Uma música e um poema, especialmente carinhosos, para saudar o Dia Internacional da Mulher

Mulher Maravilha - PSDB - Mulher | PSDB – Mulher

Charge reproduzida do Arquivo Google)

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga (1907-206), conhecido como Braguinha ou João de Barro, fez uma belíssima declaração de amor ao colocar letra no famoso choro “Carinhoso”, um dos maiores clássicos da MPB, composto por Pixinguinha.  “Carinhoso” foi gravado por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

CARINHOSO
Pixinguinha e Braguinha

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.

Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.

Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
A procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.

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DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
Paulo Peres

Quero parabenizá-la, dizendo que
não existe palavra capaz de definir,
peculiarmente, esta dádiva chamada
MULHER, maravilha infinita
que embeleza o cotidiano!…

Conheça o autorretrato de Moacyr Félix, um poeta que questionava a própria poesia

LITERATURA - SENTIMENTO CLÁSSICO - Moacyr Félix - Flávio Chaves

Moacyr Félix foi um poeta muito combativo

Paulo Peres
Poemas & Canções

O editor, escritor e poeta carioca Moacyr Félix de Oliveira (1926-2005) se enreda numa estranha aventura no poema “Auto-Retrato”. Era um poeta que questionava até a poesia. Em sua visão, qualquer poema poderia ser político. Escreveu versos combativos, discursivos, longos ou curtos, persuasivos. “De que adiantou?”, ele indagava.

AUTO-RETRATO
Moacyr Félix

Certa vez, numa aventura estranha
fugi do estreito túmulo em que me estorcia
para uma ampliação sem fim.
Quando voltei e senti, de novo,
ferindo-me, o peso dos grilhões,

então não mais sabia quem eu era.
E nunca mais soube quem eu sou.

Talvez a sombra triste de um sonho de poeta.
Talvez a misteriosa alma de uma estrela
a guardar ainda no profundo cerne
a ilógica saudade de um passado astral.

Um poema humorístico de Millôr Fernandes, para seu grande amigo Mário Lago

Millôr Fernandes | Frases sobre chuva, Citações sobre pensamento, CitaçõesPaulo Peres
Poemas & Canções

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Milton Viola Fernandes (1923-2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, revela a “Predestinação” que poetizou para o amigo Mário Lago.

PREDESTINAÇÃO
Millôr Fernandes

Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Piscis.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.

Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.

Seu provérbio predileto: “Quem tem capa, escapa”.
Sua piada favorita:
“Ser como o rio: seguir o curso sem deixar o leito”.
Pois estudava: engenharia hidráulica.

Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando
já estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.

Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.

Foi morar numa água furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d’água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.

Uma arrebatadora canção de amor, na criatividade de Dominguinhos e Nando Cordel

Dominguinhos e Nando Cordel - É Só Você Querer - YouTubePaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, expressa o que acarreta a saudade de um amor na letra de “Gostoso Demais”, parceria com Dominguinhos (1941-2014). A música foi gravada por Maria Bethânia no LP Dezembros, em 1987, pela Universal Music.

GOSTOSO DEMAIS
Dominguinhos e Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim o que eu posso fazer

Uma auspiciosa e poética lição de vida, na criatividade do multifacetado Menotti Del Picchia

Casa Menotti

Menotti, com os amigos Monteiro Lobato e Cassiano Ricardo

Paulo PeAres
Poemas & Canções

O jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor, ensaísta e poeta paulista Paulo Menotti Del Picchia (1892-1988), no poema “O Voo”, nos fala da importância do esforço que devemos realizar diante dos obstáculos que o cotidiano nos impõe, em voos semelhantes aos pássaros. O poema também pode ser interpretado como “uma lição de vida”.

O VOO
Menotti Del Picchia

Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo.
que sabes tu do fim…
Se temes que teu mistério seja uma noite,
enche-o de estrelas
conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre para mais alto
no deslumbramento da ascensão

Se pressentires que amanhã estarás mudo, esgota como
um pássaro as canções que tens na garganta
canta, canta para conservar a ilusão de festa e de vitória
talvez as canções adormeçam as feras que esperam
devorar o pássaro

Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo
rumo ao céu?
que importa a rota
voa e canta enquanto resistirem as asas.

