Se aceitar depor, Bolsonaro se desmoraliza; se não for, o desmoralizado será o ministro do STF

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro volta a criticar decisão que impediu posse  de Ramagem: “Brutal interferência do STF no Executivo”

Charge do Milton Cesar (midiamax)

Carlos Newton

Reportagem de Dimitrius Dantas, em O Globo, mostra que horas depois de o relator Alexandre de Moraes determinar que o presidente Jair Bolsonaro preste depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília nesta sexta-feira, o Planalto publicou a agenda presidencial com apenas dois compromissos, um deles uma hora depois do horário previsto pelo ministro do Supremo (14 horas).

Como se sabe, Moraes determinou que o presidente Jair Bolsonaro compareça “pessoalmente” à Polícia Federal no Distrito para prestar depoimento sobre suspeita de vazamento de documentos sigilosos de uma investigação da PF.

NEM TE LIGO – Em tradução simultânea, isso significa que Bolsonaro não está dando a menor importância à ordem judicial de Moraes, irá depor apenas se quiser, e estamos conversados.

Na agenda pública, divulgada no final da noite desta quinta-feira, a Presidência incluiu apenas uma solenidade às 9 horas no Palácio do Planalto e despachos com o Subchefe de Assuntos Jurídicos da Presidência, Pedro Cesar Sousa, às 15 horas. no Palácio da Alvorada, mostrando que Bolsonaro decidiu antecipar o final de semana..

Diz o jornalista que Bolsonaro não é obrigado a incluir na sua agenda o depoimento à Polícia Federal, por não se tratar de um evento de caráter público, apenas pessoal, porém há controvérsias, porque ser convocado a depor significa ato obrigatório.

OUTRO DEPOIMENTO – Em novembro do ano passado, o presidente já prestou um depoimento no Palácio do Planalto. Na ocasião, respondeu a 13 perguntas dos investigadores, sobre acusação de interferir na própria Polícia Federal.

Desta vez, entretanto, Bolsonaro tem buscado adiar o depoimento. A decisão de Alexandre de Moraes, nesta quinta-feira, foi em resposta a um pedido da Advocacia-Geral da União para que Bolsonaro não comparecesse ao depoimento, cujo prazo vence nesta sexta-feira.

E à noite a Advocacia-Geral da União avisou que iria recorrer da decisão de Moraes que determinou o comparecimento pessoal à PF para depor.

NA FORMA DA LEI – A reportagem de O Globo assinala também que, como é investigado, Bolsonaro pode decidir se manter em silêncio durante o depoimento ou não comparecer. Motivo: prestar depoimento como investigado é um ato de defesa e, portanto, a pessoa se defende se quiser, explica o jornalista.

Em suma, Bolsonaro pode faltar ao compromisso judicial, tranquilamente, desmoralizando a ordem judicial de Moraes, que nada poderá fazer. Ou pode ir à PF e dar um rápido depoimento, respondendo às perguntas que bem entender. Neste caso, o próprio Bolsonaro é que estará sendo desmoralizado por Moraes.

Façam suas apostas.

E se Bolsonaro se recusar a ordem de Alexandre de Moraes e não prestar depoimento?

AGU diz que vai responder no STF ordem de Moraes contra Bolsonaro | VEJA

Moraes e Bolsonaro: um dos dois vai ser desmoralizado

Carlos Newton

A mídia anunciou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou, nesta quinta-feira (27), um pedido do presidente Jair Bolsonaro para não prestar depoimento no inquérito que apura o vazamento de documentos sigilosos.

O ministro-relator do inquérito ainda determinou que a Polícia Federal colha o depoimento de Bolsonaro nesta sexta-feira (28), a partir das 14 horas, na sede da própria PF. Após o interrogatório, a investigação tem de estar concluída;

Na noite desta quinta-feira, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que “se manifestará nos autos” em resposta à ordem do ministro Alexandre Moraes, sem esclarecer se o presidente Jair Bolsonaro vai ou não prestar depoimento na PF nesta sexta-feira.

DUAS POSSIBILIDADES – Portanto, apenas o próprio Bolsonaro sabe se vai ou não cumprir a ordem de Moraes, no âmbito da investigação do vazamento do inquérito sigiloso da Polícia Federal pelo presidente.

Há duas possibilidades. A primeira é a aceitação da ordem. No entanto, se o presidente prestar o depoimento, estará desmoralizado. E a segunda hipótese, mais provável, é que o presidente se recuse a ir depor e a AGU tente alguma justificativa, como se espera.

E o que pode acontecer? Ora, não vai acontecer nada, se Bolsonaro não comparecer. Moraes jamais determinará condução coercitiva, porque o Supremo proibiu esse tipo de providência, quando não há risco de evasão. Resultado: será Alexandre de Moraes que ficará desmoralizado. Qualquer autoridade precisa entender que não deve dar uma ordem que possa ser descumprida, como é o caso. O resto é apenas folclore.

Barroso, presidente do TSE, mostra “desconhecer” a lei e atrapalha a formação das federações

Barroso reduziu em quatro meses um prazo previsto em lei

Carlos Newton

A esculhambação jurídica chegou a tal ponto no Brasil que os ministros dos tribunais superiores passaram a “interpretar” as leis a seu bel prazer, de tal maneira que têm a desfaçatez de emitir decisões sem sequer consultar a legislação em vigor. Foi o que aconteceu no Supremo, com o ministro Edson Fachin inventando a “incompetência territorial absoluta”.

No afã de liberar a candidatura de Lula, o relator Fachin não levou em conta que essa figura jurídica não existe no Direito de nenhum país, inclusive o Brasil, pois até esse julgamento a “incompetência territorial absoluta” só existia em processos imobiliários, era impraticável em ações penais, como é o caso de Lula.

AGORA, NO TSE – O mesmo desastrado fenômeno de interpretação jurídica parece ser o “novo normal”, como se diz nos dias de hoje. Em dezembro, por exemplo, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, demonstrou que jamais se interessou em ler e respeitar a Lei das Federações Partidárias (Lei 14.208, de 28 de setembro de 2021).

Com a maior sem-cerimônia, o ilustre ministro emitiu uma decisão liminar determinando que as federações devem obter registro de estatuto até seis meses antes das eleições, ou seja, dia 2 de abril, mesmo prazo definido em lei para que qualquer legenda esteja registrada e apta a lançar candidatos.

O magistrado argumentou ser “imprescindível” que o TSE possa analisar com antecedência o estatuto nacional e programa comum das federações. Em outras palavras, sepultou o prazo estabelecido em lei, para adaptá-lo à burocracia do TSE, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas.

SEM FEDERAÇÕES – Isso significa que, na prática, Barroso impediu que haja federações, porque os partidos estão tendo dificuldades para acertar os ponteiros entre as eleições estaduais e a presidencial.

Essa negociação seria extremamente facilitada se o ministro Barroso respeitasse o prazo previsto em lei, que vai até 5 de agosto (“a federação poderá ser constituída até a data final do período de realização das convenções partidárias” e “é vedada a formação de federação de partidos após o prazo de realização das convenções partidárias” – Lei 14.208).

Em tradução simultânea, Fachin, Barroso e demais ministros precisam entender que os integrantes do Supremo tem como dever o respeito às leis. Podem até, por maioria absoluta, declarar a inconstitucionalidade dessas leis. No entanto, nenhum ministro jamais deve se atrever a revogá-las de “motu proprio”, como faz o Papa na Igreja Católica.

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P.S. 1
Os partidos estão pedindo a dilação dos prazos, na forma da lei. A questão é alvo de uma ação em curso no Supremo que será analisada logo na volta do recesso do Judiciário, que termina dia 2 de fevereiro.

P.S. 2Daqui, minhas desculpas ao excelente repórter Lauriberto Pompeu, do Estadão, que indicou a data de 2 de abril para fechar as federações e eu corrigi, citando a lei. O repórter estava certo, mas deveria ter mencionado que se trata de prazo estabelecido por uma liminar fake, emitida por um ministro que mostra ser também do tipo fake e que no caso está operando fora da lei, como nos filmes de bangue-bangue. (C.N.)

Leia o artigo sobre racismo que causou protesto de jornalistas contra a direção da Folha

Grotesco', 'cruel', 'estarrecedor': texto antirracista é alvo de canceladores

Antonio Risério abomina o racismo e é acusado de racista

Carlos Newton

Antonio Risério, poeta, romancista e antropólogo, autor de “A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros”, “Sobre o Relativismo Pós-Moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitária” e “As Sinhás Pretas da Bahia”, publicou um artigo na Folha de S. Paulo que causou um abaixo-assinado de jornalistas contra o jornalão dos Frias. É algo jamais visto, porque o protesto foi feito pelos jornalistas da própria Folha.

Em nome da liberdade de expressão, o renomado jornalista e historiador brasiliense Carlos Marchi saiu em defesa de Risério, denunciando que o abaixo-assinado não refutava as afirmações do antropólogo e apenas funcionava como uma espécie de “censura interna”, por negar a Risério o direito de se manifestar.

Aqui na Tribuna, vivemos sob o signo da liberdade e fazemos questão de dar a Risério o direito de expressar sua opinião. Leiam o artigo dele e tirem suas próprias conclusões.

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RACISMO DE NEGROS CONTRA BRANCOS GANHA FORÇA COM IDENTITARISMO

Antonio Risério
(Folha de S.Paul0)

Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato.

A universidade e a mídia norte-americanas insistem no discurso da inexistência de qualquer tipo de “black racism”. Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideológica manda fingir que nada aconteceu.

