Nova pesquisa, na revista Veja, diz o que falta para Lula vencer no primeiro turno

Charge do Duke (O Tempo)

José Carlos Werneck

Reportagem do jornalista Matheus Leitão, publicada nesta segunda-feira na Revista Veja, detalha a nova rodada de pesquisas realizadas pela FSB mostrando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Lula está a um ponto de ganhar as eleições no 1º Turno. O petista soma 44 % das intenções de voto.

Se conseguir 50% mais um voto, Lula vencerá o pleito sem a necessidade de um outro turno para decidir quem será o próximo presidente da República.

EMPATE TÉCNICO – Apesar de ainda não cravar a vitória no primeiro turno, como mostraram o DataFolha e a Genial/Quaest, o Instituto FSB Pesquisa corrobora a tese de que o PT pode vencer na primeira etapa, pois há um empate técnico entre Lula e outros nomes da disputa.

Isso tudo considerando uma eventual margem de erro e no levantamento estimulado, em que o entrevistador exibe a lista de candidatos ao eleitor, ao invés de simplesmente indagar em quem ele pretende votar. O resultado é que assim diminui muito o número de indecisos.

OS RESULTADOS  – Na pesquisa estimulada, o levantamento mostra, ainda, que Lula lidera a disputa com 44% das intenções de voto contra 32% de Bolsonaro, com Ciro Gomes marcando 9%, Simone Tebet 2%, André Janones 1% e Felipe D’Ávila 1%.

Encomendado pelo BTG Pactual, o levantamento também traz a informação de que os eleitores que não querem nenhum desses nomes, ou não responderam, somam 7% do número de votantes, o que pode fazer a diferença na eleição de outubro, à medida que fica cada vez mais acirrada a disputa.

Maior transparência no processo eleitoral e na apuração é fundamental para a democracia

Apesar de "fazer barulho", movimento a favor do voto impresso não tem força

Exigir uma maior transparência é um direito de todo eleitor

José Carlos Werneck

O importante é que tenhamos eleições e apurações transparentes, fiscalizadas por todos os segmentos da sociedade, por todos os partidos e principalmente pelo maior interessado na lisura do pleito: o eleitor. Toda a atenção agora é pouca. Fiscalizar sempre!

Nesta hora dificílima por que passa o país, cada brasileiro deve ser um atento fiscal do pleito e da apuração, pois só eleições livres e honestas garantem a plena democracia!

SEM DOGMAS – Sempre detestei dogmas, principalmente os que dizem respeito à infalibilidade. Acho temerário afirmar que as urnas eletrônicas e a consequente apuração são perfeitas, invioláveis e infalíveis.

Numa democracia, questionar é primordial e sempre salutar. Que cada brasileiro, independentemente de sua preferência partidária, seja um fiscal dessas eleições

Sempre, em ano de eleição, são realizadas inúmeras enquetes perguntando aos eleitores se eles confiam na urna eletrônica. O fato é curioso e intrigante, Realmente a urna eletrônica foi um avanço significativo implantado pela Justiça Eleitoral e facilitou muito o andamento das eleições.

EXISTEM DÚVIDAS – Mas pairam inúmeras dúvidas quanto à confiabilidade e a segurança das chamadas urnas eletrônicas. A principal delas é que no caso de uma recontagem de votos, necessária por suspeita de fraude ou outro motivo relevante, quais seriam as provas materiais para sanar as dúvidas suscitadas?

O governador Leonel Brizola, vítima de uma vergonhosa tentativa de fraude em sua primeira eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, ainda no tempo do voto escrito, quando se tentou contra ele uma gigantesca armação nas apurações, tinha sérias dúvidas em relação à urna eletrônica.

Leonel Brizola insistia que o eleitor deveria ter direito ao “papelzinho”, como ele chamava o comprovante escrito do voto exercido.

DIREITO ELEMENTAR – Realmente não se compreende porque a Justiça Eleitoral insiste em negar ao eleitor brasileiro um direito tão elementar e faz disso um dogma, classificando como criminosos aqueles que questionam o atual processo eleitoral.

Será que, para as autoridades responsáveis por zelar pela lisura do pleito, a infalibilidade da urna eletrônica é um dogma inquestionável?

Parece até aquela história, contada com tanto humor por Sebastião Nery, a respeito daquele “coronel”, quando o eleitor de cabresto foi perguntar-lhe se ao menos poderia saber em quem o coronel tinha mandado que ele votasse, recebeu como resposta: ” Você está louco, meu filho? Nunca mais me pergunte uma asneira dessa. O voto é secreto.

COMPROVANTES – Até os caixas eletrônicos das instituições bancárias dão aos usuários comprovantes impressos das transações efetuadas. Por que o mesmo singelo procedimento não pode ser adotado pela Justiça Eleitoral? Seria uma segurança a mais e mostraria respeito ao eleitor.

Hoje se sabe que jovens “experts” em informática conseguem entrar em programas sofisticados como os das Forças de Segurança de países do Primeiro Mundo. Por que confiar tanto na infalibilidade da urna eletrônica adotada no Brasil.

Hoje o eleitor é induzido, pelas pesquisas eleitorais, a saber, de antemão, quem serão os vencedores, principalmente das eleições majoritárias. Daí para se maquiar os resultados é somente um pulo. E é aí é que está o único perigo de golpe contra as eleições de outubro próximo.

MUITO CUIDADO – Por tudo isso e em respeito à democracia, tão duramente conquistada e à vontade soberana do eleitor, todo cuidado é pouco.

A Justiça Eleitoral e todas as demais Instituições nacionais precisam estar muito atentas, rigorosas e vigilantes, para que de maneira alguma possam ser suscitadas dúvidas sobre a lisura das próximas  eleições!

Para quem não conhece a história do coronel, para quem o voto era tão secreto que nem o próprio eleitor não podia saber em quem havia votado, aí vai o excelente texto.

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O CORONEL JARARACA
Sebastião Nery

Chico Heráclio foi o mais famoso coronel do Nordeste. Em Limoeiro, Pernambuco, quem mandava era ele. Era o senhor da terra, do fogo e do ar. Ou obedecia ou morria.

Fazia eleição como um pastor. Punha o rebanho em frente à casa e ia tangendo, um a um, para o curral cívico. Na mão, o envelope cheinho de chapas. Que ninguém via, ninguém abria, ninguém sabia. Intocado e sagrado como uma virgem medieval.

Depois, o rebanho voltava. Um a um. Para comer. Mesa grande e fartura fartíssima. Era o preço do voto. E a festa da vitória. Um dia, um eleitor foi mais afoito que os outros:

– Coronel, já cumpri meu dever, já fiz o que o senhor mandou. Levei as chapas, pus tudo lá dentro, direitinho. Só queria perguntar uma coisa ao senhor: em quem foi que eu votei?

– Você está louco, meu filho? Nunca mais me pergunte uma asneira dessa. O voto é secreto.

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P.S. –
Por tudo isso eu fico com a opinião de Leonel Brizola, para quem “o eleitor tem direito ao papelzinho”! (J.C.W.)

Mais Piada do Ano! “Bolsonaro será reeleito no primeiro turno”, diz a ex-ministra Damares Alves

charge damares alves | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Jota Camelo (Humor Político)

José Carlos Werneck

Texto do jornalista João Gabriel Freitas, publicado nesta quarta-feira no “Correio Braziliense, diz que, em entrevista ao programa CB.Poder, a pastora Damares Alves, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, disse que Bolsonaro ganhará as eleições e defendeu a candidatura dela ao Senado como mais viável frente à ex-ministra Flávia Arruda.