Um poema neo-realista de Mauro Mota sobre o desamparo dos brasileiros que vivem na pobreza do sertão

Mota, um dos maiores poetas pernambucanos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque(1911-1984), no poema “Construção”, fala da vida difícil dos moradores pobres do interior do país.


CONSTRUÇÃO
Mauro Mota

Vem vindo José Maria,
vem de São Bento do Una,
vestido de roupa cáqui
e de botinas reiúnas.

No conselho de família,
só encontra a hierarquia
do avô cabo de polícia.

O pai na barbearia
do povoado trabalha,
mal completa o pagamento
da prestação da navalha.

Vem vindo José Maria,
o amarelinho de São Bento
do Una, sem genealogia.

Vem montado no jumento.
Saiu da escola. (Não tinha
nem livros nem fardamento.
Aprendeu a ler sozinho.)

Oh, que infância sem infância,
essa do José Maria!

Entrava na terra o casco
do seu cavalo de pau,
que o cabo da enxada era
a escoiceante montaria.
Tirava leite das vagas,
mas o leite não bebia.
Os animais da fazenda,
com que doçura os tangia!
Carregava areia e lenha
com o gosto do engenheiro
que uma obra construía.

Foi bicheiro e negociante
de passarinhos na feira.
Vendeu frutas e roletas
nas festas da Padroeira.
Lavou frascos na botica,
lavou os pratos do hotel,
fez os serviços miúdos
da casa do coronel.

– Pega o carneirinho mocho
para Jorginho montar.
– Vê se a novilha cinzenta
já voltou para o curral.
– Leva o peru para a ceia
do Doutor pelo Natal.

Vem vindo José Maria
vem de São Bento do Una,
vestido de roupa cáqui
e de botinas reiúnas.

Puxa ainda o seu jumento,
remexe nos caçuás.
Carrega barro e madeira
para a construção que faz
com alicerces na poesia
dos desesperos rurais.

Em busca da felicidade, uma canção de Maysa lembra que também é necessário sofrer

Folha de S.Paulo - Em nome da mãe - 04/01/2009

Maysa cantava como ninguém os sofrimentos do amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

 

A cantora e compositora paulista Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (1936-1977), na letra de “Felicidade Infeliz”, explica que pode haver um cotidiano infeliz e solitário na felicidade. O samba-canção “Felicidade Infeliz” foi gravado no LP Convite Para Ouvir Maysa, Nº2, em 1958, pela RGE.

FELICIDADE INFELIZ
Maysa

Felicidade, deves ser bem infeliz
Andas sempre tão sozinha
Nunca perto de ninguém
Felicidade, vamos fazer um trato
Mande ao menos teu retrato
Pra que eu veja como és

Esteja bem certa porém
Que o destino bem cedo fará
Com que teu rosto eu
Eu vá esquecer
Felicidade não chore
Que às vezes é bom
A gente sofrer

Um canto de liberdade, na visão criativa de Martinho da Vila e João Donato

TRIBUNA DA INTERNET | “Gaiolas Abertas”, uma parceria bossa nova de Martinho  da Vila e João Donato

Martinho da Vila e João Donato, grandes amigos e parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O escritor, cantor e compositor Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila (Isabel), nascido em Duas Barras (RJ), dedica a letra de “Gaiolas Abertas” a uma das suas filhas, que crescia e se tornava adulta. “Voa, voa passarinha, voa”, diz a letra da parceria com João Donato. “Tu não estás presa mais”, continuava. Martinho, o pai preocupado, alertava que “há perigos lá fora, visgos e pedras mortais”. Mas concluía, feliz: “Pra ser livre, valem os riscos”. Esta bossa nova foi gravada por João Donato no CD Coisas Tão Simples, em 1996, pela Odeon.

GAIOLAS ABERTAS
João Donato e Martinho da Vila

Voa, voa, passarinha, voa
A gaiola está aberta
Nada já te prende mais

Voa, bate asa e vai embora
Mas há perigos lá fora
Visgos e pedras mortais

Voa, pra ser livre valem os riscos
Voa, foge lá pros altos picos
Canta pra chamar o companheiro
Que anda voando fagueiro
Entre frutas tropicais        

Um poema de Mário de Andrade, lembrando o sofrimento do trabalhador brasileiro

Pin em FRASES - Reflexão, Amor, Motivação & pensamentoPaulo Peres
Poemas & Canções

O romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte, fotógrafo e poeta paulista Mário Raul de Moraes Andrade (1893-1945), no  poema  “Descobrimento”,  faz uma comparação entre o homem de um grande centro urbano e a vida precária de um seringueiro, o homem do Norte, uma região praticamente abandonada pelas autoridades. Logo, trata-se de uma forma indireta de denúncia bem própria do Modernismo da primeira geração.

