Prestígio crescente de Alcolumbre exibe a progressiva degradação da política brasileira

Congresso retoma trabalhos nesta segunda com foco em reformas | VEJA

Maia e Alcolumbre são “dois perdidos numa política suja”

Carlos Newton

Até fevereiro de 2019, a opinião pública brasileira desconhecia completamente a figura de Davi Alcolumbre (DEM-AP), um apagado senador, que bafejado pela sorte acabou se tornando presidente do Congresso, fato que está a demonstrar que a tal Nova Política é uma obra de ficção.

O senador do Amapá é alvo de três ações eleitorais no Tribunal Superior Eleitoral e de dois inquéritos criminais no Supremo, envolvendo fraudes contábeis na campanha de 2014. Usou empresas da família e do contador e presidente do comitê financeiro do partido para justificar gastos de R$ 763 mil, que estão sob suspeita, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

ESTRANHO NO NINHO – Com esse curriculum, Alcolumbre jamais poderia estar presidindo o Senado e o Congresso, porque é o típico representante da Vella Política, que tanto mal tem feito ao país.

Presidindo os trabalhos do Legislativo, o deslumbrado Alcolumbre gostou do poder efêmero e quer continuar ilegalmente no comando da Mesa Diretora, através de mudança no Regimento, para viabilizar sua reeleição e de Rodrigo Maia na Câmara.

Para alterar o Regimento e  permitir novo mandato, Alcolumbre precisará de aprovação do plenário. Antes disso, porém, precisa aguardar a decisão do Supremo, que começa a julgar a questão nesta semana

PARECER FAJUTO – Nessa manobra indecente. Alcolumbre arranjou um parecer fajuto na consultoria do Senado e conseguiu também o apoio do neobolsonarista Roberto Jefferson, que fez o PTB apresentar a questão ao Supremo.

A esperança dessa gente é que STF considere o assunto como interno do Congresso, o que abriria margem para a estratégia, aguardada ansiosamente pelo deputado Rodrigo Maia, que deixou o trabalho sujo com Alcolumbre e ficou na sombra, esperando o desfecho.  

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P.S.Como o relator é Gilmar Mendes (ele, sempre ele…), tudo pode acontecer, neste país da piada pronta e da armação ilimitada. (C.N.)

Ao desistir de depor, Bolsonaro fez “confissão de culpa” sobre interferência na Polícia Federal

Charge: Por que Bolsonaro recuou diante de Moro. Por Nando Motta

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Carlos Newton

Circulam várias versões sobre a decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro, que desistiu de prestar depoimento no inquérito que investiga suas tentativas de interferir nos trabalhos da Polícia Federal, conforme denúncia feita a 24 de abril pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

A versão mais curiosa, plantada pelo Palácio do Planalto, alega que o presidente fez um cálculo pragmático ao se recusar a depor, porque ele teria preferido “um pequeno desgaste político” do que enfrentar o risco jurídico do prosseguimento do inquérito, que a Advocacia-Geral da União está tentando arquivar.

ESTRATÉGIA ARRISCADA – É um direito constitucional do réu ficar em silêncio, para não se comprometer ao depor. Mas essa estratégia é um risco, porque quase sempre é considerada uma confissão de culpa, sobretudo quando o silêncio vem acompanhado de um pedido de arquivamento do inquérito.

No caso, a recusa de depor é ainda mais comprometedora, porque existe nos autos uma declaração do presidente, feita espontaneamente na reunião ministerial de 22 de abril, na qual ele demonstra claramente sua intenção de proteger a família e os amigos, ao pretender acompanhar os inquéritos contra eles na PF.

A decisão desconsiderando o pedido de arquivamento foi tomada imediatamente pelo ministro Alexandre de Moraes, que não tem poupado a família Bolsonaro e o Gabinete do Ódio nos processos das fakes news, além de ter tomado a iniciativa de fazer o STF restaurar a autonomia do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da Receita Federal, que havia sido cerceada em manobra conjunta do presidente e dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

POR ORDEM DE BOLSONARO – Ao decidir esse importantíssimo caso, Alexandre de Moraes certamente vai levar em conta que o inquérito foi aberto por determinação do próprio presidente da República, que se julgou ofendido pelas declarações de Sérgio Moro ao deixar o Ministério. Na petição inicial, assinada pelo procurador-geral Augusto Aras, o ex-ministro Moro é acusado de denunciação caluniosa e mais seis crimes.

Com a apresentação da defesa de Moro e a exibição do vídeo da reunião ministerial, em que há a confissão tácita de Bolsonaro, aconteceu algo jamais visto no Supremo. Como se sabe, o autor do pedido de inquérito foi Bolsonaro, e o investigado era Moro. Mas no site do Supremo é o presidente da República que passou a aparecer como investigado, e os nomes de Moro e de seu advogado até deixaram de constar na capa do inquérito, que se nada tivessem a ver com o feito.

É um erro brutal da Secretaria do Supremo. O inquérito foi aberto tendo Bolsonaro como “vítima”, jamais como “investigado”. Isso significa que ele poderia responder por escrito ao depoimento, ao contrário do que o bestial Celso de Mello afirmou.

POR QUE PAROU? – É o caso de se perguntar a esse tão elogiado ministro aposentado Celso de Mello: Por que parou o inquérito sob alegação de que Bolsonaro não podia depor por escrito, por ser o investigado, se na verdade o investigado é Moro? 

Tecnicamente, até agora Bolsonaro não foi nem se tornou  investigado. Portanto, seu nome deveria constar no Supremo como suposta vítima de denunciação caluniosa e outros seis crimes. Se no decorrer do inquérito surgiram provas de que Bolsonaro é culpado dos oito crimes a ele atribuídos pela defesa de Moro, isso não tira do ex-ministro a condição de “investigado” e de Bolsonaro ser a suposta “vítima”.

Essas denominações só podem mudar em fase posterior, se for aberto o processo, no qual então Bolsonaro figurará como “réu” e Moro como “vítima”.

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P. S. – É isso que o ministro Alexandre de Moraes vai julgar proximamente,  ao decidir se aceita a denúncia contra Bolsonaro, que transformará o inquérito em processo e poderá fundamentar o impeachment, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Em países atrasados como o Brasil, ainda se costuma perder tempo discutindo ideologias

Charge do Wilmar (Arquivo Google)

Carlos Newton

Embora se trate de uma discussão ultrapassada, antiga e arcaica, sempre desperta polêmica a troca de ideias sobre direita e esquerda, capitalismo e comunismo etc. Todavia, enquanto pessoas altamente intelectualizadas perdem tempo e consomem neurônios nesse tipo antiquado de debate, a humanidade permanece em situação degradante.

A maioria das nações continua vivendo em condições medievais, a metade dos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta ainda estão em abandono, com dificuldades de sobrevivência.

DESIGUALDADE SOCIAL – O capitalismo teve uma evolução extraordinária, mas falta muito para que haja justiça social e oportunidades iguais. Por isso, é inaceitável o neoliberalismo, que é apenas o mais novo codinome do velho capitalismo.

Durante a Constituinte (1987/88),  eu costumava ir com frequência ao gabinete do então deputado Delfim Netto, para entrevistá-lo e trocar ideias. E fiquei espantado, esperava que ele fosse um ardoroso defensor do neoliberalismo, mas isso não aconteceu. O ex-ministro não aceitava as então famosas do Consenso de Washington e dizia que o Estado precisava ser forte, como no Japão ou na Coreia do Sul, para regular o mercado, sempre que se fizer necessário.

Sobre o liberalismo radical (denominado “laissez faire”, com mínima atuação estatal, Delfim dizia ser impossível, porque o mercado não pode ser totalmente livre nem comandar a economia, trata-se de uma utopia irresponsável.

SINÔNIMOS – Bem, o professor Delfim Netto faz críticas ao neoliberalismo, mas não é nenhum defensor do comunismo ou do socialismo. Apenas se recusa a defender o capitalismo primitivo que predomina na maioria dos países subdesenvolvidos, como sinônimo de ditadura ou  democracia incipiente e frágil.

O fato concreto é que o radicalismo político não leva a nada, o equilíbrio sempre está no meio.

Desde os anos 80 eu entendo que as ideologias radicais já acabaram. Escrevi uma série de artigos a esse respeito na Revista Nacional, que na época era o órgão de imprensa de maior circulação no país. Soube que minhas matérias motivaram discussões na Escola Superior de Guerra, uma instituição que permanentemente se interessa pela evolução dos fatos políticos e ideológicos.

FALSO COMUNISMO – O certo é que a antiga União Soviética praticava  um falso comunismo. Se Marx e Engels ainda estivessem vivos, estariam presos na Sibéria, chupando picolé de gelo.

É extemporânea essa discussão entre direita e esquerda, que ainda ocorre com intensidade aqui na Tribuna da Internet. Parece um filme antigo, do tipo “noir”, em preto e branco.

Nos países nórdicos, as instituições públicas e privadas convivem em harmonia, a livre iniciativa é respeitada, os três poderes funcionam, a ninguém é dado o direito de enriquecer na política ou na administração pública, não existe abismo entre o menor e o maior salário, essas nações não se deixam dominar pelo sistema financeiro, como ocorre no Brasil e em outros países.

