Livros didáticos de História omitem genocídios comunistas que fizeram milhões de vítimas

Mises Brasil - Marxismo: a máquina assassina

No Cambodja, morreram cerca de 2 milhões de executados

Leandro Narloch
Folha

No Facebook, o canal “Quebrando o Tabu” causou indignação semanas atrás por afirmar que o regime comunista da China, responsável pela morte de dezenas de milhões de pessoas, tinha pontos positivos como “moradia para todos” e “estabilidade política”.

O post foi apagado logo em seguida e a página devidamente reconheceu o absurdo da afirmação. Ainda assim, o caso mostra o desconhecimento mesmo de brasileiros escolarizados sobre o assunto.

PASSAM EM BRANCO – Parte da culpa é dos livros didáticos. Boa parte deles passa em branco pelas matanças praticadas por ditadores comunistas do século 20.

A coleção de Ensino Médio “Diálogos em Ciências Humanas”, da editora Ática, percorre o século 20 sem gastar uma linha para tratar do Holodomor, dos milhões de mortos na China de Mao ou dos crimes de Stálin. Até mesmo no capítulo “Guerras, Holocausto e genocídio no século 20” não há menção sobre matanças causadas por ditadores comunistas.

De quatro coleções de Ensino Médio analisadas pelo economista Arthur Cohen, a única a discutir algum genocídio comunista foi a “Humanitas.doc”, da editora Saraiva. Explica a falta de alimentos que matou milhões de ucranianos de fome em 1932 e 1933 (tema, aliás, do excelente filme “A Sombra de Stálin”, do Netflix).

ALGUMAS INFORMAÇÕES – Em três livros de história do 9º ano do Ensino Fundamental, que serão distribuídos em 2022 na rede pública, a situação é um pouco melhor. Dois mencionam as mortes por fome durante o regime chinês e os crimes de Stálin. Omitem o Holodomor e diversas outras mortes em massa. São os livros “Araribá Mais História”, da editora Moderna, e “História Sociedade e Cidadania”, da editora FTD.

Um terceiro livro analisado, “Teláris História”, editora Ática, menciona o Holodomor, mas não a fome e as mortes na China de Mao. Pesquisadores estimam que as mortes causadas pelo regime chinês cheguem a 55 milhões.

OMISSÃO GRAVÍSSIMA – Falar sobre o século 20 sem citar essas atrocidades é uma omissão tão grave quanto ensinar Brasil Colonial sem mencionar a crueldade da escravidão.

Se depender dos livros didáticos de História, os estudantes se formarão acreditando que a crise de fome da Etiópia de 1984 foi causada pelo capitalismo, e não por um ditador que teve apoio de Fidel Castro. E sem ter ouvido falar do genocídio do Khmer Vermelho, que matou incríveis 21% da população do Camboja.

Muito se comenta sobre narrativas de esquerda que professores e autores de livros didáticos ensinam. Também é preciso ficar atento à história que eles deixam de ensinar.

El genocidio anticomunista en Indonesia sigue impune a 55 años | Noticias |  teleSUR

Em 1965, 500 mil comunistas foram mortos na Indonésia

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo. Mas é preciso lembrar que a História da Humanidade é uma sucessão de guerras e genocídios. Os livros didáticos também omitem que no passado recente também houve genocídios capitalistas, especialmente em países pobres da África, Ásia e Oceania. Um dos exemplos foram os massacres na Indonésia. Em 1965 e 1966, cerca de 500 mil filiados ao Partido Comunista foram executados. Calcula-se que o número de mortes ultrapassou 2 milhões. Por fim, não se deve culpar Karl Marx e Friedrich Engels pelos massacres comunistas, nem acusar Adam Smith, David Ricardo e David pelas atrocidades capitalistas. E assim caminha a Humanidade, diria o ator James Dean, . (C.N.)

Leia o artigo sobre racismo que causou protesto de jornalistas contra a direção da Folha

Grotesco', 'cruel', 'estarrecedor': texto antirracista é alvo de canceladores

Antonio Risério abomina o racismo e é acusado de racista

Carlos Newton

Antonio Risério, poeta, romancista e antropólogo, autor de “A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros”, “Sobre o Relativismo Pós-Moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitária” e “As Sinhás Pretas da Bahia”, publicou um artigo na Folha de S. Paulo que causou um abaixo-assinado de jornalistas contra o jornalão dos Frias. É algo jamais visto, porque o protesto foi feito pelos jornalistas da própria Folha.

Em nome da liberdade de expressão, o renomado jornalista e historiador brasiliense Carlos Marchi saiu em defesa de Risério, denunciando que o abaixo-assinado não refutava as afirmações do antropólogo e apenas funcionava como uma espécie de “censura interna”, por negar a Risério o direito de se manifestar.

Aqui na Tribuna, vivemos sob o signo da liberdade e fazemos questão de dar a Risério o direito de expressar sua opinião. Leiam o artigo dele e tirem suas próprias conclusões.

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RACISMO DE NEGROS CONTRA BRANCOS GANHA FORÇA COM IDENTITARISMO

Antonio Risério
(Folha de S.Paul0)

Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato.

A universidade e a mídia norte-americanas insistem no discurso da inexistência de qualquer tipo de “black racism”. Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideológica manda fingir que nada aconteceu.

OPRIMIDO E OPRESSOR – O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.

A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.

No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.

ATAQUES NO METRÔ – Em “Coloring the News”, William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: “Vamos matar todos os brancos!”. O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como “confronto de duas culturas”.

McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.

De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: “Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca”.

ATAQUES RACIAIS – O “detalhe” não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.

O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e  em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o “double standard” midiático é um fato.

Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam “Heil Hitler” em frente a casas de judeus.

JUSTIFICATIVA – Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.

Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.

Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de “pessoas que não se parecem com nós” e chamavam os coreanos de “macacos amarelos”.

VÍTIMAS COREANAS – Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: “Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?”.

Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com “consumidores” negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.

Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica. Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.

VERSÃO TROPICAL – A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um “Führer de ébano”, como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.

O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.

Em um artigo recente no jornal Le Monde (“Biden, au coeur du combat identitaire”), Michel Guerrin sublinhou que o “antissemitismo está bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter”.

RADICALIZAÇÃO – A turma discursa contra o “genocídio” palestino, “organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos”.

O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.

Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.

UM GRANDE EXEMPLO – Temos Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.

Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia “acadêmica” que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um “neorracismo científico”.

Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. “A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana”. Porque a brancura é um defeito genético recessivo. “Isto é fato”, afirma solenemente.

BAIXA MELANINA – Diz que as pessoas brancas possuem uma “alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina” e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.

Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o “racismo científico” branco do século 19 — e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.

O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a “comunidade negra” não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.

Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.

EM BUSCA DO PODER – Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.

Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.

Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: “Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto”.

EXCEÇÃO OU NORMA? – Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.

Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.

Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.

Militares, evangélicos e o “capital” pulam do barco de Bolsonaro, mas não caem no de Lula

Charge do Zé Dassilva: Terceira via | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Eliane Cantanhêde
Estadão

As reações à coluna de domingo (“Ainda tem jeito?”) confirmam que o melhor do mundo para bolsonaristas e petistas é manter a polarização entre o continuísmo e a volta ao passado. Tudo que o presidente Jair Bolsonaro sonha é disputar com o ex-presidente Lula. Tudo o que Lula pretende é ter Bolsonaro como adversário. Nenhum dos dois quer ouvir falar em terceira via.

Sim, se a eleição fosse hoje, daria Lula no primeiro turno ou ele e Bolsonaro no segundo. O problema é que a eleição não é hoje e há milhões de brasileiros incomodados e se sentindo emparedados entre as duas soluções – o que também surgiu, claramente, nas reações à coluna.

SURGEM DIVISÕES – E os monoblocos vão se desfazendo no ar, porque em todos os segmentos da sociedade há divisões, dúvidas, insatisfação. Vale para a maioria, com menor renda e escolaridade, mas também para setores com grande reverberação.

Pode-se dizer que “os militares” são incorrigivelmente bolsonaristas? Não, depois de Bolsonaro se sentir compelido a demitir o ministro da Defesa e os três comandantes. Menos ainda depois de, na mesma semana, o contra-almirante Barra Torres reagir a ataques do presidente, o Exército reforçar diretrizes contra a covid na contramão de Bolsonaro e o general Silva e Luna, da Petrobras, lembrar que cabe ao Executivo fazer políticas públicas.