Damares Alves, durante o programa CB.Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, abordou a disputa eleitoral deste ano e enfatizou a confiança na reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

NO PRIMEIRO TURNO – “Não acredito nas pesquisas. Meu termômetro são as ruas. Eu sou um termômetro, pois não posso sair na rua. Todo mundo quer abraçar, tirar foto e agradecer o que fizemos. O presidente na rua é o mesmo. O governo Bolsonaro vai continuar, ele vai ser reeleito e será em primeiro turno”, afirmou.

A ex-ministra adiou o lançamento da pré-candidatura ao Senado e, no entanto, se mostrou confiante com a eleição pelo DF. Damares é pré-candidata ao Senado, ao lado de Flávia Arruda do Partido Liberal, do Distrito Federal.

“Somos uma proposta conservadora para o Distrito Federal, então vamos analisar os números das pesquisas. Se nas pesquisas ficar comprovado que eu tenho maior aceitação do povo e que a proposta da nova política caiu no gosto do DF, que eu tenho chance de ser eleita, a liderança política vai apoiar. Até a convenção em julho tenho uma campanha para provar que posso e serei eleita.”

CULPA DO SUPREMO – Em meio aos enfrentamentos do Executivo e do Supremo, ela disse que é necessário paz, mas eximiu Bolsonaro no embate com ministros. Em seu entender, nos últimos meses, a atuação do Supremo Tribunal Federal é “absurda” e o presidente tem apenas reagido às ações.

“Ele reage aos absurdos que o Supremo protagonizou. Os investidores não querem vir ao Brasil por causa da insegurança jurídica. Por falta de harmonia entre os poderes. Todo dia a gente acorda de manhã com uma novidade que vem da Suprema Corte e temos que questionar, sim. Bolsonaro não tem um minuto de paz”

Em Brasília,um veterano jornalista indagava se Damares Alves ouviu essas revelações diretamente de Jesus Cristo, enquanto conversava com ele numa goiabeira, ou se abraçou agora a profissão de futuróloga…

Arimathéa Athayde, o professor que ensinava a importância de Machado de Assis no jornalismo

Em si mesma, a loucura é já uma... Machado de Assis - Pensador

 

José Carlos Werneck

Arimathéa Athayde, meu professor no Curso de Letras Clássicas no Colégio Elefante Branco, em Brasília, e que me indicou para trabalhar em 1969 na sucursal de “O Globo” na capital da República, era um admirador entusiasta do escritor Machado de Assis.

Ele dizia que ler Machado era a melhor maneira de se aprender o Português e escrever com maestria. “Os textos de Machado são o melhor Curso de Jornalismo que pode existir no Brasil”, afirmava o jornalista maranhense, que foi também professor de Comunicação Social na Universidade  de Brasília (UnB),correspondente do jornal O Globo e funcionário concursado da Câmara dos Deputados. Tinha várias obras lançadas e era muito respeitado na comunidade intelectual.

A OBRA INTEIRA – Seguindo seu conselho, resolvi ler toda obra de Machado de Assis. Comecei pelos romances, que li todos em 1976 e 1977, com exceção de “Casa Velha”, que na minha coleção da Obra Completa, em três volumes da Biblioteca Luso Brasileira, Série Brasileira, Rio de Janeiro, Editora José Aguilar Ltda., 1962, está no Volume II, junto com os contos e as peças teatrais.

Do Volume II, falta apenas ler a obra teatral. Depois pretendo ler o Volume III, que reúne as poesias, as crônicas, as críticas, a miscelânea e o epistolário.

Meu amigo José de Arimathéa Athayde Lima faleceu aos 90 anos. Seu último cargo foi o de Secretário de Comunicação do Governo do Estado do Maranhão.

DISSE CASTELO – O ex-prefeito e ex-governador João Castelo lamentou a morte do companheiro, destacando que Arimathéa Athayde foi um dos profissionais da Comunicação mais brilhantes. “Ele era um grande intelectual, dono de um texto irretocável, porque tinha talento e foi um dos maiores conhecedores da língua portuguesa”.

“Ele foi inovador em tudo o que fez. Na Secom, cercou-se de jovens talentos, como Antonio Carlos Lima, que posteriormente exerceu o mesmo cargo, no governo do Lobão e que hoje é membro da Academia Maranhense de Letras. O Arimathéa tinha talento, conhecimento e era um profissional de larga visão”.

GOSTO E ELEGÂNCIA – Jamais esquecerei Arimathéa, que na época tinha um belíssimo Simca Rallye prata, impecável, gostava de trajar ternos muito bem cortados e só usava caneta tinteiro.

Conservava seu apartamento no Rio de Janeiro, onde passava as férias, e frequentava a Praia do Flamengo. Da janela de meu apartamento, na Rua Conde de Baependi, eu costumava vê-lo a caminho do mar.

A última vez que falei com meu amigo Arimathéa foi nos anos 80, em Brasília, numa tarde em que conversamos animada e demoradamente.

Realmente, como disse Carlos Drummond de Andrade: “Viver é saudade prévia!”

Supremo anula uma condenação, mas José Roberto Arruda continua inelegível

STF anula condenação de Arruda na Pandora e manda processo do panetone para  a Justiça Eleitoral - CB Poder |

Arruda foi filmado pegando R$ 50 mil para comprar  panetones

José Carlos Werneck

O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, obteve uma vitória em sua defesa nos processos da Operação Caixa de Pandora. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ao analisar habeas corpus, anulou a condenação de dois anos e 11 meses de reclusão em regime aberto imposta a Arruda pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios por falsidade ideológica nos recibos que justificaram o recebimento de dinheiro de Durval Barbosa.

Mendonça considerou que o caso deve ser analisado pela Justiça Eleitoral, uma vez que, se houve falsidade nos documentos, um dos objetivos de Arruda era manter a elegibilidade para concorrer à reeleição como governador.

COMPRA DE PANETONES – Filmado recebendo uma quantia de R$ 50 mil das mãos de Durval, Arruda alegou que o dinheiro foi utilizado para compra de panetones, para atender à sua base eleitoral.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios apontou na denúncia que essa justificativa era uma versão criada para encobrir o recebimento do dinheiro.  Para o ministro Mendonça, porém, o crime, se ocorreu, é da competência da Justiça Eleitoral.

“Os elementos constantes dos autos são claros em indicar ter havido nítida preocupação do paciente (Arruda) quanto aos efeitos jurídico-eleitorais das ações benemerentes que alega ter realizado, ao que se tem desde os idos de 2003/2004, sendo espontaneamente levado ao TRE-DF, em 21/07/2009, livro de registro contendo relação nominal dos doadores de recursos destinados a tais atividades, acompanhada de inúmeros recibos”, destacou o ministro André Mendonça.

FORA DA POLÍTICA – O magistrado acatou os argumentos da defesa, mas negou a extensão da decisão aos demais processos da Operação Caixa de Pandora. Neste ponto, o ministro não conheceu do recurso. Dessa forma, as denúncias relacionadas a corrupção e outros crimes seguem na Justiça comum.

Apesar da anulação do processo, José Roberto Arruda continua inelegível porque tem outras condenações, inclusive numa das ações da Operação Caixa de Pandora: a de corrupção de testemunha, o jornalista Edson Sombra.

A pena imposta neste caso, pela 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, foi de cinco anos e 20 dias de reclusão. A defesa do ex-governador aguarda julgamento de recurso no Superior Tribunal de Justiça .

NOVA ESTRATÉGIA – Seu advogado, Paulo Emílio Catta Preta, comemorou a decisão. Ele considera que Mendonça analisou detalhadamente o processo e se manifestou positivamente por entender o contexto da denúncia.