QUALIDADE DE VIDA – O que hoje se deve debater no Brasil é a forma de evoluirmos para atingir o estágio dos países nórdicos, que estão no ápice das estatísticas em termos de qualidade de vida (IDH – Índice de Desenvolvimento Humano), estabilidade econômica, educação pública, assistência médica universal e justiça social. Este é o grande desafio.

É claro que os países nórdicos não atingiram a perfeição. Uma das falhas ainda existentes é a assistência médica de qualidade inferior para quem não possui plano de saúde. Outro problema é a necessidade de universalizar a educação pública, que apenas a Finlândia já superou.

Outros países também caminham nessa direção. O jogador de futebol Raí, quando morou na França, ficou surpreso ao constatar que sua filha estudava na mesma sala onde estava matriculada a filha da empregada da família. Além disso, as duas meninas eram tratadas pelos mesmos médicos, no sistema de saúde francês.

SUBLIME EVOLUÇÃO – Marx e Engels jamais poderiam imaginar que houvesse essa sublime evolução do sistema capitalista. Infelizmente, porém, esses avanços ainda são um sonho distante para o Brasil, onde se alarga cada vez mais o abismo entre as elites e as classes trabalhadoras, como se fosse possível a riqueza total conviver em paz com a miséria absoluta.

De toda forma, debater capitalismo e comunismo, nos dias de hoje, representa uma tremenda perda de tempo.  Devemos discutir apenas o que é certo e o que está errado, sem conotações ideológicas.

E quase tudo está errado, com o país sob domínio das elites estatais e privadas, que exploram o restante da população. Os três Poderes estão apodrecidos e seus integrantes nada querem mudar.

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P.S.Como ensinava há 400 anos o filósofo e teólogo italiano Giordano Bruno, que se tornou o mais citado aqui na TI, é ingenuidade achar que quem esteja no poder pretenda mudar alguma coisa… (C.N.)

Militares ajudaram a eleger Bolsonaro, mas agora querem se livrar dessa responsabilidade

Contra o Congresso e o Supremo

Jair Bolsonaro “pregando” o golpe diante do Forte Apache

Carlos Newton

Essa insistente polêmica causada pelas duas declarações do comandante do Exército, General Edson Pujol, ao participar de seminários virtuais tipo “lives” na semana passada, ainda vai durar muito, porque existe uma cobrança  que precisa ser feita. Os militares estão na linha de frente do governo Jair Bolsonaro, com dez ministros, e os outros escalões abrigam mais de 6 mil militares. Mesmo assim, querem se eximir da reponsabilidade pelos erros do governante.

Na verdade, os militares – assim como as próprias Forças Armadas – também devem ser considerados responsáveis pelo governo, porque essa situação é comprovada pelos fatos. E como todos sabem, contra fatos não há argumentos.

FATO 1 (Apoio à candidatura) – Os militares se entusiasmaram com a campanha de Jair Bolsonaro, iniciada anos antes da eleição. Essa participação na política começou nos clubes militares e foi contagiando a ativa.

O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, foi um dos maiores cabos eleitorais do capitão, mesmo conhecendo o passado dele.

FATO 2 (Palestra de Mourão) – Antes de passar para a reserva, o general Hamilton Mourão, fez explosiva palestra política na Maçonaria de Brasília, usando o uniforme e as condecorações. Deveria ter usado o terno preto que vestia nas sessões de sua loja maçônica, mas preferiu o uniforme, e não foi punido, o que demonstra que estava representando oficiosamente as Forças Armadas. Depois, aceitou ser candidato a vice.

FATO 3 (Militares no Poder ) – O  último levantamento, feito em junho pelo Tribunal de Contas da União, identificou 6.157 militares da ativa e da reserva em cargos civis no governo.

O Ministério da Defesa considera somente os da ativa e diz que são 3.029, que é um flagrante absurdo, pois grande parte deles exerce funções para as quais não estão qualificados, como o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, por exemplo.

FATO 4 (Palácio ou Quartel?)  – Todo presidente governa assessorado diretamente por quatro ministros que com ele trabalham no Palácio do Planalto – Casa Civil, Secretaria de Governo, Gabinete de Segurança Institucional e Secretaria-Geral.

Dois desses cargos foram são ocupados por generais da ativa, Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, que só passaram muito tempo depois de assumir as funções civis. Outro cargo ficou com o general Augusto Heleno, e a Secretaria-Geral esta meio ocupada por um major da PM, Jorge Oliveira, já nomeado para o Tribunal de Contas da União, mas ainda não desencarnou.

FATO 5 (Na frente do Forte Apache…) – O presidente Bolsonaro tinha tanta certeza de que estava gerindo no governo militar que teve a audácia de organizar uma manifestação contra o Supremo e o Congresso, realizá-la na área em frente ao Forte Apache e até fazer um desafiador discurso. E não aconteceu rigorosamente nada.

Se um presidente civil fizesse uma maluquice desse tipo, seria imediatamente preso pela Polícia do Exército, sem a menor dúvida, no rigor da Constituição, por desrespeito à ordem institucional.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Agora, o balde encheu até a tampa e os militares resolveram desistir de Bolsonaro, embora estejam satisfeitíssimos com o aumento dos soldos e a manutenção dos privilégios que o capitão lhes garantiu.

As Forças Armadas querem se livrar desse encosto, como se não tivessem a menor responsabilidade pela ascensão de Bolsonaro ao poder. Estão abandonando o capitão aos abutres, mas sem devolver os cargos e os salários em dobro.

Alegam que o problema é dos civis, que devem tomar as providências profiláticas. Estão tranquilos de tudo, porque sabem que nada atinge os militares. Se Bolsonaro for afastado, quem governa será Mourão, está tudo dominado. Será uma mudança para deixar as coisas como estão? Claro que não. O general Mourão fará um governo muito melhor do que Bolsonaro, e o Brasil voltará a ser respeitado no exterior. Mas ficará caracterizada uma falta de caráter pandêmica. 

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P.S. – Se o presidente cumprir a promessa de denunciar os países que importam madeira Ilegal, poderá estar batendo o prego no próprio caixão. Bolsonaro é um idiota completo, não entendeu nada do que o diretor da Polícia Federal lhe informou. Só existe lista de comprador de madeira legal, exportada oficialmente. Essa lista de compradores de madeira ilegal é totalmente fake, como se diz hoje em dia. O falecido Padre Quevedo faz falta. Ele logo diria que “isso non ecziste”. (C.N.)

Supremo recebe notícia-crime contra Kassio Marques por ter fraudado o próprio currículo

TRIBUNA DA INTERNET | Nomeação de Kassio Marques é inconstitucional e  tornará o Senado ainda mais ilegítimo

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Carlos Newton 

O Supremo Tribunal Federal recebeu notícia-crime contra o novo ministro da Corte, Kassio Nunes Marques, por inconsistências e inclusão de documentos com graves imprecisões no currículo que enviou aos membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na condição de pretendente à vaga deixada pelo ex-ministro Celso de Mello.

A iniciativa partiu do jornalista, advogado e ex-deputado estadual por cinco legislaturas em São Paulo, Afanasio Jazadji, que é representado nos
autos da petição 9286 pelo seu advogado e procurador Luiz Nogueira.

PARECER DA PGR – A notícia-crime foi distribuída à ministra Rosa Weber, que já pediu parecer à Procuradoria-Geral da República.

As informações e provas que fundamentaram a petição estão baseadas em reportagens dos principais jornais do País, não desmentidas
enfaticamente, e em declarações de renomados juristas, que não se convenceram do “notório saber jurídico” e nem da comprovada “reputação ilibada” exigidos de quem almeja integrar a mais alta Corte do País, conforme o artigo 101 da Constituição Federal.

A representação envolve matéria penal: “crimes contra a Fé Pública (falsidade ideológica e supressão de documento).

CURRÍCULO FRAUDADO – Em seu currículo minúsculo, de dez linhas, exposto no portal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, consta que, a partir de 2011, Kassio Nunes, nomeado desembargador federal pela ex-presidente Dilma Rousseff, obteve títulos de pós-graduado, mestre, doutor e pós-doutor, frequentando universidades em Portugal, Espanha e Itália, países situados
a cerca de 10 mil km da capital federal.

O ministro alega que chegou a obter dois títulos de pós-doutor, sem antes ter concluído o doutorado. E num trabalho de mestrado copiou “ipsis litteris” 17 páginas de artigos elaborados por conceituado advogado de São Paulo não citado na obra.

Segundo a notícia-crime, a veracidade dessas declarações de Marques não se sustenta, pois nos períodos em que disse ter feito os cursos, está mais do que comprovada sua presença constante nas sessões de julgamento do TRF- 1, em Brasília.

MUITAS IMPOSSIBILIDADES – Então, se não frequentou as aulas, como pôde incluir em seu currículo os títulos de pós-graduado, mestre, doutor e pós-doutor, pondo em risco a imagem do Supremo Tribunal Federal, visto que essas conquistas universitárias não são obtidas em menos de 6 anos, observada dedicação quase que exclusiva aos estudos? Isso, em universidades bem
situadas no ranking das 1.000 melhores do mundo e que não foram as escolhidas por Nunes Marques”.

