Reflexões de Páscoa! O ideal é que os casais permaneçam eternos namorados…

desenho animado estilo fofa abraçando casal personagem com espumante  estrelas ilustração, uma encantador desenho animado ilustração do uma fofa  casal abraçando cada de outros firmemente, expressando amor e felicidade.  74649285 Vetor noVicente Limongi Netto 

Namorar é viver encantado e feliz. São os laços da ternura com o belo. São gestos suaves anunciando o amor. É o sorriso permanente.  É a tolerância oferecendo flores para o amanhecer. É a energia sublime dividindo emoções com a pessoa amada.

Namorar também é dividir anseios e dúvidas. É o abraço apertado que espanta apreensões da alma. É o cotidiano ameno, carinhoso e solidário. É o beijo amoroso de serenidade e respeito.  O namoro preserva no caminhar da vida, a paciência e a união duradoura. 

Agradeço ao sol pelas raízes no céu. Ao mar pela procura dos amados. As estrelas, pela energia aos namorados. Ao homem pela decisão de cuidar dos feridos. Agradeço as crianças por sonharem por mais emoção e ternura. Agradeço aos idosos pelas sementes da honestidade. Agradeço as flores, pelo sentimento do prazer.

Feliz Páscoa a todos.

A renegociação das dívidas do cartão expõe o impasse estrutural do crédito no Brasil

Juros do rotativo ultrapassaram 400% ao ano

Pedro do Coutto

O avanço das negociações entre governo e bancos para reestruturar dívidas de cartão de crédito é, antes de tudo, um reconhecimento tardio de uma distorção que há anos penaliza o cidadão comum. Em um país onde os juros do rotativo ultrapassaram a casa dos 400% ao ano — chegando a cerca de 438% em 2025 — a dívida deixa de ser um instrumento financeiro e passa a operar como mecanismo de aprisionamento econômico. Não por acaso, a inadimplência atingiu níveis recordes, refletindo não apenas descontrole individual, mas um modelo de crédito estruturalmente disfuncional.

Nesse contexto, a possibilidade de renegociação com descontos expressivos — que podem chegar a 50% em alguns casos — surge como uma válvula de escape necessária. A experiência recente do programa de renegociação do governo federal, que movimentou dezenas de bilhões de reais e beneficiou milhões de brasileiros, mostra que há espaço para acordos mais equilibrados entre credores e devedores.

REINSERÇÃO  – Mais do que limpar nomes, essas iniciativas buscam reinserir o consumidor no circuito econômico formal, restaurando sua capacidade de consumo e, por consequência, estimulando a atividade econômica. Mas o ponto central vai além da renegociação em si.

O problema não é apenas o estoque da dívida — é o seu custo. O próprio governo tem sinalizado que políticas de alívio perdem eficácia se não vierem acompanhadas de mudanças estruturais nas taxas cobradas. Medidas recentes, como a criação de tetos para o crescimento da dívida do cartão e maior transparência nas faturas, caminham nessa direção, ao limitar o efeito exponencial dos juros e impor algum grau de racionalidade ao sistema.

Ainda assim, há um delicado equilíbrio político e econômico em jogo. O Banco Central resiste a intervenções mais duras, como o controle direto das taxas, sob o argumento de que isso pode restringir o crédito e excluir justamente os mais vulneráveis. Trata-se de um debate clássico: até que ponto o Estado deve intervir em um mercado que, embora formalmente livre, produz resultados socialmente insustentáveis?

EXTENSÃO DA RENDA – O fato é que o cartão de crédito, que deveria funcionar como instrumento de conveniência, transformou-se em extensão precária da renda de milhões de brasileiros. Com o custo de vida pressionando orçamentos e o crédito fácil ampliando limites, muitas famílias passaram a usar o cartão como complemento salarial — um comportamento que, sob juros abusivos, inevitavelmente desemboca no endividamento crônico.

A renegociação em curso, portanto, é menos uma solução definitiva e mais um ajuste emergencial. Ela corrige distorções acumuladas, mas não elimina suas causas. Sem uma reconfiguração mais profunda do mercado de crédito — que envolva concorrência, educação financeira e, sobretudo, redução consistente das taxas — o país corre o risco de institucionalizar ciclos periódicos de perdão parcial de dívidas, seguidos por novas ondas de inadimplência. No curto prazo, negociar é necessário. No longo, é insuficiente. O verdadeiro desafio não está em aliviar o passado, mas em impedir que ele se repita.

PF torna-se suspeita, por se recusar a exibir imagens da morte de “Sicário”

Notícias sobre charge | VEJA

Charge do JCaesar (Revista Veja)

Carlos Newton

Na vida moderna, com a tecnologia avançando em incrível velocidade, a transparência passou a ser uma exigência inafastável. Sempre que há sigilo sobre essa ou aquela situação, é um sinal evidente de que alguma coisa está errada e não pode vir a furo.