OPRIMIDO E OPRESSOR – O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.

A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.

No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.

ATAQUES NO METRÔ – Em “Coloring the News”, William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: “Vamos matar todos os brancos!”. O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como “confronto de duas culturas”.

McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.

De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: “Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca”.

ATAQUES RACIAIS – O “detalhe” não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.

O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e  em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o “double standard” midiático é um fato.

Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam “Heil Hitler” em frente a casas de judeus.

JUSTIFICATIVA – Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.

Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.

Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de “pessoas que não se parecem com nós” e chamavam os coreanos de “macacos amarelos”.

VÍTIMAS COREANAS – Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: “Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?”.

Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com “consumidores” negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.

Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica. Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.

VERSÃO TROPICAL – A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um “Führer de ébano”, como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.

O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.

Em um artigo recente no jornal Le Monde (“Biden, au coeur du combat identitaire”), Michel Guerrin sublinhou que o “antissemitismo está bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter”.

RADICALIZAÇÃO – A turma discursa contra o “genocídio” palestino, “organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos”.

O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.

Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.

UM GRANDE EXEMPLO – Temos Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.

Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia “acadêmica” que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um “neorracismo científico”.

Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. “A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana”. Porque a brancura é um defeito genético recessivo. “Isto é fato”, afirma solenemente.

BAIXA MELANINA – Diz que as pessoas brancas possuem uma “alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina” e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.

Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o “racismo científico” branco do século 19 — e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.

O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a “comunidade negra” não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.

Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.

EM BUSCA DO PODER – Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.

Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.

Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: “Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto”.

EXCEÇÃO OU NORMA? – Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.

Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.

Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.

Recado aos amigos: o editor da Tribuna vai submergir por alguns dias

Charge do Lute (Arquivo Google)

Carlos Newton

Devido a um acidente, o editor da TI teve uma lesão na mão direita, nada grave, mas dificulta muito a digitação, Até a plena recuperação, calculada em uma semana, haverá um alívio para os leitores, porque terei de submergir, sem fazer artigos nem extensas traduções simultâneas, limitando-me à edição do blog, o que não é nada fácil e demanda muito trabalho e dedicação.

Mas prometo que, assim que puder, volto a incomodá-los com meus pitacos sobre política, economia e outros assuntos triviais,

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P.S. – Ao escrever a palavra pitacos, é claro que lembrei do mestre Chico Anysio e de nossa amizade, interrompida absurdamente na belíssima festa de aniversário de seu filho Bruno Mazzeo, na Estrada do Joá. 
Chico Anysio me pediu para levar um fotógrafo que já tinha trabalhado para nós, chamado Rogério Carneiro, ex-IstoÉ e Ultima Hora, meu amigo até hoje. O fotógrafo faltou, ninguém levara câmara, a festa foi espetacular, com os astros da TV Globo em peso, tinha mágico, palhaço e animador de festa. O pequenino Bruno Mazzeo deu um show, já era o artista se revelando, mas não havia ninguém para fotografar. Chico Anysio ficou aborrecidíssimo, eu fiquei super-envergonhado e nunca mais nos falamos. Alguns anos depois, quando ele era casado com Zelia Cardoso de Mello, que ia ter a primeira filha, Chico Anysio ligou para minha mulher, Jussara Martins, e pediu que ela rezasse para que a criança nascesse normal porque Zelia já passara da idade para ter primeiro filho. Foi isso que aconteceu. Nossa amizade só foi retomada mais de 30 anos depois, quando nos reencontramos e ele pediu que eu produzisse uma apresentação dele com Tom Cavalcanti no imponente Teatro Raul Cortez, que acabou não acontecendo, porque Chico Anysio ficou doente e nunca mais fez shows. (C.N.)

Pesquisa demonstra que os indecisos (52%) derrotam Lula e Bolsonaro no primeiro turno

Eleitores indecisos

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Conforme temos afirmado aqui na Tribuna, a eleição presidencial continua absolutamente indefinida, fenômeno que fica  demostrado pela primeira pesquisa do ano, divulgada nesta quarta-feira, dia 12, pelo Instituto Quaest, patrocinada pela Genial Investimentos.

Na análise da consultoria mineira Quaest, com margem de erro de 2 pontos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria 45% das intenções de voto para o Planalto no cenário estimulado e, se a eleição fosse hoje, poderia vencer já no primeiro turno, porque teria mais votos que a soma de todos os outros pré-candidatos na disputa.

APARENTEMENTE – Como todos sabem, as aparências geralmente enganam. Se as eleições ocorressem hoje, os números da pesquisa indicam que o petista estaria no limite da margem de erro para vencer no primeiro turno,  pois teria entre 43% e 47%, com Bolsonaro entre 21% e 25%; Sérgio Moro, entre 7% e 11%; Ciro Gomes, entre 3% e 7%; e João Doria, entre 1% e 5%. E somente Simone Tebet também pontuaria, com 1%.

Aparentemente, Lula até poderia comemorar com a galera petista a futura vitória. Ocorre, porém, que o quesito mais importante é a chamada pesquisa espontânea, na qual o entrevistador pergunta “em quem vai votar?”, sem apresentar a lista de candidatos.

A boa técnica determina que este deve ser o primeiro quesito. Se a lista de candidatos for apresentada antes dessa pergunta, a pesquisa se torna induzida e fica contaminada.

INDECISOS VENCEM – Assim, mesmo sem saber se esta pergunta foi a primeira a ser feita pelos pesquisadores da Quaest, o resultado mostra que os indecisos, com 52% (maioria absoluta) vencem no primeiro turno, arrasando a polarização Lula/Bolsonaro.

Outra pergunta importantíssima, pois confirma que a eleição está indefinida, refere-se aos eleitores que não votam em Lula ou em Bolsonaro, que hoje são 26% dos entrevistados. Este percentual supera a soma dos quatro candidatos de terceira via, que é de 18%. Ou seja, 8% dos que não aceitam Lula nem Bolsonaro ainda não escolheram candidato.

Tudo isso, em tradução simultânea, significa que a terceira via tem muita chance de vencer a eleição, caso Ciro Gomes caia na real e assuma o mesmo compromisso de Sérgio Moro, João Dória, Simone Tebet, Alessandro Vieira e Luiz Felipe d’Avila, que decidiram apoiar o candidato alternativo com melhor cotação, que pode ser o próprio Ciro.

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P.S. –
Essa situação mostra que a eleição pode ser decidida por Ciro Gomes. Se ele continuar semeando a cizânia na terceira via, como diziam os militares sobre quem se opunha à ditadura, sem a menor dúvida a polarização prevalecerá e o futuro presidente será Lula ou Bolsonaro. É o que está indicando hoje o Tarô Eleitoral. (C.N.)

Bolsonaristas elevam o tom contra Moro, sem pensar que podem precisar dos votos dele

Imagem analisada visualmente

Charge do Ricardo Welbert (Arquivo Google)

Carlos Newton

Ainda longe da eleição, o radicalismo na campanha é cada vez maior. O candidato Ciro Gomes, por exemplo, passou a ofender Sérgio Moro, sem levar em conta que, se passar para o segundo turno, precisará desesperadamente do apoio e dos votos do ex-juiz para ter chances de vencer.

Da mesma forma, o jornalista e escritor Guilherme Fiúza, comentarista da rádio Jovem Pan e da Gazeta do Povo, um dos mais destacados defensores de Bolsonaro e militante contra a vacina desde o início da pandemia, também está elevando o tom de forma ofensiva, como mostra esse artigo enviado por Mário Assis Causanilhas.

Esse acirramento das campanhas é negativo, porque levará à eleição de Lula, que não merece a menor credibilidade, pois comandou o maior esquema de corrupção do mundo e até criou uma elevado cargo público para a amante, que viajou para o exterior 34 vezes como ele, na condição de segunda-dama oficial, embora passageira clandestina, sem que o nome constasse da lista de passageiros.

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O BONECO DO EX-JUIZ

Guilherme Fiuza
Gazeta do Povo

Sergio Moro foi vaiado num aeroporto na Paraíba. Ele disse que acha que eram pessoas pagas para vaiá-lo. Não é que Sergio Moro ache que não existam motivos para que ele seja vaiado. Sergio Moro não acha nada. Ele repete o que os seus (péssimos) marqueteiros mandam dizer. É um boneco.

E um boneco sem graça. Existem bonecos engraçadinhos. Esse aí foi feito de forma caprichada para não expressar nada. E olhem que isso é difícil para alguém que botou na cadeia o maior ladrão do país. Mas aí é que está: o boneco não está nem aí para o ladrão. Ele será seu concorrente na eleição, e não se ouve uma palavra firme do ex-juiz sobre o escândalo da reabilitação do seu principal réu – um corrupto condenado que está à solta porque tem os amigos certos.

CONTRA O GOVERNO – O boneco só repete gemidos contra o governo. Seus geniais marqueteiros devem ter-lhe dado a instrução matadora: se você quer ser presidente, tem que dinamitar o atual presidente. Esses estrategistas modernos sabem tudo. O problema é que para dinamitar é preciso dinamite. Não se tem notícia na história de alguém ou algo que tenha sido dinamitado com um peteleco. Ou com postagens descoladas no Twitter. Moro virou uma espécie de Haddad. A diferença básica é que Haddad é mais bonitinho.

Teoricamente, um boneco deveria ser mais expressivo que um poste. Mas a realidade gosta de zombar das teorias – e aí está a zombaria: um boneco todo vestidinho de terceira via consegue ser menos expressivo que um poste sem luz, construído por um criminoso dentro de uma cadeia.