É possível insistir em que “os evangélicos” estão com Bolsonaro? Não. Há evangélicos e evangélicos, que se dividem entre designações, graus de seriedade, regiões e segmentos sociais. Os mais pobres, por exemplo, sentem na pele os efeitos da política econômica – ou da falta dela.

TERCEIRA VIA – E “o capital” continua com Bolsonaro? Banqueiros, grandes empresários, líderes do agronegócio não passaram a troco de nada a defender democracia, Amazônia e justiça social, até em manifestos. Foi um movimento tumultuado, mas deixou uma evidência: há insatisfações e muita conversa.

Quem decide eleição é “o povo”, mas militares, evangélicos, banqueiros, empresários e o agronegócio moderno caíram do outro lado, o de Lula? Provavelmente, não. Há uma enorme aflição com Bolsonaro, mas isso não apaga a desconfiança quanto a Lula, petrolão, ligações com Venezuela, Cuba…

Logo, o eleitorado desiludido de Bolsonaro hoje está no limbo (ou num mato sem cachorro), assim como, em 2018, o eleitor do PT que ficou chocado com o petrolão e o eleitor que se descolou do PSDB. Há espaço, sim, para buscar uma terceira via pé no chão, que trabalhe mais contra a crise e menos para ampliar confrontos ideológicos. Uma opção preguiçosa a essa busca é ceder à polarização. Outra é o melancólico voto nulo de 2018.

Aumento de preços será o maior adversário de Jair Bolsonaro nas urnas de outubro

Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)

Pedro do Coutto

Enquanto partidos articulam candidaturas para governos estaduais que se enquadrem nas disputas presidenciais, os dirigentes partidários esquecem que o maior adversário do governo nas eleições de outubro será o aumento de preços que vem disparando de maneira ininterrupta. Uma pesquisa do Ipea destaca o fato, inclusive, de a inflação atingir muito mais os grupos de renda baixa e média do que os segmentos de renda mais alta.

E olha que são considerados os de renda mais alta aqueles cujos vencimentos são no mínimo de R$ 10 mil por mês. Portanto, há um certo exagero em considerar renda elevada esse limite no fundo mediano.

CLASSIFICAÇÃO – Mas como tudo é relativo dentro da realidade brasileira, não deixa de ser verdadeira a classificação. Isso porque um terço dos que trabalham ganham até um salário mínimo e os que recebem mensalmente até dois salários mínimos e meio são 55% da população ativa. Considera-se população ativa a que se encontra trabalhando, incluindo a parcela dos que deveriam estar no emprego mas perderam-no , somando praticamente 100 milhões de pessoas, quase metade da população do país.

Relativamente ao levantamento do Ipea, a pesquisadora do Instituto, Maria Andréia Lameiras, sustenta que houve em 2021 um crescimento da inflação para todos, conforme o IBGE,  da ordem de 10%. Mas a incidência mais forte, como era esperado, atingiu os grupos de renda menor. A explicação é simples; quanto menor for a renda, maior será o percentual de gastos com a aquisição possível de alimentos.

O Ipea, de acordo com reportagem de Eduardo Cucolo, Folha de S.Paulo, dividiu a sociedade em grupos de renda definidos. A renda superior a R$ 8.950 abrange apenas 3,1% da população. Acima de R$ 17 mil encontra-se apenas 2,7%. As escalas restantes englobam as parcelas mais atingidas em seu poder de compra. A pesquisa do Ipea foi realizada antes do mais recente aumento da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha. Quanto a esse último, o governo iniciou a distribuição de um vale de R$ 52. Mas o botijão no mercado custa praticamente o dobro desse valor.

ENVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS –  Em consequência da elevação de preços não ser acompanhada por reajustes salariais, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 70,9% de acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio, reportagem de Júlia Noia, O Globo desta quarta-feira.

Desse total, praticamente a metade das famílias encontra-se com dívidas vencidas e de acordo com a pesquisa da CNC a maior parte das pessoas endividadas possui uma renda mensal menor do que o endividamento contraído, o que leva a um espiral na realidade impossível de reverter, principalmente, como é notório, no caso das dívidas dos cartões de crédito cujos juros são absolutamente fantásticos, tanto assim que os próprios credores aceitam renegociar as dívidas em condições minimamente viáveis.

REAJUSTE – Jussara Soares, Dimitrius Dantas, Fernanda Trisotto e Gabriel Shinohara, de O Globo, publicaram afirmações do vice-presidente Hamilton Mourão sustentando ser impossível o reajuste geral de vencimentos dos servidores públicos, reivindicação transformada em ato público na tarde de terça-feira, em Brasília, diante do Banco Central e do Ministério da Economia.

Os funcionários do sindicato do BC informaram que 55% dos servidores do banco paralisaram o trabalho das 10h às 12h de anteontem. Vale a pena acentuar que tanto os funcionários do Banco Central quanto os do Ministério da Economia são aqueles de salários mais altos. Portanto, verifica-se por aí, como se encontra à disposição, funcionários civis da União, de modo geral, desde 2017 sem uma reposição inflacionária sequer.

Sérgio Ronaldo da Silva, coordenador na Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público, disse que as manifestações de terça-feira em Brasília marcaram o início de uma mobilização legítima para cobrir perdas causadas pela inflação.

Mesmo sem filiar Alckmin, PSB se reúne com PT para cobrar palanques pelo apoio a Lula

Após reunião, presidente do PSB diz que Alckmin "demonstrou interesse"

Carlos Siqueira, do PSB, ainda aguarda a resposta de Lula

Andréia Sadi
G1 Brasília

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, têm um encontro marcado nesta quinta-feira (20), em Brasília, para discutir ajustes em palanques estaduais em troca de apoio formal à chapa do ex-presidente Lula à Presidência da República.

Siqueira disse ao blog que, desde que o partido apresentou demandas por apoio a palanques estaduais — como São Paulo, Espírito Santo e Pernambuco —, o PT não só não deu resposta como avançou publicamente com anúncios de pré-candidaturas. Entre elas, ele cita a de Fernando Haddad (SP), Humberto Costa (PE) e Fabiano Contarato (ES).

DISSE A LULA – Na reunião prevista para quinta-feira, Siqueira vai repetir o que já disse pessoalmente pelo menos duas vezes ao ex-presidente Lula: “Já falei ao Lula que o PT precisa decidir se quer disputar pelo país [contra] um de seus principais aliados ou se quer a nossa ajuda para ganhar a eleição”.

O PSB quer ter candidatos em alguns estados onde o PT argumenta ter vantagem nas pesquisas, como São Paulo. “Nosso critério não é pesquisa, se fosse assim a gente apoiaria ACM Neto na Bahia e não Jacques Wagner. Nosso critério é critério político. Outra coisa: a vida não é só eleição, tem o governo depois”.

Na reunião desta quinta, também estará na pauta o ingresso de Geraldo Alckmin no PSB para compor a vice na chapa de Lula. Siqueira disse ao blog, no entanto, que até agora não recebeu resposta de Alckmin sobre o ingresso no partido.

APENAS CONVITE – “Convidei Alckmin a ingressar no PSB no dia 13 de dezembro, ele não é do PSB ainda, fiz o convite mesmo ele não sendo uma pessoa com perfil de esquerda, mas entendendo que o momento pede essa discussão mais ao centro. Ele tem muitos amigos de esquerda aqui, incluindo eu, mas ainda não nos deu resposta”.

Perguntado se existe alguma reunião prevista com Alckmin, Siqueira disse que não: “Sei que está conversando com outros partidos, ele vai decidir para onde vai. E, enquanto isso, temos que cuidar da nossa vida”.

Petistas que acompanham as negociações a respeito da chapa Lula-ALckmin afirmaram ao blog que um novo encontro entre os dois está sendo costurado para acontecer ainda em janeiro, antes da viagem de Lula para o México.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ainda é cedo, nada decidido, tudo a decidir, e há vários complicadores, como a candidatura crescente do petista André Ceciliano ao governo do Rio de Janeiro, onde o PSB lidera com Marcelo Freixo, ex-PSol. Como diziam Raul Seixas e Paulo Coelho, a serpente está na terra e o programa está no ar. (C.N.)