Em artigo publicado no jornal “O Globo”, o jurista e professor Modesto Carvalhosa interpretou com precisão cirúrgica a situação nada confortável vivida pelo agora ministro Nunes Marques em sua “luta” pela conquista do mais alto cargo do Poder Judiciário no que diz respeito ao notório saber jurídico e à reputação ilibada:

DISSE O JURISTA – “O senhor Kassio Nunes fere os dois requisitos. E mais. As duas infringências estão imbricadas, acopladas. Uma contamina a outra. O indicado não tem notável saber jurídico e mente ao tentar apresentar-se como sábio do direito. O indicado, nos documentos curriculares que apresenta, altera a verdade sobre fatos juridicamente relevantes, com o propósito de ostentar notável saber jurídico que não possui”.

Caberá, agora, ao STF decidir se o novo ministro mentiu ao trazer para conhecimento dos 210 milhões de brasileiros um currículo repleto de
discrepâncias, e nesse ponto a notícia-crime  cita trecho do livro “Falsidade Documental” do ex-desembargador Sylvio do Amaral:

“No falso ideal, o agente forma um documento até então inexistente, para através dele, fraudar a verdade. O documento assim elaborado pelo falsificador é extrinsecamente verdadeiro, pois quem o escreve é efetivamente quem aparece no texto como seu autor, o que há nele de inverídico é o conteúdo ideológico, pois seu texto é falso ou omisso, em relação à realidade que devia constar”.

CONCLUSÃO – O advogado Luiz Nogueira, que encaminhou a notícia-crime, conclui sua petição reproduzindo trecho do editorial do jornal “O Estado de S. Paulo”, de 9 de outubro de
2020:

“Além de notável saber jurídico, a Constituição exige dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reputação ilibada. Trata-se de uma
condição exigente. Não basta, por exemplo, que a pessoa não tenha sido condenada criminalmente. É preciso que a reputação dos cidadãos escolhidos para compor a mais alta Corte do País seja límpida, intacta, sem mancha, sem sombra, sem nenhuma suspeita.”

“No caso do ministro – finaliza o advogado – o currículo enriquecido despertou suspeita e maculou sua reputação. Não precisava chegar a tanto, considerando a quase unanimidade com que foi aprovado pelo Senado Federal e nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro”.

Eleição municipal sinaliza que terceira via com Moro candidato é absolutamente competitiva

O desafio de Moro: em 14 estados, facções estão em guerra dentro e fora das prisões. Sergio Moro deve avaliar se denúncias contra outros ministros merecerão ou não a demissão | Asmetro-SN

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

O amigo Mário Assis Causanilhas, ex-secretário de Administração do governo fluminense e figura de destaque do PDT estadual, enviou à Tribuna da Internet um interessante gráfico do excelente site Poder 360, que sintetiza as eleições municipais, demonstrando que os partidos são tão desmoralizados quanto seus líderes. O crescimento de alguns deles em número de prefeitos e o retrocesso de outras legendas, nada disso tem grande significado em relação ao tema que realmente interessa – a sucessão presidencial em 2022.

O QUE SE SABE – Ainda faltando dois anos para a disputa, o que se sabe é que alguns candidatos já estão em campanha, como Jair Bolsonaro (sem partido), João Doria (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). São três fortes concorrentes, sem a menor dúvida, e o PT fica na dependência de uma improvável decisão do Supremo que anule as condenações de Lula da Silva, cujos advogados alegam perseguição política e parcialidade nas sentenças do então juiz Sérgio Moro.

Com Lula de ficha suja, o PT fica sem candidato, porque o senador baiano Jaques Wagner não aceita o sacrifício e o ex-ministro Fernando Haddad pretende ser candidato e deputado federal, não quer perder a terceira eleição seguida.

Outros pretendentes à Presidência, como a ex-senadora Marina da Silva (Rede), o empresário João Amoêdo (Novo), o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), o senador Álvaro Dias (Podemos) etc. já aprenderam a lição em 2018 e não pensam em repetir a dose.

DIZEM A URNAS – Diante das derrotas impostas aos candidatos apoiados pelo atual presidente, inclusive 77 dos 78 que usaram o sobrenome Bolsonaro, pois somente Carluxo se elegeu, a  tradução simultânea do resultado das eleições municipais sinaliza que há espaço político – e que espaço! – para a candidatura  do ex-ministro Sérgio Moro, que deve aceitar o convite do Podemos.

Seu novo amigo Luciano Huck não vai concorrer, está apenas fazendo marola, pois já se acertou com a TV Globo, que tirou Angélica do freezer depois de dois anos e meio fora do ar.

Será uma eleição belíssima e sem a polarização atual entre bolsonaristas e lulistas. 

 

 

 

 

Vida de Bolsonaro era um paraíso e se tornou “uma desgraça”, por culpa exclusiva dele

Tribuna do Norte - Comportamento de Bolsonaro perante a mídia é tema da charge de Brum

Charge do Brum (Tribuna do Norte)

Carlos Newton

Não foi um desabafo junto ao sacerdote ou a alguma pessoa amiga. O presidente Jair Bolsonaro fez essa sincera revelação de sensações e pensamentos íntimos em discurso pronunciado no Palácio do Planalto, numa cerimônia convocada para comemorar o lançamento de um programa de incentivo ao turismo interno e externo.

“Não vou jamais tecer elogios para mim, jamais. A minha vida aqui é uma desgraça, é problema o tempo todo, não tenho paz para absolutamente nada”, disse Bolsonaro, em chocante manifestação.

PROBLEMAS DE SAÚDE – De repente, desabou o homem-mito, que se dizia imbroxável, mas na vida real não é bem assim, reclama até de problemas de hemorroidas e agora tem de se preparar para a quinta cirurgia de risco, porque a rede implantada no abdômen perdeu aderência em alguns pontos.

Mesmo assim, o presidente insiste em levar seus médicos à loucura, ao andar a cavalo, de motocicleta e em jet-ski, atividades nada recomendáveis em sua situação clínica.

Esses problemas de saúde, incluindo a persistente insônia, são suportáveis. A desgraça, mesmo, são as mazelas políticas, a obrigatoriedade de governar, as audiências, as cobranças, uma chatice interminável.

RECORDAR É VIVER – Em 1987, eu trabalhava na revista Manchete e encontrei Fernando Gabeira esperando elevador no sexto andar do prédio da Câmara Federal. Não resisti e fiz uma crítica direta a ele.

“Você está fazendo falta na Constituinte, é um voto que perdemos. Deveria ter se candidato a deputado federal, era uma vitória certa. Mas fica sendo usado pelo partido como candidato a presidente, governador ou prefeito. Assim, você está jogando sua carreira fora”, disse-lhe, na lata, ele ficou atônito.

“Já pensou se você ganha uma eleição dessa e vira governador? Tem de ficar trancado no gabinete, atendendo pessoas insuportáveis. É uma chatice, você não tem o perfil”, acentuei, e ele nem conseguiu responder, porque o elevador chegou.

O fato é que em seguida Gabeira parou com as candidaturas majoritárias, foi eleito quatro vezes para a Câmara, fez uma carreira belíssima e hoje recebe uma bela aposentadoria parlamentar. Ou seja, houve um final feliz, depois de ter uma recaída  em 2010, quando se candidatou a governador e perdeu para o larápio Sérgio Cabral.   

O MESMO PERFIL – O presidente Jair Bolsonaro está no mesmo caso de Gabeira. Jamais deveria ter sido candidato a presidente. Não tem o perfil, não sabe governar, acha tudo aquilo uma bobajada.

Ao se eleger, destruiu a si mesmo e à família. Se não fosse presidente, o Ministério Público não teria tanto interesse em investigar Flávio e Carlos Bolsonaro, entre tantos parlamentares envolvidos em rachadinhas e rachadões. Até sua segunda mulher, Ana Cristina Valle, e parentes dela estão sendo investigados, por terem aceitado ser funcionários fantasmas.

Se Bolsonaro tivesse ficado na Câmara Federal, sua família continuaria no paraíso, enriquecendo sem parar, comprando imóveis com dinheiro vivo e tudo o mais. Mas ele foi derrotado pela vaidade e agora está destruindo tudo. Por isso, sua vida é uma desgraça. e ele está desgraçando a vida dos brasileiros, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente.

Bolsonaro precisa tomar juízo porque os militares estão com Mourão e não abrem…

Esse é o Mourão, morou?!!!

Charge do Kacio (site Metrópoles)

Carlos Newton

No sábado, publicamos um artigo aqui na Tribuna da Internet assinalando que o presidente Jair Bolsonaro conseguiu comprar alguns militares, mas as Forças Armadas não estão à venda… Alguns comentaristas acharam muito forte o uso da expressão “comprar”, mas foi justamente o que pretendemos dizer, pois desde o início o objetivo do chefe do governo era cooptar os militares, no sentido de aliciar, seduzir. Ou seja, comprar as consciências deles.

O fato concreto é que levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) já identificou 6.157 militares da ativa e da reserva em cargos civis no governo Bolsonaro, algo jamais imaginado nem mesmo durante os 21 anos de regime militar.

ATIVA E RESERVA – O resultado da pesquisa, anunciado em julho, não foi surpresa. O Ministério da Defesa informou que iria comentar o levantamento do TCU no que se refere a militares da ativa, alegando que os 3.128 oficiais da reserva são livres para exercer qualquer atividade.

Segundo a Defesa, em julho já havia 3.029 militares no governo (1.832 do Exército; 688 da Aeronáutica; e 509 da Marinha), a maioria em cargos de natureza militar no Ministério da Defesa e no Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Está claro que Bolsonaro fez o possível e o impossível para agradar os militares. Manteve os direitos privilegiados que eles conquistaram na ativa e na reserva, aumentou os soldos e contratou mais de 3 mil oficiais para integrar o governo, fazendo com que passassem a ter salários em dobro. Criou, assim, um governo paramilitar.