Seria importante um bom candidato de oposição a Bolsonaro. Um que soubesse escolher ministro da Saúde, por exemplo. E que compreendesse o que há de positivo na agenda macroeconômica atual, para aprimorá-la. Esse ser infelizmente não deu as caras (ainda) no cenário político brasileiro.

EXEMPLO DE ZEMA – O que chega mais perto disso talvez seja o governador de Minas Gerais, menos pelo que faz do que pelo que não faz – sabotar de forma primária o governo federal 24 horas por dia, expediente central da maioria dos seus colegas.

De qualquer forma, Romeu Zema é um dos raros personagens dessa cena atual que merece observação. É novato e um pouco tacanho na postura, mas já mostrou certo pragmatismo administrativo e a mínima coragem para não ceder à vida fácil de se aninhar no colo da imprensa conspiradora.

Não é pouco (na seca atual). Fora isso, só mobília velha, mesmo aquelas que acabaram de sair da loja. Já vieram cheias de cupim. E Sergio Moro não dá nem para a saída.

MORO TRAIDOR – Parece que no aeroporto ele foi chamado de traidor. Aí mandaram o pobre ex-juiz, perdidinho da Silva na política, dizer que era claque de aluguel do Bolsonaro. Quanto mais Sergio Moro cascateia desse jeito pueril, mais será considerado traidor – e não necessariamente por bolsonaristas.

Quanto mais repete barbaridades que seus grilos falantes (e não pensantes) lhe sopram, tipo tentar culpar a equipe de Paulo Guedes pela inflação mundial da pandemia, mais Sergio Moro trai a si mesmo aos olhos dos que o consideravam um símbolo de justiça e retidão.

Símbolo de justiça e retidão não faz esse papelão. O candidato que está aí é o ex-Sergio Moro. E ao tentar culpar Bolsonaro pela reabilitação de Lula ele revela toda sua covardia diante do STF, o real agente da ressurreição política do ladrão, numa manobra de casuísmo que aquele juiz da Lava Jato entenderia muito bem. “O crime não compensa” não está entre as frases prontas que deram para o boneco matraquear.

Inquéritos sobre atos ilegais de Bolsonaro são “Piadas do Ano” e não vão acabar nunca

Bolsonaristas ameaçam de morte Alexandre de Moraes e família

Moraes mandou prorrogar as investigações mais uma vez

Carlos Newton

É impressionante o surrealismo do Brasil, onde o novo normal é garantir impunidade à classe política e às elites empresariais, um fenômeno que surpreende os países mais civilizados. Diante do afrouxamento de nossas leis contra corrupção, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mandou uma delegação de auditores ao Brasil em novembro de 2019 e depois  que haja monitoramento em caráter permanente.

É uma situação vexatória, porque se trata de medida inédita, o Brasil se tornou o único país do mundo a sofrer esse acompanhamento da entidade internacional, que se recusa a nos filiar como país-membro, embora aceite outras nações de menor importância política e econômica, como Chile, Estônia, México, Peru, Luxemburgo e Eslovênia.

INVIABILIDADE TOTAL – No Brasil, o resultado dessa permissividade criminosa é que o combate à corrupção é inviabilizado desde a fase inicial do inquérito. Há enorme variedade de recursos e instrumentos jurídicos. As investigações simplesmente não andam e a quase totalidade das ações penais e administrativas acabam prescritas e o criminoso se livra, como se inocente fosse, basta conferir o que aconteceu com Lula da Silva e está acontecendo com Flávio e Carlos Bolsonaro.

Os jornalistas acompanham as investigações, que ficam estacionadas como se houvesse um gigantesco engarrafamento judicial. Diz-se uma coisa, mas faz-se outra, o roteiro é sempre surrealista, cheio de imprevistos e frases de efeito.

É impressionante o número de “notícias-crime” ou “notícias de fato”, a motivar espalhafatosas investigações que dificilmente redundam em condenação no caso de políticos e outros criminosos de elite. E tudo isso significa elevados gastos públicos, porque custa muito caro levar adiante o inquérito, mesmo que as autoridades estejam apenas fingindo que investigam.

EXEMPLO MARCANTE – Tudo começa na eternização das apurações policiais. Um grande exemplo é o inquérito do Supremo sobre a demissão do ministro Sérgio Moro. Na mesma manhã, 24 de abril de 2020, após a entrevista coletiva de Moro, o presidente Bolsonaro sentiu-se ofendido e mandou o procurador Augusto Aras processar imediatamente o ex-ministro. No final da tarde, em petição sucinta, de apenas uma lauda, Aras indiciou Moro em sete crimes e tocou o barco.

Alexandre de Moraes foi escolhido relator e mandou a Polícia Federal apurar. O caso é de uma simplicidade absoluta, porque Bolsonaro reconheceu o propósito de interferir nas investigações que pudessem “foder” a família e os amigos.

Está tudo gravado, depois Bolsonaro até reincidiu, ao mandar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) blindar o filho Flávio. Tudo isso é público e notório, mas a investigação não anda.

RÉU CONFESSO – Nem há o que investigar, pois Bolsonaro é réu confesso, e com agravante, pois tentou obstruir a justiça, ao negar que existisse gravação da reunião ministerial mencionada por Moro. Era mentira do presidente, essas reuniões são gravadas, é praxe no Planalto. Assim, as provas abundam, mas nada disso importa.

A Polícia Federal acaba de ganhar mais 90 dias para embromar as investigações, na quinta prorrogação, e vida que segue, diria João Saldanha. O mais impressionante, fato absolutamente inédito, é que em três anos de governo o presidente Jair Bolsonaro já responde a seis inquéritos: 1) interferência na Polícia Federal; 2) prevaricação sobre irregularidades na negociação da vacina Covaxin; 3) ataques às urnas eletrônicas; 4) vazamento de dados de inquérito sigiloso da PF; 5) divulgação de notícia falsa relacionando as vacinas contra Covid a um risco ampliado de desenvolver Aids; 6) envolvimento da Abin na blindagem do filho Flávio.

Na História do Brasil, jamais houve um governante tão investigado criminalmente como Jair Bolsonaro. Realmente, um mito para ser lembrado, mas como péssimo exemplo, é claro, embora nem possa ser comparado a Lula da Silva, que chefiou o maior esquema de corrupção do mundo.

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P.S.
O mais incrível é a tremenda esculhambação da Justiça brasileira, que vai levar à loucura os analistas da OCDE. Um dos inquéritos, sobre interferência na PF, nem existe de fato, foi protocolado errado no cartório do Supremo e ninguém percebeu. No resumo da capa, Moro aparece como “vítima” e Bolsonaro como “autor”. Na verdade, o inquérito foi aberto com Bolsonaro de “vítima” das supostas falsas acusações do ministro, e Moro como “autor” dos crimes denunciados pelo procurador Aras. Ninguém lembra, mas o inquérito aberto para apurar se Moro cometeu denunciação caluniosa e outros seis crimes listados por Aras. No final, porém, passou a ser um inquérito para apurar se Bolsonaro interferiu na PF. Em tradução simultânea, não vai acabar nunca, é mais uma peça de “jus embromandi”, essa prática tão marcadamente brasileira. (C.N.)

Jair Bolsonaro não se retrata e jornalista desfecha ataque ao presidente da Anvisa

Para 39% dos brasileiros, Bolsonaro não fez nada de bom até agora, aponta Datafolha | Jovem Pan

Bolsonaro deu entrevista à Jovem Pan e tocou no assunto

Carlos Newton

Como se esperava, o presidente Jair Bolsonaro não aceitou se retratar perante os técnicos da Anvisa, em função da carta aberta divulgada pelo dirigente da Agência, contra-almirante Antonio Barra Torres. Nesta segunda-feira, o chefe do governo deu entrevista à rádio ‘Jovem Pan’ e disse que não acusou ninguém de corrupto, afirmando que não havia motivo  para o tom agressivo de Barra Torres.

“Eu me surpreendi com a carta dele. Carta agressiva, não tinha motivo pra aquilo. Eu falei: ‘o que está por trás do que a Anvisa vem fazendo?’. Ninguém acusou ninguém de corrupto, tá?  E, por enquanto, eu não tenho o que fazer pra tocante a isso aí” —  declarou o presidente.

E quem se encarregou de atacar o dirigente da Anvisa foi o jornalista Cláudio Magnavita, editor do site do Correio da Manhã, que considerou a carta um desrespeito ao presidente e à hierarquia militar.

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A GRAVE INSUBORDINAÇÃO DE UM CONTRA-ALMIRANTE

Claúdio Magnavita  Correio da Manhã

O atual presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) serviu de bucha de canhão para a mídia de oposição ao Presidente Jair Bolsonaro esta semana. Antônio Barra Torres virou o protagonista do tolo ato de insubordinação de um oficial general contra o comandante supremo das forças armadas brasileiras.

Ele começa uma nota pública, divulgada neste sábado, 8 de janeiro, se qualificando como oficial general da Marinha brasileira. Ser contra-almirante, aliás, foi o seu principal predicado para ser indicado diretor-presidente da Anvisa. Foi uma indicação do almirante Flávio Rocha.

Na carta, ele pede que o Comandante das Forças Armadas se RETRATE.  É exatamente isso: um contra-almirante exigindo retratação do presidente da República e comandante chefe das Forças Armadas. 

INTERESSE DA ANVISA – O pior é que o presidente Bolsonaro não fez nenhuma acusação ao cidadão e oficial general da reserva Barra Torres. Ele apenas questionou que interesses a Anvisa teria na liberação da vacina para crianças.

