Jornal Nacional arrebentou com Dias Toffoli, mas Fachin saiu na defesa dele

Tribuna da Internet | Com a evolução digital, a imprensa tem missão cada vez mais importante

Charge do Bier (Arquivo Google)

Carlos Newton

O jornalista Helio Fernandes costumava criticar a “imprensa amestrada” e sua ironia era procedente, porque o jornalismo estava dominado  pelos donos dos órgãos de comunicação, que vigiavam e controlavam pessoalmente as redações. Assim, somente eram publicadas as notícias que fossem do interesse deles.

Assis Chateaubriand era o Cidadão Kane brasileiro, comandava a linha editorial de seu império e escrevia os artigos de opinião. Outros empresários da comunicação usavam a mesma estratégia, como Octavio Frias, Júlio de Mesquita, Carlos Lacerda, Samuel Wagner etc.

EDITORIALISTAS – Com a modernização dos jornais e revistas, os  grandes empresários passaram a cuidar apenas dos negócios e contrataram experientes jornalistas para escrever os editoriais, a exemplo de Roberto Marinho, Paulo Bittencourt, Nascimento Brito, Roberto Civita, Adolfo Bloch e todos os demais.

Surgiram assim os editorialistas, que eram contratados para defender as teses do interesse dos empresários, que continuam controlando as redações, dando origem à tal imprensa amestrada, que os verdadeiros jornalistas tanto desprezavam.

De repente, aconteceu a informatização, com a internet, a notícia em tempo real, e os empresários foram perdendo o controle da redações, apesar de continuar entregando as chefias a jornalistas submissos e servis, para fazer o trabalho sujo.

COISA DO PASSADO – O controle direto e absoluto acabou, é coisa do passado. Os donos de veículos de comunicação não são jornalistas e nem chegam perto das redações. Mandam instruções através de seus títeres, fazem ameaças, mas não há como vigiar tudo, as notícias acabam vazando, os jornalistas de maior prestígio ganham cada vez mais independência, a imprensa livre tornou-se uma realidade irrefreável nesta nova era da notícia em tempo real.

Assim, não existe mais imprensa amestrada. Os verdadeiros jornalistas não aceitam tutela e no final acabam sempre defendendo o interesse público.

Essa realidade está sendo comprovada no caso do Banco Master. A sujeirada começou a ser denunciada discretamente em O Globo e logo se alastrou pela imprensa inteira, sem que os empresários pudessem segurar as notícias.

FARTA PODRIDÃO – Ao mesmo tempo, descobriu-se o supercontrato da mulher de Alexandre de Moraes e as pressões que o próprio ministro fez ao Banco Central, em favor do Banco Master.

Agora veio a tona o escândalo do resort-cassino de Dias Toffoli, que emporcalhou ainda mais o Supremo, além das notícias da Tribuna da Internet, denunciando a atuação ilegal de Alexandre de Moraes, que se apresentou como falso relator e irregularmente julgou sozinho dois recursos da defesa de Jair Bolsonaro.

Assim, a imprensa demonstra a importância que terá neste século, quando se registra o maior desenvolvimento tecnológico de todos os tempos, mas precisa ser acompanhado de uma evolução política, ambiental e socioeconômica, para que possamos viver num mundo mais justo.

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P.S. –
Este artigo já estava escrito, quando assisti ao Jornal Nacional na noite desta quarta-feira, um programa que vem me surpreendendo, porque agora está sendo comandado por um jornalista de verdade. Ao contrário de William Bonner, que durante 29 anos conduziu o programa para ser assistido por “telespectadores do tipo Homer Simpson”, o jornalista e apresentador César Tralli mudou o JN e agora dá destaque à política. Nesta quinta-feira, o repórter Júlio Mosquera deixou Dias Toffoli com as calças na mão
no caso do resort, digamos assim, dando sequência a uma demolidora matéria publicada pelo Estadão. O mais importante, porém, foi a conclusão da matéria, com o presidente do STF, Edson Fachin, defendendo ridiculamente Toffoli e ameaçando quem critica o Supremo. Era só o que faltava… Fachin está tomando o caminho errado e pode cair do cavalo,  junto com o colega. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.) 

One thought on “Jornal Nacional arrebentou com Dias Toffoli, mas Fachin saiu na defesa dele

  1. estava lendo com o carinho habitual tua bela análise. merecedora de ser lida por estudantes de jornalismo que queiram saber verdades dos bastidores da tal mídia. mas dscordo dos elogios ao Cesar Tralha. Não é, nunca foi, jamais será, mis qualificado do que Bonner. Sabemos, principalmente nós dois, macacos velhos do ramo. Por ora, os ventos indicam que a bola da vez é Toffoli. O JN não tem a mesma coragem e isenção, para falar da mulher do Xandão muito menos abrir a boca contra o ministro Moraes.

    Nosso saudoso Hélio Fernandes costumava lembrar que doitor Roberto Marinho quando tina problemas de coração, procurava o banqueiro e não o cardiologista. Vamos ver até quando veremos onde vai a isençao e coragem do Jornal Nacional. Concordo com você, Julio Mosquera é craque, como tambem é Cláudia Bomtempo, autora de excelentes lances da novela Master-BC-Toffoly que parece durar muito. Mais: o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do senado, senador Renan Calheiros já declarou que o senado em geral, e a CAE, em particular, não ficarão omissos nas questões cabeludas do Master.

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