Agora, os advogados vão analisar uma estratégia para demonstrar em cada ação da Pandora que todos os fatos descritos se relacionam a campanhas eleitorais e, consequentemente, devem ser apreciados pela Justiça Eleitoral, conforme estabelece a jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal.

Mesmo em caso de vitória nos processos criminais, para voltar a disputar eleições, Arruda precisa derrubar as condenações da Pandora na esfera cível em ações de improbidade administrativa. Sua defesa trabalha para anular esses processos com base nos prazos de prescrição definidos na nova Lei de Improbidade Administrativa.

Aumenta a confusão e parte do PSDB quer Tasso Jereissati como candidato próprio

MDB tenta novamente atrair Tasso Jereissati para ser vice de Simone Tebet | O Antagonista

Tasso Jereissati é um nome de consenso dentro do PSDB

José Carlos Werneck

Uma ala do PSDB vai bater na tecla de candidatura própria na próxima reunião da executiva da próxima terça-feira . A estratégia é de deputados e senadores que não acreditam na manutenção da candidatura da senadora Simone Tebet do MDB, como nome da terceira via.

Tasso Jereissati, ex-governador do Ceará e senador há várias legislaturas, foi relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e é um nome muito respeitado por seus pares.

PLANO C – Essa parcela do PSDB que possui nomes de peso elabora um “plano c” para manutenção de uma candidatura própria, mas excluindo o nome de João Doria. E integrantes da executiva nacional sugeriram o nome do senador Tasso Jereissati como cabeça de chapa nas eleições presidenciais.

A ideia é esperar Doria desistir da pré-candidatura em nome de Tebet. Posteriormente, se as pesquisas de intenções de voto não mostrarem um crescimento expressivo da senadora do MDB, os tucanos irão pressionar pela candidatura de Tasso como cabeça de chapa.

Um dos parlamentares que apoiam a ideia afirmou que é “melhor fazer uma campanha fraca, sendo do próprio partido, do que ser vice de uma candidata fraca de outra legenda”; O senador José Aníbal disse que “é um desastre que o PSDB não tenha candidato”

EDUARDO LEITE – Os mesmos integrantes do partido eram favoráveis à candidatura de Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul, mas entendem que o nome do gaúcho não pacifica o PSDB e apostam em um remédio mais tradicional.

Enquanto boa parte do partido desacredita a candidatura de Doria, o ex-governador de São Paulo segue em pré-campanha. Nesta sexta-feira, ele esteve em Goiânia e afirmou estar “dialogando” ao ser questionado por jornalistas se aceitaria ser vice da senadora Simone Tebet na disputa presidencial.

Como se vê, em Política as coisas mudam rapidamente e quem não estiver ligado 24 horas do dia fica sem entender nada.

Brasília homenageia Orlando Brito, um dos mestres do fotojornalismo político

Ninguém fotografou a ditadura como Orlando Brito | Bernardo Mello Franco - O Globo

Foto de Orlando Brito que se tornou o retrato da ditadura

José Carlos Werneck

Orlando Brito, um dos mais importantes repórteres fotográficos do Brasil (1950 – 2022), ganhou, nesta quarta-feira, uma bela homenagem da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Às 19 horas, 16 imagens marcantes da trajetória do fotógrafo foram projetadas na cúpula do Museu Nacional da República.

Em seguida, a Galeria Central do Espaço Cultural Renato Russo foi batizada com o nome do primeiro brasileiro a receber o World Press Photo Prize, concedido pelo Museu Van Gogh, na Holanda, em 1979.

FILME E FOTOS – A cerimônia contou com a projeção do filme “Não Nasci para Deixar meus Olhos Perderem Tempo”, de Claudio Moraes, na Sala Marco Antônio Guimarães. O documentário mostra a trajetória de Brito, que retratou instantes variados, de carreiras artísticas aos momentos conturbados do Brasil em meio ao regime militar e seu olhar dele foi testemunha e filtro.

O mestre da fotografia retratou presidentes e personalidades políticas desde a ditadura militar, tendo sua obra reconhecida pelo registro crítico da recente história do Brasil.

Mineiro de Janaúba, Orlando Brito começou de forma autodidata em 1965, como laboratorista do jornal “Última Hora”, em Brasília. Dois anos depois, já era fotógrafo, emendando uma carreira em grandes redações como “O Globo” e “Veja”. Ao longo da carreira, conquistou 11 vezes o Prêmio Abril de Fotografia e, a partir de 1987, foi considerado hors-concours da premiação. É autor de os livros “O Perfil do Poder”, 1981; “Senhoras e Senhores”, 1992; “Brasil: de Castello a Fernandos”, 1996; e “Poder, Glória e Solidão”, 2002.

Veja galeria de imagens do grande Orlando Brito - MDB - Movimento Democrático Brasileiro

Ulysses Guimarães, isolado na solidão dos Três Poderes

NO MUSEU DE ARTE – Em junho, fotos de Orlando Brito reabriram o Museu de Arte de Brasília para visitação, depois de 14 anos de abandono do espaço. Foram exibidas 18 fotografias, realizadas entre 1966 e 2021, com imagens do período da ditadura militar, das “Diretas Já” e da pandemia da Covid-19.

As fotos de Brito normalmente ultrapassam o registro fotojornalístico e trazem um discurso poético e artístico, a ponto de terem sido incorporadas aos acervos de importantes instituições, como o Museu de Arte de São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio e o Centre Georges Pompidou, de Paris.

Na ocasião, o Secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues afirmou: “Rebatizar a Galeria da Praça Central com o nome de Orlando Brito é dimensionar a importância desse mestre, que fez um recorte profundo da Política Brasileira por meio de seu olhar e sensibilidade artística”.

Boicote do Itamaraty faz TSE retirar convite à União Europeia para acompanhar eleições

Charge do Zé Dassilva: urna eletrônica nos holofotes | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

José Carlos Werneck

A jornalista Andréia Sadi publicou em seu Blog no G1 que o Tribunal Superior Eleitoral negociava um convite para uma missão da União Europeia atuar como observadora nas eleições brasileiras deste ano. Houve, inclusive, conversas para alinhar os interesses, mas, sem apoio do Ministério do Exterior, responsável por cuidar dos interesses do país com outros governos, o tribunal teve de recuar.

O texto diz, ainda, que ministros do TSE se mostraram surpreendidos com o posicionamento e acham que o presidente Jair Bolsonaro não quer integrantes da União Europeia no Brasil.

OBSERVADORES – Mas outras missões internacionais virão para acompanhar a eleição, como as da Organização dos Estados Americanos , do Parlamento do Mercosul (Parlasul) e da Rede Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A jornalista informa que, sobre a União Europeia, a Justiça Eleitoral confirma ter feito reuniões, mas que “o diálogo não prosperou” e “constatou que não estavam presentes todas as condições necessárias para viabilizar uma missão integral de observação eleitoral”.

“Nos próximos meses, se for verificada a necessidade e o interesse de ambos os lados, poderá haver uma participação mais reduzida e de caráter técnico de membros da União Europeia no período eleitoral”.

HÁ OBJEÇÕES – Seria a primeira vez que a União Europeia participaria como observador na eleição em que Bolsonaro busca sua reeleição. O Itamaraty diz haver “objeções” para não apoiar um convite oficial do Tribunal Superior Eleitoral à União Europeia.

Após ser divulgado que os europeus poderiam enviar uma missão ao país, o Ministério das Relações Exteriores fez críticas ao convite, ao dizer que o Brasil nunca teve eleições “avaliadas por uma organização internacional da qual não é membro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A quem interessa essa atitude isolacionista? A má vontade do Itamaraty pode ser chamada de servilismo.
E a jornalista Ana Flor, da Globonews, informa que o comando do TSE não desistiu, e vai trazer observadores de outro países, inclusive europeus. (C.N.)