Para piorar a sua situação de motim, o atual presidente da agência assina a nota como contra-almirante RM1 Médico/Marinha do Brasil. Não há dúvidas. É um oficial general da reserva remunerado da Marinha, ocupando uma função de altíssima confiança no Governo Federal, peitando a sua autoridade maior.

Este comportamento, que atropela, inclusive, o comandante-geral da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, e o ministro da Defesa, general Braga Netto, aos quais deveria submeter, por hierarquia, o seu desconforto. Com esta atitude, Barra Torres não defende a sua honra. Pelo contrário, macula o uniforme que usou por 32 anos. O respeito à hierarquia é o pilar principal da vida militar.

DEVERIA RENUNCIAR – O mais grave é que este contra-almirante se escuda no mandato de diretor da agência, que termina em dezembro de 2024. Se o brio militar fizesse parte do seu crédito, deveria primeiro entregar a sua carta de renúncia do cargo que ocupa na Anvisa, indicado em 4 de novembro de 2020 pelo próprio presidente, que agora ele confronta.

O comportamento de Barra Torres já emitia sinais de que ele era uma bomba relógio ambulante. O Correio da Manhã, através de duas notas na Coluna Magnavita, já havia feito o registro. No dia da sessão da Anvisa, que aprovaria a primeira vacina, ele apareceu usando um colete de padrinho de casamento. Também, em coletivas, usou e abusou dos símbolos da Ordem de Malta, da qual é cavaleiro, tanto em gravatas, lapela e máscara.  Sinais de uma personalidade incomum, ao ser submetido ao estrelato.

SAIA JUSTA – É lamentável assistir um oficial das forças armadas brasileiras colocando seus colegas de farda em saia justa, principalmente aqueles que endossaram a sua indicação. O respaldo de caserna evitaria um comportamento traidor e torpe.   

Barra Torres reedita, em reverso,  a essência do mesmo compartimento do marinheiro José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, em 1964.  Entregar a carta de demissão e recolher-se a sua insignificância é que lhe resta a fazer. 

Com a palavra agora, o comandante-geral da Marinha e o seu Estado Maior, que não podem endossar com silêncio o ato insubordinado do diretor, já que usou o nome da Marinha do Brasil.

Líderes de PT e MDB confirmam que Kassab faz jogo duro porque quer ser vice de Lula

Lula vai entrar na negociação para aproximar Kassab e Haddad | Lauro Jardim  - O Globo

Estratégia de Kassab é abalar a terceira via e ser vice de Lula

Deu no Painel
Folha

Lideranças do MDB e do PT dizem que Gilberto Kassab, presidente do PSD, está fazendo jogo duro ao declarar que a sigla levará até o final sua candidatura presidencial porque ele mesmo quer ser o vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevistas, porém, o ex-ministro de Dilma Rousseff (PT) e de Michel Temer (MDB) tem dito que não apoiará o ex-presidente ou qualquer outro concorrente no primeiro turno. Kassab afirma ao Painel que não haverá mudança de rota e que o PSD terá, sim, candidato próprio.

DESPISTE – Em 21 de dezembro, Kassab disse à Folha que já informou a Lula que não o apoiará no 1º turno e reafirmou sua escolha pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG).

“Um partido que se apresenta como moderno e de centro não pode neste momento cometer o equívoco de pender para um lado. Somos centro. Essa diretriz é fruto de muita conversa, com uns querendo pender mais para a esquerda, outros mais para a direita”, disse o dirigente na entrevista.

A líderes partidários que têm perguntado sobre o tema, Kassab tem dito, inclusive, que seria desmoralizador para ele e para o partido se ele desse uma guinada depois de negativas tão categóricas a aliados e em entrevistas.

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ESTA INFORMAÇÃO ERA EXCLUSIVA DA TRIBUNA
Carlos Newton

Agradecemos aos colegas da coluna Painel (Guilherme Seto, Fabio Serapião e Matheus Teixeira), por confirmarem a informação sobre a criativa estratégia de Gilberto Kassab, que desde novembro vem sendo dada pela Tribuna da Internet, sempre com absoluta exclusividade.

No dia 3 de novembro, sob o título “Kassab age como agente infiltrado para destruir a terceira via e beneficiar a polarização”, publicamos artigo sobre as artimanhas do presidente do PSD, que foi o primeiro dirigente partidário a se encontrar com Lula para negociar aliança na eleição, mas depois do encontro passou a dizer que não houve acordo e iria lançar candidato próprio.

Em seguida, Kassab conseguiu cooptar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que era do DEM e aceitou se filiar ao PSD e se declarar candidato à Presidência, para ganhar visibilidade e depois se candidatar ao governo de Minas Gerais, com chances concretas de vitória.

JOGO DUPLO – Neste artigo de 3 de novembro, publicamos a seguinte reflexão: “No meu fraco modo de pensar, a maior ameaça à terceira via hoje parte de Gilberto Kassab, presidente do PSD, inventor da candidatura do senador Rodrigo Pacheco, que já abandonou o DEM e assinou a nova filiação.

Kassab está cansado de saber que Pacheco não tem condições de vencer a eleição, mas seria forte candidato ao governo de Minas, que virou uma espécie de terra de ninguém.

A meu ver, Gilberto Kassab está fazendo um jogo duplo e seu interesse é tumultuar a terceira via, para garantir a vitória de Lula ou Bolsonaro, qualquer um deles lhe servirá como uma luva”.

VICE DE LULA – Depois, em 15 de dezembro, publicamos o seguinte comentário sobre ardilosas declarações do presidente do PSD à revista Carta Capital, dizendo que “o favorito é Lula, e Bolsonaro está em queda livre”. Nosso texto informava o seguinte:

“Muita conversa fiada de Gilberto Kassab, para esconder o que exatamente está pretendendo. Fundador, presidente e dono do PSD, o sonho de Kassab é ser vice de Lula, que já vai para 77 anos, tem saúde precária e continua bebendo em doses industriais. Kassab lançou Rodrigo Pacheco só para lhe dar visibilidade, porque o presidente do Senado sonha em ser governador de Minas e se compara a Juscelino Kubitschek, vejam a que ponto essa gente chega…

O problema é que Lula não quer Kassab de vice, por causa da ficha suja. Seriam dois fichas sujas numa só chapa, e assim não há quem aguente”.

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P.S. –
Agora os colegas da Folha trazem essa esclarecedora informação, assinalando: “Lideranças do MDB e do PT dizem que Gilberto Kassab, presidente do PSD, está fazendo jogo duro ao declarar que a sigla levará até o final sua candidatura presidencial porque ele mesmo quer ser o vice de Luiz Inácio Lula da Silva”.  E nós aqui, no QG da Tribuna, podemos adiantar que esse sonho de Kassab não se concretizará. Lula precisa desesperadamente de Geraldo Alckmin para conquistar o centro (a maioria silenciosa do eleitorado) e voltar ao Planalto. O problema é que agora Alckmin se tornou favorito para governador de São Paulo, um cargo muito mais importante do que a Vice-Presidência. (C.N.)

Bolsonaro tem uma arma que pode anular a candidatura de Lula, mas é idiota e não sabe usá-la

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro ainda acredita que o mercado voltará 'a comer na mão dele' contra Lula

Charge do Emerson Lopes (Arquivo Google)

Carlos Newton

No Brasil, acompanhar o noticiário político é como ir ao teatro. Tudo encenado, diz-se uma coisa, mas faz-se outra, o roteiro é sempre surrealista, cheio de imprevistos e frases de efeito. É impressionante o número de notícias-crime ou notícias de fato, que motivam espalhafatosos inquéritos mas as investigações dificilmente levam à abertura de processos e mais raramente ainda redundam em condenação, quando se trata de políticos e outros criminosos de elite.

E tudo isso significa altos custos, para que se mexam os integrantes do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal ou dos Estados. Sempre custa muito caro levar adiante os inquéritos, mesmo que estejam apenas fingindo que investigam.

PACTO DOS PODERES – Assim, depois que os três apodrecidos Poderes se uniram naquele “pacto de governabilidade” inventado pelo ministro Dias Tofolli logo no início do governo Bolsonaro, as cortinas se abriram e começou a ser apresentada a maior superprodução dos últimos tempos – a destruição da Lava Jato, o mais efetivo esquema de combate à corrupção já promovido no mundo.

Três anos depois, o resultado do pacto de governabilidade é impressionante. A Lava Jato foi sepultada sem choro nem vela, como diria Noel Rosa, e houve tamanha rocambolesca narrativa, e  de tal maneira, que até surgiu um novo substantivo de significado altamente depreciativo – “lavajatismo”, para designar perseguição jurídica a pessoas inocentes…

Esse pacto pela impunidade lavou, enxaguou e secou a memória nacional, hoje poucos se arriscam a defender a Lava Jato, e os criminosos levados à cadeia estão todos soltos – à exceção do extravagante Sérgio Cabral, que jogou na lama o nome que recebera do pai, sem falar no filho nem no espírito santo.

HOUVE SURPRESAS – Um pacto dessa ordem, celebrado pelos três Poderes, é claro que traria sequelas, e a maior vítima foi Jair Bolsonaro, que se elegera combatendo a corrupção. Ele não percebeu que se tornaria refém do Supremo e do Congresso, não teria mais o papel principal e só poderia disputar o Oscar de Coadjuvante.