DESCOBRIMENTO
Mário de Andrade

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

“Covarde sei que me podem chamar, porque não calo no peito essa dor…”

TRIBUNA DA INTERNET | Lembrando “Atire a primeira pedra”, obra-prima de Mário  Lago e Ataulfo Alves

Mário Lago e Ataulfo Alves eram grandes parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, ator, radialista, poeta e letrista carioca Mário Lago (1911-2002) é autor de alguns clássicos da MPB, entre eles, “Atire a Primeira Pedra”, em parceria com Ataulfo Alves. A letra versa sobre o grande desejo de um homem se reconciliar com a mulher amada, a despeito do que os demais e até a própria amada pensem sobre isso. O título faz referência às palavras de Jesus Cristo em João 8:7. O samba “Atire a Primeira Pedra” foi gravado por Orlando Silva, em 1943, pela Odeon.

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Ataulfo Alves e Mário Lago

Covarde sei que me podem chamar
Porque não calo no peito essa dor
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai
Aquele que não sofreu por amor

Eu sei que vão censurar meu proceder
Eu sei, mulher
Que você mesma vai dizer
Que eu voltei pra me humilhar
É, mas não faz mal
Você pode até sorrir
Perdão foi feito pra gente pedir

Veja como o genial Manuel Bandeira gostaria de ter criado seu último poema

Paulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968) quando jovem teve tuberculose  e, consequentemente, passou a vida inteira com a ideia de que morreria em breve, mas viveu até seus 82 anos, razão pela qual “O Último Poema” e muitos poemas de sua autoria carregam a melancolia e a sensação de sempre estar à espera do pior.

Vale ressaltar que versos curtos, pensamento objetivo, liberdade no uso das palavras, simplicidade na escrita, ironia e a crítica são características do modernismo que aparecem no poema, que também nos mostra a realidade em “flores sem perfume”, “soluço sem lágrimas” e o improvável quando fala sobre “ilusão”.

Além disso, o título do poema nos indica como Manuel Bandeira gostaria de ser lembrado, conforme revela o último verso todo seu pensamento. Mas também ao citar a paixão dos suicidas ele nos conta sobre a falta de sentido, sobre o paradoxo que é nosso caminho pela vida. Sobre ilusão e desilusão.

O ÚLTIMO POEMA
Manuel Bandeira

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Na criatividade de Manoel de Barros, um poema pode nascer de uma simples pedra

Resultado de imagem para manoel de barros frasesPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, fazendeiro e poeta mato-grossense Manoel Wenceslau Leite de Barros, no poema “A Pedra”, revela como um poeta pode ser inspirar em qualquer parte da natureza.

A PEDRA
Manoel de Barros

Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a – Eu irrito o silêncio dos insetos.
b – Sou batido de luar nas solitudes.
c – Tomo banho de orvalho de manhã.
d – E o sol me cumprimenta por primeiro.

“Pátria Minas” – uma comovente homenagem de Marcus Viana a seus irmãos mineiros

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Marcus Viana é o líder da banda Sagrado Coração

Paulo Peres
Poemas & Canções

O produtor musical, intrumentista e compositor mineiro Marcus Viana se tornou nacionalmente famoso ao compor e interpretar a trilha sonora da novela “Pantanal”, de Benedito Ruy Barbosa, produzida e exibida pela Rede Manchete. Na letra de “Pátria Minas”, Marcus Viana presta uma criativa e comovente homenagem à sua terra natal.