Eduardo Bolsonaro, Boulos e Moro lutam pelo título de campeão paulista de votos 

Charge reproduzida do Arquivo Google

José Carlos Werneck

Raul Monteiro, no seu site “Política Livre”, publica uma interessante análise sobre as próximas eleições de outubro. O texto assinala que as próximas eleições têm uma peculiaridade em meio ao clima polarizado da campanha presidencial. Uma disputa declarada pelo título de campeão de votos à Câmara dos Deputados ocorre em São Paulo, Rio e Minas.

O embate se impôs em 2018. Naquele ano, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) rompeu um recorde que já durava 16 anos e se tornou o deputado federal mais votado da história do Brasil em números absolutos, com 1.843.735 votos.

NOVA DISPUTA – O jornalista afirma que, agora, sem a onda bolsonarista e com novos competidores de peso, a disputa pelo posto de mais votado em São Paulo promete se acirrar com a entrada de Sérgio Moro, e de Guilherme Boulos.

Em 2018, Boulos teve 617 mil votos para presidente da República e, em 2020, 2,1 milhões de votos no segundo turno para prefeito de São Paulo. Ao desistir de concorrer ao governo do Estado, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) lançou publicamente o desafio de tirar de Eduardo Bolsonaro o posto de mais votado no Estado.

Não será fácil. Em 2018, Eduardo teve mais de 3 vezes os votos de todos os deputados do PSOL eleitos em São Paulo.

DIZ BOULOS – “Ninguém ganha a eleição de véspera. Até às oito horas da manhã de 2 de outubro, ninguém tem nenhum voto. Então vai ser preciso ralar muito, correr o Estado para conseguir uma votação expressiva e ajudar a eleger uma bancada grande de esquerda no Congresso Nacional”, afirma Boulos .

“Agora, eu acho uma mensagem muito ruim para São Paulo e para o Brasil ter o Eduardo Bolsonaro, com tudo que ele representa, como o mais votado do Estado”.

A expectativa de políticos da bancada paulista é que o estreante Sérgio Moro não terá menos que um milhão de votos. Depois de deixar seu primeiro partido, o Podemos, ele mostra-se ambíguo sobre seus planos para outubro. O único ponto certo é a transferência do domicílio eleitoral dele e de sua mulher, Rosângela, para São Paulo.

UM ESTADO-PAÍS – “A eleição de São Paulo tem um componente diferente daquele do resto do Brasil por se tratar de uma eleição muito mais nacionalizada. Pelo peso que o Estado tem, pela cobertura da mídia”, diz o analista político Bruno Carazza, professor da Fundação Dom Cabral.

“É também um Estado gigantesco em termos populacionais, então para ser eleito você precisa ter muito voto, o que faz com que os partidos tomem esta eleição como estratégica. Afinal são 70 cadeiras na Câmara”.

O texto mostra que no Rio de Janeiro, o mais votado em 2018 foi o subtenente do Exército Hélio Lopes, mais conhecido como Hélio Negão, com 345,2 mil votos. Este ano, porém, ele não deve repetir o feito: além de uma onda bolsonarista como a de 2018 ser improvável, o presidente da República não o levará a tiracolo em todos os eventos e palanques como fez na eleição passada.

Bolsonaro considera que Hélio já consegue se eleger sozinho e pretende impulsionar a candidatura do ex-sargento do Bope da PM do Rio Max Guilherme Machado de Moura, hoje assessor presidencial.

EMBATE EM MINAS – Sobre Minas Gerais o terceiro maior colégio eleitoral, a matéria destaca que a disputa pelo posto de mais votado na Câmara dos Deputados permanece indefinida. Os dois campeões de votos em 2018 se preparam para disputar o Senado este ano.

São eles, o ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que concorrerá pelo PL, como representante do bolsonarismo; E do outro lado, Reginaldo Lopes, do PT, que tentará a mesma vaga com o apoio de Lula . Ambos obtiveram, respectivamente, 230 mil e 194,3 mil votos nas eleições passadas. O terceiro lugar daquele ano ficou com André Janones, do Avante,que hoje é pré-candidato à Presidência da República.

Experientes políticos mineiros dizem que estão cotados para figurar entre os mais votados políticos jovens e com forte presença nas redes sociais, como o vereador de Belo Horizonte Nikolas Ferreira do PL, bolsonarista; e o deputado estadual Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho do Cidadania, que tem dito que pretende ser candidato ao Senado, mas o mais provável é que termine concorrendo à Câmara Federal.

Nas manifestações, Bolsonaro reuniu mais público e Lula teve de atrasar seu discurso

Em São Paulo, Lula ataca Bolsonaro em ato das centrais sindicais pelo dia  1º de maio - Folha PE

Lula teve de ficar esperando mais público para discursar

José Carlos Werneck

Por causa da falta de público expressivo até o início da tarde no ato do Dia do Trabalho organizado pelas centrais sindicais, em São Paulo, neste domingo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu atrasar sua participação. Seu pronunciamento estava programado para acontecer às 13 horas, teve de ser remarcado para depois das 15h30.

Por esse motivo, Lula achou melhor esperar por quórum maior, até que houvesse mais apoiadores na Praça Charles Miller, bairro do Pacaembu, na capital paulista, onde o ato estava sendo realizado.

E AS PESQUISAS? – Realmente foi uma cena constrangedora e que levou muita gente a se perguntar sobre a seriedade e veracidade das pesquisas eleitorais que vem sendo exaustivamente divulgadas.

Antes, discursaram Fernando Haddad, ex-prefeito e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Guilherme Boulos, pré-candidato a deputado federal pelo PSOL.  Indagado sobre a ida do presidente Jair Bolsonaro à manifestação organizada para homenagear o deputado Daniel Silveira na manhã deste domingo, em Brasília, Haddad disse se tratar de mais um ato contra a democracia.

 “Vamos tirar esse homem”, afirmou Boulos, que chamou Bolsonaro de “presidente miliciano”. “Vamos trabalhar para que seja o último Primeiro de Maio com Bolsonaro na presidência”, declarou.

DISSE BOULOS – E o que se viu é que nas manifestações realizadas em diversas cidades neste domingo, havia um número muito superior de apoiadores de Bolsonaro do que eleitores do ex-presidente Lula. E o que ainda é mais significativo: não se viu ninguém apoiando o Supremo Tribunal Federal com faixas ou cartazes.

A disputa era entre petistas e não petistas, mostrando que as pessoas são difíceis de mudar.

Mas como dizia Magalhães Pinto, famoso político mineiro: “A política é como a posição das nuvens no céu, a qualquer instante tudo pode mudar!”. Portanto, ainda é cedo para qualquer prognóstico. Nada é definitivo! Aguardemos com calma e serenidade.

Se ficar perdendo a linha com bolsonaristas, Ciro Gomes vai prejudicar sua campanha

VÍDEO: Em visita a Agrishow, Ciro Gomes troca ofensas com Bolsonaristas - Buxixo - Gazeta MT

Ciro Gomes responde, fazendo sinal de que Bolsonaro é ladrão

José Carlos Werneck

O pré-candidato pelo PDT, Ciro Gomes, participou da Agrishow, em Ribeirão Preto, nesta quinta-feira e foi hostilizado por apoiadores do presidente Bolsonaro. Ele reagiu e chamou os críticos de “nazistinhas” e “ladrões de rachadinha”. Ele respondeu com xingamentos a um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro  na 27ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto.

Em entrevista coletiva após a confusão, Ciro Gomes não classificou o caso como uma discussão. “Não teve bate boca. Meia dúzia de nazistinhas gritaram ‘nordestino, cearense, vai embora. Bolsonaro! Mito’. E eu digo: ‘Ladrão de rachadinha’. Só isso”.