Bolsonaro contava com a reeleição, jamais imaginou que Lula recuperasse os direitos políticos. Quando isso aconteceu, nem reagiu, ficou inerte. Poderia ter acionado a Procuradoria-Geral da República para obrigar o Supremo a rever o julgamento, totalmente inconstitucional, pois teve base em “incompetência territorial absoluta”, algo que Padre Quevedo diria que “non ecziste” no Direito brasileiro ou de qualquer país.

Aqui como lá, a “incompetência territorial” só anula condenação quando se trata de processos imobiliários, e o caso de Lula era de ação criminal. O procurador-geral Aras é a única autoridade que pode pedir anulação do julgamento do Supremo, mas não foi acionado por Bolsonaro e ficou quieto no seu canto.  

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P.S. 1
Bolsonaro, seus generais e ministros desconhecem as leis, não sabem que foram vítimas de uma conspiração jurídica e agora terão de enfrentar Lula nas urnas, o que não será fácil. Mas ainda há tempo. Nada impede que o presidente acione o procurador-geral e lhe determine que recorra do julgamento fajuto que “absolveu” Lula.

P.S. 2Não adianta argumentar que isso não adianta, porque em outro julgamento o Supremo decretou a “parcialidade” do juiz Moro. É preciso lembrar que Lula foi condenado também pela juíza Gabriela Hardt,  com a sentença confirmada por unanimidade o Tribunal Regional Federal. E isso significa que Lula é ficha suja, caso seja anulado o julgamento da inexistente “incompetência territorial absoluta”, inventada por Edson Fachin. (C.N.)

Daqui até a eleição, precisamos ter muita paciência para aturar os robôs e as “fake news”

Charge mostra um robô lendo um livro. Ao lado, duas pilhas de livros.

ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

É um fato consumado. Na teoria, a progressiva popularização da internet significaria que a informação seria cada vez mais democratizada. Na prática, porém, o que se vê é exatamente o contrário. A internet – leia-se: redes sociais – está se tornando o paraíso das informações falsas e das teorias conspiratórias. Ao mesmo tempo em que facilita o acesso à cultura, a internet funciona também como uma usina que processa lixo 24 horas por dia.

A proximidade das eleições agrava a situação e espaços como a Tribuna da Internet passam a ser disputados por roboides, replicantes e androides de todas as facções, que simulam “discutir” política usando argumentos absolutamente estapafúrdios.

DESPREPARO – O que mais incomoda é o despreparo desses “comentaristas” de aluguel. O certo seria que, em ano eleitoral, os partidos contratassem debatedores altamente intelectualizados para defender suas posições. Ou, pelo menos, chamassem “os universitários”, como Silvio Santos costumava fazer, em seus programas de pergunta/resposta.

Mas não é isso que acontece. Com as raras e honrosas exceções de sempre, o que se vê são robôs e autômatos de baixo desempenho e tecnologia ultrapassada, que insistem em argumentos ridículos e repetitivos. O pior é quando partem para a ofensa e tentam desqualificar a opinião de comentaristas de verdade, muito mais  intelectualizados e capazes do que os replicantes.

O resultado é patético e tedioso. Cito um desses roboides, que se assina J.Rubens e se dedica a ofender quem não partilha de sua opinião.  Infernizou o final de vida de Francisco Bendl e agora ataca outros comentaristas. Quando isso ocorre, o editor da Tribuna tem o grandioso prazer de detonar o energúmeno. Mesmo assim, ele não se manca e segue tentando perturbar o ambiente. Ou seja, é irrecuperável.

SEM SOLUÇÃO – A existência dessas figuras sinistras faz parte da internet. Não é possível se livrar dessa chatice. Desde que esse blog existe, já deletamos muitos deles. Mas não adianta, porque eles voltam com outros pseudônimos.

E aí está o maior problema da web – a possibilidade de se garantir o anonimato, que no Brasil é até proibido pela Constituição, mas trata-se de uma norma do tipo vacina e que não pegou.

Como se sabe, 0 substitutivo do projeto de lei das Fake News (PL 2630/2020), relatado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), não mais estabelece um regime geral de identificação legal dos usuários. Além disso, não exige que as empresas de rede social e de mensageria instantânea forneçam acesso remoto aos registros e bancos de dados de seus usuários. Isso significa que nada vai mudar e teremos de ter paciência e aturar os roboides.

BALANÇO DE DEZEMBRO – Como sempre fazemos a cada início de mês, vamos divulgar agora as contribuições feitas ao blog, agradecendo muitíssimo as participações, porque a Tribuna da Internet não tem patrocinadores.

De início, vamos às contribuições na Caixa Econômica Federal:

DIA REGISTRO  OPERAÇÃO    VALOR
01      011241             DP DIN LOT……100,00
23      230930           DP DIN LOT……100,00

Agora, as contribuições feitas em conta do Itaú/Unibanco:

02   TBI 8624.18877-0……………………100,10
15    TED 001.4416MARIOACRO…….250,00
30    TBI 0406.49194-4…………………..100,00
30    TED 033.3591ROBSNA…………..200,00

Por fim, na conta do Bradesco:

13    0241866  LCBPAIM…………………200,00

Agradecendo muitíssimo àqueles que colaboram para a existência de um espaço verdadeiramente livre e democrático, que permite debates de todas as tendências, vamos em frente, sempre juntos.

Prazo de validade para terceira via acaba em abril, mas para federações vai até agosto

Gilmar Fraga: tensionando... | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/ZH)

Carlos Newton

O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continuava numa boa, até que o banqueiro paranaense Andrade Vieira resolveu entrar na política, uma vereda onde tantos enriquecem, mas deu tudo errado e o banco nem existe mais. O tempo e a política não perdoam, são como moinhos que reduzem as ilusões a pó, no dizer de mestre Cartola.

De repente, já estamos no ano eleitoral, as preferências se dividem entre as duas piores facções da política brasileira, e a única esperança é a chamada maioria silenciosa, expressão criada pelo presidente republicano Richard Nixon, que perdeu no photochart para John Kennedy, mas depois soube agradar à maioria silenciosa e chegar ao poder, até ser defenestrado pelo escândalo Watergate.

ELEITORES TRAÍDOS – No Brasil, uma das facções hoje favoritas  ganhou o poder pela força do voto, mas traiu os eleitores e montou o maior esquema de corrupção da História Universal. Seu candidato, Lula da Silva, é um líder criado nos porões da ditadura para evitar que o trabalhista Leonel Brizola chegasse ao poder.

Informante do regime militar, amigo íntimo do delegado linha-dura Romeu Tuma, o ex-metalúrgico Lula é um dos maiores embromadores da política mundial e consegue enganar – ao mesmo tempo – a direita e a esquerda, um verdadeiro ilusionista.

Sem jamais ter trabalhado, a não ser como operário, enriqueceu na política. Quando a mulher morreu, há quase cinco anos, o casal já tinha – “declaradamente” – cinco apartamentos (dois de cobertura), um sítio enorme às margens da represa Billings, aplicações de mais de R$ 12 milhões, dois automóveis de luxo e mais e mais, sem falar no sítio de Atibaia e no tríplex do Guarujá, que tiveram de devolver. Seus amigos mais próximos, José Dirceu e Antonio Palloci, também enriqueceram na política, o que não é mera coincidência.

OUTRO TRAIDOR – A segunda facção hoje preferida também traiu os eleitores, que sonhavam em reduzir a corrupção e aconteceu o contrário. Com extrema habilidade, o presidente Jair Bolsonaro acabou boicotando no Congresso o Pacote Anticrime do então ministro Sérgio Moro, e depois montou uma base aliada com participação direta de políticos que se destacaram como ícones de esquemas de corrupção.

Hoje, está filiado ao PL, presidido por Valdemar Costa Neto, que cumpriu pena no mensalão e acaba de nomear o novo presidente do Banco do Nordeste, vejam como as raposas sabem onde buscar a caça.

O mais incrível é que Bolsonaro foi à TV na passagem do ano para se jactar de ter acabado com a corrupção no país, uma piada de extremo mau gosto para quem enxerga um palmo adiante do país.

TERCEIRA VIA – Aos eleitores que vêm sendo traídos a cada eleição, resta escolher um candidato da chamada terceira via. Qualquer um deles é melhor do que os dois favoritos, o que demonstra a baixaria política em que vivemos.

A partir de abril, a maioria silenciosa deve concentrar votos em apenas um dos candidatos alternativos, que não podem nem devem brigar entre si. Ao contrário, é preciso reunir esforços para enfrentar a podridão, fazer desta eleição uma luta comum pela redenção do Brasil.

Se a maioria silenciosa desprezar o falso líder sindical e o falso líder militar, pode encontrar um candidato que a represente. O prazo de validade da terceira será em abril, quando termina a janela para troca de partidos e desincompatibilizações. Depois, até 5 de agosto, as federações partidárias precisam estar definidas. E o tempo passa, o tempo voa. Pensem nisso.

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P.S.
Como dizia o almirante Francisco Barroso, o Brasil espera que cada um cumpra seu dever. Portanto, cada eleitor deve pensar muito antes de votar novamente nos traidores da pátria, que prometem uma coisa, fazem justamente o contrário e contam com a força da estupidez coletiva para seguirem em frente. (C.N.)

O maior inimigo de Bolsonaro é ele mesmo, que faz tudo o que pode para perder a eleição

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Em 22 de outubro de 2017, praticamente um ano antes da eleição, escrevemos um artigo aqui na Tribuna da Internet sob o título “Se não fizer besteiras, Bolsonaro tem muita chance de passar ao segundo turno”.  Mostrávamos que já estava crescendo muito o apoio ao então pré-candidato, que ainda era filiado ao PSC do pastor Everaldo Pereira, que em maio de 2016 batizara o deputado/capitão nas águas poluídas do Rio Jordão.