O eterno drama dos flagelados da seca, na visão poética e realista de Patativa do Assaré

Imagem analisada visualmentePaulo Peres
Poemas & Canções

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Dois Quadros”, que mostra o cotidiano do nordestino em busca de melhores condições de vida.

DOIS QUADROS
Patativa do Assaré

Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.

A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.

Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.

O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.

Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.

Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.

Moro busca alianças com União Brasil, Cidadania, Novo e PSDB, para formar uma federação

Sérgio Moro

Charge do Duke (Arquivo Google)

Lauriberto Pompeu
Estadão

Em busca de alianças políticas que possam turbinar a campanha do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), se reuniu no fim de semana com o Cidadania para discutir a formação de uma federação partidária, uma das novidades desta eleição.

Caso confirmada, a união garantiria a primeira legenda na coligação de Moro, ampliando recursos e tempo de TV. O Podemos é considerada uma sigla pequena, com apenas a 12a. maior fatia do fundo eleitoral neste ano, de R$ 229 milhões.

UMA FRENTE AMPLA – Em entrevista a uma rádio da Bahia nesta segunda-feira, 17, Moro confirmou que busca alianças com Cidadania, Novo, União Brasil e PSDB, mas deixou claro que ainda não há definições. “Não existe governo de um partido só. A gente quer fazer uma grande aliança nacional entre partidos, mas também com a sociedade civil, em cima de um projeto que faça sentido”, afirmou.

O movimento do Podemos acontece depois de o Cidadania também abrir conversa para formar federação com o PSDB, que tem o governador de São Paulo, João Doria, como pré-candidato a presidente.

Diferentemente das coligações – proibidas nas eleições proporcionais já em 2020 -, as federações vão muito além da disputa eleitoral: criam uma “fusão” temporária entre as siglas envolvidas, que precisam permanecer unidas por pelo menos quatro anos.

DISSE FREIRE – O presidente do Cidadania, Roberto Freire, afirmou que no encontro com Renata Abreu, no último sábado, 15, os dois ficaram de discutir a ideia de uma união internamente nas legendas.

De acordo com o dirigente do Cidadania, se a aliança for confirmada a sigla retiraria a pré-candidatura do senador Alessandro Vieira ao Palácio do Planalto. “Na possibilidade de uma federação com um partido que tem candidato a presidente, você está assumindo que aquela será a candidatura sua também se você aprovar”, afirmou.

Tanto o Cidadania, com sete deputados, e o Podemos, com 11, estão ameaçados de ficarem sem o fundo partidário e o tempo de propaganda de rádio e televisão. A cláusula de desempenho determina que os partidos precisarão eleger pelo menos 11 deputados federais em 2022 para ter acesso aos recursos.

INDEFINIÇÃO – Segundo o dirigente partidário, o Cidadania precisa decidir se vai formar federação com o PSDB, com o Podemos ou se não vai formar com nenhum partido. Nas últimas semanas, Freire também tem conversado com o presidente do PSDB, Bruno Araújo.

O pré-candidato Alessandro Vieira evitou se posicionar e disse que vai aguardar o assunto ser debatido pela Executiva Nacional do Cidadania. “É preciso definir as condições, em especial nos palanques regionais”, declarou.

No Distrito Federal, os senadores Reguffe (Podemos) e Leila Barros (Cidadania) são pré-candidatos ao governo. Já em relação à união com os tucanos, na Paraíba o PSDB faz oposição ao governador João Azevedo (Cidadania).

REQUER APROVAÇÃO – Para ser chancelada, a federação precisa ser aprovada pelas executivas e diretórios nacionais das legendas envolvidas. O processo também envolve a elaboração de um programa partidário comum. O novo instrumento foi aprovado pelo Congresso no ano passado e virou uma alternativa às coligações, que deixaram de existir.

A modalidade é mais rigorosa que a regra anterior porque exige que a união permaneça por no mínimo quatro anos e seja reproduzida também nos estados. Nas coligações, as alianças poderiam ser desfeitas a qualquer momento e não havia exigência de unidade em todos os estados.

Além do Cidadania, outro partido que Doria e Moro disputam é o União Brasil, que é a fusão do DEM com o PSL.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O momento é de muita negociação e nenhum acordo, até que se saiba quem realmente tem garrafas para vender, como se dizia tempos atrás. Os acordos e tudo o mais no Brasil só acontecem depois do carnaval, que este ano será em março. (C.N.)

“Carta aberta” de jornalistas da Folha é decretação da falência do velho e bom Jornalismo…

Castelinho favoreceu a redemocratização e o jornalismo livre' | A Gazeta

Carlos Marchi reage em nome do jornalismo de verdade

Carlos Marchi

Devemos considerar que a “carta aberta” de jornalistas da Folha de S. Paulo à direção do jornal representa a decretação da falência do velho e bom Jornalismo. Lembremos: essa “carta” protesta contra a publicação do artigo “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo“, do antropólogo Antonio Risério.

A “carta” significa a rejeição da pluralidade, razão essencial da democracia e da renovação do pensamento. Sua argumentação tem o vírus do totalitarismo, pois não rebate o pensamento de Risério, simplesmente o rejeita e o apaga.

VOLTA DA CENSURA – Nesse sentido, é uma manifestação nojenta e odiosa a pedir a volta da famigerada censura. Ou seja, só “nós” podemos escrever no jornal, só “nossas” ideias podem ser lidas pelos leitores. Nem os militares pensaram nisso.

Não sustenta argumentação original: é uma cópia escarrada do que vende o identitarismo americano. O que está na carta (e em muito do que se tem escrito por aí) é puro neocolonialismo cultural. Cópia da matriz.

Racismo é uma prática odiosa em todos os sentidos, em que maiorias oprimem minorias em todas as geografias. E essa prática tem de ser combatida até desaparecer do convívio entre humanos. Expresso minha eterna admiração por Nelson Mandela: o racismo deve ser combatido com generosidade diária e inflexível.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O artigo foi enviado à Tribuna por José Carlos Werneck, muito amigo de Carlos Marchi, um dos maiores jornalistas brasileiros, que faz sucesso no Facebook e tem se dedicado à literatura, autor de biografias de Carlos Castelo Branco (“Todo aquele imenso mar de liberdade”) e Teotônio Vilela (“Senhor Liberdade”), além de “Fera de Macabu”, livro-reportagem sobre um dos maiores erros judiciários do país. Assim, seguindo na balada de nossos amigos Werneck e Marchi, vamos republicar daqui a pouco o artigo de Antonio Risério, porque aqui na TI vivemos sob o signo da liberdade. (C.N.)  

Cerco aos não vacinados se fecha em todo o mundo, e não adianta se queixar ao Papa…

Papa Francisco reza pelas vítimas das enchentes no Brasil

Papa Francisco é ardoroso defensor da vacinação

Deu em O Globo

À medida que a variante Ômicron se espalha, produzindo recordes de infecções, aumenta o cerco de governos e autoridades sanitárias aos não vacinados. Graças aos benefícios trazidos pelas vacinas, que reduzem hospitalizações e mortes, as estratégias para prevenir a Covid-19 passaram a dar mais ênfase à imunização do que a medidas de restrição ao comércio e serviços.

Em todo o planeta, a recomendação para vencer o vírus tem sido clara: vacinar, vacinar e vacinar. Assim, como ficam os não vacinados e defensores das campanhas antivacina? Com espaço cada vez mais reduzido, é claro.

PASSAPORTES DA VACINA – Se os negacionistas, alegando defender uma pretensa liberdade individual, podem ter direito a não comparecer aos postos, então as autoridades têm o dever de barrá-los em locais de grande frequência em nome da saúde coletiva. Assim tem sido. Os passaportes sanitários para comprovar a vacinação se tornaram fundamentais para aumentar a segurança em lugares de grande afluxo.

Em que pese ao caráter midiático da decisão, o veto do governo da Austrália à entrada do tenista Novak Djokovic, número um do ranking, por não apresentar o passaporte de vacinação, pôs a questão na ordem do dia.

Negacionista conhecido, ele alegou que tinha autorização de exceção dada pelos organizadores e obteve uma liminar da Justiça para participar do Aberto da Austrália, depois revogada em instância superior. Djokovic foi deportado ontem do país e se tornou um pária no esporte.