“AGIU À ALTURA” – À noite, a equipe do pré-candidato divulgou nota de esclarecimento nas redes sociais. Alegou que Ciro Gomes foi “insultado e sofreu tentativas de agressão física por militantes bolsonaristas”.

Os agressores teriam ainda agido com “profundo preconceito contra nordestinos”.

De acordo com a nota, Ciro “agiu à altura e lamenta ter sido forçado a agir com veemência, mas entende que esse tipo de comportamento fascista deve ser enfrentado, ou as milícias bolsonaristas se sentirão no direito de atacar a todos, inclusive a quem não consiga se defender”.

PERDEU A LINHA – Em vídeos que circulam nas redes sociais Ciro é visto sendo xingado e vaiado por pessoas que endossaram gritos de “mito”, em referência a Bolsonaro. Em certo momento, o candidato do PDT responde: “Roubou tua mãe ou comeu ela? Não tem educação, babaca? Vai tomar no teu cu”…

Ao circular pela feira, Ciro Gomes foi chamado de “vagabundo” por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro , que também gritavam “mito” repetidamente. Um homem chegou a se aproximar do presidenciável com um celular e provocá-lo, mas foi afastado por seguranças do pré-candidato.

Ciro trocou ofensas com alguns dos presentes, fazendo referência às acusações de rachadinhas pelos filhos de Bolsonaro e pelo próprio presidente. “Eu nunca roubei nada, nem a tua mãe”, respondeu Ciro.

Aproveitando a fama, PTB pode lançar Daniel Silveira na disputa para o Senado no Rio

Gilmar Fraga / Agencia RBS

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/RBS)

José Carlos Werneck

Na semana em que o deputado Daniel Silveira é assunto de destaque na mídia brasileira, seu partido, o PTB, pode lançá-lo nome para concorrer à cadeira de senador pelo Estado do Rio de Janeiro.O PTB quer aproveitar a polêmica em torno da graça concedida pelo Presidente da República Jair Bolsonaro e turbinar o nome do deputado.

Para prestigiá-lo, o partido decidiu indicá-lo para integrar cinco comissões da Câmara dos Deputados. O  mais incrível é que o PTB indicou o parlamentar para membro efetivo da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que tem a atribuição de analisar a cassação de deputados, entre outras funções. Ou seja, iria votar o caso dele, se Bolsonaro não tivesse concedido o indulto. Realmente a vida tem dessas coisas e a política é surpreendente, com suas incoerências.

OUTRAS COMISSÕES – Silveira também vai ser vice-presidente da Comissão de Segurança Pública. além de integrar na condição de titular, as Comissões de Esporte e de Cultura, ficando na vaga como suplente na de  Educação. Até então, Silveira só havia participado da subcomissão de geração de energia elétrica, em 2019.

Em Brasília, o que se comenta é que Daniel Silveira, antes um parlamentar pouco conhecido, ganhou fama e holofotes, graças à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com sua equivocada decisão ao mandar prender o deputado.

A ideia de se lançar ao Senado é do próprio Silveira, mas o partido prefere a candidatura à Câmara Federal, porque terá grande votação e pode ajudar a eleger maior número de deputados, aumentando  o faturamento do PTB nas verbas do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. E ainda há o risco de perder a eleição, porque Romário é novamente candidato, desta vez pelo PL, partido de Bolsonaro.

Encontro de Lula com a alta cúpula do MDB mostra que a velha política continua imbatível

Lula é recebido em jantar por caciques do MDB. No cardápio, eleições 2022

Lula ganhou uma estatueta de presente e posou para foto

José Carlos Werneck

O encontro de Lula, nesta segunda-feira, com a alta cúpula do MDB, foi muito importante em termos de aliança política e afastou definitivamente quaisquer possíveis “temores” que alguns setores do empresariado nutriam em relação à sua candidatura.

Com Geraldo Alckmin como companheiro de chapa e o apoio dos caciques do MDB, a candidatura do ex-presidente é considerada, em termos de engenharia política, como imbatível.

ENORME ENTUSIASMO – Lula foi recebido com enorme entusiasmo por José Sarney, Renan Calheiros, o sorridente anfitrião Eunício Oliveira e coroados nomes da política nacional, presentes ao badalado encontro.

Foi um evento político grandioso, no qual Lula recebeu e distribuiu afagos, em meio a muitos risos e brindes à vitória. O cardápio foi primoroso e as sobremesas requintadas. Nada de pão com leite condensado.

Como se vê, o “perigo vermelho” acabou… Tudo será como antes! A elite está com Lula, constata-se.

TEBET DESCARTADA – No encontro, a candidatura da senadora Simone Tebet, considerada pelas velhas raposas como totalmente sem competitividade, foi jogada para escanteio. E a candidatura de Moro foi alvo de muitas piadas.

O ex-presidente mostra que não é nenhuma ameaça às classes dominantes e excelentemente favorecidas. A velha política continua imbatível! Vitória praticamente garantida, comentava-se no encontro. Um conviva mais entusiasmado chegou a afirmar: “Podemos levar no primeiro turno”

Mas ainda falta combinar com os eleitores…

Dois brasileiros criaram cartão de crédito e aparecem como bilionários da “Forbes”

See Brex's Guidelines for Startups Applying for Federal Assistance

Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, os criadores do Brex

José Carlos Werneck

Dois jovens brasileiros entraram na lista de bilionários de 2022 da revista Forbes. Pedro Franceschi, de 25 anos, e Henrique Dubugras, de 26, são cofundadores da startup de cartões de crédito corporativos Brex. Segundo o ranking publicado nesta terça-feira, a dupla entrou na lista quando sua startup fundada no Vale do Silício foi avaliada em US$ 12,3 bilhões. Cada um deles tem fortuna de US$ 1,5 bilhão.

Segundo a Forbes, a Brex não é o único unicórnio cujos fundadores se tornaram bilionários neste ano. Em todo o mundo, 30 startups ultrapassaram avaliações de US$ 10 bilhões em 2021, o dobro do número de 2020.

AMIGOS VIRTUAIS – Franceschi e Dubugras se conheceram pelo Twitter durante uma discussão sobre programação, quando ainda eram apenas estudantes do ensino médio. Eles ficaram amigos mesmo morando em estados diferentes, Franceschi era do Rio de Janeiro e Dubugras de São Paulo.

Com apenas 19 anos, eles criaram a startup Pagar.me, que permitia que comerciantes aceitassem pagamentos online. Em 2016, a empresa foi vendida para a Stone.

Os dos programadores estudaram dois semestres na Universidade de Stanford, mas abandonaram o Curso de Ciência da Computação para se dedicarem aos negócios. Em 2017, fundaram a Brex. A empresa sediada em São Francisco destacou-se no mercado americano por oferecer cartões de crédito corporativos para outras startups e empresas de inovação, como Airbnb e Class Pass.

EXPANSÃO – Desde sua fundação, o modelo de negócios já se expandiu para atender também pequenas empresas tradicionais. Segundo o TechCrunch, a Brex está caminhando para dobrar suas receitas em 2021.

A Forbes destacou os brasileiros entre os 12 bilionários mais jovens do mundo. Além da dupla brasileira, a revista listou 2.668 bilionários, um total menor do que no ano passado: 329 pessoas tiveram um “downgrade”, o maior número de quedas desde 2009. A fortuna somada dos bilionários também encolheu para US$ 12,7 trilhões, ante US$ 13,1 trilhões em 2021.

Por outro lado, há 169 novatos, como a cantora Rihanna, que enriqueceu graças a seus investimentos na empresa de cosméticos Fenty Beauty e na marca de lingerie Savage X Fenty. Rihanna colocou, assim, Barbados pela primeira vez na lista de países com bilionários na Forbes.