GOLPE MILITAR – Na sua ignorância cavalar (para acompanhar o apelido na caserna), Bolsonaro pensou que as Forças Armadas iriam apoiá-lo na aventura do golpe militar, que culminou na manifestação diante do Forte Apache, em abril, na mesma época em que estava provocando  demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

As Forças Armadas – não confundir com os militares – não ofereceram o menor apoio ao presidente e deixaram claro que não aceitariam nenhum golpe militar.

De lá para cá, Bolsonaro desandou de vez e está ficando evidente que seu governo é uma ameaça concreta à estabilidade institucional. Por isso, não causou surpresa essa avalanche de noticias sobre a insatisfação das cúpulas da Forças Armadas com o governo supostamente paramilitar do capitão. Os comandantes militares dizem que cabe aos civis resolver a crise.  

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P.S.
– No desespero, Bolsonaro não perde oportunidade para ofender o vice Hamilton Mourão, que foi um dos fiadores da candidatura dele, junto com o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Ao perseguir e humilhar seu vice, o presidente estão provocando a cúpula militar, e ninguém sabe aonde essa crise vai parar, se o capitão não ter uma recueta e voltar a respeitar o general. Os militares estão com Mourão e não   abrem, como se dizia antigamente. (C.N.)

Bolsonaro conseguiu comprar alguns militares, mas as Forças Armadas não estão à venda…

Brejo: A Charge da semana (do Nani) - OEstadoAcre.com brejo

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Para quem acompanha a “Tribuna da Internet”, não causou a menor surpresa essa avalanche de noticias sobre a insatisfação das cúpulas da Forças Armadas com o governo supostamente paramilitar do capitão Jair Bolsonaro. Desde o início do ano temos publicados aqui matérias sobre o posicionamento do Estado-Maior, que jamais aceitou considerar o governo de Bolsonaro como uma extensão das Forças Armadas. Muito pelo contrário, as três Armas sempre fizeram questão de manter o distanciamento constitucional.

Conforme está registrado aqui na TI, desde o início do governo esta foi a posição do generalato da ativa, que jamais coonestou esse recrutamento de milhares de oficiais para funções civis, tanto assim que nenhum deles foi promovido e até mesmo o respeitado general Rêgo Barros, então porta-voz do Planalto, teve de passar para a reserva e ficou estacionado nas três estrelas.

DIANTE DO FORTE APACHE – O distanciamento aumentou no final de abril, quando o presidente da República e seu Gabinete do Ódio, para defender um golpe militar contra Congresso e Supremo, organizaram e realizaram a inusitada “manifestação popular” diante do Forte Apache, como é chamado o Quartel-Geral do Exército

Demonstrando uma desfaçatez fora do normal, Bolsonaro invadiu aquele área venerada pelo Exército e fez um discurso em cima de uma caminhonete, no meio da multidão. Os chefes militares, é claro, ficaram revoltados, mas não passaram recibo. Não disseram uma palavra, mas fizeram chegar a Bolsonaro o descontentamento castrense.

O presidente resolveu dar uma meia trava, ficou algum tempo devagar, mas aos poucos foi retornando aos palcos, porque o espetáculo não pode parar. Recentemente, levou mais uma advertência e submergiu totalmente. Parou com as cenas diárias na portaria do Alvorada, esqueceu as redes sociais, quase não dava entrevistas, foi até apelidado de Bolsonaro Paz & Amor. Mas era apenas outra fase passageira,

DE VOLTA À PARANOIA – Logo Bolsonaro voltou à mesma paranoia de ofender o vice Hamilton Mourão, que faz um esforço enorme para melhorar o governo, mas seu poder é limitado e o general não dá conta do próprio serviço.

E na semana passada o descontentamento militar enfim veio à tona, através das declarações do comandante do Exército, general Edson Pujol.

Em tradução simultânea, ficou claro que Bolsonaro fez o possível e o impossível para agradar os militares. Manteve os direitos privilegiados que eles conquistaram na ativa e na reserva, aumentou os soldos e contratou cerca de 3 mil oficiais para integrar o governo, fazendo com que passassem a ter salários em dobro.

POR 30 DINHEIROS – Na sua ignorância sesquipedal, como dizia o general João Figueiredo,  o presidente Jair Bolsonaro pensou que poderia “comprar” os militares por 30 dinheiros. Com essa fortuna bíblica, realmente conseguiu cooptar esses oficiais que acumulam soldos e salários. Aliás, acaba de contratar mais um, à margem da lei, para o Ministério do Meio Ambiente.

No entanto, esse eventual presidente da República jamais conseguirá comprar a consciência das Forças Armadas. Esse tipo de produto não está à venda no Brasil. E a partir de agora, o futuro do presidente Bolsonaro não vale um tostão furado, como se dizia antigamente.

Denúncia da “Tribuna” faz Polícia Federal acelerar processo sobre crimes fiscais da Rede Globo

TRIBUNA DA INTERNET | Procuradoria investiga irmãos Marinho por usarem empresas de fachada na Globo

Charge do Nico ( Arquivo Google)

Carlos Newton

O genial Ruy Barbosa estava  corretíssimo ao defender, intransigentemente, a liberdade de imprensa. Disse o jurista: “A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam”.  

E podemos dizer que foi graças a uma denúncia exclusiva da “Tribuna da Internet” que a Polícia Federal do Rio de Janeiro decidiu tirar da gaveta e tocar a ação criminal movida em 2019 contra os três filhos de Roberto Marinho.

EMPRESAS DE FACHADA – Trata-se do processo 5096780-78.2019.4.02.5101, aberto em São Paulo e transferido para a 2ª. Vara Federal Criminal do Rio, cujo titular é o juiz Gustavo Pontes Mazzocchi. A transferência ocorreu em petição do procurador da República Luís Eduardo Marrocos de Araújo, por declínio de competência, tendo como investigados os empresários e irmãos Roberto Irineu  João Roberto e José Roberto Marinho além do advogado Eduardo Duarte, especialista na criação de empresas de fachada.

O magistrado paulista remeteu o processo para o Rio de Janeiro, porque a sede da Rede Globo é nesta cidade e os três irmãos Marinho também moram aqui.  E assim a competência passou a ser da 2ª Vara Federal Criminal do Rio, desde  4 de dezembro de 2019.

Estive pessoalmente várias vezes na 2ªVara Federal Criminal e na Polícia Federal, no Centro do Rio, e constatei que o processo simplesmente havia desaparecido. Ou seja, caíra num buraco negro entre São Paulo e Rio de Janeiro e nem mesmo a Ouvidoria da Polícia Federal conseguia localizá-lo.

DENÚNCIA DA TI – No dia 3 de setembro, publicamos aqui na “Tribuna da Internet” uma reportagem a respeito, sob o título “PF descumpre ordem judicial e engaveta inquérito sobre crimes fiscais da Rede Globo”. Como dizia Ruy Barbosa, era a imprensa fazendo seu papel de ser “a vista da nação” ao enxergar “o que lhe malfazem” e devassar “o que lhe ocultam e tramam”.  

E nesta quinta-feira, dia 12, o editor-chefe da TI foi surpreendido com a informação de que a Polícia Federal havia encontrado o processo e num prazo de apenas um mês e meio já tinha até concluído seu parecer sobre as fraudes contábeis da Rede Globo.

Fomos informados também que o Dr. Luiz Nogueira, um dos advogados mais respeitados de São Paulo, já enviou petição ao procurador da república Paulo Henrique Ferreira Brito, que juridicamente passou a funcionar como autor da notícia-crime, e lhe  comunicou ter encaminhado documentos e petições à Justiça Federal e à Polícia Federal, visando oferecer mais provas que possam fortalecer o novo parecer do Ministério Público Federal.

DISSE A PROCURADORIA – No relatório anterior, a Procuradoria da República concluíra que “as empresas relacionadas no Decreto Presidencial de 23 de agosto de 2005, quais sejam, GLOBOPAR (Globo Comunicação e Participações S/A) e CARDEIROS PARTICIPAÇÕES S/A (antiga 296 Participações S/A) teriam realizado manobras societárias com o intuito de não recolher tributos, ocultando os verdadeiros nomes, a composição societária, o capital social, os objetivos e as atividades operacionais, bem como exercido, de forma simulada, a exploração de serviços públicos de radiodifusão sem o devido ato autorizador do governo”…

Portanto, só falta aguardar o parecer do procurador Paulo Brito, que está trabalhando em home office junto com sua equipe.

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P.S. –
Assim que recebermos o documento, vamos publicá-lo em absoluta primeira mão, pois esse assunto do processo contra os irmãos Marinho é divulgado com exclusividade aqui na TI, pelo simples fato de que nenhum outro órgão de imprensa se interessa por isso. (C.N.)

Participação de Sérgio Moro é a peça que faltava para antecipar a sucessão de Bolsonaro

Presunção de inocência não pode ser garantia de impunidade, diz Moro – Hora  do Povo

Ao assumir que pode ser candidato, Moro incendiou a política 

Carlos Newton

São impressionantes a força e o carisma do ex-juiz Sérgio Moro, que desde sempre se dedica à defesa do interesse público e assim se tornou uma das personalidades mais respeitadas do mundo. A simples possibilidade de sua candidatura, sem nenhuma notícia sólida, explodiu como uma bomba, incendiou a política e antecipou a sucessão do presidente Jair Bolsonaro, que somente será disputada dentro de dois anos.