No artigo, previmos o surgimento do “Bolsonaro Ternura”, disposto a se reconciliar com as mulheres, os negros, os gays e até os quilombolas, porque o capitão teria de ser travestido em político para conseguir se eleger.

APOIO AOS MILITARES – Nossas expectativas eram baseadas nas pesquisas de opinião, que demonstravam desencanto com a classe política. Uma delas, do Instituto Paraná, indicava que cerca de 35% dos brasileiros já apoiavam uma intervenção militar provisória no país.

E o Ibope também andara pesquisando o tema, registrando que 31% dos brasileiros consideravam a intervenção militar como uma forma de governo “um tanto boa”, e 7%, “muito boa”, num total de 38% de opiniões positivas, contra 55% de manifestações negativas.

Como a tendência era de que Bolsonaro recebesse muitos votos dos eleitores que desistiram dos políticos profissionais, em outubro de 2017 tudo indicava que ele teria muita chance de chegar ao segundo numa eleição fatiada nos moldes da disputada em 1989, vencida por Fernando Collor, que era de um partido insignificante, o PRN.

AUTOCARBURANTE – Ainda nesse artigo, chamamos atenção para o fato de Bolsonaro ter problemas, por “ser do tipo autocarburante, que fala uma bobagem atrás da outra e se queima sozinho”. E acrescentamos:

Bolsonaro não é o candidato dos sonhos da cúpula militar, tem sido eleito pelas patentes inferiores. Os oficiais sabem que ele é despreparado, a preferência seria um general de verdade, como Augusto Heleno, que tem quatro estrelas. Mas vão acabar apoiando Bolsonaro, por falta de opção”.

Quatro anos depois, mesmo falando uma asneira atrás da outra, o presidente poderia alcançar uma reeleição facílima, se tivesse respeitado a ciência no caso da pandemia, não se comportasse de forma tão autoritária e se não procurasse forçar um golpe militar, que em setembro acabou sendo abortado pelo Alto Comando do Exército.

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P.S. 1
Confirma-se, assim, que o maior inimigo do atual presidente é ele próprio. Está cada vez mais autocarburante e parece fazer tudo o que pode para eleger Lula. Tem graves problemas de saúde e não deve forçar o abdome, mas não faz outra coisa, ao montar a cavalo, passar horas dirigindo moto ou brincando de jet-ski na praia, como se fosse um jovem playboy. Se cuidasse melhor da saúde e do país, o presidente faria o bem a todos, mas suas preocupações são outras. (C.N.)

Brasil precisa de um novo Itamar, que venceu a inflação e soube conter a dívida pública

MORTE DO EX PRESIDENTE ITAMAR FRANCO COMPLETA 10 ANOS - Carmo Web TV

Itamar Franco, um político que soube honrar a Presidência

Carlos Newton

O general Golbery do Coutto e Silva nem era verdadeiramente general, pois abandonara o serviço ainda como coronel e ganhara a promoção por generosidade corporativa militar, digamos assim. Mas era um oficial verdadeiramente superior.

Parodiando a teoria do artista plástico americano Andy Warhol, que previa a fama por apenas 15 dias, Golbery costumava dizer que a memória do povo brasileiro também dura apenas 15 dias. Depois disso, o assunto de Golbery ou a fama de Warhol logo se esgotariam, para cair numa espécie de esquecimento coletivo.

Este raciocínio de Golbery parece mesmo ser verdadeiro e explica muita coisa na política. Aliás, não por mera coincidência, o cineasta Glauber Rocha, que jamais foi militarista, considerava Golbery o “gênio da raça”, por ter sido eminência parda da ala moderada do regime militar, que enfrentava a chamada linha dura de Costa e Silva, Emílio Médici e Silvio Frota.

FOI DEMONIZADO – Principal mentor da abertura política nos governos de Ernesto Geisel e João Figueiredo, como chefe da Casa Civil, Golbery acabou abandonando o Planalto em agosto de 1981, em protesto à reação da linha dura, que cometera os atentados a bomba na Tribuna da Imprensa e no Riocentro.

Embora tenha sido demonizado pela esquerda, o fato concreto é que, sem a moderação de Golbery, o regime militar brasileiro teria sido ainda mais truculento, e a História há de perpetuar esses fatos.

Hoje, um pensador como Golbery, autor do livro “Geopolítica do Brasil”, faz falta ao governo paramilitar de Bolsonaro, que se desfez do mais preparado oficial de seu entorno, o intelectualizado general Otávio Rêgo Barros, que poderia ter sido o conselheiro ideal desse estouvado e despreparado capitão, que só chegou ao poder pela ironias do destino.

TESTANDO GOLBERY – Agora, estamos no decisivo ano eleitoral, em que será testada ao vivo e a cores a teoria de Golbery. Na disputa presidencial, veremos se a memória do brasileiro dura apenas 15 dias, ou o eleitor vai lembrar o passado recente.

Na hora de votar, não podemos esquecer que houve governos “beirando a irresponsabilidade”, como na era dos tucanos privatistas”.

Depois, tivemos o mensalão e o petrolão do petismo, quando Lula da Silva, José Dirceu, Antônio Palloci e muitos outros enriqueceram surpreendentemente.

MAIS LEMBRANÇAS – Em seguida, precisamos lembrar a derrocada econômica e as pedaladas de Guido Mantega e Dilma Rousseff. Logo depois, o início da venda dos ativos da Petrobras no curto governo do corrupto Milton Temer, chefe do chamado “quadrilhão” do PMDB.

Mas recentemente, tivemos o tratoraço, o orçamento secreto, as emendas sem dono e a transformação do Brasil no país da impunidade, na gestão de Bolsonaro, que se aliou aos mestres da corrupção e ainda alega ter moralizado a administração pública, vejam a que ponto chegamos.

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P.S.Como diziam os sambistas Aldacir Louro, Aluizio Marins e Adolfo Macedo, criadores do eterno sucesso “Recordar é Viver”, é preciso sonhar que podemos reviver o passado. Assim, nas eleições, seria oportuno que os brasileiros votassem em alguém como Itamar Franco. Em sua breve gestão, o político mineiro tirou o Brasil da inflação e deixou a dívida pública em meros R$ 60 bilhões. Depois dele, uma sucessão de governantes irresponsáveis elevou essa dívida para R$ 5,5 trilhões. Atenção, são trilhões. Portanto, se o eleitor não tiver juízo, logo serão quaquilhões, como dizia o Tio Patinhas. (C.N.)

Moro tem obrigação de revelar as “coisas erradas” que Bolsonaro tentou exigir que fizesse

TRIBUNA DA INTERNET | Archives | 2020 | maio | Page 32

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Como era de se esperar, o ex-juiz Sérgio Moro, pré-candidato à Presidência da República pelo partido Podemos, tem sido vítima das mais disparatadas “fake news”, para destruir sua imagem pessoal. A criatividade é tamanha que já inventaram que Moro atuaria no Brasil como espião da agência de inteligência americana CIA, vejam a que ponto chegamos.

O objetivo dessas “fake news” é evitar que o candidato continue conquistando votos de quem não admite votar num desqualificado como o ex-presidente petista Lula da Silva, que chefiou o maior esquema de corrupção já visto no mundo, nem reeleger um presidente irracional, debochado e volúvel como Jair Bolsonaro, que já trocou de partido nove vezes e hoje está no PL de Valdemar Costa Neto, considerado um dos ícones da corrupção à brasileira

Na última semana do ano, ao sair em defesa de um aliado, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), alvo de “fake news” envolvendo o doleiro Alberto Youssef, investigado na Lava Jato, o ex-juiz Moro acabou fazendo uma denúncia gravíssima contra o presidente Bolsonaro, que precisa ser melhor detalhada.

“FAKE NEWS” – Em entrevista à rádio Capital, de Mato Grosso, Moro explicou que a denúncia da doação que teria feita à campanha de Alvaro Dias era coisa antiga, de 1998, investigada e arquivada pelo Ministério Público, e na época nem se sabia quem era Youssef, que tinha duas empresas e somente anos depois é que se descobriu que atuava também como doleiro.

Em seguida, o ex-juiz Moro Moro afirmou à rádio que essas informações estão aparecendo porque “não se tem o que falar” sobre o seu trabalho no combate à corrupção e na liderança da Operação Lava Jato.

“Agora, me acusam de ajudar o doleiro Youssef. A verdade é uma só: eu mandei prender Youssef”, ironizou, dizendo que prendeu duas vezes o doleiro. “Se eu não tivesse feito isso, ele nunca teria respondido pelos seus crimes”, lembrando que em 2015 condenou o doleiro a cinco anos de prisão por lavagem de R$ 1,16 milhão do mensalão no governo Lula.

“COISA ERRADA” – A grande surpresa surgiu no seguimento da entrevista à emissora de Mato Grosso, quando Moro voltou a citar o tempo em que chefiou o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro. Ao comentar sobre seu desembarque do governo, o ex-juiz afirmou que logo no início do mandato, passou a não ter mais o apoio do presidente da República e chegou a sofrer até sabotagem, revelando que o chefe do governo queria que ele fizesse “coisa errada”.

“Quando chegou o momento que era me dada a escolha ‘ou você fica como cúmplice de coisa errada […] ou você sai’, eu preferi sair”, disse.