Como se vê, para quem vai à luta não existe governo ruim!

Não é piada! Turma de Geddel está dirigindo a Secretaria de Administração Penitenciária

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Son Salvador (Estado de Minas)

José Carlos Werneck

O jornalista Lauro Jardim informa, neste domingo, em sua coluna de O Globo, que o MDB, partido político comandado na Bahia pelos irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima, indicou a Secretaria de Administração Penitenciária dentro do acordo pelo qual o partido aderiu à candidatura do petista Jerônimo Rodrigues ao governo baiano e indicou o emedebista Geraldo Jr., presidente da Câmara Municipal de Salvador, para seu vice.

Assinadas pelo governador Rui Costa, as portarias com as referidas nomeações solicitadas pelo MDB de Lúcio e Geddel foram publicadas no Diário Oficial da Bahia.

MOTIVO DE PIADAS – Responsável pelo controle dos presídios estaduais e de todo o contingente de presos no Estado, a Secretaria de Administração Penitenciária será ocupada por José Antonio Maia Gonçalves, advogado do ex-deputado federal Luiz Argolo, único baiano preso pela Operação Lava Jato, que cumpriu quatro anos e seis dias.

O fato de o governo ter entregue ao MDB a Secretaria de Administração Penitenciária, que custodiou Geddel enquanto ele esteve preso na Bahia no caso do bunker de R$ 53 milhões, virou motivo de piada até entre petistas. Ainda mais porque o novo secretário é advogado do outro ex-parlamentar que também foi preso na mesma época que Geddel.

E as nomeações, feitas pelo governador petista Rui Costa, teriam sido publicadas neste sábado, porque é o dia em que tradicionalmente o Diário Oficial do Estado é menos lido. Aliás, no evento em que o MDB anunciou o apoio ao PT, na terça-feira passada, Geddel circulou entre os participantes, mas evitou discursar e falar com a imprensa.

 

Segunda Turma do STF decide que condenaçâo por consumo de drogas não gera reincidência

Quem  Edson Fachin, "o carcereiro da Lava Jato"? | Poltica

Fachin seguiu o esprito da lei, que no prende os usurios

Jos Carlos Werneck

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, manteve deciso do ministro Edson Fachin que determinou ao Tribunal de Justia de So Paulo que refaa a dosimetria da pena imposta a um condenado por trfico de drogas sem considerar a reincidncia de condenao anterior por porte de droga para consumo prprio.

Nesta tera-feira, ao negar provimento ao agravo regimental do Ministrio Pblico Federal (MPF) no Recurso Ordinrio em Habeas Corpus, a Segunda Turma considerou que, se a Lei de Drogas (Lei 11.343/2006) no estabeleceu pena privativa de liberdade para esse crime, previsto no artigo 28, no razovel que a condenao anterior repercuta negativamente na dosimetria de nova pena.

REINCIDNCIA – O relator, ministro Fachin, lembrou que no h previso de pena privativa de liberdade para esse crime, e seria desproporcional us-lo para majorar a nova pena.

G.R.O. foi condenado por trfico de drogas (artigo 33 da Lei de Drogas – Lei 11.343/2006) pena de seis anos e nove meses de recluso, em regime inicial fechado. Na dosimetria, o juzo considerou que uma condenao anterior por porte de droga para uso prprio (artigo 28) caracterizaria reincidncia, e sua pena-base foi aumentada em um sexto. A dosimetria foi mantida pelo TJ-SP e pelo Superior Tribunal de Justia. No Supremo, a defesa buscava o redimensionamento da pena e a modificao do regime prisional para o mais brando.

O ministro Edson Fachin, acolheu em parte o pedido, por verificar ilegalidade da dosimetria quanto reincidncia, e o MPF recorreu. O julgamento do agravo teve incio em novembro de 2021, e, aps o voto do relator, foi suspenso por pedido de vista do ministro Nunes Marques.

DESPROPORO – Na sesso desta tera-feira, o ministro Fachin reafirmou o entendimento de que desproporcional considerar a condenao anterior pela prtica de porte de droga para consumo prprio para configurar reincidncia e afastar o redutor por trfico privilegiado ,que ocorre quando o ru primrio, tem bons antecedentes e no integra organizao criminosa.

Fachin ressaltou que o crime de porte para uso prprio no culmina em pena privativa de liberdade, mas apenas em advertncia sobre os efeitos das drogas, prestao de servios comunidade e medida educativa de comparecimento a programa educativo.

Se o legislador excluiu a cominao de pena privativa de liberdade para o tipo do artigo 28 da Lei de Drogas, no parece razovel que condenao anterior repercuta negativamente na dosimetria, afirmou.

EM DISCUSSO – Edson Fachin disse que a constitucionalidade do artigo 28 da Lei de Drogas est sendo questionada no Recurso Extraordinrio 635659, sob a sistemtica da repercusso geral (Tema 506).

Os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes votaram com o relator. Mas em seu voto aps o pedido de vista, o ministro Nunes Marques divergiu, por entender que o porte de droga para uso pessoal mantm a natureza de crime, apesar de a lei no prever pena privativa de liberdade.

O ministro Andr Mendona votou no mesmo sentido.

Tribuna de Imprensa do Senado recebe o nome do reprter fotogrfico Orlando Brito

Morre Jornal Cinco

Orlando Brito foi um dos maiores fotgrafos do Brasil

Jos Carlos Werneck

Por iniciativa do senador Jos Serra, do PSDB de So Paulo, a Tribuna de Imprensa do plenrio do Senado Federal ser denominada “Reprter Fotogrfico Orlando Brito, em homenagem ao jornalista, considerado uma referncia do fotojornalismo brasileiro.

Orlando Brito, que morreu em onze de maro, aos 72 anos, era mineiro e chegou a Braslia no final dos anos 1950. Trabalhou em vrios veculos, como O Globo, Veja e Jornal do Brasil. Alm de Poltica, Brito tambm cobriu pautas de Economia, Temas Sociais e Esportes, como Jogos Olmpicos e Copas do Mundo.

BELA HOMENAGEM – Ele considerado um dos melhores reprteres fotogrficos de Poltica do Brasil, conforme ressaltou o relator da proposta, senador Tasso Jereissati, do PSDB do Cear.

A iniciativa o de homenagear Orlando Brito, que registrou, com rara preciso, momentos da Histria do Brasil. Ao longo de cinco dcadas, ele se transformou no mais importante reprter-fotogrfico de um Brasil que acabara de ingressar no governo militar e ningum fotografou to bem esta poca quanto Brito.

Atravs de suas fotos, pode-se ter uma viso da histria do Pas. Brito tambm publicou livros de suas fotos, como Poder, Glria e Solido, em que mostra fatos e personagens da Poltica Nacional.

MEMRIA: Fotografias no tm culpa. Orlando Brito, o fotgrafo do Brasil |  Brazil JournalPRMIO INTERNACIONAL Orlando Brito foi o primeiro brasileiro a ser agraciado com o mais prestigiado prmio de fotojornalismo do mundo, concedido pelo Museu Van Gogh da Holanda. Muitas de suas fotos esto em exposio em museus do Brasil e do Mundo.

Foi um dos criadores do blog Os Divergentes, com Helena Chagas, Andrei Meireles e Itamar Garcez,

O projeto que d o nome “Reprter Fotogrfico Orlando Brito Tribuna de Imprensa do Plenrio do Senado foi aprovado pelos senadores e seguir para promulgao.