Um encontro reservado com o apresentador Luciano Huck foi o suficiente para agitar a política brasileira e ganhar repercussão internacional. A meu ver, Moro é um candidato fortíssimo, porque tem um passado limpo, coisa raríssima, e consistentes serviços prestados ao país.

OS FANÁTICOS – Como se esperava, logo surgiram os fanáticos de plantão, defensores de figuras altamente deletérias como Lula da Silva e Jair Bolsonaro, que não podem ouvir o nome de Sérgio Moro sem levantar as maiores infâmias contra esse grande brasileiro.

A propósito, faço questão de transcrever o comentário de F. Moreno, que não se conforma com essa permanente campanha que foi organizada para desmerecer Sérgio Moro, em represália ao fato de o então juiz federal ter condenado os integrantes da maior quadrilha de corrupção já montada no mundo e chefiada por um presidente da República, que se fazia passar por defensor dos trabalhadores brasileiros.

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POR QUE TANTO ÓDIO A SÉRGIO MORO?
F. Moreno

Volto a lembrar um passado e isolado comentário no qual eu lastimava não ter uma sólida formação e conhecimento de psicologia para entender a explosão de críticas, ofensas, ironias e ódio que irrompe neste espaço cada vez que o nome desse cidadão, Sérgio Moro, aparece nele. Lembra-me aquela sentença filosófica “porque me odeias se não te fiz o bem?”

É impressionante a quantidade de infâmias sub-reptícias e covardes que são atribuídas a esse brasileiro por indivíduos que com certeza nunca se equiparariam a ele em educação, formação e decência.

Os agressores não precisam serem identificados, são sobejamente conhecidos, é só dar uma olhada nas páginas desta TI, onde o nome do mártir apareça e os motivos, como já disse que não tenho competência para especificá-los, os resumiria em dois, inveja e tendências latentes para a corrupção.

NO REINO DOS CÉUS – Chega a ser ridículo acusá-lo de incapaz para a política por ser ingênuo, meu Deus, se é assim, ele já merece ganhar o Reino dos Céus.

A política brasileira é mercantil, corrupta e imoral e só os canalhas calejados podem aspirar a triunfar nela e os idiotas a comentá-la e tomar partido. Tomem tento, senhores, e experimentem a construir alguma coisa positiva para suas famílias e para o pais, como faz o Sr. Sérgio Moro.

Tradução simultânea: Moro enfim aceita entrar na política e terá apoio de Luciano Huck

Sérgio Moro: “Se houver irregularidade da minha parte, eu saio”. Os seis  temas que marcaram a audiência no Senado. | Asmetro-SN

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton  

Foi importantíssima a reportagem de Fábio Zanini, na Folha deste domingo, dia 7, relatando a visita que o apresentador Luciano Huck fez ao ex-ministro Sergio Moro em Curitiba, no dia 30 de outubro. Disse o repórter que “eles tiveram um longo encontro no apartamento de Moro, em que acertaram a intenção de se unir em uma espécie de ‘terceira via’ para disputar o Palácio do Planalto daqui a dois anos”.

Na visão do jornalista, que conseguiu a informação, mas não chegou a entrevistar Huck ou Moro, os dois “iniciaram conversas para formar uma aliança na eleição presidencial de 2022”, acrescentando: ”Como foi uma conversa inicial, não se decidiu quem seria o cabeça de chapa de uma eventual candidatura conjunta. Essa é uma discussão, avaliaram ambos, para ser feita ao longo do ano de 2021”.

TRADUÇÃO – Bem, é o tipo de matéria que requer tradução simultânea, porque na política as aparências quase sempre enganam. O que aconteceu foi um encontro entre dois possíveis candidatos à sucessão em 2022. Na política de verdade, isso jamais ocorre, porque esse tipo de reunião indica que um dos dois – o que tiver menos força política – está desistindo da candidatura para  apoiar o mais forte.

O fato concreto é que Huck procurou Moro, depois que trocaram telefones na cerimônia do Exército, quando se conheceram e passaram a se comunicar. Portanto, a ida de Huck a Curitiba demonstra que foi levar solidariedade a Moro e dizer que pretende apoiá-lo.

Essa é a tradução simultânea do prolongado encontro Huck foi pessoalmente insistir com Moro para que aceite a candidatura oferecida pelo Podemos (leia-se: senador Álvaro Dias, amigo pessoal do ex-juiz).

PAZES NA GLOBO – No caso, é preciso levar em conta que Luciano Huck fez as pazes com a TV Globo, depois do desentendimento após a extinção do programa de Angélica em 2018. Furioso, Huck ameaçou entrar na política e começou a realmente participar. A Globo resistiu, mas acabou pedindo arreglo e escalou seu melhor diretor, Marcel Souto Maior, para criar um programa especial para a mulher do apresentador.

Devido à pandemia, a produção parou e depois veio se arrastando. Para assustar a emissora, Luciano Huck passou a escrever longos artigos políticos na Folha, a Globo então acelerou a produção e o novo programa de Angélica (“Simples Assim”) estreou dia 10 de outubro.

Para quem acredita em coincidências, é um prato feito, porque 20 dias depois, Huck pegou seu jatinho, viajou para Curitiba e ofereceu seu apoio a Moro.  

TERCEIRA VIA – O excelente repórter da Folha, Fábio Zanini, não tinha essas informações adicionais, não ligou uma coisa com a outra, mas acertou em cheio ao revelar que Huck e Moro, que nunca haviam tido uma longa conversa pessoalmente sobre política, “concordaram que há espaço para a construção de uma candidatura em 2022 com a marca da “racionalidade”.

Em outras palavras, isso significa que Sérgio Moro está mesmo decidido a entrar na política em 2022, quando serão disputados os cargos federais que realmente interessam.

Moro é considerado eleito se for candidato a deputado federal, senador ou governador do Paraná. Quanto à Presidência, sua entrada na disputa desequilibra tudo. As últimas pesquisas indicam que Moro é o único que pode enfrentar Bolsonaro.

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P.S.
– E ainda há quem não acredite que Deus seja brasileiro… (C.N.)

E de repente a “Tribuna da Internet” vive sua fase de glória, com a criação da “Tribuna Fake”…

C Newton

Carlos Newton Fake é totalmente careca

Carlos Newton

Estamos numa nova Era das Trevas, prevista por Nelson Rodrigues, quando anteviu que os idiotas seriam tantos que acabariam dominando o mundo. Assim, não é por mera coincidência que hoje não haja sequer um grande líder que se destaque neste mundo imbecilizado pelos governantes de fancaria. Mesmo nos países nórdicos, que levam uma vida privilegiada em função das riquezas naturais e das que são conquistadas pelo esforço conjunto, não aparece nenhum líder que possa mostrar ao mundo um caminho com maior bem-estar e menor desigualdade social.

Carlos Chagas

Carlos Chagas ressuscitou assim…

O mais impressionante é que os próprios países nórdicos podem entrar em retrocesso democrático, como está acontecendo na Suécia, onde os imigrantes criaram guetos fechados, com suas próprias leis, porque as viaturas policiais estão proibidas de entrar nesses bairros.

NÃO HÁ PARAÍSO –  Como disse recentemente o Papa Francisco, “não há paraíso na Terra e existem problemas, porque por astúcia do diabo os homens aprenderam a se dividir”.

Pedro Coutto

Pedro do Coutto remoçou 40 anos

Mesmo vivendo nesse inferno terreno, comandado por falsos líderes que se curvam ao Deus Dinheiro, é possível haver momentos de felicidade, como a Tribuna da Internet está vivendo agora, depois de receber mensagem do comentarista Rocco Napoli, revelando a existência de uma Tribuna Fake, inclusive com fotos minhas, do Pedro do Coutto, do Carlos Chagas, do Percival Puggina e do Sebastião Nery. Também o jornalista Mauro Santayana aparece como articulista desta falsa Tribuna da Imprensa, mas sem foto.

A audácia dos fraudadores é comparável aos políticos e empresários brasileiros. Além de se apropriarem do título tribunadaimprensa.com.br, que estava registrado em meu nome, mas há anos devolvi a Helio Fernandes quando ele saiu para criar seu próprio blog, eles abriram páginas no Facebook, no ASK.fm e no Twitter com nossos nomes, fotos e pequenas biografias.

Falso Sebastiao Nery mais parece um monge budista

FOTOS FORJADAS – As fotos de quatro articulistas (Newton,  Chagas, Nery e Coutto) são fraudadas e as biografias, idem. Sou identificado como redator da Tribuna e advogado previdenciário, com especialização na Universidade de Coimbra; Carlos Chagas aparece com bacharel em Comunicação, com habilitação em Publicidade e Marketing Digital; Sebastião Nery é jornalista e escreve para “meia dúzia de lugares”; e Pedro do Coutto é economista e consultor financeiro.

Puggina é o único com a foto verdadeira

O mais interessante é o falso Percival Puggina, que aparece ao vivo e a cores, com uma foto real, retirada de seu blog, é identificado como arquiteto, o que também é verdade,e diz escrever, semanalmente, artigos para vários jornais do Rio Grande do Sul, entre eles Zero Hora, além de colaborar para a Tribuna da Imprensa.  Tudo parece verdadeiro, mas é só acessar o Twitter dele para se constatar que é falso.

