violadores de direitos humanos apontados como responsáveis por genocídio, estupros em massa, tortura e trabalho forçado, entre outros crimes.

O governo americano aponta Moraes como violador do direito de liberdade de expressão no Brasil, mas juristas especializados em direito internacional entendem que o ministro não se enquadra nessa classificação e que a lei está sendo manipulada para atingir desafetos.

Depois de derrotar o Hamas, agora Israel precisa derrotar Netanyahu

Benjamin Netanyahu: What are the corruption charges? - BBC News

Com Netanyahu no poder, Israel jamais terá paz duradoura

Mario Sabino
Metrópoles

O exército de Israel já planificou a ocupação da cidade de Gaza, apesar da oposição dos seus generais à ordem emanada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, interessado em estender a guerra ao máximo para não ter de responder aos crimes dos quais é acusado em seu país. Não importa a patente, soldados obedecem.

Do outro lado do jogo político macabro, o Hamas resiste a devolver os reféns israelenses que ainda permanecem sob o seu jugo, vítimas de um cotidiano de torturas e humilhações, como demonstra o vídeo que exibe o esfaimado Evyatar David cavando o que seria a própria cova. Quem paga pela vileza é a população de Gaza, que continua a servir de escudo para os terroristas.

Imagem colorida de Evyatar David, refém do Hamas - Metrópoles

Evyatar David, um dos reféns ainda vivo

VALOR DA VIDA – A verdade invisível apenas a antissemitas e aos seus cúmplices ingênuos é que a vida de um palestino tem o mesmo valor da vida de um judeu para esses facínoras.

Estima-se que, dos 50 reféns israelenses que continuam nas mãos do Hamas, apenas entre 20 e 23 estejam vivos. À diferença do início da guerra, os terroristas não têm quase nada a perder se matarem todos, uma vez que o Hamas profissional foi dizimado pelo exército israelense.

Israel não fornece números, mas governos europeus acreditam que 20 mil terroristas morreram nos bombardeios a Gaza. Foram substituídos por jovens com idade média de 19 anos e nenhum treinamento.

SEM COMANDANTES – O Hamas também foi decapitado dos seus comandantes. Sobraram entre seis e sete chefes militares de segunda linha, que vivem escondidos em buracos e dificilmente se comunicam entre eles.

Os terroristas não dispõem mais de foguetes para atingir território israelense, têm apenas armas leves, e a sua ação hoje se resume a atos de guerrilha em Gaza. Sem poder contar com o financiamento do Irã, derrotado por Israel, o Hamas não tem como se rearmar.

Israel venceu os terroristas, mas não conseguiu reaver todos os reféns. Dificilmente sairá desse beco, se não derrotar também Benjamin Netanyahu.

Anistia aos golpistas é bomba deixada por Arthur Lira para Motta

Arthur Lira defende proposta para limitar ações no Supremo | Agência Brasil

Arthur Lira só apareceu em plenário no final da sessão

Victor Ohana e Pepita Ortega
Broadcast

Líderes de bancadas da Câmara dos Deputados avaliam que o ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) deixou uma “bomba” para o sucessor Hugo Motta (Republicanos-PB) ao não ter resolvido a questão da anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A avaliação foi feita após a oposição ter ocupado o plenário da Casa em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Procurado, Lira não atendeu a reportagem. O espaço segue aberto.

O bloco da oposição reivindicou a anistia e restrição de Poderes do Supremo Tribunal Federal (STF). A retomada dos trabalhos se deu na quarta-feira, 6. Nas negociações, Lira foi chamado pela oposição para colaborar na resolução do conflito, o que preocupou interlocutores de Motta.

O QUE DIZEM – Reservadamente, líderes saíram em defesa de Motta e avaliaram que, ao chamar Lira, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), quis desqualificar o atual presidente da Câmara. Além disso, para deputados, Sóstenes foi a Lira quando não viu mais possibilidade de acordo. Eles argumentam que os líderes já haviam decidido retomar os trabalhos.