APERTA-SE O CERCO – A tolerância das autoridades com os não vacinados está cada vez menor. O presidente da França, Emmanuel Macron, foi explícito com os negacionistas: “Para os não vacinados, quero muito enchê-los. E vamos continuar fazendo isso até o fim. Essa é a estratégia”. Não está sozinho.

O Parlamento francês aprovou no início do mês uma lei determinando a apresentação do comprovante de vacinação em bares, restaurantes, academias.

Na Itália, o passaporte de vacina é exigido até no transporte público. A província de Québec, no Canadá, optou por um choque heterodoxo. O governo proibiu a venda de maconha e álcool a não vacinados. E discute a criação de uma taxa para os negacionistas. “Eles representam um fardo financeiro para todos os quebequenses”, disse François Legault, premiê de Québec.

LONGE DO CONSENSO – Claro que essa é uma questão que passa longe do consenso. Nos EUA, a Suprema Corte derrubou decisão do presidente Joe Biden que determinava a obrigatoriedade de vacinação para funcionários de empresas privadas. Mesmo assim, vários empregadores deverão manter a exigência.

Considerando que a convivência com a Covid-19 deverá ser longa, o passaporte sanitário se impõe como medida de segurança no mundo todo, protegendo os indivíduos e permitindo o funcionamento das atividades.

No Brasil, a exigência do passaporte, adotado na maioria das capitais, também gera discussões acaloradas com os arautos do atraso — à frente dos quais, o presidente Jair Bolsonaro. Mas trata-se de tendência inexorável. O próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admite que a maioria dos internados com Covid-19 não tomou a vacina. Daqui para a frente, mostrar o certificado de vacinação será tarefa tão corriqueira quanto passar o cartão de crédito ou digitar RG ou CPF nos lugares que os exigem. Aos não vacinados, restará queixar-se ao Papa, que, por sinal, também defende a vacina.

Negociação entre Podemos e União Brasil pode levar Moro a trocar de partido na campanha

Charge do Galvão - União Brasil ganha vida - Upiara Online

Charge do Galvão (Arquivo Google)

Julia Lindner e Rayanderson Guerra
O Globo

Dois meses e meio depois de filiar o ex-ministro Sergio Moro para disputar a Presidência da República, o Podemos abriu conversas que poderão resultar na migração do seu pré-candidato para o União Brasil, partido formado pela fusão entre DEM e PSL.

A mudança está sendo negociada com a presidente da sigla do ex-juiz da Lava-Jato, a deputada Renata Abreu (SP), que tem visto correligionários de diferentes estados pularem para os palanques dos dois principais adversários de Moro: o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

ESTÁGIO INICIAL – Integrantes do União Brasil admitem abertamente que sonham com o ingresso de Moro para encabeçar a chapa presidencial pela legenda recém criada, que aguarda apenas o aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ser formalizada, o que deve ocorrer em fevereiro. Renata Abreu também não descarta o movimento, embora ressalte que as conversas estão em estágio inicial.

— Parlamentares do União Brasil pediram para avaliarmos esta possibilidade de o Moro migrar para o partido, mas não temos nada concreto — afirmou Renata ao Globo.

Nos atuais termos do debate em curso, a própria Renata seria beneficiada. Para convencê-la a abrir mão do nome escolhido para representar seu partido na corrida ao do Planalto, representantes da União Brasil estariam dispostos a oferecer à deputada o posto de vice na chapa. As negociações foram reveladas pelo colunista Lauro Jardim.

TODOS DE ACORDO – De acordo com pessoas próximas a Moro, ele tem uma relação de confiança com Renata Abreu e não deve tomar nenhuma decisão sem o aval da aliada. Procurado para comentar o flerte com o partido em formação, o ex-ministro não quis se pronunciar.

Um dos nomes do União Brasil que torcem pela filiação de Moro, o deputado Junior Bozella (PSL-SP) acredita que, se o ex-ministro mudar de partido, sua campanha terá mais musculatura, já que a futura legenda deverá contar com a maior bancada de deputados federais e o mais robusto fundo eleitoral do país.

— Se todo mundo chegar à conclusão de que é o melhor caminho Moro ir para o União Brasil, será bom para todos os lados. É algo para somar, em comum acordo. É um projeto único — disse.

APROXIMAÇÃO – Ainda segundo aliados do pré-candidato, ele decidiu se filiar ao Podemos porque já conversava com membros da legenda desde o ano passado, no período em que viveu nos Estados Unidos — com o passar do tempo, houve também uma aproximação com o União Brasil. Sinal dessa proximidade, Moro esteve na semana passada no aniversário do deputado Julian Lemos (PSL-PB). Na ocasião, ele conversou com o presidente do PSL, Luciano Bivar, que também vai comandar a sigla novata.

A possível migração, no entanto, não encontra unanimidade. Uma ala do PSL e outra do DEM, pilares do União Brasil, são contra a chegada do ex-ministro.

Do outro lado da mesa de negociação também há entraves. Membros da cúpula do Podemos apresentam resistência ao plano de mudança. Reservadamente, lembram que Moro acabou de se filiar e que, se ele aceitar a troca, tende a se queimar com boa parte dos quadros da sigla, que atrelam seus projetos políticos eleitorais ao do ex-magistrado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os políticos não jogam para perder. Se há tanto interesse pela candidatura de Sérgio Moro, isso é sinal de que tem chance de eleger uma forte bancada. Ou seja, está com boas possibilidades de vitória. (C.N.)

Após decisão de Aras, procuradores chegam a receber mais de R$ 470 mil em dezembro 

TRIBUNA DA INTERNET | O direito ao silêncio e o direito de mentir

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Weslley Galzo
Estadão

Duas decisões tomadas no fim de 2021 pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, permitiram que procuradores recebessem um valor “extra” de quase meio milhão, em dezembro. Entre os maiores contracheques está o do procurador regional José Robalinho Cavalcanti, que tem um salário base de R$ 35,4 mil, mas ganhou R$ 446 mil em rendimentos brutos, naquele único mês, a partir de indenizações e outros “penduricalhos”.

Robalinho é ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e foi um dos que se opuseram à indicação de Aras, escolhido para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro fora da lista tríplice, ou seja, sem o aval da categoria.

As benesses de Aras para agradar a seus colegas custaram ao menos R$ 79 milhões aos cofres do Ministério Público da União, segundo dados do Portal da Transparência.

INCONSISTÊNCIAS – Durante a apuração da reportagem pelo Estadão, o Sistema de Gestão de Pessoal (GPS-Hórus) da Procuradoria-Geral da República modificou as planilhas, que indicavam o recebimento de R$ 545 mil brutos por parte de Robalinho. A justificativa para as mudanças foi a de que havia inconsistências na base disponível anteriormente.

“Os relatórios de remuneração de membros do Ministério Público Federal do mês de dezembro de 2021 estão sendo republicados para corrigir falha que gerou resultado diferente do efetivamente pago aos procuradores da República. O que leva à conclusão equivocada acerca de um acréscimo nos valores recebidos”, destacou nota incluída pela PGR nas planilhas do site até a noite de ontem.

“Reiteramos que não houve falha no pagamento, mas apenas na divulgação dessa informação no Portal da Transparência”, acrescentou a Procuradoria.

SEM COMENTÁRIOS – As alterações trocaram as posições dos mais bem remunerados. O ex-presidente da ANPR, por exemplo, passou de primeiro para segundo lugar. Na dianteira da lista de beneficiados por Aras ficou o procurador Mário Lúcio Avelar (PGR-GO), que ganha em média R$ 33 mil, acumulou R$ 471 mil em rendimentos brutos no mês passado. Procurado pela reportagem, ele não quis comentar.

A Constituição limita o pagamento de salários no funcionalismo ao que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal – R$ 39,3 mil. Em alguns casos, porém, órgãos públicos conseguem driblar a regra ao incluir vantagens recebidas como verbas indenizatórias, que não entram nesse cálculo.

Em 2017, o Conselho Nacional do Ministério Público permitiu que licenças-prêmio – descanso remunerado por até três meses a cada cinco anos trabalhados – fossem convertidas em valores no contracheque, mesmo ultrapassando o teto salarial.

ARAS FAVORECEU – No Ministério Público da União, os pagamentos foram possíveis porque, a poucos dias do recesso no Judiciário, Aras abriu edital permitindo que procuradores solicitassem, de uma só vez, o recebimento em dinheiro de licenças-prêmio acumuladas há anos.