UMA GRANDE SURPRESA – Nunca pensei que fôssemos tão importantes a ponto de merecer a criação de uma Tribuna Fake, cujos responsáveis usam nossos nomes para tenebrosas transações, como diria Chico Buarque.  O caso mais preocupante é do Percival Puggina, que já não escreve mais aqui, porque não gostou das críticas de comentaristas a seu apoio incondicional a Bolsonaro.  E dos demais agraciados com essa baixaria, somente o Chagas já pediu as contas ao Criador e não mais pode reclamar de corpo presente.

Na verdade, sei que Puggina não vai gostar nada dessas iniciativas de ganhar dinheiro em “consultorias”, usando nossos nomes, conforme é o objetivo dessa gente. No caso dele, a foto e os dados são verdadeiros. Quanto aos outros, à exceção de Chagas, não sei como cada um deles reagirá.

De minha parte, posso garantir aos fraudadores que nada farei. Ainda estou inebriado com meus 15 minutos de fama, podem usar meu nome à vontade. Como dizia P.T. Barnum, grande empresário circense americano “Nasce um otário a cada minuto”. E sou um deles.

BALANÇO DE OUTUBRO – Como sempre fazemos no início de cada mês, apresentamos o balanço do Blog no mês anterior, agradecendo muitíssimo as contribuições que nos permitem manter esse espaço livre na internet.

De início, os depósitos na Caixa Econômica Federal:

DIA    REGISTRO     OPERAÇÃO         VALOR
05      051414          DP DIN LOT……….20,00
13      000001          CRED TED………….30,00
13      100830          DP DIN LOT……..230,00
15      151252           DP DIN LOT……..100,00
27      271015           CRED TEV………..100,00

Agora, as contribuições feitas através do Banco Itaú/Unibanco:

01     TED  033.3591  ROBSNAS……..200,00
13     TED  001.5977   JOSANTO………313,13
15     TBI  3748.05448-TI…………………60,00
30     TBI  0406.49194.4 C/C…………..100,00

Agradecendo, mais uma vez, o apoio que nos permite manter o Blog, vamos em frente, agora em dose cavalar – na Tribuna da Internet, na Tribuna da Imprensa Fake, na Internet, no Twitter e no ASK.fm. É a glória! (C.N.)

A dupla Trump/Biden consegue eliminar o complexo de vira-lata de qualquer brasileiro

The Moral and Strategic Calculus of Voting for Biden — or Not

Entre Biden e Trump, é muito difícil saber qual é o pior…

Carlos Newton

Para quem estava com complexo de vira-lata, como dizia o genial Nelson Rodrigues, essa eleição norte-americana foi um deslumbramento. Aqui na sucursal Brazil, em 2018 muitos brasileiros votaram tampando o nariz, ao terem de escolher entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad no segundo turno. Agora, na matriz USA, os americanos tiveram de escolher entre Donald  Trump e Joe Biden, dois políticos realmente de terceiro time.

É impressionante como rareiam as lideranças na política dos mais diferentes países. No mundo ocidental democrático, não existe um líder que se destaque, e não adianta citar o russo Vladimir Putin, pois não é propriamente um democrata e virou um ditador camuflado, que às vezes é presidente e depois vira primeiro-ministro.

SEM DIFERENÇAS – Com Biden ou Trump, nenhuma diferença há para a sucursal Brazil, considerada rival pela matriz USA, que não gostou nada da aproximação recente entre os países da América do Sul e já reverteu a situação, semeando rivalidades entre Brasil e Venezuela, que eram grandes parceiros comerciais até recentemente.

Para qualquer observador minimamente qualificado, ver Biden ou Trump discursando de improviso é um verdadeiro suplício, dá saudades de Barack Obama, com registrou Roberto Nascimento aqui na TI.  

Temos de torcer para Biden ser menos protecionista do que Trump, que vinha trabalhando incessantemente em defesa dos produtores da matriz, para conter as exportações daqui da modesta sucursal.

DISSE PEDRO MEIRA – Por fim, peço licença para reproduzir um trecho de recente comentário de Pedro Meira, sempre atento à política nacional e internacional.

Parafraseando um suposto dito de Charles de Gaulle sobre John Kennedy e Lyndon Johnson, pode-se dizer que Kamala Harris e Joe Biden são as máscaras da América; Donald Trump é a face real dela.

Afinal, há alguém que melhor encarne o que a matriz USA realmente é, na sua arrogância e presunção, do que a figura inchada, vulgar e fanfarrona de Donald Trump? Talvez seja esse o motivo porque a “zelite” americana o despreza tanto.

Mas ninguém se preocupe, na Casa Branca sob nova direção, a agressividade deixará de ser em palavras para ser em atos, e continuará a política de ameaçar a Rússia e a China, desestabilizar regimes que não servem aos interesses ianques, de bombardeios e ataques de drones, superalimentar o complexo industrial-militar, além da eterna expansão da OTAN a ponto dela acabar extrapolando do Atlântico Norte, para proteger o Ocidente sabe-se lá de quem, talvez dos incas venusianos, já que seu antagonista original, o Pacto de Varsóvia, desapareceu há décadas.

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P.S. – Sem falar na questão da Amazônia, que Biden vai cobrar, com toda certeza. (C.N.)

Ala militar do Planalto está correta ao defender apoio à retomada do desenvolvimento

Charge: a economia em Caxias Iotti/

Charge reproduzida da RBS

Carlos Newton   

O presidente do Banco Central e os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) fizeram o que se esperava e pela primeira vez o Brasil experimenta juros tecnicamente negativos (em relação à inflação do período), circunstância que incentiva investimentos em atividades produtivas, mas ainda é pouco para um país que precisa se reindustrializar.

No governo, a polêmica é cada vez maior entre os grupos que defendem apoio à retomada do desenvolvimento e os que priorizam a inflação baixa e o respeito aos tetos de gastos públicos fixados pelo Congresso por proposta de Henrique Meirelles, no governo Michel Temer, para tirar o país da recessão.

TODOS RECLAMAM… – Como diz um velho ditado português (“Quando falta o pão, todos reclamam e ninguém tem razão”), o dois grupos têm bons motivos em suas posições, até porque o presidente da República pode sofrer impeachment caso rompa o limite das despesas públicas. Então, é preciso encontrar uma solução conciliatória.

De início, deve-se considerar que não há a menor possibilidade de investimentos governamentais, porque as tais reformas praticamente não economizaram gastos públicos, os privilégios da nomenklatura e os cargos comissionados foram mantidos, tudo está com dantes, sem falar no aumento das despesas com as Forças Armadas.

Portanto, a única alternativa é usar o método do economista Carlos Lessa, que na presidência do BNDES incentivou fortemente a economia, inclusive pequenas e microempresas, levando o PIB a crescer espantosos 7,5% em 2010.

DIZIA LESSA – O brilhante economista, ex-reitor da UFRJ, contava ter se surpreendido em 2003, ao assumir o BNDES e constatar que o PT não tinha um programa de governo. Trabalhando sempre em conjunto com o engenheiro e consultor Darc Costa, vice-presidente do BNDES, Lessa conseguiu criar um próprio projeto para incentivar a economia.

Os dois lançaram o Cartão BNDES, que financia pequenas e microempresas com os menores juros do mercado, implantaram uma série de programas para setores estratégicos e de inovação, financiaram as exportações e a indústria naval e petrolífera, fazendo a economia deslanchar, culminando com o PIB de 7,5% em 2010.

Ao deixar o governo, Lessa avisou que Lula precisava mudar a política econômica, mas não foi ouvido. Uma década depois, o que se vê é uma economia estacionária, baseada no agronegócio, depois de ter sido a 10ª potência industrial e a 2ª naval.

BNDES EM BAIXA –  A única alternativa para ativar a economia volta a ser o BNDES, que chegou a ser o maior banco de desenvolvimento do mundo, antes de os chineses terem enviado ao Brasil uma delegação, nos anos 90, para estudar e copiar o funcionamento da nossa instituição de fomento.

No entanto, o ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro demonstram não ter o menor conhecimento sobre a importância do BNDES na economia brasileira. Em 2013, o banco injetou R$ 190,4 bilhões na economia, mas em 2019 o total já caíra para apenas R$ 56,3 bilhões, e continua em queda em 2020. 

A ala militar do Planalto age corretamente, ao pretender que haja um esforço para retomada do desenvolvimento, mas está evidente que isso jamais ocorrerá nessa gestão de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. E la nave va, cada vez mais fellinianamente…

Lula já enganou Ciro Gomes duas vezes, mas em política há sempre possibilidade de acordo

LAILSON HUMOR WORLD_SALONS

Charge do Lairson (Arquivo Google)

Carlos Newton

O encontro entre o ex-presidente Lula da Silva e o eterno candidato Ciro Gomes, há quase dois meses, continua motivando discussões sobre a sucessão de 2022. A conversa foi articulada pelo governador petista Camilo Santana, que é aliado a Gomes na política do Ceará, e o objetivo seria uma composição no segundo turno da eleição para a Prefeitura de Fortaleza.

Como Lula e Ciro estavam rompidos desde a campanha presidencial de 2018, o encontro entre os dois provocou comentários de todo tipo, incluindo um esforço conjunto para evitar a reeleição de Bolsonaro.