Para um líder ouvido pelo Estadão/Broadcast, Motta não conduziu o assunto de modo errado porque, ao assumir o posto deixou bem claro que se pautaria através do diálogo. Segundo esse líder, a decisão de Lira de postergar o assunto resultou em um “acúmulo de insatisfações”.

Para outro líder “solidário” a Motta, a postergação de Lira piorou a crise porque a oposição agora tem as armas esgotadas e busca o “confronto direto” com o atual presidente da Câmara. Segundo esse deputado, a forma como Motta atua para evitar confrontos é confundida equivocamente como sinal de fraqueza.

EFEITO RETARDADO – Outro aliado de Motta chegou a classificar a “bomba” que teria sido deixada por Lira como “de efeito retardado”, considerando que os temas agora reivindicados pela oposição já estavam em “fogo brando” na Casa.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, líderes consideram que o saldo principal da mobilização da oposição foi uma convergência com o Centrão em relação ao descontentamento com o STF, com a discussão de temas em suposta resposta à Corte máxima como o fim do foro privilegiado e a restauração de prerrogativas parlamentares.

Para aliado do presidente da Câmara, as reivindicações da oposição com maior chance de passar na Casa são a restrição a decisões monocráticas de ministros do STF – por já ter sido debatida no Senado – e o fim do foro privilegiado – por se tratar de um tema que, de modo geral, a Casa deseja.

EXISTE ACORDO? – Com relação à marcha de Sóstenes até o gabinete de Lira, esse deputado avalia que o líder do PL procurou o ex-presidente da Câmara enquanto cardeal do PP, e não para resolver a questão. No mesmo dia, Sóstenes anunciou, ao lado de líderes do PP e do União, que havia um acordo entre eles para que fosse debatido o foro privilegiado e depois a anistia.

Questionado pela reportagem se quis desqualificar Motta ao recorrer a Lira, o líder do PL disse que ligou para o ex-presidente da Câmara após uma discordância com Motta na tarde daquela quarta-feira. “Quando eu liguei para o Lira, é porque nós tínhamos tido um problema (com Hugo Motta)”, afirmou.

Por conta do desentendimento, Sóstenes afirmou não ter se sentido confortável para ir à reunião de líderes à noite. O líder do PL, então, disse que o ex-presidente da Câmara lhe telefonou e lhe “emprestou” o gabinete, para que pudesse conversar com ele e outros cardeais do Centrão. “Ele (Lira) me emprestou a sala”, declarou. Após o debate no gabinete de Lira, o grupo se dirigiu a Motta. Ainda de acordo com o líder do PL, a discordância que o deixou desconfortável foi a mesma pela qual ele pediu perdão a Motta no plenário. Da tribuna, Sóstenes disse na quinta, 7, que “não foi correto” com Motta “no privado” e agradeceu o presidente por ter sido “muito paciente”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O problema é que Sóstenes ainda não tem o apoio de líderes que representem a maioria absoluta da Câmara (metade mais um dos deputados), para aprovar a “urgência urgentíssima”. Enquanto não conseguir, a anistia não começa a tramitar. (C.N.)

O surpreendente mundo da química é ideal para ampliar divulgação científica

Conheça a lista de 9 objetos básicos obrigatórios em um laboratório escolar  de química | Prolab

Avanços da química são incentivos para os estudante

Hélio Schwartsman
Folha

O mundo precisa desesperadamente de alfabetismo científico. Basta lembrar que, em 2020, Donald Trump, em sua primeira passagem pela Casa Branca, sugeriu que cientistas investigassem se injetar desinfetantes no corpo de pacientes não seria a solução para a pandemia de Covid.

Tudo bem que Trump é um cara fora da curva e só estava pensando alto. Mas respeitados membros da comunidade médica insistiram no uso de cloroquina contra a moléstia mesmo quando já havia muitos ensaios clínicos mostrando que essa droga antimalárica não era efetiva contra o Sars-CoV-2.