Uma portaria de Aras também determinou o pagamento antecipado das férias deste ano. O resultado das concessões feitas pelo chefe do Ministério Público foi que um grupo de 675 procuradores recebeu cifras acima de R$ 100 mil em dezembro, montante comparável aos bônus pagos por grandes empresas a seus diretores.

No caso de Robalinho, a soma dos valores supera até mesmo a soma do bônus de até R$ 400 mil que cada um dos nove diretores da Petrobras, a segunda maior empresa do Brasil, recebeu em 2020. A cifra destinada ao procurador, que atualmente chefia a Procuradoria Regional da República da 1ª Região, corresponde a R$ 104 mil por férias não gozadas, R$ 34,9 mil de abono pecuniário (pagamento de férias) e outros R$ 210 mil de conversão da licença prêmio em vencimentos na folha de pagamento. Ele recebeu, ainda, R$ 1,8 mil de auxílio alimentação no mês – o que corresponde a R$ 85 por dia útil de dezembro. Com descontos, o valor líquido recebido foi de aproximadamente R$ 401 mil.

FATO INUSITADO – Ao ser questionado pelo Estadão sobre o acúmulo de quase meio milhão em apenas um mês, Robalinho destacou que o pagamento de todas as indenizações a que os procuradores fazem jus, em um único contracheque, nunca havia ocorrido em outros momentos de sua carreira. No fim do ano passado, por exemplo, suas gratificações somaram R$ 18 mil.

“Essa questão das férias foi uma questão pontual, excepcional, porque não foi possível gozar férias por interesse do serviço. Isso é uma coisa raríssima. No meu caso, em 22 anos de Ministério Público, isso só aconteceu agora. É uma situação realmente excepcional. Isso não acontece a torto e a direito. Só que também são pouquíssimos os que têm situações limite de serviço para que isso aconteça”, disse Robalinho.

As decisões de Aras também beneficiaram aliados, como o vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, segundo na hierarquia da PGR, que recebeu R$ 332 mil em dezembro entre remunerações e indenizações. Procurado, ele disse que não participou da elaboração dos atos assinados e atribuiu os valores aos seus 40 anos de funcionalismo público.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É tudo dentro da lei e da ordem, sem ilegalidade, nessa Ilha da Fantasia que Brasília se tornou, devido à generosidade do Supremo quanto ao bem-estar dos magistrados, num corporativismo que chega a ser nauseabundo, pois representa um acinte ao que dispõe nossa Constituição-vacina, aquela que teve artigos que não pegaram, sem obter o menor efeito. (C.N.)

Lula chama Moro de “canalha” e recebe uma resposta irônica do candidato do Podemos

Lula chama Moro de canalha, que reage: "Você será derrotado"Deu no IG

Nesta quarta-feira (dia 19), o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) rebateu as críticas feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o chamou de “canalha”. Nas redes sociais, o ex-juiz afirmou que o petista “será derrotado” nas eleições de 2022, da qual ambos são pré-candidatos à Presidência da República. E ironizou:

“Canalha é quem roubou o povo brasileiro durante anos e quem usou nosso dinheiro pra financiar ditaduras. E quadrilha é o nome do grupo que fez isso, colocado por você, Lula, na Petrobras. Você será derrotado. Só ofende pois não tem como explicar a corrupção no seu Governo”, escreveu Moro no Twitter

LULA SE DIZ VÍTIMA – Em entrevista coletiva a jornalistas no fim da manhã de hoje , Lula disse ter sido vítima de uma farsa montada contra ele, citando o nome do ex-ministro:

“Tive sorte do povo brasileiro me ajudar a provar a farsa que foi montada contra mim. Consegui desmontar o canalha que foi o Moro no julgamento dos meus processos, o Dallagnol, a mentira, ‘o fake news’, o PowerPoint da quadrilha. Tudo isso eu consegui provar que quadrilha eram eles.”

Moro foi responsável pelas condenações do ex-presidente no âmbito da Operação Lava Jato. Em abril do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou todas as condenações de Lula .

PLACAR DE 8 A 3 – No julgamento, o placar foi de 8 a 3, com os votos de Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso para a anulação. Os votos de Kassio Nunes, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux foram pela manutenção das condenações.

A decisão devolveu os direitos políticos de Lula, permitindo que ele seja candidato nas eleições de 2022.

Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, por sete votos a quatro, que o ex-juiz atuou com parcialidade ao julgar Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Vale a pena comentar que, ao anular as condenações de Lula, o relator Edson Fachin inventou uma figura jurídica inexistente no Direito mundial – a “incompetência territorial absoluta” em processo penal. No Brasil e no mundo, essa incompetência é sempre “relativa’ e não anula condenações nem provas; e somente passa a ser “absoluta” em processos imobiliários. O caso de Lula, portanto, foi o primeiro julgamento desse tipo na História do Direito Universal. Mas quem se interessa? (C.N.)

Como os médicos morrem? Geralmente, no final do corredor e com menos sofrimento…

Médico doente

A diferença é que os médicos sabem a melhor forma de morrer

Ana Lucia Coradazzi

Há alguns dias li um artigo emocionante, escrito pelo médico Ken Murray, da University of Southern California. No texto ele conta a história de um amigo, ortopedista, que alguns anos antes recebeu o diagnóstico de um câncer de pâncreas. Apesar de estar nas mãos de um grande cirurgião, especializado nesse tipo de câncer e extremamente capacitado para conduzir o caso, o ortopedista recusou o tratamento.

Foi para sua casa, procurou ficar o máximo de tempo possível com sua família e otimizar sua qualidade de vida através do controle dos sintomas da doença. Alguns meses depois, ele faleceu em casa. Não recebeu quimioterapia, radioterapia ou tratamentos cirúrgicos. Nada.

IDEIA DA MORRER – O fato é que, por incrível que pareça e por mais incômodo que seja, médicos também morrem. E não gostam da ideia de morrer, tanto quanto qualquer outra pessoa. O que é diferente entre os médicos não é a quantos tratamentos eles têm acesso em comparação com os outros pacientes, e sim a quão menos tratamentos eles próprios se submetem.

Médicos tendem a ser mais serenos e realistas quando encaram a possibilidade de morrer. Eles sabem exatamente o que vai acontecer, conhecem suas opções, e geralmente têm acesso a todos os tratamentos disponíveis. Mas partem suavemente, de forma quase que submissa.

É claro que médicos não desejam morrer. Eles querem viver. Mas eles sabem o suficiente sobre a medicina moderna para conhecer seus limites, e compreendem de forma profunda o que as pessoas mais temem: morrer em grande sofrimento e sozinhas. Médicos costumam falar sobre isso com seus familiares.

SEM RESSUSCITAR – Deixam claro que, quando for sua hora, não querem ninguém quebrando suas costelas na tentativa improvável de ressuscitá-los. Muitas vezes, falam sobre isso poucas horas após eles próprios terem feito exatamente isso com seus pacientes (eu mesma já fiz).

A maioria dos médicos já viu (e praticou) demais o que chamam de “futilidade médica”, que acontece quando é usado todo o arsenal mais moderno disponível para uma pessoa gravemente doente, que está claramente no final de sua vida.

Eles já viram pessoas sendo cortadas, perfuradas com tubos e agulhas, colocadas em máquinas barulhentas (e sedadas para suportar a tortura), além da infinidade de remédios correndo em suas veias. E morrendo poucos dias (até horas) depois.

O MESMO PEDIDO – Eu já ouvi de colegas angustiados frases como: “Prometa-me que, se um dia eu estiver nessa situação, você vai me deixar partir. Não deixe que façam isso comigo.” E é assim mesmo.

Mas, então, por que é que eles fazem isso aos seus pacientes? Por que fazem com os outros o que abominam para si mesmos? O grande problema aqui é também a origem de praticamente todos os problemas do mundo: a má comunicação.

Uma família que vê uma pessoa querida em grande sofrimento frequentemente faz pedidos do tipo “Doutor, faça tudo o que puder por ele”. O médico, por sua vez, escuta “Por favor, use todas as estratégias que você conhecer nesse caso”. E o pesadelo começa.

A PERGUNTA CERTA – Na verdade, a tradução do pedido angustiado da família possivelmente era: “Doutor, faça o que puder para aliviar o sofrimento dele. Ele não merece viver dessa maneira.” A abordagem, provavelmente, seria bem outra. A mesma confusão pode acontecer quando o médico pergunta ao seu paciente se ele deseja continuar com o tratamento.