Celebrado no mundo inteiro, Celso Furtado foi impedido de impulsionar o progresso do pas

Crculo de Giz - H 100 anos nascia Celso Furtado, em Pombal (PB). Em agosto de 1997 foi eleito para substituir Darcy Ribeiro na ABL e ocupar a cadeira 11, cujo patronoJos Carlos Werneck

Se o Brasil tivesse seguido as diretrizes de Celso Furtado, estaria hoje em uma posio de vanguarda no cenrio internacional e, principalmente, os brasileiros viveriam em melhores condies. Furtado foi considerado um dos sucessores de John Maynard Keynes, defendendo a necessidade de uma participao ativa do Estado para dinamizar a economia e alcanar uma melhor distribuio, reduzindo a desigualdade social, que at hoje continua a desafiar polticos e economistas.

Este notvel homem pblico formou-se em Direito e depois, em 1947, foi para a Inglaterra e se especializou em Economia na London School of Economics. Retornando ao Brasil, foi trabalhar na Fundao Getlio Vargas. Em seguida, transferiu-se para Santiago do Chile, onde trabalhou na recm-criada Comisso Econmica para a Amrica Latina (Cepal).

CEPAL E SUDENE – Em 1953 voltou ao Rio de Janeiro, convidado para presidir o Grupo Misto de Estudos criado a partir de um convnio celebrado entre a Cepal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico (BNDE). Em outubro de 1955 retornou sede da Cepal, em Santiago do Chile, para dirigir um estudo sobre a economia mexicana, o que acabou resultando em nova mudana, desta vez para a Cidade do Mxico, em 1956.

No governo de Juscelino Kubitschek, quando houve grave crise decorrente da seca no Nordeste, Celso Furtado apresentou ao presidente da Repblica os resultados dos estudos que vinha realizando e recebeu a incumbncia de elaborar um plano de poltica econmica para aquela regio.

Surgiu, assim, a Superintendncia do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Furtado foi seu primeiro superintendente e cumpriu o plano de JK, de jamais ocorrer nova seca com a regio ao desamparo.

NO PLANEJAMENTO – Nos governos de Jnio Quadros e Joo Goulart, o economista foi mantido na Sudene, at ser nomeado ministro do Planejamento em 1962, incumbido de elaborar, em dois meses, um novo plano de poltica econmica, que foi divulgado oficialmente em 30 de dezembro com o nome de Plano Trienal de Desenvolvimento Econmico e Social.

A poltica econmica do governo Goulart baseou-se nas diretrizes traadas pelo Plano Trienal, executado sob a direo de Celso Furtado e San Tiago Dantas, dois notveis intelectuais brasileiros.

Em fins de junho, Furtado deixou o cargo de ministro e voltou a Recife para dedicar-se novamente Sudene at 31 de maro de 1964, quando eclodiu o movimento poltico-militar que deps o presidente Joo Goulart e instaurou a ditadura no pas.

CASSADO EM 1964 – Com a edio do Ato Institucional n 1, Celso Furtado teve seu nome includo na primeira lista de cassados. Em meados de abril embarcou no Rio de Janeiro para Santiago do Chile, a convite do Instituto Latino-Americano para Estudos de Desenvolvimento, ligado Cepal.

Em setembro, mudou-se para New Haven, nos Estados Unidos, assumindo o cargo de pesquisador graduado do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Yale.

Da em diante, dedicou-se a atividades de ensino e pesquisa nas universidades de Yale, Harvard e Colmbia, nos EUA, de Cambridge, na Inglaterra, e da Sorbonne, na Frana, onde assumiu a ctedra de professor efetivo a convite da Faculdade de Direito e Cincias Econmicas da Universidade de Paris.

Durante toda a dcada de 1970, dedicou-se intensamente a atividades acadmicas e publicao de livros sobre economia.

VOLTA AO BRASIL – Beneficiado pela anistia, em agosto de 1981 filiou-se ao Partido do Movimento Democrtico Brasileiro (PMDB). Trs anos depois, participou intensamente da campanha de Tancredo Neves Presidncia, inclusive integrando a comisso que elaborou o plano de ao do governo.

Em maro, com a morte de Tancredo Neves, foi indicado pelo presidente Jos Sarney para embaixador do Brasil junto Comunidade Econmica Europeia sediada em Bruxelas. Em fevereiro de 1986 substituiu o ministro Alusio Pimenta na pasta da Cultura, onde permaneceu at agosto de 1988.

Fora do governo, voltou-se novamente para suas atividades literrias e acadmicas.

RENOME MUNDIAL – Morando seis meses por ano no Rio de Janeiro e outros seis meses em Paris, Celso Furtado era considerado um dos maiores economistas do mundo e passou a integrar, como membro permanente, a Comisso de Desenvolvimento e Cultura da Organizao das Naes Unidas (ONU). Em 1997, tornou-se membro do Comit de Biotica da Unesco e no mesmo ano tomou posse na Academia Brasileira de Letras.

Como se v, em nome de um anticomunismo infantil e inconsequente, desde o regime militar o Brasil tornou-se especialista em desperdiar ideias brilhantes de homens de talento e competncia, como Celso Furtado, que poderia ter colaborado de maneira mais efetiva para levar o pas a um estgio de desenvolvimento que pudesse amenizar a discrepncia de tentar a convivncia pacfica entre a misria absoluta e a riqueza total, algo impossvel de existir e que explica a situao absurda que o pas hoje atravessa, em termos de atraso econmico e criminalidade crescente.

Como pregava Paul Singer, o Brasil precisa de Felicidade Interna Bruta

Maria do Rosrio on Twitter: "Aprovao do PL da Economia Solidria na  Cmara tambm  homenagem ao prof. Paul Singer, construtor dessa ideia  generosa para humanidade. https://t.co/bUjZbIRCzg" / TwitterJos Carlos Werneck

“A economia solidria a nica alternativa ao capitalismo no porque mais eficaz economicamente que a capitalista, mas sim porque ela solidria e precisamos da solidariedade para ser felizes e vivermos em paz. As pessoas esto cansadas deste modo de vida onde tm que competir o tempo todo sem parar. Por isso, o essencial na ideia de economia solidria est na segunda parte da expresso: a solidariedade.

Essas magnficas afirmaes so do economista Paul Singer,um dos mais importantes intelectuais de nossa Era. Nascido na ustria e naturalizado brasileiro, tornou-se um dos maiores analistas da evoluo positiva e negativa do capitalismo, e considerava que o regime passa por uma crise moral.

IDEIA DA CONCORRNCIA – Uma viso panormica das ideias de Paul Singer encontra-se em notvel artigo de Marco Weissheimer, ao salientar que Singer reconhecia um evidente paradoxo em sua posio. O mundo, disse, mais do que nunca capitalista, baseado no liberalismo cuja essncia econmica a ideia da concorrncia.

O capitalismo fomenta a ideia da concorrncia em praticamente todos os nveis da vida humana, como se fosse a nica motivao capaz de fazer as pessoas fazerem o que devem fazer. exatamente isso que a economia solidria nega. A ideia de um comrcio justo incompatvel com o capitalismo, dizia Singer.

Para ele, o capitalismo passa por uma crise moral no mundo inteiro. O problema no exatamente a sua eficcia econmica, mas o modo de vida que ele engendra. E a insatisfao com esse modo de vida crescente, especialmente entre os jovens.

CONCEITO DA FELICIDADE – De acordo com Weissheimer, Paul Singer introduz um conceito que, apesar da resistncia dos mais ortodoxos, comea a penetrar de modo mais acentuado o campo da economia: o nvel de felicidade. A ideia parte de uma constatao bsica: as pessoas querem viver bem e ser felizes. E o mundo atual impe um ritmo de vida opressivo, que obriga a imensa maioria do planeta a competir o tempo todo.