ESTUPIDEZ – Mesmo hoje, cinco anos depois de uma pandemia da qual o mundo foi resgatado por vacinas, parte das populações de países ricos e instruídos recusa imunizantes, provocando a ressurgência de doenças que haviam se tornado raras nesses lugares.

Contra a estupidez lutam os próprios deuses em vão, afirmou Schiller. Mas daí não decorre que devamos desistir. É aí que entram divulgadores de ciência como Joe Schwarcz, que acaba de ter uma de suas obras, “O Surpreendente Mundo da Ciência”, lançada no Brasil.

Schwarcz é um clássico da divulgação científica. Isso significa que ela pega casos curiosos, identifica neles uma questão científica e a esclarece, quase sempre ampliando ainda mais a discussão. A ideia é usar boas e bem contadas histórias para despertar no público o interesse pela ciência.

PSEUDOCIÊNCIAS – Quanto mais cientificamente alfabetizada for a população, menos espaço haverá para pseudociências, charlatanismos e cloroquinismos. E, se há algo que Schwarcz sabe fazer, é transformar sua área de especialidade, que é a química, em histórias interessantes.

Ao fazê-lo ele trata de questões primordiais para a vida das pessoas, como a alimentação, e do planeta, como poluição e mudança climática.

De forma menos vital, mas igualmente interessante, ele desvenda até a química do cheiro de livros, tanto os velhos como os novos. E informa usuários de Kindle saudosistas que já existem perfumes e velas com os aromas de que eles tanto sentem falta.

Getúlio Vargas ganhou a guerra calado; Lula está perdendo, porque fala demais…

Lula,como Vargas, luta contra patrimonialismo tupiniquim sob capitalismo em  crise e guerra mundial à vista - Patria Latina

Ilustração: Pátria Latina

Elio Gaspari
Folha

Valeria a pena mandar um pesquisador aos arquivos do Itamaraty para consultar a conduta de Getúlio Vargas durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Ele tinha um enorme abacaxi no colo. Depois da entrada dos Estados Unidos na guerra, em 1941, o Brasil corria o risco de uma invasão para assegurar o controle de pistas de pouso no Saliente Nordestino. Voando de Natal, os aviões americanos poderiam chegar à África.

Os personagens dessa época nada tinham em comum com os da crise de hoje. O presidente americano Franklin Roosevelt era um simpático profissional, enquanto Donald Trump faz da antipatia um estilo de vida. Vargas cultivava seus silêncios, já Lula fala o que lhe vem à cabeça.

SILÊNCIO – Com a entrada do Brasil na Guerra e a criação da Força Expedicionária Brasileira, Getúlio fez do limão (o risco da invasão) uma limonada. O silêncio foi sua arma. Em 1938, um ano antes do início da guerra, os Estados Unidos já olhavam para a importância estratégica do Saliente Nordestino.

Getúlio era uma esfinge, mas os generais Eurico Dutra e Góes Monteiro eram germanófilos assumidos. Um era ministro da Guerra e o outro, chefe do Estado-Maior do Exército e condestável militar do Estado Novo.

Em janeiro de 1939, os americanos pediram o primeiro estudo de ocupação do Saliente. Em agosto, um mês antes do início da guerra na Europa, o Exército americano desenhou o Plano Rainbow (Arco-Íris). De prático, resultou o envio de um cônsul para Natal, com o objetivo de colher informações. Meses depois a cidade estava mapeada, localizando até mesmo a casa do bispo.

DIZIA VARGAS – Em maio de 1940, Vargas escreveu: “As notícias da guerra são de uma verdadeira derrocada para os Aliados. O povo, por instinto, teme a vitória alemã; os germanófilos exaltam-se. Mas o que ressalta evidente é a imprevidência das chamadas democracias liberais.”

Meses depois da tomada de Paris, o embaixador alemão no Rio achava que os militares brasileiros não aceitariam bases americanas, caso os Estados Unidos entrassem na guerra. Tudo bem, mas, na mesma semana, os americanos estavam de olho em Natal e registravam:

“O aeroporto não é guardado por tropas ou polícia… aviões de transporte vindos da África ou Açores podem surpreender tropas terrestres e ocupar Natal e outras cidades da corcunda do Brasil.”