O paciente pode entender que, se disser “não”, será abandonado pelo médico e morrerá exatamente do jeito que o apavora: sofrendo e sozinho. O mesmo paciente poderia responder com um grande e aliviado “sim” se ouvisse uma proposta do tipo:

“A sua doença não está respondendo aos tratamentos que temos tentado, e eles estão deixando você ainda mais debilitado do que o próprio câncer. O que você acha de pararmos de nos preocupar com sua doença e focar nossos esforços para melhorar ao máximo a sua convivência com ela?”.

MUITAS PRESSÕES – O fato é que todos nós, pacientes, médicos e familiares, sofremos as pressões do sofrimento extremo, do tempo, do sistema de saúde, da própria formação médica e das crenças culturais na hora de tomar uma decisão drástica.

Mas somente os médicos sabem o que acontece depois. Eles tendem a não aceitar tratamentos excessivos e com poucas chances de sucesso. Muitos buscam formas de morrer em suas próprias casas, esmerando-se no controle da dor e outros sintomas, buscando significado para suas próprias vidas e oferecendo o melhor de si às pessoas a quem amam.

A própria literatura médica oferece base para esse tipo de decisão. Estudos têm demonstrado que pessoas com câncer hospedadas em hospices ou acompanhadas por serviços de Cuidados Paliativos vivem mais (e melhor) do que aquelas com o mesmo diagnóstico que recebem tratamentos oncológicos até o final da vida.

HORA DE DECIDIR – Cabe a nós, médicos, oferecer aos pacientes a informação que nos é disponível. Cabe a nós permitir que eles compreendam que a morte não é algo a ser evitado a todo custo, e sim um momento da vida, como qualquer outro.

Em muitas situações, a morte simplesmente não pode ser evitada, apenas adiada, e o custo disso pode ser um sofrimento intenso e desnecessário.

O “prolongamento da vida” pode, na verdade, ser apenas o prolongamento do processo de morrer. Muitas vezes, com o paciente em grande sofrimento e sozinho. Um motivo e tanto para que os médicos não queiram passar por isso.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG
O maravilhoso artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas, foi escrito por Ana Lucia Coradazzi, que é médica oncologista clínica. Há alguns anos decidiu complementar a formação através de especialização em Cuidados Paliativos, e desde então sua vida nunca mais foi a mesma. “Aprendi que a morte não precisa ser tão triste, tão amarga. E que todo sofrimento pode ser amenizado através da empatia e do apoio incondicional. O convívio diário com pacientes portadores de câncer é algo tão valioso que, a meu ver, tem que ser compartilhado”, diz ela, nos artigos que escreve no blog nofinaldocorredor.com. (C.N)

Era só que faltava! Advogado de Bolsonaro libera na Justiça a madeira ilegal do caso Salles

Wassef e Bolsonaro

Charge do Duke (O Tempo)

Marcelo Rocha
Folha

Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro (PL), conseguiu na Justiça liberar madeira apreendida de um dos alvos da operação considerada pela Polícia Federal como a maior já realizada na área ambiental.

A pedido de Wassef, o desembargador Ney Bello, do TRF-1 (Tribunal Federal Regional da 1ª Região), concedeu decisão liminar (provisória) em dezembro para restituir material recolhido na ação policial a uma das empresas investigadas.

A Operação Handroanthus GLO ocorreu em dezembro de 2020. A apreensão gerou reclamações por parte de empresários, que acionaram o governo Bolsonaro. Então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles se envolveu no caso sob justificativa de tentar mediar o conflito, mas sua participação virou alvo de uma notícia-crime feita pela PF ao Supremo por suposta tentativa de atrapalhar as apurações em andamento. Essa e outra investigação acabaram causando sua saída do ministério.

LIBEROU GERAL – Salvo a existência de restrições de ordem administrativa ou comercial, os produtos alcançados pela ordem judicial podem ser comercializados pela empresa.Procurado pela Folha, Wassef afirmou que não se manifestaria sobre o assunto em razão do sigilo das investigações.

A empresa agora representada por Wassef é a MDP Transportes. Ela não foi a primeira a se beneficiar de decisões do TRF-1 no âmbito dessa apuração. Em outubro, o mesmo desembargador já havia determinado a devolução de madeiras apreendidas para outras seis empresas sob suspeita. Wassef não está vinculado a elas.

O desembargador Ney Bello é um dos cotados para vaga no STJ (Superior Tribunal de Justiça). A indicação será feita por Bolsonaro, a partir de uma lista tríplice enviada pela corte ao Palácio do Planalto. A lista dos indicados será definida em fevereiro.

UMA MEGAOPERAÇÃO – Deflagrada no final de 2020 contra a exploração ilegal de madeira, a Handroanthus resultou na apreensão de mais de 131 mil m³ em toras na divisa do Pará e do Amazonas, o equivalente a aproximadamente 6.240 caminhões lotados de carga.

O caso abriu uma crise política que culminou com a queda de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente. A ministra Cármen Lúcia, do STF, autorizou a abertura de investigação sobre suposta tentativa do ministro de embaraçar investigações. Em paralelo, ele e integrantes do Ibama foram alvos de buscas por autorização do ministro Alexandre de Moraes em uma outra investigação. Salles pediu demissão em junho.

Em relação à MDP Transportes, a PF afirmou nos autos que levantou indícios de exploração florestal realizada numa propriedade vinculada à empresa incompatível com o volume de guias florestais emitidas pelas autoridades ambientais. E também suspeitas de irregularidades no processo de autorização da atividade extrativa.

SEM FLAGRANTE – A empresa, por sua vez, alegou que, por ocasião da apreensão de seus bens, “inexistia autorização judicial” ou “situação flagrancial” a respaldar a ação dos investigadores, acusados de recolher produtos “injustificadamente” e a “esmo”.

Sustentou a ausência de indícios da prática criminosa, em especial que a polícia não conseguiu demonstrar no inquérito serem as madeiras apreendidas originárias de local distinto de área de manejo devidamente autorizada pelas autoridades ambientais.

Por fim, afirmou que a restrição sobre os bens perdurava há um ano sem que existisse “qualquer decisão judicial chancelando a apreensão realizada pela PF/AM [Superintendência da PF no Amazonas]” e que isso lhe causava prejuízos.

LIMINAR DEFERIDA – Em sua decisão, Ney Bello deferiu o pedido liminar “para determinar a imediata restituição das madeiras/toras que estejam devidamente etiquetadas e legalizadas, oriundas de atividade legalmente exercida”.

Segundo o magistrado, documentos apresentados pela MDP demonstraram que a origem florestal de toras apreendidas “está devidamente comprovada”.

Afirmou também que a apreensão de bens “não pode ser genérica”, cabendo à polícia vincular cada item apreendido aos delitos perpetrados, “de modo a demonstrar a clandestinidade da extração e que o bem especificado seja produto do crime”. De acordo com ele, não havia nos autos informação de que a polícia tenha feito essa identificação.

LEGAIS E ILEGAIS – “É preciso separar as situações fáticas que acarretam repercussão criminal, posto que claramente há, entre o material apreendido, madeiras efetivamente legalizadas e objeto de planos de manejo autorizados e devida certificação ambiental. Não é razoável que madeira legalizada e devidamente classificada seja confundida com madeira oriunda de derrubada clandestina.”

O desembargador determinou que a polícia fizesse essa diferenciação e que devolvesse exclusivamente madeira legalizada, segundo o documento.

Foram também liberados pelo integrante do TRF-1 caminhões, balsas, documentos e outros bens móveis de propriedade da MDP e apreendidos durante a ação da PF.

INVESTIGAÇÕES – Bello frisou que a devolução parcial de madeiras apreendidas não acarretará frustração das investigações e do andamento do inquérito.

Antes de recorrer ao tribunal, a empresa acionou a primeira instância da Justiça Federal no Amazonas para tentar reaver os bens apreendidos. Em setembro, após ouvir o MPF (Ministério Público Federal), a juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária no Amazonas, negou o pedido.