OS ANTECEDENTES – Acontece que os antecedentes são negativos, pois Lula já enganou Ciro duas vezes.  Na primeira oportunidade, propôs que o ex-governador cearense mudasse seu domicílio eleitoral para São Paulo, para se candidatar a governador com apoio do PT e quebrar a hegemonia dos tucanos, para depois ser candidato a presidente, coligado ao PT.

Ciro acreditou, pensou que se tornaria herdeiro do espólio politico de Lula e isso atrapalhou e atrasou muito sua carreira política.

Na sucessão de 2018, quando Ciro Gomes voltou a ter chance de chegar ao segundo turno, desta vez concorrendo pelo PDT, Lula se reaproximou dele, demorou muito a escolher o candidato do PT e ficou dando esperanças ao político cearense. Na expectativa de receber apoio, Ciro elogiava Lula e o PT, acabou perdendo muitos votos com essa postura.

NOVA APROXIMAÇÃO – Agora, mais uma vez os dois se reaproximam, por iniciativa do PT (leia-se: Lula). Ciro aceitou a conversa, mas está ressabiado. Não é muito difícil acreditar em nova manobra de Lula, que continua sonhando em ser candidato, caso o Supremo declare que o então juiz Sérgio Moro agiu com parcialidade e as condenações sejam consequentemente anuladas.

Será muito difícil o Supremo aceitar esse recurso, porque as condenações foram confirmadas em instâncias superiores e houve até agravamento. Mas quem pode confiar no Supremo?

Faltando apenas dois anos para a eleição, temos apenas dois candidatos em campanha – Jair Bolsonaro, que só pensa na reeleição, e Ciro Gomes, que percorre o país dando palestras em universidades e instituições representativas de empresários e trabalhadores.

PT SEM CANDIDATO – O único candidato do PT continua sendo Lula. Como segundo nome do partido, o ex-prefeito Fernando Haddad não quer se candidatar à Presidência, prefere um mandato de deputado federal, não quer amargar a terceira derrota consecutiva.

A conjuntura dos astros favorece Ciro Gomes, pois dificilmente Lula conseguirá desemporcalhar sua ficha suja e recuperar os direitos políticos. Assim, Ciro é hoje uma alternativa eleitoral bastante viável, caso Sérgio Moro recuse a candidatura pelo partido Podemos.

Por enquanto, o favoritíssimo é Jair Bolsonaro, que está em campanha permanente e sabe fazer corpo a corpo com o povão.

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P.S. –
Enquanto a sucursal Brazil dorme em berço esplêndido sem saber como sair da crise, a matriz USA decide hoje se fica com Trump ou com Biden. Na minha opinião, os dois são conservadores e nenhum deles pretende ajudar a sucursal Brazil. Pelo contrário, querem mais é que a gente se exploda, como dizia Chico Anysio. De toda forma, se eu fosse americano, votaria em Biden, porque Trump é como Bolsonaro e tem um parafuso frouxo. (C.N.)

Artigo de Rêgo Barros demonstrou que a ala militar do Planalto está sendo omissa

Braga Netto nega que Carlos tenha gabinete no Planalto

General Braga Netto fracassou no Rio e agora na Casa Civil

Carlos Newton

Já se fizeram as mais artísticas interpretações do artigo do general Rêgo Barros, publicado propositadamente no “Correio Braziliense”, o único jornal do país que é lido em Brasília de manhã cedo, porque os demais veículos da mídia só começam a chegar à capital nos primeiros voos, no início da manhã. O resultado é que a mensagem do ex-porta-voz da Presidência explodiu como uma bomba.

A principal tradução simultânea do texto é a comprovação de que não se pode contar com a suposta “competência” da ala militar que coabita o Palácio do Planalto.

ORDEM E PROGRESSO? – Quem votou em Bolsonaro para se livrar de Lula da Silva e José Dirceu, que caminhavam para instalar no Brasil a primeira República Sindicalista do mundo, certamente julgava que os militares, especialmente os generais de quatro estrelas Hamilton Mourão e Augusto Heleno, iriam auxiliar o presidente da República a governar o país em clima de ordem e progresso, digamos assim.

Mas não aconteceu nada disso. Sob as vistas e os narizes empinados de um grupo de oficiais-generais, o capitão Bolsonaro implantou a República Terraplanista, na qual pontifica a figura caricata do filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho, um personagem que realmente não pode ser levado a sério em nenhum país minimamente civilizado.

“CONFORTÁVEL MUDEZ” – Passados quase dois anos, a realidade que sobressai à vista de todos está contida no artigo de Rêgo Barros. O general deixou claro que não se pode confiar na ala militar do Planalto, que se mantém em “confortável mudez”, deixando Bolsonaro fazer o que bem entende, apesar dos frequentes recados do Alto Comando, que são vazados a Bolsonaro e geralmente ele finge que nem escuta, mas adivinhem quem mandou que entrasse naquela fase do “paz e amor”? Aliás, foi a última tentativa de as Forças Armadas controlarem Bolsonaro.

Antes disso, houve a indicação do general Braga Netto para a Casa Civil. Os comandantes militares achavam que, com a experiência na intervenção no governo de Luiz Fernando Pezão, na área da segurança do Rio de Janeiro, em 2016, o general iria dar conta do recado. Mas foi mais um erro.

FAMA IMERECIDA – Na ocasião, Braga Netto ganhou uma imerecida fama de competência. Na verdade, não houve redução nas estatísticas da criminalidade. Ao contrário. Ocorreu aumento significativo do número de assassinatos e de outros crimes, chegando ao recorde de 134 policiais militares mortos pela bandidagem em 2017.

Na verdade, Braga Netto é tão incompetente que nem chegou a gastar os recursos que o governo Michel Temer ofereceu ao Rio e ia devolver cerca de R$ 400 milhões.

Houve protestos candentes e somente na reta final o interventor resolveu comprar mais equipamentos. Sua gestão no Rio foi um fracasso, que agora ele repete na Casa Civil.

Forças Armadas não se sentem representadas por Bolsonaro nem pela ala militar do Planalto

TRIBUNA DA INTERNET | Ao contrário do que alegam, militares têm recebido reajustes salariais desde 2016

Charge do Junião (Arquivo Google)

Carlos Newton

O explosivo artigo do general Rêgo Barros contém  o travo de amargura de quem foi escanteado do poder, porque talvez ele continuasse até hoje quietinho no Planalto, em “dolce far niente”, caso não tivesse sido exonerado. Diante dessa realidade, o texto realmente necessita de tradução simultânea, embora os termos estejam claros, numa redação perfeita e culta, não há reparos a fazer, pois esse retrato de Jair Bolsonaro é de um impressionismo irretocável.

Como todos sabem, o presidente é tudo aquilo que o general traçou, com algumas características adicionais que não foram mencionadas, como o fato de ser ignorante e mau educado. Aliás, aqui na trincheira da TI, eu não mudo a definição que fiz  dele antes da eleição – é um completo idiota.

APOIO MILITAR – O mais importante a extrair do precioso e oportuno artigo do oficial-general é saber até que ponto o atual presidente conta com apoio das Forças Armadas.

Saudado de início como o salvador, que iria encher o governo de militares e dar jeito no país, não é de hoje que Bolsonaro vem desgostando os Altos Comandos das três armas, pois é isso que interessa, embora a grande massa dos militares esteja muito satisfeita com os aumentos dos salários, a privilegiada previdência e tudo o mais.

Mas o que importa é a visão dos comandantes, aqueles que realmente se preocupam com os interesses nacionais e não estão à disposição no mercado, para serem comprados por 30 dinheiros, “isso non ecziste”, diria padre Quevedo. O capitão Bolsonaro pode até ter conquistado o apoio da patuleia militar, porém jamais conseguiria cooptar o apoio do oficialato.

IGNORÂNCIA CAVALAR – Fazendo jus a seu apelido na caserna, Bolsonaro estava usando sua ignorância cavalar para sonhar que os chefes militares o acompanhariam num golpe de estado, a pretexto de estar sendo “boicotado” pelo Supremo e pelo Congresso.

A audácia foi tamanha que sua trupe organizou, convocou e realizou um ato pró-golpe diante do Forte Apache, com a entusiástica participação do próprio Bolsonaro, que discursou em cima de uma caminhonete, maculando aquele território venerado pelos militares e emporcalhando a imagem das Forças Armadas.

APOIO SIMBÓLICO – De lá para cá, o apoio do Alto Comando das Forças Armadas ao governo passou a ser apenas constitucional. Os oficiais-generais das três armas limitam-se a cumprir a legislação, não há mais o menor vestígio de cobertura político-militar.

Em resumo, os problemas são dos civis, pois Bolsonaro e os ministros da ala militar exercem funções governamentais que pouco têm a ver com as Forças Armadas. Os militares continuarão nos quartéis ou dando apoio na questão da Amazônia, na construção de pistas de pouso, na abertura de estradas e em outras obras que lhes sejam solicitadas.

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P.S. 1 – Os militares também sabem que o governo foi salvo pela pandemia, porque o Planalto e a equipe econômica jamais fizeram um planejamento administrativo, conforme era praxe no regime militar. A covid-19 ajudou a esconder o fracasso do governo.  

P.S. 2Os militares não querem se intrometer, porque não se consideram representados por Bolsonaro nem pela tal ala militar que ainda habita o Planalto, sem capacidade de determinar as providências necessárias para o país sair da crise. Portanto, o problema é dos civis, repita-se. (C.N.)