PISTA DE POUSO – Vargas se equilibrava, prometia a base, negociando armas e, se possível, uma siderúrgica. Os americanos construíram pistas de pouso com dinheiro de um fundo secreto e o logotipo da companhia PanAmerican.

O embaixador alemão continuava convencido de que não haveria acordo. Afinal, os generais Dutra e Góes Monteiro remanchavam e queixavam-se a Vargas. Ele escrevia: “O ministro da Guerra falou-me dos planos que os americanos alimentaram, de ocupação do nosso território” (…) “Góes convencido de que os americanos querem ocupar o nosso território do Nordeste, a pretexto de nos defender contra ataques alemães.”

Em setembro de 1941, Dutra era claro: “A vinda agora de elementos americanos para o Brasil acarretaria a consequência de anular nossa soberania na região.”

PLANO DE OCUPAÇÃO – Em 1993, o repórter Lauro Jardim revelou que, em novembro de 1941, os Estados Unidos tinham um plano para invadir o Brasil, ocupando Natal, Recife, Belém, Salvador, São Luís, Fortaleza e a Ilha de Fernando de Noronha.

Em dezembro, os japoneses atacaram Pearl Harbor. Os EUA entraram na guerra e foram buscar o Saliente Nordestino. O então tenente-coronel Kenner Hertford contaria:

Para encurtar a história, os brasileiros aceitaram cem fuzileiros em Belém, outros cem em Natal e mais cem em Recife e Fortaleza. (…) Concordaram em que nosso Exército assumisse o controle das torres dos aeroportos. Inicialmente, não podiam usar uniformes”. E a pista de Parnamirim, perto de Natal, foi uma das mais movimentadas da época.

Collor foi condenado pelo Supremo por ter apoiado Bolsonaro em 2022

Moraes pede documentos à defesa de Collor para justificar prisão domiciliar

Aos 76 anos, Fernando Collor tem transtorno afetivo bipolar

Vicente Limongi Netto                                                                   

Saúde para Fernando Collor, que dia 12 completou 76 anos de idade.  Somos amigos há 40 anos. Um dia a verdadeira história republicana fará justiça a Collor de Mello. Em todos os cargos públicos que ocupou, Collor sempre trabalhou pela coletividade com vigor e determinação. Com o mesmo inabalável espírito público. Como todo ser humano, errou muito, mas também acertou bastante. 

Collor nunca foi dissimulado. Enfrentou com rigor obstáculos e calúnias de infames, covardes e decaídos. Como presidente da República, Collor tirou o Brasil das amarras do atraso. Deixou leis que permanecem servindo aos brasileiros, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor. Sempre defendeu a Constituição e um Senado forte e soberano. 

ABSOLVIDO – No STF foi absolvido por unanimidade em dois julgamentos. Mas há pouco virou réu e condenado, pelo mesmo Supremo Tribunal Federal. Julgamento torpe e vingativo.

O erro crucial e mortal de Collor, eleito chefe da nação com 40 anos de idade, foi ter apoiado Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, na disputa com Lula da Silva em 2022.

A corte, agora esmerado puxadinho do PT e de Lula, foi implacável. Os olhos dos carrascos de Collor sangraram, de tanto fervor cívico. Collor jamais temeu eleições. Sempre foi eleito pelo voto direto.

COMENDA – A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC) condecorou o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, com a Ordem Nacional do Mérito Comercial, no grau de cavaleiro.

A comenda foi entregue pelo presidente da CNC, José Roberto Tadros, que enalteceu as qualidades pessoais e profissionais de Aparecido. Por sua vez, Aparecido destacou:

“Tadros nos mostra como trabalhar com transparência e dedicação. Nesses últimos 6 anos seu trabalho uniu mais nossa entidade e ajudou o Brasil a conhecer melhor a CNC, o Sesc e o Senac”.