Moro não esclareceu a “sabotagem” sofrida, mas presume-se que se trate da falta de apoio do presidente ao chamado Pacote contra o Crime, que encaminhou ao Congresso quando era ministro, nem esclareceu quais seriam os pedidos do presidente para que fizesse “coisa errada”.

PROTEÇÃO AOS FILHOS – O mais provável é que Moro esteja se referindo ao fato de que o presidente pretender impedir que seus filhos fossem investigados, porque, na sequência da entrevista, fez a seguinte observação:

“O próprio presidente reclamou esses dias dizendo que eu não protegia a família dele da Polícia Federal, da Receita Federal, o que é um absurdo. Ninguém tem que ser protegido de nada. Se alguém cometeu coisa errada, tem que ser investigado e a pessoa tem que ser responsabilizada”, assinalou.

Bem, devido à gravidade do assunto, esse tipo de acusação não pode ficar no vazio. De toda forma, o ex-juiz tem obrigação de esclarecer a que está se referindo, especificamente, quando diz que o presidente tentou exigir que fizesse “coisa errada”.

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P.S. – Sabe-se que muitas “coisas erradas” foram feitas no próprio Planalto, como a reunião do presidente Bolsonaro com o ministro Augusto Heleno, da Gabinete de Segurança Institucional, o delegado Alexandre Ramagem, diretor da Abin, e a advogada Luciana Pires, que defende Flávio Bolsonaro, um encontro que nada teve de republicano. Mas quem se interessa? (C.N.)

Investigação do ex-juiz Moro pelo TCU ganha troféu “Piada do Ano” por antecipação

TCU determina que empresa divulgue quanto Moro ganhou | CNN Brasil

Agora, só falta acusar o ex-juiz Moro de fazer rachadinhas…

Carlos Newton

Da mesma forma como o fabuloso jogador Pelé foi eleito o Atleta do Século por antecipação, em 1980, vinte anos antes de passarmos para o século XXI, por haver a certeza de que, no mundo esportivo, não surgiria nenhum outro que se pudesse comparar a ele, agora acontece a mesma coisa com relação à Piada do Ano, o disputadíssimo troféu de imbecilidades, cobiçado no Brasil por governantes, políticos, empresários e destacadas personalidades civis e militares.

Antes mesmo da virada do ano, o troféu foi concedido por unanimidade e consenso geral ao procurador Lucas Furtado e ao ministro Bruno Dantas, do TCU, que abriram investigações sobre atos de corrupção que teriam sido cometidos pelo ex-juiz Sérgio Moro.

SOBRENOMES PERFEITOS – Fazendo jus ao sobrenome, o procurador Furtado roubou a cena, porque a ideia da piada foi exclusivamente dele, embora o ministro Dantas também tenha feito jus a seu sobrenome, ao se comportar igualmente “como uma anta”, como se diz desde os tempos saudosos da autoproclamada presidenta Dilma Rousseff, que fez por merecer o apelido de “presidanta”.

O procurador Furtado também não se furtou de antecipar explicações sobre seu proceder, em entrevista ao site Conjur em 23 de agosto de 2020. Disse ele, explicando seu modo de agir:

Me conferi esse papel de atuar como uma ponte entre a investigação efetuada pela imprensa e o TCU. Se há mérito ou demérito nessa minha atuação, atribuo isso à própria imprensa. Minha função é simplesmente levar essas demandas adiante para que não caiam no vazio como no passado. Não deixo cair. Investigo qualquer denúncia publicada pela imprensa desde que contenha o mínimo de elementos que justifiquem um procedimento no meu campo de atuação“, justificou-se

GRANDES PIADAS – Como se vê, o procurador Furtado faz uma piada atrás da outra. Esse papel de “fazer uma ponte entre a investigação efetuada pela imprensa e o TCU”, por exemplo, é uma anedota da melhor qualidade.

Demonstra que até mesmo no Judiciário ainda há quem acredite no que a imprensa divulga em seu noticiário político e econômico, que é sempre manipulado de um lado para o outro, de acordo com as conveniências dos donos dos chamados órgãos de comunicação.

A respeito dessa crença do procurador, Padre Quevedo diria, revoltadíssimo: “Isso non ecziste”. Aliás, aqui na Tribuna da Internet a gente acredita tanto na imprensa que criamos até uma “tradução simultânea”, para que as pessoas raciocinem com mais clareza sobre as notícias da política e da economia, para ver se há alguma intenção por trás daquelas palavras.

FURTADO ENTROU… – O procurador Furtado esqueceu de fazer a tradução simultânea e ficou roubado no lance, como dizem os locutores esportivos. A motivação da imprensa, ao denunciar Moro como “protetor” da recuperação da Odebrecht, mostra ser claramente política.

Se o juiz Moro tivesse absolvido a Odebrecht, a iniciativa do TCU até faria sentido, o ex-juiz estaria se beneficiando de decisão tomada antes. Mas aconteceu exatamente o contrário. Como magistrado, Moro atuou corajosamente para desbaratar o maior esquema de corrupção já implantado no mundo, e a Odebrecht era uma das empreiteiras beneficiadas. Estava tão envolvida na corrupção que chegou a criar e manter um “departamento” exclusivamente para administrar propinas a centenas de políticos.

Moro atuou para destruir tudo isso. E a pergunta que resta é a seguinte: Na Alvarez & Marsal, o que o ex-juiz poderia fazer para “ajudar” a Odebrecht? Nada, absolutamente nada. Aliás, a empreiteira continua quebrada, embora seus donos permaneçam bilionários, como é comum no Brasil, sem que procuradores, ministros e tribunais se preocupem com essas distorções.

DISSE MORO – Em sua defesa, Sérgio Moro disse algumas verdades nas redes sociais: “Trabalhei 23 anos na carreira pública. Lutei contra a corrupção neste país como ninguém jamais havia feito. Deixei o serviço público e trabalhei honestamente no setor privado para sustentar minha família. Nunca paguei ou recebi propina, fiz rachadinha ou comprei mansões”, publicou nas redes.

Esqueceu de dizer que jamais comprou imóveis em dinheiro vivo, nunca lavou dinheiro em loja de chocolate,  não levou parentes e amigos para passear em jatinho da FAB nem criou emprego altamente remunerado para uma amante e lhe deu um cartão corporativo, com direito a viajar 34 vezes ao exterior, clandestinamente e ganhando diárias em dólar…

Esqueceu também de dizer que não tem contas bancárias em paraísos fiscais, para obter lucro cada vez que a moeda brasileira cai de cotação, por imperícia do governo… Realmente, esqueceu muita coisa.

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P.S.
Ao que parece, a campanha de Moro está incomodando, até porque ninguém chuta cachorro morto nem perde tempo tentando destruir candidatura que não tenha possibilidade de crescimento. (C.N.)

Polícia Federal quer saber por que a Globo fechou a empresa mais lucrativa do mundo

TRIBUNA DA INTERNET | Jornalistas do grupo Globo não podem apoiar candidaturas nem partidos políticos

Charge do Kayser (Arquivo Google)

Carlos Newton

Conforme informamos aqui na Tribuna, sempre com absoluta exclusividade, o inquérito movido contra os irmão Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto) é o deslinde de uma armação econômico-financeira inacreditável que envolveu uma sociedade que jamais foi “anônima” e depois se transformou em “limitada”.

Criada pelos irmãos Marinho, a Portal do Esporte S/A virou GME Marketing Esportivo Ltda. Tinha um patrimônio irrisório e pouquíssimos empregados. Mesmo assim, ao final de 5 anos fez uma transferência de patrimônio equivalente a 2,8 bilhões de dólares para os irmãos Marinho.

Se a empresa conseguiu transferir tamanha fortuna, quanto, de fato, faturou naqueles 5 anos? E se tudo ia tão bem, por que, de repente, os irmãos Marinho fecharam a GME Marketing Esportivo, empresa mais lucrativa do mundo?

DETALHE IMPORTANTE – Se a tal empresa global GME tinha essa montanha de dinheiro, por que o Grupo Globo, entre 2002 e 2005, teve que renegociar sua dívida internacional de 1,7 bilhão de dólares?

Bem, a GME Ltda. era simplesmente a segunda versão da Portal do Esporte S/A, pois usavam até o mesmo CNPJ. Tiveram atuação na Copa América em 2001 e nas Copas do Mundo de 2002 e 2006, todas transmitidas pela Rede Globo.

Sob o comando de Marcelo de Campos Pinto, ex-funcionário da Globo, a GME Marketing Esportivo Ltda., que tinha poucos funcionários, tornou-se a empresa mais lucrativa do mundo, repita-se, mas encerrou suas atividades em 1º de setembro de 2006, com patrimônio líquido de 2,8 bilhões de dólares, quando o dólar estava cotado a R$ 2,14, e o total correspondia a cerca de R$ 6 bilhões.

NAS MESMAS MÃOS – Essa fortuna, maior do que o patrimônio declarado à época pelas Organizações Globo, corresponderia, hoje, a cerca de R$ 15 bilhões, com o dólar cotado a R$ 5,60. E foi tudo integralmente transferido para as Organizações Globo Participações S/A, através da Cardeiros Participações S/A ou de outras empresas fantasmas dos irmãos Marinho.

As indagações a respeito dessa bilionária patrimonialização de uma sociedade limitada, em tão pouco tempo, e com finalidade bem restrita, “promoção de eventos esportivos”, teve sua liquidez atestada por conceituada empresa de planejamento e engenharia de avaliações.