PÁTRIA MINAS
Marcus Viana

Pátria
Pátria é o fundo do meu quintal
É broa de milho e o gosto de um bom café
Pátria
É cheiro em colo de mãe
É roseira branca que a avó semeou no jardim
E se o mundo é grande demais
Sou carro de boi
Sou canção e paz
Sou montanha entre a terra e o céu
Sou Minas Gerais

Sou Minas Gerais
Sou águas
Montanhas
E um fogão a lenha
A cerâmica
O canto do Jequitinhonha
São igrejas
São minas
É o barroco
Ouro Preto
É a maria fumaça
Êta trem bão mineiro

Diamantina
Caraça
Gruta de Maquiné
Casca d’Anta caindo
Congonhas do Campo
São João Del Rei
Sabará
Tiradentes
Igrejinha da Pampulha
E o Belo Horizonte

Se o mundo é grande demais
Sou carro de boi
Sou canção e paz
Sou caminho entre a terra e o céu
Sou Minas Gerais

“A mão que toca um violão, se for preciso faz a guerra, mata o mundo, fere a terra…”

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Paulo Sérgio e Marcos Valle, irmãos e grandes parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista, arranjador e compositor carioca Marcos Kostenbader Valle e seu irmão Paulo Sérgio, na letra de “Viola Enluarada”, retratam um protesto contra a ditadura militar, na época, vigente no Brasil desde 1964. A música foi gravada por Marcos Valle no LP “Viola Enluarada”, em 1967, pela Odeon.

VIOLA ENLUARADA
Marcos e Paulo Sérgio Valle

A mão que toca um violão
Se for preciso faz a guerra,
Mata o mundo, fere a terra.
A voz que canta uma canção
Se for preciso canta um hino,
Louva a morte.

Viola em noite enluarada
No sertão é como espada,
Esperança de vingança.
O mesmo pé que dança um samba
Se preciso vai à luta,
Capoeira.

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defende-la se levanta
E grita: Eu vou!
Mão, violão, canção e espada
E viola enluarada
Pelo campo e cidade,
Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defende-la se levanta
E grita: Eu vou!
Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.
Liberdade, liberdade, liberdade…

“Porque se chamava homem, também se chamavam sonhos E sonhos não envelhecem…”

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Márcio Borges é um dos maiores compositores do país

Paulo Peres
Poemas & Canções

O escritor, diretor do Museu do Clube da Esquina e poeta mineiro Márcio Hilton Fragoso Borges é, sem dúvida, um dos melhores letristas do nosso cancioneiro popular, criador da expressão “os sonhos não envelhecem”. Na letra de “Clube da Esquina II”, feita com seu irmão Lô e Milton Nascimento, Márcio Borges fala de um tempo de lutas, de persistência, de não se render. Vale ressaltar que a letra casa bem com a luta pela sobrevivência do homem na sociedade com a luta contra os absurdos da ditadura militar, na época, vigente no país desde 1964.

Além disso, é um canto de uma juventude que soube compreender seu tempo, seus medos, suas angústias e suas derrotas, mas não desistiu, é um Clube da Esquina, esquina de amigos que estavam tentando vencer na vida, assim como os amigos que tentavam vencer a ditadura, belo paralelo, pois acabou a ditadura, mas o Clube da Esquina, a luta e persistência para vencer na vida e na  sociedade é algo sempre presente, por isso a música “Clube da Esquina II” será eterna. Foi gravada por Milton & Lô Borges no LP Clube da Esquina, em 1972, pela Odeon.

CLUBE DA ESQUINA II
Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges 

Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço…

Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos…

E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio,
De tudo se faz canção
E o coração na curva de um rio, rio…

E o Rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio,
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente.

A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo, diz Lya Luft

Resultado de imagem para lya luft frasesPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora aposentada, escritora, tradutora e poeta gaúcha Lya Fett Luft, no poema “Não Sou Areia” confessa que, junto com o seu destino, escreve o roteiro para o palco do seu tempo.

NÃO SOU AREIA
Lya Luft

Não sou areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
não sou apenas a pedra que rola
na marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

A arte de reunir poesias que tratam do mesmo tema, com enfoques bem diferentes

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Oliani criou a série de livros Entre-Textos, reunindo poetas

Paulo Peres
Poemas & Canções

O Bacharel em Letras e Direito e poeta carioca Luiz Otávio Oliani teve a ideia de reunir diálogos com poetas brasileiros contemporâneos, divulgando-os nas redes sociais. Esses poemas foram inicialmente publicados no seu mural do Facebook e depois migraram para o livro impresso “Entre-textos”, lançado pela Editora Vidráguas, de Porto Alegre, em 2013, uma publicação de 41 diálogos, ou seja, para cada poema Luiz Otávio responde com outro poema, um desafio chamado: o avesso do verso (reverso).