Entendeu, segundo posição defendida pela Procuradoria, que a restrição deveria ser mantida em razão das investigações em curso, “estando vedada a livre disposição ou transferência a terceiros”. A juíza nomeou a empresa MDP como fiel depositária dos bens para que ela pudesse transferi-los dos locais onde foram apreendidos para suas dependências a fim de assegurar a sua conservação.

EM VÁRIOS LOCAIS – As dezenas de milhares de toras apreendidas pela PF em poder das empresas sob investigação estavam dispersas por diversas localidades.

“Ao final das investigações ou da ação penal, o julgador poderá dar ao bem apreendido a destinação que se adequar ao caso, porque a nomeação do impetrante como fiel depositário não tem o condão de interferir no destino final do bem em questão”, afirmou.

A empresa recorreu, então, ao TRF-1 e conseguiu a decisão favorável. A Folha entrou em contato com Ney Bello, mas ele afirmou que não comenta decisões judiciais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sensacional a matéria enviada pelo sempre atento José Antonio Perez. Em tradução simultânea, o desembargador entendeu que, no total apreendido, havia madeiras derrubadas legal e ilegalmente. Como a Polícia Federal não pediu carteira de identidade a cada uma das toras, não se pode saber quais são as legais ou as ilegais. Sua Excelência, magnanimamente, então decidiu que, sem identificação tipo RG, CPF etc., todas as toras sejam declaradas inocentes, igual ao ex-presidente Lula da Silva. Como se vê, o Supremo está fazendo escola, como se dizia outrora. (C.N.)

Cantora tcheca morre após pegar covid-19 propositalmente para obter anticorpos sem vacina

Cantora tcheca morre após pegar covid-19 propositalmente para obter anticorpos

A cantora Hana Horke quis se imunizar sem tomar vacina

Deu no Correio Braziliense

A cantora tcheca Hana Horke, de 57 anos, morreu no último domingo (16/1) após complicações causadas pela covid-19. Hana era vocalista do grupo Asonance, e tornou-se uma voz do negacionismo na República Tcheca.

Contrária a vacinação contra covid-19, ela decidiu se expor propositalmente ao vírus SARS-CoV-2 para conseguir o passaporte da vacinação, necessário na República Tcheca para adentrar locais públicos, como bares e cinemas.

FESTEJOU O CONTÁGIO – Ao receber o diagnóstico, Hana fez uma publicação no Facebook comemorando pela doença.

“Vou divulgar sim! Estou muito feliz. Desta forma poderei ter uma vida livre, como os outros, ir ao teatro, sauna, show. Quero um pouco de mar, urgentemente. A vida está aqui para mim e para ti também”, escreveu na rede social no dia 14 de janeiro, quando achava ter vencido a doença.

No dia seguinte, ela saiu para caminhar, sentiu muitas dores nas costas e morreu por sufocamento, deitada na própria cama.

SALVOS PELA VACINA – O filho da cantora, Jan Rek, deu uma entrevista à rádio iRozhlas, da República Tcheca, e confirmou a história e disse que a mãe era antivacina. Ele e o pai estavam imunizados, contraíram a doença na mesma época da mãe, mas não apresentaram sintomas graves.

“Ela preferiu viver normalmente e pegar a doença para não ter que se vacinar. É triste que ela preferiu acreditar em estranhos invés da própria família”, disse.

Os “estranhos” que Jan diz, são movimentos membros de movimentos antivacina. Ela destacou dois deles, o ator Jaroslav Dusek e a bióloga Soya Peková, influentes em campanhas antivax no país da Europa Central. Pelas redes sociais, Hana compartilhava vídeos e postagens dos dois.

DESINFORMAÇÃO – “Minha mãe não foi apenas alvo de desinformação. Ela acreditava em opiniões sobre a imunidade natural e anticorpos que criaria quando pegasse a doença”, contou o filho.

Assim como grande parte da Europa, a República Tcheca viu os casos de covid-19 explodirem no começo do ano, a partir da disseminação da variante ômicron.

Até o momento, 2,6 milhões de pessoas já pegaram a doença e 36,9 mil acabaram mortas. A população total da República Tcheca é de 10,7 milhões de habitantes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A ciência pode nos salvar, enquanto a ignorância pode nos matar. Esta é a importante lição que fica após a morte da bela cantora. (C.N.)

Guilherme Boulos, do PSOL, e alas do PT intensificam críticas à chapa com Alckmin

Boulos alfineta Bolsonaro: 'O sonho dele é transformar a PF numa Gestapo' - Politica - Estado de Minas

“A aliança com Alckmin é um sinal muito ruim”, diz Boulos

Gustavo Schmitt
O Globo

Setores da esquerda têm intensificado as críticas a uma possível chapa entre o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato a retornar ao Palácio do Planalto. Adversários históricos das gestões tucanas de Alckmin no governo de São Paulo, setores do PT no estado e o ex-presidenciável Guilherme Boulos (PSOL), que é próximo de Lula, estão em campanha contra a aliança.

As conversas começaram no ano passado, com troca de elogios públicos entre os dois e ganharam força com a saída de Alckmin do PSDB e um jantar, em dezembro, em que ele e Lula posaram para fotos. O ex-tucano tem convite para ir para o PSB, que negocia apoio a Lula, mas as conversas sobre a filiação estagnaram nas últimas semanas.

VOLTA AO PASSADO – Os principais pontos de tensão com a esquerda são medidas tomadas pelo governo paulista durante o comando de Alckmin, como uma reintegração de posse ocorrida há dez anos em São José dos Campos (SP) e que terminou com dezenas de sem-teto feridos e presos.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) marcou um ato para lembrar o episódio na ocupação Nova Canudos, na Zona Norte de São Paulo, nesta sexta-feira. Líder do MTST, Boulos, que é pré-candidato a governador, escreveu ontem nas redes sociais que jamais serão esquecidas o que chamou de “cicatrizes do governo Alckmin”. Ele foi um dos detidos na operação policial no bairro Pinheirinho.

“Lula, sim; Alckmin, não”, disse Boulos em postagem no Twitter em que faz referência a um artigo seu no jornal “Folha de S.Paulo” com críticas à aliança entre o petista e o ex-governador. A seu ver, a aliança é “um sinal muito ruim”

ABAIXO-ASSINADO – No PT paulista, um abaixo-assinado virtual contra a união reunia 1.285 adesões até o início da noite de ontem. No texto, Alckmin é descrito como um político com “longa trajetória de combate às posições nacionais, democráticas, populares e desenvolvimentistas” e é criticado por ter apoiado o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Na direção do partido, no entanto, grupos que são frontalmente contra a chapa são tidos como minoritários e sem força para barrar a eventual aliança.

Antes de estar em condições de se colocar como vice, o ex-governador precisa se filiar a um partido. Desde que foi convidado pelo PSB, em 13 de dezembro, Alckmin não deu uma resposta à sigla. Além disso, no período, se reuniu com outra legenda que também lhe ofereceu espaço, o Solidariedade. Como mostrou ontem o colunista Lauro Jardim, a postura do governador é vista como a de alguém que dá sinais trocados ao PSB.

FALCÃO É CONTRA – O deputado federal Rui Falcão (SP) é outro que tem trabalhado para expor divergências com o ex-governador, lembrando passagens de suas gestões como a tentativa de fechamento de escolas estaduais e as políticas de privatizações de estatais de saneamento e do setor de energia. No final de dezembro, ele chegou a dizer que o embarque de Alckmin na campanha de Lula poderia “esfriar” a militância.

Outros petistas buscam contemporizar as críticas e defendem o acordo. O deputado federal José Guimarães (CE) diz que o partido deve se concentrar em derrotar Bolsonaro: “Não dá para fazer política olhando para o retrovisor. Prefiro que o Lula lidere um amplo programa de reconstrução nacional e construa uma ampla aliança”.

O presidente estadual do PT paulista, Luiz Marinho adota um meio-termo: diz que os debates sobre os problemas deixados pela gestão do ex-governador precisam ser colocados, mas que a aliança com Alckmin pode ser cogitada mais para frente, desde que não haja alternativas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como cantava o Zé da Zilda, que fazia dupla com a própria mulher, as águas vão rolar e até a candidatura supostamente hegemônica de Lula da Silva já está fazendo água, sabendo-se que garrafa cheia ele não pode ver sobrar… (C.N.)