A consultoria avaliadora informou que “os ativos e passivos da GME MARKETING ESPORTIVO LTDA. encontram-se adequadamente contabilizados no referido balanço, as atualizações monetárias foram adequadamente efetuadas e as provisões foram calculadas de acordo com a legislação societária e fiscal em vigor.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO – Acrescentou a consultoria avaliadora: Postas essas premissas, cumpre-nos afirmar que, compulsando os livros e documentos fiscais da GME MARKETING ESPORTIVO LTDA., que nos foram apresentados, os ativos e passivos a serem incorporados, de acordo com o estabelecido no referido protocolo, assim se qualificam: total do Patrimônio líquido R$ 5.852.533.310,23”.

A GME Marketing Esportivo Ltda. encerrou as atividades em 1º de setembro de 2006, sob o comando do sócio Marcelo de Campos Pinto, ex-empregado global, e quando foi incorporada pelas Organizações Globo tinha lucros acumulados de R$ 326.006.892,30.

Nessa mesma data, a Globopar S/A, concessionária dos canais de televisão de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Distrito Federal, sem o obrigatório conhecimento do poder concedente, já tinha sido fatiada entre as holdings particulares de seus três acionistas-proprietários, e o total do patrimônio não passava de R$ 1,8 bilhão, um montante bem menor do que o fenomenal administrador Marcelo de Campos Pinto colheu para a GME (ex-Portal do Esporte) em apenas 5 anos.

DISPARIDADE – Repita-se, para ficar bem claro: o patrimônio transferido pela sociedade limitada promotora de eventos esportivos, que funcionou apenas 5 anos, era várias vezes maior do que o patrimônio de sua própria incorporadora, a Organizações Globo Participações S/A.

Bem, a Polícia Federal está investigando. Mas se quiser saber o que realmente aconteceu, terá de pesquisar o chamado caso Fifa. Um dos personagens principais era o empresário e jornalista brasileiro Jota Hawilla. Foi preso pelo FBI em dia 9 de maio de 2013, acusado de obstrução de Justiça.

No dia seguinte, o empresário fez um acordo de colaboração com as autoridades americanas. Em troca de não ser processado por diversos outros crimes, Hawilla entregou uma grande quantidade de documentos e topou grampear vários de seus interlocutores: dirigentes de futebol, sócios, concorrentes.

CORRUPÇÃO MUNDIAL – A colaboração de Hawilla foi decisiva para o desenvolvimento do “Caso Fifa”, maior investigação sobre corrupção no futebol mundial, que tem mais de 40 réus, entre eles, três ex-presidentes da CBF – Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero – e três ex-presidentes da Conmebol, Nicolas Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Angel Napout.

Hawilla depôs no tribunal americano e detalhou como pagava subornos para dirigentes de futebol desde 1991. Além de colaborar com as autoridades. aceitou pagar uma multa de US$ 151 milhões, mas até sua morte, em 2018, só tinha devolvido US$ 25 milhões.

A notícia da morte do empresário foi um alívio para as Organizações Globo, que até o fim contou com a fidelidade dele. Na época, Hawilla aparecia como dono de uma rede de emissoras no interior de São Paulo, todas afiliadas à Globo, mas é claro que isso era apenas coincidência.

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P.S. 1 –
Segundo o próprio Hawilla, a Traffic, sua agência de marketing esportivo, subornava dirigentes para conseguir a preço baixo os direitos comerciais de competições da CBF e da Conmebol. Os direitos depois eram revendidos para emissoras de TV (leia-se Rede Globo) e patrocinadores por valores muito mais altos. Com parte do lucro da operação, as agências pagavam subornos aos cartolas.

P.S. 2 – Como se vê nos exemplos vitoriosos de Marcelo de Campos Pinto e de Jota Hawilla, que enriqueceram da noite para o dia, não basta ser competente para vencer na vida . Antes de mais nada, é preciso se ligar a uma organização realmente poderosa, como a Globo.  (C.N.)

Polícia Federal apura os golpes societários da TV Globo, ilegais e altamente lucrativos 

TRIBUNA DA INTERNET | Prazo já começou a correr e a Rede Globo tem de requerer renovação de concessões

Charge do Nico (Arquivo Google)

Carlos Newton 

Como é do conhecimento dos leitores do nosso blog e de ninguém mais, já que o assunto é desprezado pela “grande mídia”,  há dois anos o juiz da 2ª Vara Federal Criminal do Rio transformou em inquérito policial um procedimento investigatório iniciado em São Paulo, em julho de 2019, e no qual são apuradas supostas ilegalidades cometidas pela Rede Globo, seus controladores e mais o “criador” de empresas sem atividade específica, advogado Eduardo Duarte.

Segundo o site da Justiça Federal, o Ministério Público, como autor, e a Polícia Federal investigam o cometimento de possíveis ilícitos de “falsidade ideológica (art. 299), crimes contra as Telecomunicações (Lei 9.472/97) e “crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores (Lei 9.613/96)”.

EMPRESAS DE FACHADA – No centro das investigações encontra-se, como principal ilicitude, a inexplicável utilização de empresas de fachada como controladoras de todos os ativos da Globopar S/A – Globo Comunicação e Participações S/A, concessionária de serviço público, substituída pela sociedade sem capital algum 296 Participações S/A, criada no distante ano de 2000, com denominação posterior, em 2005, de Cardeiros Participações S/A, e que nada mais é que a “OGP”, Organizações Globo Participações S/A., todas com o mesmo CNPJ.

Na Polícia Federal, após pormenorizado exame das provas e observado o princípio de que todos são iguais perante a lei, o delegado Marcelo Previtalli solicitou informações às autoridades do Ministério das Comunicações, Receita Federal, Procuradoria da Fazenda Nacional e aos próprios investigados, a Globo e os três irmãos Marinho, representados pelo escritório de advocacia do professor e renomado criminalista Paulo Freitas Ribeiro. 

DENTRO E FORA DA LEI – Segundo consta dos autos, a defesa dos investigados explicou que essas holdings particulares, cuja existência era ignorada pelo poder concedente (União e Ministério das Comunicações), foram criadas para agilizar a gestão do grupo empresarial e seguiram a Lei das Sociedades por Ações.

No entanto, a defesa não conseguiu justificar por que a Globo não cumpriu as leis que regem o setor de radiodifusão, irregularidade que agora ameaça os irmãos Marinho de terem as concessões não renovadas ou até cassadas em 2022.

Os documentos sobre essas nebulosas transações – como diria Chico Buarque – já estão no Rio e estão sendo encaminhados à Polícia Federal. Com toda certeza, devem alterar profundamente o rumo do inquérito criminal.

US$ 2,8 BILHÕES – As investigações, de caráter sigiloso, tratam de transferência equivalente a 2,8 bilhões de dólares, em valores de 2006. Os documentos exibem atos societários promovidos em nome dos irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que, aparentemente, deles não teriam participado, graças à providencial colaboração de sócios ocultos e laranjas, que, em seus nomes ou não, gerenciaram empresas desconhecidas até agora, mas que tiveram extraordinários resultados financeiros.

É o caso da Portal do Esporte S/A – Subsidiária Integral – GB Empreendimentos e Participações S/A, situada na Rua Marquês de São Vicente, nº 30, loja 201, no Rio de Janeiro, cujo sócio José Manuel Aleixo, em Assembleia Geral Extraordinária de 10 de dezembro de 2001, transformou a S/A em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, alterando sua denominação para GME Marketing Esportivo Ltda.

A GME Marketing Esportivo Ltda., com o mesmo CNPJ da Portal do Esporte (04.224.815/0001-05, localizada na Avenida das Américas, 700, bloco 5, salas 218 a 222), passou a ter como sócio cotista o advogado Marcelo Gonçalves de Campos Pinto, funcionário da TV Globo entre 1994 e 2019, que se revelaria um fenômeno empresarial muito superior ao Lulinha, filho do ex-presidente petista.

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P.S.-
O inquérito trata do deslinde de uma armação econômico-financeira inacreditável que envolveu uma sociedade anônima que se tornou limitada, tinha um patrimônio irrisório e no final de apenas 5 anos, em 2006, transferiu o equivalente a 2,8 bilhões de dólares para os irmãos Marinho. Se transferiram tamanha fortuna, quanto, de fato, faturaram nesses cinco 5 anos? Se tudo ia tão bem, por que, de repente, fecharam a GME Marketing Esportivo Ltda.?

P.S. 2Amanhã, vamos saber por que os irmãos Marinho se livraram da empresa mais lucrativa do mundo. Não percam. É uma história rocambolesca, como se dizia antigamente. (C.N.)

Não percam as novidades sobre crimes que teriam sido cometidos pelos donos da TV Globo

Blog do Garotinho - A Globo continua achando que o povo é bobo

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Carlos Newton 

Como é do conhecimento dos leitores do nosso blog e de ninguém mais, já que o assunto é desprezado pela “grande mídia, há dois anos o juiz da 2ª Vara Federal Criminal do Rio transformou em inquérito policial um procedimento investigatório iniciado em São Paulo, em julho de 2019, e no qual são apuradas supostas ilegalidades cometidas pela Rede Globo, seus controladores (os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho) e mais o advogado Eduardo Duarte “criador” de empresas sem atividade específica, que as repassou aos donos da Globo.

Segundo o site da Justiça Federal, o Ministério Público, como autor, e a Polícia Federal investigam as empresas de fachada e o cometimento de possíveis ilícitos de “falsidade ideológica (art. 299), crimes contra as Telecomunicações (Lei 9.472/97) e “crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores (Lei 9.613/96)”.

Este será o assunto principal de nossa edição nesta terça-feira, tudo com absoluta exclusividade.