Por exemplo, Luiz Otávio Oliani, através o poema “Encantamento” responde ao “Mensageiro”, da escritora, contista, romancista, dramaturga e poeta carioca Carmen Moreno.

MENSAGEIRO
Carmen Moreno

O dom vem de Deus.
Dádiva, desce da luz, bruto.
Estende tua mão, trabalha tua mensagem,

afia tua pena, talha tua palavra até o sangue!
Deus descerá um pouco, a cada verso,
disfarçado sob teus signos.

ENCANTAMENTO
Luiz Otávio Oliani

no balde de juçaras
o homem busca
a água de que precisa

no terreno seco
procura o vento

encontra Deus
disfarçado de sabiá

“Volta”, uma desesperada canção de amor, com a marca registrada de Lupicínio Rodrigues

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Ilustração reproduzida do Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, sempre foi um mestre no emprego do lugar-comum, tal qual ele capta nos versos de “Volta” o imenso vazio das noites que a saudade as torna insones.  A música foi gravada por muitos intérpretes, inclusive Gal Costa, no LP Índia, em 1973, pela Phonogram.

VOLTA
Lupicínio Rodrigues

Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama,
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama.
O calor das cobertas
Não me aquece direito…
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito.

Volta!
Vem viver outra vez ao meu lado!
Não consigo dormir sem teu braço,
Pois meu corpo está acostumado…

Quem anda com Deus não tem medo de assombração, ensinava o genial cantor Luiz Vieira

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Luiz Vieira criou canções verdadeiramente inesquecíveis

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, cantor,  poeta e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho (1928-2020), na letra de Menino de Braçanã”, fala sobre sua adolescência no interior, quando saia para se encontrar com os amigos e tinha de regressar. A música “Menino de Braçanã” foi o primeiro sucesso de Luiz Vieira, que a gravou, em 1954, pela Todamérica.

Vale acrescentar que Braçanã é um lugar situado no Município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, onde Luiz Vieira morou algum tempo. Antigamente, as terras para serem vendidas eram medidas através de braçadas, isto é, a pessoa abria os braços e, consequentemente, contava uma, duas, cem, mil braçadas etc.  Entretanto, se alguém desconfiasse que a medida não estava correta, dizia que a terra parecia ter sido medida pelos braços de uma anã, surgindo, daí, o nome Braçanã.

MENINO DE BRAÇANÃ
Luiz Vieira

É tarde, eu já vou indo
Preciso ir embora, té amanhã
Mamãe quando eu saí disse
Filhinho não demora em Braçanã
Se eu demoro mamaezinha
Tá a me esperar
Pra me castigar
Tá doido moço
Num faço isso, não
Vou-me embora, vou sem medo dessa escuridão
Quem anda com Deus
Não tem medo de assombração
e eu ando com Jesus Cristo
No meu coração

Os poetas são estrelas vivas, brilhantes, ascendentes, que vivem como pessoas comuns e se revelam ao mundo

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Liisiê Silva traça a definição da vida do poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta amazonense Lisiê Silva faz uma homenagem especial a quem transforma sentimentos em poemas espalhados pelo mundo. E tem toda razão de dizer que os poetas são estrelas que vivem como se fossem pessoas comuns.

POETAS SÃO ESTRELAS
Lisiê Silva

Os poetas são estrelas…
Vivas, brilhantes, ascendentes…
Que vivem como pessoas comuns.
Se revelam ao mundo
através de suas palavras: A Poesia.

São os sábios dos sentimentos.
Doutores nos segredos da alma.
Escultores da grandeza do espírito.
São os mágicos da vida:
Transformam a alegria,
a dor e a tristeza
em arte de rara beleza.

São pensadores que entendem
a maior de todas as ciências:
A do coração!
São loucos de amor,
passivos no seu mundo interior.
Amantes criativos,
Sonhadores perdidos.

São apaixonados evoluídos.
Astros viajantes do tempo.
Estrelas vivas que acendem
o universo da paixão.