É o caso do inquérito aberto sobre fake news há quase sete anos, destinado a sepultar informações sobre sonegação de impostos pelas mulheres de Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ambas advogadas de renome e hoje separadas dos respectivos maridos.

FIM DO MUNDO – O fato concreto é que o inquérito do fim do mundo se multiplicou como criação de coelhos, abrigando apurações de toda sorte, que não acabam nunca, sendo apelidado pelo ministro Marco Aurélio Mello de “Inquérito do Fim do Mundo”.

É uma Piada do Ano que se sustenta indefinidamente, porque os inquéritos são previstos para durar 30 dias e não podem ser prorrogados através dos tempos.

Quando não há transparência e o sigilo é decretado, como vem ocorrendo habitualmente no Supremo e no Executivo, há um resultado sempre ruinoso, porque surgem suspeitas e especulações de todo tipo.

SIGILO INDEVIDO – É justamente o caso do suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Não existe sigilo oficial, mas os dados sobre a estranhíssima morte do criminoso estão guardados a sete chaves pela PF, exatamente como ocorreu com a gravação das 80 câmeras do Ministério da Justiça no quebra-quebra do 8 de Janeiro, quando não havia sigilo, mas o então ministro Flávio Dino alegou não poder exibir, porque teriam sido “apagadas”.

Naquela ocasião, Dino não teve medo do ridículo e caprichou na criação dessa fake news, porque hoje as imagens são gravadas em computador e não precisam se apagadas, como ocorria antigamente quando as gravações eram feitas em fitas reaproveitáveis.

CHEGA DE SIGILO – Agora o Congresso cansou de esperar e está exigindo as imagens da morte de Sicário, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo, afirmou terem sido feitas “sem pontos cegos”, ou seja, a câmera esteve focalizada no preso o tempo todo, até a chegada do socorro, e o tal suicídio foi inteiramente filmado.

Em 5 de março, a CPMI do INSS oficiou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitando as imagens. O tempo passou e a comissão foi extinta sem haver atendimento.

No último dia 24, o senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado solicitando o envio de imagens e documentos sobre a morte do “Sicário”. No mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública da Câmara também aprovou requerimentos sobre averiguação das circunstâncias da morte do capanga de Daniel Vorcaro, mas é tudo em vão, a Polícia Federal está sentada em cima.

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P.S.
Esse comportamento estranho e anômalo da PF compromete o diretor-geral Andrei Rodrigues, que até agora vinha atuando com destemor, tendo exigido ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, e foi atendido. Estranha-se agora que Andrei Rodrigues aceite manchar sua biografia, ao ocultar as circunstâncias da morte de “Sicário”, que era o “Homem que Sabia Demais”, como diria Alfred Hitchcock. Realmente, tratava-se de um arquivo ambulante e se tornou um arquivo morto, logo que foi preso. Vamos aguardar e ficar em cima. (C.N.)

O realismo fantástico de Castro Alves, num poeta sinistro, romântico e apaixonante

Castro Alves...Paulo Peres
Poemas & Canções

 O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”, no poema “A Canoa Fantástica” demonstra toda a sua criatividade poética, numa visão ensandecida sobre o destino da canoa e o que ela conduz.

A CANOA FANTÁSTICA
Castro Alves

Pelas sombras temerosas
Onde vai esta canoa?
Vai tripulada ou perdida?
Vai ao certo ou vai à toa?
Semelha um tronco gigante
De palmeira, que s’escoa…

No dorso da correnteza,
Como boia esta canoa!…
Mas não branqueja-lhe a vela!
N’água o remo não ressoa!
Serão fantasmas que descem
Na solitária canoa?

Que vulto é este sombrio
Gelado, imóvel, na proa?
Dir-se-ia o gênio das sombras
Do inferno sobre a canoa!…
Foi visão? Pobre criança!
À luz, que dos astros coa.

É teu, Maria, o cadáver,
Que desce nesta canoa?
Caída, pálida, branca!…
Não há quem dela se doa?!…
Vão-lhe os cabelos a rastos
Pela esteira da canoa!…

E as flores róseas dos golfos,
— Pobres flores da lagoa,
Enrolam-se em seus cabelos
E vão seguindo a canoa!…

Lula entre a crise dos combustíveis, a busca de votos e o exercício do poder

Governo tenta segurar preços para conter desgaste

Pedro do Coutto

Em ano eleitoral, a política brasileira abandona qualquer tentativa de disfarce técnico e assume sua natureza mais direta: governar também é disputar. É nesse contexto que o governo de Lula da Silva se move com intensidade, articulando medidas para conter a inflação dos combustíveis ao mesmo tempo em que reorganiza sua base política e consolida sua estratégia de reeleição.