No que a economia solidria seja to eficiente, mas sim que ela nos deixa mais felizes, sem precisar competir o tempo todo, disse Singer, ao citar uma pesquisa realizada na Alemanha e na ustria, onde 70% dos entrevistados se disseram insatisfeitos com o capitalismo.

O mais interessante nesta pesquisa, acrescentou o economista, que, indagadas sobre o que queriam no lugar do capitalismo, muitas pessoas disseram: Felicidade, uma resposta que lembra o ndice da Felicidade Interna Bruta (FIB), desenvolvido no Buto.

FELICIDADE BRUTA – O Buto um reino budista asitico, extremamente montanhoso e situado no extremo leste do Himalaia, conhecido por seus belssimos mosteiros, encravados nas rochas. O ndice da Felicidade Interna Bruta nasceu em 1972, elaborado pelo rei butans Jigme Singya Wangchuck.

Com o apoio do Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento, o reino do Buto comeou a colocar esse conceito em prtica, atraindo a ateno do resto do mundo com uma frmula para medir o progresso de uma nao.

Segundo esse conceito, o clculo da riqueza de um pas deve considerar outros aspectos alm do desenvolvimento econmico, como a conservao do meio ambiente e a qualidade da vida das pessoas. O ndice est baseado na ideia de que o objetivo principal de uma sociedade no deveria ser somente o crescimento econmico, mas a integrao de todas as dimenses da vida humana em busca de um bom viver, em harmonia com a natureza.

ECONOMIA SOLIDRIA – O mais importante da economia solidria a prtica da solidariedade. Se vocs querem ser felizes, sejam solidrios, enfatizava Paul Singer, para quem esse conceito ultrapassa a dimenso meramente econmica.

As trocas solidrias so a essncia da economia solidria. O significado dessa ideia transcende a esfera da economia. Economia solidria uma forma de ser feliz e a gente s pode ser feliz se tem a conscincia tranquila. E s temos a conscincia tranquila se tratamos bem as outras pessoas. A prtica da solidariedade, afirmava, “ o principal ingrediente desta receita”.

Em 2011, trabalhando no governo federal, como secretrio nacional de Economia Solidria, Paul Singer apresentou suas ideias e props a criao de bancos comunitrios, que seriam instrumentos para a erradicao da misria. Singer morreu em So Paulo, em 16 de abril de 2018, mas suas ideias precisam permanecer vivas.

Nessa crise, a falta que faz Carlos Castelo Branco, um dos maiores jornalistas brasileiros

Via de regra e o dia em que Carlos Castello Branco puxou as orelhas de Paulo Francis - Jornal Opo

Castelinho, um grande comentarista da poltica brasileira

Jos Carlos Werneck

Como faz falta nestes dias confusos vividos pelo pas o texto direto, atravs do qual o jornalista Carlos Castelo Branco analisava com uma preciso cirrgica os acontecimentos da poltica brasileira. Seu texto era brilhante, conciso, direto, prendia o leitor do princpio ao fim.

Em sua “Coluna do Castelo”, publicada durante 31 anos no igualmente saudoso “Jornal do Brasil”, esse grande jornalista retratava de maneira extremamente precisa tudo o que de mais importante acontecia no Brasil.

ADVOGADO E JORNALISTA – Carlos Castelo Branco nasceu em Teresina no dia 25 de junho de 1920. Sua famlia mudou-se para Minas Gerais. Em maro de 1939 ingressou Faculdade de Direito de Belo Horizonte.

Ainda acadmico comeou a trabalhar como reprter de polcia no jornal “O Estado de Minas”, integrante dos Dirios Associados de Assis Chateaubriand, onde foi subsecretrio de redao e ligou-se nova gerao de escritores e intelectuais mineiros, como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Autran Dourado, Otto Lara Resende e Hlio Pelegrino.

Bacharelou-se em 1943 e, logo em seguida, abriu um escritrio de advocacia. Pouco depois, desistiu da profisso para dedicar-se definitivamente ao jornalismo. Permanecendo como secretrio em O Estado de Minas, expandiu suas atividades na rea da imprensa e, em 1944, tornou-se secretrio da Agncia Meridional de Notcias, em Belo Horizonte, tambm pertencente aos Dirios Associados.

JUNTO UDN – Com o processo de redemocratizao do Brasil em 1945 e o surgimento de novos partidos polticos, aproximou-se da Unio Democrtica Nacional (UDN). Embora vinculado s principais personalidades mineiras que organizaram o partido no Estado, no chegou a se engajar politicamente na legenda.

No mesmo ano foi convidado por Carlos Lacerda para trabalhar no Dirio Carioca e transferiu-se para o Rio de Janeiro. No entanto, quando se apresentou no novo emprego, Lacerda j havia deixado a direo do jornal e, por isso, no foi admitido. Pouco depois, por intermdio de Neiva Moreira, que trabalhava nos Dirios Associados, foi contratado como subsecretrio de O Jornal, rgo lder da cadeia, chegando a ocupar o cargo de secretrio-geral.

Mais tarde foi indicado por Assis Chateaubriand para executar outras tarefas em diversos rgos dos Dirios Associados, tendo promovido em 1947, aps trs meses de trabalho em Belm, o relanamento do jornal A Provncia do Par. De volta ao Rio, foi secretrio do Dirio da Noite durante alguns meses.

OUTROS TRABALHOS – Em 1948 deixou o cargo de secretrio em O Jornal para trabalhar como analista de poltica no mesmo rgo. Nesse perodo comeou a publicar colunas assinadas e a intensificar seus contatos polticos, o que lhe permitiu adquirir um maior conhecimento da realidade nacional.

Em 1950 foi convidado por Pompeu de Sousa para trabalhar como editor poltico no Dirio Carioca, recm-remodelado, onde criou uma coluna intitulada Dirio de um reprter.

Em 1953 comeou a trabalhar como editor na Tribuna da Imprensa, de propriedade de Carlos Lacerda, e tornou-se Correspondente poltico da Folha de S. Paulo e colaborador de O Estado de S. Paulo. Em setembro de 1953 deixou a Tribuna da Imprensa para organizar, ao lado de Neiva Moreira, a seo poltica da revista O Cruzeiro.

MORTE DE VARGAS – Aps o suicdio de Getlio Vargas e a posse do vice-presidente Joo Caf Filho na presidncia da Repblica em agosto de 1954, foi convidado por Odylo Costa, filho, recm-nomeado diretor do jornal A Noite, das empresas Incorporadas ao patrimnio da Unio, para assinar a seo poltica. Aceitou a proposta, e continuou a manter as atividades que realizava anteriormente em outras empresas jornalsticas.

Com a deposio de Caf Filho em novembro de 1955 e a sada de Odylo Costa, filho da direo do A Noite, deixou suas funes no jornal. Castelo Branco exerceu a profisso ao longo dos governos de 13 presidentes e da vigncia de trs constituies (as de 1946, 1969 e 1988).

Quem quiser saber tudo sobre a vida de Carlos Castelo Branco, membro da Academia Brasileira de Letras, deve ler “Todo aquele imenso mar de liberdade”, livro de Carlos Marchi, que mostra a trajetria desde grande jornalista brasileiro, que morreu com 72 anos, no Rio de Janeiro, em 1 de junho de 1993.

NOTA DA REDAO DO BLOG Nosso grande amigo Carlos Chagas costumava recordar uma ocasio em que o ento presidente Castelo Branco comentou com o jornalista sobre uma notcia publicada em um jornal uruguaio, que colocava Castelinho como filho do presidente. Em tom srio, relatava Carlos Chagas, Castelinho disse ao marechal presidente que o jornal estrangeiro o qualificara como “o maior colunista do Brasil, filho do ditador de planto”. (C.N.)