Jornalista é agredido a socos, entra no ar ensanguentado e denuncia ter sofrido “um atentado”

Jornalista Daniel Carniel entra no ar após ser agredido a socos em Garibaldi Foto: Reprodução

Daniel Carniel entra no ar após ser agredido em Garibaldi

Deu em O Globo

O jornalista Daniel Carniel, apresentador de um programa na Adesso TV, foi agredido com socos e chutes na tarde da última sexta-feira quando chegava para trabalhar na emissora, situada na cidade de Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Mesmo ensanguentado, o âncora entrou no ar para denunciar a agressão definida por ele como um “atentado”.

— Estou começando o programa de uma maneira diferenciada, ainda não me limpei. Há poucos minutos sofri um atentado — disse Carniel assim que a transmissão foi iniciada. O jornalista estava com o nariz e a boca cobertos de sangue.

NA PORTA DA TV – Carniel descreveu as agressões. De acordo com ele, um homem esperou sua chegada e começou as agressões assim que confirmou a identidade do jornalista.

— O rapaz estava de tocaia, perguntou quem era o Daniel Carniel. Quando falei que era eu, ele começou a me agredir fisicamente, me jogou para dentro do hall de entrada do prédio onde funciona a TV, começou a me chutar e dizia o seguinte: ‘Isso é pelas denúncias que você está fazendo na TV’ — afirmou o apresentador.

A vítima ainda tentou se defender. Carniel contou que caiu com o soco e, em seguida, o agressor passou a dar chutes. Sem conseguir levantar, ele procurou apenas proteger a cabeça.

FOI “AVISADO” – Carniel também disse que já tinha sido “avisado” para cuidar da própria segurança. E reafirmou que o ataque foi motivado por sua atuação como jornalista.

A Brigada Militar esteve na emissora logo após as agressões. E segundo a Rádio Gaúcha, a Delegacia de Polícia de Garibaldi abriu um inquérito para investigar a autoria, as circunstâncias e a motivação do crime.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou o ataque. “A Abraji denuncia e repudia essa agressão e cobra uma investigação rápida da polícia para que os agressores sejam punidos. É mais um ataque à liberdade de imprensa, numa escalada da violência física e moral contra os jornalistas brasileiros. Casos como o de Garibaldi não podem ficar impunes sob pena de incentivar esses tipos de agressão”, diz o texto da Abraji.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto nos leva a impunidade reinante no país. (C.N.)

Presidente do PSD, Gilberto Kassab é internado com Covid, mas seu estado não é grave

PSD, novo partido de Kassab

Kassab está buscando um candidato ao governo paulista

Carlos Estênio Brasilino

Gilberto Kassab, presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), foi diagnosticado com Covid-19 e deu entrada, nesta terça-feira (18/1), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, logo após o surgimento dos primeiros sintomas.

“Lá foi avaliado e [Kassab] passou o dia em observação, num quarto, para aguardar o resultado do exame e acompanhar a evolução dos sintomas”, informou a assessoria do ex-prefeito de São Paulo.

“O resultado saiu durante a noite. Kassab iniciou o tratamento, está bem disposto e cumprirá isolamento ao longo dos próximos dias no hospital”, completa o comunicado. Kassab já concluiu o ciclo vacinal com as duas doses e o reforço da vacina contra o novo coronavírus.

NOVO CANDIDATO – Nos últimos dias, Gilberto Kassab vinha buscando um novo candidato do PSD ao governo de São Paulo, dentro do plano que o presidente do partido traçou para eleger uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados em 2022.

Kassab mirou em três prefeitos do PSDB que apoiaram Eduardo Leite nas prévias tucanas e que poderiam encabeçar o projeto no PSD. São expoentes da ala política que ficou órfã com a aproximação de Geraldo Alckmin e Lula e que está sem um projeto nacional definido para o momento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na verdade, Kassab está numa encruzilhada, devido à indefinição de Alckmin, que o presidente do PSD pretendia levar a uma nova candidatura ao governo paulista, deixando a vaga de vice de Lula para ele, Kassab. A coisa está complicada. (C.N.)

Jair Bolsonaro muda de tom para impedir a vitória de Lula no primeiro turno

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro mudou o tom de sua campanha eleitoral e passou a desfechar ataques contra o ex-presidente Lula estendendo-os aos ministros do Supremo Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, e tendo como alvo também o Movimento Sem Terra.

Da Folha de S. Paulo, reportagens de Ricardo Della Colleta e de Matheus Vargas focalizam a nova postura, e no O Globo escrevem Daniel Gullino, Jussara Soares e Dimitrius Dantas. Bolsonaro dirige sempre os seus pronunciamentos também aos grupos conservadores e liberais da economia tentando sustentar que Lula representa uma ameaça à estabilidade do país e dos grupos conservadores que apoiam o seu governo.

RADICALIZAÇÃO – O presidente Jair Bolsonaro, como se constata, partiu para radicalizar o confronto eleitoral afastando-se de sua posição até então adotada certamente em decorrência do fato de sua assessoria, analisando as pesquisas do Datafolha e do Ipec, ter concluído que a terceira via na medida em que fosse capaz de assegurar o segundo turno deixaria Bolsonaro e Lula para um confronto final. A terceira via principalmente agora com a nova ofensiva de Bolsonaro ficou ainda mais distante do que se encontrava, na minha opinião.

Dentro da radicalização, Bolsonaro atacou também os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso por suas posições contrárias  às manifestações nas redes da internet, uma vez que está patente que a fábrica das fake news localiza-se no Palácio do Planalto.

Bolsonaro classificou o posicionamento de Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso como contrários à liberdade de expressão. E também citou o exemplo da prisão determinada por Moraes ao deputado Daniel Silveira pelos ataques que este dirigiu a ministros da Corte Suprema.

MONETIZAÇÃO – Dentro da ofensiva que passou a adotar, Bolsonaro condenou também as decisões dos dois ministros contra o que chamou de monetização das mensagens nas redes sociais, incluindo o Facebook, Twitter,  Instagram e Whatsapp.

Os ministros do Supremo condenaram a atividade profissional na internet, mas ao que se refere às fake news, não incluindo trabalhos profissionais de divulgação dentro da lei. Esse panorama representa o início de uma nova etapa da campanha pela Presidência da República.

O pronunciamento do general Paulo Sérgio Nogueira sobre a vacinação contrariou o presidente na medida em que Bolsonaro deve ter identificado o alvo da mensagem , destacando a necessidade da vacina, mas transmitindo um outro recado, este de defesa da democracia e do resultado das urnas de outubro.

ATAQUES A LULA – A reportagem de O Globo focaliza também ataques de Jair Bolsonaro numa entrevista à uma emissora de rádio do Espírito Santo na tarde de segunda-feira dirigidos ao ex-presidente Lula pela prática de corrupção na Petrobras.

O posicionamento do chefe do Executivo, a meu ver, elimina totalmente qualquer hipótese de surgimento de um terceiro candidato, como escreveu Eliane Cantanhêde no Estado de S. Paulo de ontem, para se opor à atual polarização entre o presidente da República e o ex-presidente nas urnas de outubro. Ela admite a hipótese, mas creio que o seu artigo foi escrito na terça-feira e publicado na quarta, dia também em que O Globo e a Folha de S.Paulo deram destaque às declarações de Jair Bolsonaro.

OFENSIVA – Bolsonaro deve continuar na ofensiva, uma vez que sentiu finalmente o peso das pesquisas do Datafolha e do Ipec, talvez até informado por novos levantamentos  que se encontram em preparação pelos dois institutos.

A radicalização de Bolsonaro visando direta e singularmente Lula da Silva não deixa campo para qualquer avanço das candidaturas de Sergio Moro, Ciro Gomes e João Dória. Inclusive porque em outubro serão realizadas eleições também para a Câmara Federal, Senado e Assembleias Legislativas, além de para os governos estaduais.

OPÇÕES – Diante do quadro atual que não deverá sofrer alteração até a semana das urnas, dificilmente candidatos a governador poderão partir para as suas campanhas ao lado de Sergio Moro, Ciro Gomes e João Doria. Terão que optar ou por Lula da Silva ou por Jair Bolsonaro no caso de o presidente da República interromper a queda que está se verificando entre o seu eleitorado.

O problema da vacina infantil acrescenta mais um fator de desgaste, sobretudo porque os casos de contaminação pela ômicron têm atingido percentuais muito altos. Assim o caminho das urnas também passa pelas vacinas.