Campanha de Lula reedita “nós contra eles” e evita o campo minado da segurança

Carro-chefe da camapnha terá o mote do combate aos privilégios

Vera Rosa
Guilherme Caetano
Estadão

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao quarto mandato terá como carro-chefe o mote do combate aos privilégios em nova versão do “nós contra eles”. Embora pesquisas indiquem que a maior preocupação dos eleitores está na segurança pública, trata-se de um campo minado para o governo.

Os adversários de Lula, porém, farão tudo para jogá-lo nesse terreno. Certos de que a estratégia da oposição será por aí, ministros já preparam argumentos para enfrentar o debate da segurança e dirigentes do PT levantam problemas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta seara.

BOLHA BOLSONARISTA – Flávio é o nome anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela trama golpista e hoje preso, para disputar a eleição ao Palácio do Planalto. A cúpula do Centrão, no entanto, avalia que a candidatura de Flávio não vai além da bolha bolsonarista e alimenta a esperança de que Tarcísio possa assumir esse lugar.

A saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, esquentou as discussões a respeito da criação de um ministério exclusivo para a segurança pública. Com ou sem essa pasta, porém, o fato é que o governo vem perdendo para a direita a batalha da comunicação sobre o combate à criminalidade. Além disso, a PEC da Segurança enviada na gestão Lewandowski está empacada no Congresso e o projeto de lei antifacção foi desfigurado.

O pacote “povo x privilégios” que Lula pretende vender na campanha, por sua vez, é visto no Planalto como um tema com potencial de atrair trabalhadores que flertam com o bolsonarismo. A lista inclui propostas como mudanças na jornada de trabalho de seis dias com apenas um de folga, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e taxação dos super-ricos.

RESISTÊNCIA  – O problema é que, enquanto três propostas sobre o fim da escala 6×1 tramitam no Congresso, há muita resistência do setor empresarial para a aprovação de um projeto assim, e isso se reflete tanto na Câmara como no Senado.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta construir um acordo para a votação. “Melhorar a vida de quem trabalha, com o fim da escala 6×1, é a próxima meta do governo do presidente Lula, que reduziu o desemprego ao menor índice da história, aumentou o salário e a renda das famílias e isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil”, disse Gleisi à Coluna.

PARECER – O governo não gostou do parecer do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O relatório de Gastão desagradou ao Planalto porque, apesar de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantém a escala de seis dias de trabalho com um de folga.

Articuladora política do Planalto com o Congresso, Gleisi corre contra o tempo nas negociações. Além de “tourear” a oposição ao projeto, a ministra precisa andar rápido porque deixará o governo até o início de abril para se candidatar a novo mandato como deputada federal pelo Paraná. Até agora, no entanto, Lula não escolheu quem irá substituí-la.

3 thoughts on “Campanha de Lula reedita “nós contra eles” e evita o campo minado da segurança

  1. And I’ll say it again:

    Fácil para ele ganhar: distribui comida e dinheiro para os vagabundos mortos de fome e, assim, qualquer eleição estará garantida.

    População – não é povo – sem brio é como rato: procriam, furtam e roubam.

  2. Abrólhos!
    Quem disse que nossa opinião tem alguma valia=valor=peso, diante de quem satanicamente domina “TEMPORARIAMENTE” e por permissão divina, esse petardo celeste?
    Esses miseráveis tem um propósito(agenda) e um tempo para exercer esse dominio e entäo até que sejam divinamente(mäos não humanas) sustados(impedidos de continuar=permanecer=reduzidos
    à nada), estão e estarão liberados também divinamente e te tornas um rebelde a esse vaticinio, achando que podes impedir quem foi designado para cumprir esse infeliz designio.
    O que te resta, senão alertando seus incautos partícipes, permanecer quilometricamente distante dessas tidas e havidas “abismais e missionárias” babilonias político/religiosas?!

  3. O Creso* de Garanhuns acostumado a degustar (quando era pobre, comia, enchia o bucho) as mais finas iguarias, a se hospedar nos mais caros restaurantes do mundo, acha que por direito divino vai ganhar de lavada pois está ajudando Deus a cuidar dos pobres.

    * Creso (ou Croesus) foi o último rei da Lídia (atual Turquia), no século VI a.C., lendário por sua riqueza incomensurável, vinda das ricas minas de ouro e prata de seu reino, e por introduzir as primeiras moedas metálicas, tornando-se um símbolo de fortuna e prosperidade, com a expressão “rico como Creso” sendo usada até hoje para descrever alguém fabulosamente rico. Sua fama e a riqueza de sua capital, Sardes, eram tão grandes que ele se tornou uma figura central nas histórias e lendas gregas, incluindo seu encontro com o sábio Sólon.

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