Genro de Silvio Santos que é ministro tenta normalizar as relações entre Bolsonaro e TV Globo

Fábio Faria toma posse como ministro das Comunicações: "é hora de um armistício patriótico"

Faria quer amansar a Rede Globo para reeleger Bolsonaro

Carlos Newton

Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro está rompido com a Rede Globo e tem advertido aos concessionários de rádio e televisão que ninguém obterá a renovação das outorgas caso suas atividades não estiverem claramente regulares.

Como se sabe, a renovação das concessões das emissoras da Globo (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília) deverá ser apreciada em 2022 pelos órgãos técnicos do Ministério das Comunicações, que hoje tem como titular o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN).

GENRO DE SILVIO SANTOS – O atual ministro é mais conhecido por ser genro de Silvio Santos, dono do SBT e de uma série de empresas de diversos ramos, além de ex- controlador do Banco PanAmericano, que em 2009 (governo Lula) escapou da falência com dívidas de R$ 5 bilhões, ao ser socorrido pela Caixa Econômica, que comprou 49% das ações ordinárias, assumiu o prejuízo e ainda pagou R$ 739,2 milhões ao simpático Senor Abravanel, verdadeiro nome de Silvio Santos.

A Rede SBT, todos sabem, se manteve até hoje graças à jogatina televisiva implementada 24 horas por dia, com os sorteios do Baú da Felicidade e depois com a TeleSena, ferindo o regulamento da radiodifusão, sem que providência alguma tenha sido tomada nos últimos 30 anos pelas autoridades constituídas. E são irregularidades que agora cabe ao genro de SS fiscalizar e punir.

FAZENDO AS PAZES? – Assim, nesse contexto conflituoso envolvendo o presidente Bolsonaro e os irmãos Marinho, eis que surge uma luz apaziguadora no fim do túnel.

O vice-presidente de relações institucionais da Rede Globo, Paulo Tonet Camargo, lotado em Brasília e com invejável trânsito junto aos poderes da República, sem que se saiba por quais razões, afirmou à revista “Poder” que a relação do Grupo Globo com o governo melhorou desde a posse do ministro, que tem estado à altura da importância dos setores das telecomunicações e da radiodifusão no Brasil”.

Ora, o jovem ministro, que jamais teve experiência profissional no ramo de comunicações, nem bem esquentou a cadeira ministerial e já é considerado melhor do que seus antecessores, ministros Marcos Pontes, Gilberto Kassab, Paulo Bernardo, Hélio Costa, Antonio Carlos Magalhães e tantos outros esquecidos, que também não estavam à altura dessa importante pasta, mas sempre mantiveram laços profundos com a Globo, até mesmo de submissão.

O QUE FARIA FEZ? – Nesse curto espaço de tempo no Ministério, o que Fábio Faria teria realmente feito em assuntos envolvendo telecomunicações e radiodifusão?

Será que o lobista global Tonet Camargo desconhece que o presidente Bolsonaro há um ano encaminhou ao Ministério uma importante representação, que agora está nas mãos do ministro Fábio Faria, contra os controladores do Grupo Globo (Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho)?

Essa representação solicita os motivos e fundamentos que nos últimos anos levaram esses empresários a utilizarem de diversas empresas de fachada como se fossem controladoras da Globopar S/A e da Rede Globo, sem prévia autorização da Presidência da República.

SOCIEDADES FANTASMAS – Entre essas empresas de fachada que os irmãos Marinho utilizam, estão citadas a 296 Participações S/A, que teve sua denominação alterada para Cardeiros Participações S/A; a RIM 1947 Participações S/A, depois transformada em Eudaimonia Participações S/A por Roberto Irineu Marinho; a JRM 1953 Participações S/A, em seguida denominada Imagina Participações S/A por João Roberto Marinho; e a ZRM 1955 Participações S/A, que o terceiro irmão José Roberto Marinho transformou em Abaré Participações S/A.

Todas elas, sociedades anônimas de papel, tinham, inicialmente, capital de R$ 1.000,00 cada uma, com os mesmos estatutos e os mesmos acionistas. Foi por meio delas, sem o indispensável prévio conhecimento do governo, que os irmãos Marinho manipularam  o controle efetivo da Globopar S/A, (Globo Comunicação e Participações S/A), vinculando-o à empresa de fachada Cardeiros Participações S/A, que teve seu capital fatiado, posteriormente, entre as estranhas holdings familiares.

NOVAS CONCESSÕES – Sobre a renovação em geral das concessões, inclusive da Rede Globo, o ministro Fábio Faria, em entrevista, foi taxativo: “Nunca tratei disso com o presidente, até porque a decisão é 100% técnica, não existe decisão política sobre isso, se estiver tudo bem, a concessão será renovada”.

Ou seja, a Globo que se acalme, porque o presidente Bolsonaro não apita nada nessa área. Ele apenas finge que faz e acontece. Seu único ato concreto foi reduzir as verbas publicitárias, para agradar e fortalecer as outras redes que não incomodam ao governo.

Quanto à renovação ilegal da concessão da TV Globo de São Paulo (antiga TV Paulista), tudo como dantes, não haverá questionamento. E o empesário Silvio Santos, que está saindo de cena devido à idade, tem motivos para se alegrar, porque Bolsonaro e o Congresso recentemente deram um jeito de legalizar a Telesena e outras jogatinas televisivas. Voltaremos ao assunto. 

Atenção, brasileiros! Apesar do governo Bolsonaro, ainda há razões para sermos otimistas

Regras claras do governo de Bolsonaro. A charge de Frank Maia | Desacato

Charge do Frank (Arquivo Google)

Carlos Newton

Quando voltou do demorado exílio, em 1979, o jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves foi visitar a sede da Tribuna da Imprensa, na Rua do Lavradio. Tivemos uma reunião alegre, eu era Editor de Política e fiz uma piada, dizendo que os militares pensavam que ele era comunista por ser ruivo e ter a cabeça vermelha. “Se escurecesse ou clareasse o cabelo, estaria resolvida a questão”, completou Helio Fernandes Filho, que então dirigia o jornal e combinou com Marcito uma coluna diária de política na página 3.

Excelente jornalista e figura humana, sua coluna fez sucesso, mas depois de sete anos, em 1986, ele voltou às atividades políticas, das quais se desligou em 1990, quando foi contratado pelo O Globo, que lhe dobrou o salário e concedeu liberdade editorial, uma benção que à época não existia no jornal de Roberto Marinho.

SÁBADOS AZUIS – Depois de alguns anos em O Globo, Marcito resolveu inovar. Como no jornalismo de política as notícias são quase sempre ruins e revoltantes, ele criou os “Sábados Azuis”, passando a publicar, uma vez por semana, um artigo que trouxesse uma notícia boa. E esse foi o título de seu último livro.

Inspirado nessa ideia, o editor-chefe da TI resolveu repetir a dose. Embora a situação política do país não esteja nada boa, é sempre possível encontrar algum alento, como a ressurreição do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras”, que tinha recebido um golpe mortal da dupla Gilmar Mendes e Dias Toffoli, com apoio entusiástico de Bolsonaro.

O presidente Bolsonaro entrou nessa onda e prazerosamente interveio no órgão que flagrara em atividades atípicas seu filho Flávio e as mulheres dos dois ministros do Supremo, além do próprio Gilmar Mendes, e sabia-se que Toffoli seria a bola da vez, por receber mesada de R$ 100 mil da primeira mulher.

TROCOU DE NOME – No embalo do pacto entre os três apodrecidos poderes, que na época era noticiado com exclusividade pela TI e agora os jornalistas chamam de “acordão”, Bolsonaro chegou a mandar trocar o nome do Coaf, que passaria a ser Unidade de Inteligência Financeira.

Mas olhem as notícias boas aí, gente! Ao contrário do que Gilmar e Toffoli esperavam, o ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação sobre o Coaf, resolveu ouvir o plenário do Supremo, que decidiu devolver ao Conselho sua autonomia investigatória.

E assim, depois de meses de paralisia, o Coaf  voltou com força total e bateu recorde histórico de relatórios de inteligência no primeiro semestre deste ano. Foram 5.840 trabalhos elaborados entre janeiro e junho, o maior número para o período.

CORRUPÇÃO E LAVAGEM – O mais importante é que o pacto (ou acordão) não vai dar certo, porque o Coaf é o principal instrumento para coibir corrupção e lavagem de dinheiro. E nenhum governo, por mais bolsonarista e militarista que seja, jamais poderá extingui-lo, pois sua existência é considerada imprescindível nas relações internacionais. Todo país precisa ter pelo menos um órgão tipo Coaf, e os Estados Unidos têm quatro.

A boa notícia é que, no Brasil, os corruptos e corruptores continuarão sendo flagrados pelo Coaf, pela Receita, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que agem separada ou conjuntamente.

Ou seja, o que o pacto (ou acordão) entre os Poderes pode garantir é apenas a impunidade na pena de prisão, mas o nome dos criminosos ficará sujo e seus bens bloqueados, que é a pena mais dolorosa para eles.

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P.S.
Ao escrever esse artigo no estilo Sábados Azuis, lembrei de outro dado positivo, desta vez sobre a nomeação do novo ministro do Supremo, Kassio Nunes Marques. Parece brincadeira, mas o novo ministro pode se tornar um problema para Bolsonaro. Acredite se quiser. (C.N.)