PEQUENO POEMA – Para nos conduzir neste domingo, um pequeno poema, “Acenos” –  O dorso nu mostra o coração florido./ O céu descobre mãos suaves,/ Sombreadas com nuvens prontas para o baile dos aflitos.

Na Libertadores, há poucas jogadas de ataque para invadir as retrancas 

Dois jogadores de futebol estão em campo. Um deles, à esquerda, está vestindo uma camisa branca com detalhes vermelhos e calças brancas, com uma expressão de desânimo, passando a mão na cabeça. O outro jogador, à direita, está usando uma camisa listrada em vermelho e preto, com o número 9 nas costas. Ao fundo, é possível ver uma arquibancada com torcedores e uma faixa.

40% dos gols do Flamengo estão saindp de bola parada

Tostão
Folha

Pela Libertadores, Flamengo e Inter fizeram um jogo estratégico, intenso, com muita marcação, mas com pouca criatividade e qualidade técnica. O Flamengo dominou a maior parte do jogo, porém, como tem sido habitual, criou poucas chances de gol. Jorginho, excelente meio-campista, que geralmente inicia as jogadas ofensivas no próprio campo com ótimos passes, posicionava-se mais à frente, enquanto Allan, que não tem essa qualidade, iniciava os lances.

Após o Mundial de Clubes, 40% dos gols do Flamengo foram decorrentes de bolas paradas. É exagero. No Campeonato Inglês são 17%. Além disso, o Flamengo e todos os clubes brasileiros cruzam demais as bolas da intermediária, o que facilita para o zagueiro cortar. Já os principais times europeus usam bastante as viradas rápidas de bola de um lado para o outro e também as triangulações pelas laterais até alguém penetrar na defesa para receber a bola e cruzar da linha de fundo para o companheiro cabecear de frente para o gol.

INTER E FOGÃO – O que ocorre com o Inter, que teve uma grande queda nesta temporada? O treinador e a estratégia não mudaram, porém caiu muito a qualidade de alguns jogadores. Wesley, que surpreendeu no ano passado por ter atuado muito melhor do que no Cruzeiro, voltou a jogar como antes, sem brilho. O futebol tem razões que vão além de nossos conhecimentos e explicações técnicas e táticas.

O Botafogo, em casa, venceu a LDU, do Equador, por 1 a 0. Ancelotti estava presente para ver os jogadores e o primeiro trabalho de seu filho Davide como técnico. Deve ter ficado satisfeito. Na Copa do Mundo, o filho voltará a ser auxiliar do pai.

Nas muitas partidas que Ancelotti viu pelo Brasil, deve ter constatado o que já sabia, que a seleção possui uma grande carência nas laterais. Vários jogadores que atuam no Brasil têm sido convocados, como Arana, do Atlético-MG, Alex Telles, do Botafogo, Alex Sandro e Emerson Royal, do Flamengo. Todos são bons nos seus clubes, mas fracos para a seleção. Se o uruguaio Piquerez, do Palmeiras, fosse brasileiro, seria titular na seleção.

CONCEITOS MODERNOS – O Palmeiras goleou, em Lima, o fraquíssimo Universitario por 4 a 0, com três gols no início da partida. A dupla de ataque formada por Vitor Roque e Flaco López, juntos desde o início do jogo pela primeira vez, foi o destaque da partida. Após o primeiro gol, o time peruano foi para o ataque, o que facilitou bastante para os dois atacantes, especialmente Vitor Roque, com sua enorme velocidade. Ainda é cedo para uma avaliação da dupla. Os apressados já estão eufóricos.

Aos poucos, as equipes brasileiras têm incorporado os importantes conceitos modernos na maneira de jogar, como a marcação por pressão em todo o campo para recuperar rapidamente a bola, a compactação para não deixar grandes espaços entre os setores, a intensidade para atacar e defender com muitos jogadores, a saída de bola com troca de passes desde o goleiro, a alternância entre o jogo curto e o mais longo em direção ao gol e outros detalhes.

Porém nada disso é suficiente se não há talento individual e capacidade de, em uma fração de segundo, tomar decisões corretas, com clareza, concisão e precisão.