A preocupação central está no impacto do diesel, do gás de cozinha e do querosene de aviação sobre o custo de vida e sobre a engrenagem econômica do país, especialmente porque o diesel sustenta o transporte de alimentos, a logística e a circulação urbana. Em um país que, na prática, “se move a diesel”, qualquer alta no preço rapidamente chega ao bolso do consumidor — e, consequentemente, ao humor do eleitor.

CONTENÇÃO – Diante disso, o governo aposta em uma combinação de subsídios e ajustes tributários para evitar oscilações bruscas. Trata-se de uma escolha política clara: segurar preços para conter desgaste. Estados são chamados a participar dessa equação, já que parte relevante da carga tributária sobre combustíveis está sob sua responsabilidade, o que exige coordenação e negociação. No fundo, o que está em jogo é mais do que economia — é percepção. Inflação alta corrói apoio, enquanto estabilidade de preços pode preservar capital político em um momento decisivo.

Essa movimentação revela o uso estratégico dos instrumentos de governo. A chamada “caneta” presidencial continua sendo uma ferramenta poderosa, capaz de alterar políticas, reduzir impostos e direcionar incentivos. Não há ingenuidade nesse processo. Em Brasília, decisões econômicas e cálculos eleitorais caminham juntos, e a ofensiva sobre os combustíveis mostra um Executivo disposto a agir para evitar turbulências que possam comprometer seu projeto político.

VICE – No campo eleitoral, a confirmação de Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula reforça a busca por estabilidade. Ao manter Alckmin, o presidente sinaliza continuidade e evita riscos desnecessários.

O vice, que deve deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para cumprir a legislação eleitoral, representa uma ponte com setores moderados e empresariais, ampliando o alcance político da chapa. A decisão encerra especulações sobre mudanças e indica que, diante de um cenário sensível, o governo prefere apostar no equilíbrio a promover rupturas.

Ao mesmo tempo, Lula intensifica um movimento estratégico menos visível, mas crucial: a construção de maioria no Senado. A lógica é conhecida no núcleo do poder. Sem uma base sólida na Casa, o governo fica vulnerável em temas centrais, como indicações ao Judiciário e votações de alto impacto institucional.

ALIANÇAS – Por isso, o presidente admite a necessidade de ampliar alianças e dividir espaços, reconhecendo que o PT não pode concentrar todas as posições. Compartilhar poder, nesse caso, não é concessão ideológica, mas uma exigência prática da governabilidade.

Enquanto o Executivo se articula, o Judiciário também se movimenta. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, defende a criação de um código de ética mais claro para a magistratura, em resposta a pressões e questionamentos recentes. A proposta busca reforçar mecanismos internos de controle e preservar a credibilidade da Corte em um ambiente cada vez mais tensionado, onde temas como desinformação e fake news colocam o tribunal no centro do debate político.

O cenário, portanto, é de múltiplas frentes em movimento. O governo atua para conter a inflação e proteger o consumo, reorganiza alianças para garantir sustentação política e acompanha, com atenção, o comportamento das instituições. Tudo isso ocorre sob a sombra do calendário eleitoral, que amplifica o peso de cada decisão. No fim, o que se vê é uma engrenagem complexa em funcionamento, onde economia e política se entrelaçam de forma inseparável. Em Brasília, especialmente em tempos de eleição, governar nunca é apenas administrar — é, acima de tudo, calcular.

Ao confirmar Alckmin como vice, Lula está contribuindo para extinção do PT

Charge do Zé Dassilva: Lula e Alckmin juntos? - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Carlos Newton

Já tínhamos abordado na Tribuna da Internet, diversas vezes, a importância da escolha do candidato a vice-presidente na chapa de Lula da Silva. O motivo, é claro, todos sabem. O criador do Partido dos Trabalhadores é muito mais importante do que a sigla, porque jamais permitiu que surgisse um novo líder que pudesse vir a substituí-lo no comando do PT.

Em sua surpreendente trajetória política, Lula sempre fez questão de se isolar no poder. desde os tempos de metalúrgico, quando usava o codinome  “Barba” e prestava serviços ao delegado federal Romeu Tuma, como agente infiltrado no sindicalismo pelo regime militar, fato denunciado por várias fontes e jamais desmentido pelo petista. 

CRIAÇÃO DO PT – É também bastante conhecido o fato de o PT ter sido criado por Lula sob os auspícios do general Golbery do Coutto e Silva, o grande ideólogo do regime militar, que foi ministro-chefe do temido Serviço Nacional de Informações.

Autor de importantes estudos sobre a Geopolítica do Brasil, inicialmente publicados em 1959 como “Aspectos Geopolíticos do Brasil” e depois ampliados sob o título “Conjuntura Política Nacional – O Poder Executivo & Geopolítica Do Brasil”), o general Golbery defendia a ligação do Brasil ao bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos.

Preocupado com o fortalecimento da União Soviética e da China, o criador do SNI mandou Lula fundar o PT para evitar que o PTB ficasse hegemônico no sindicalismo e elegesse Leonel Brizola, cuja candidatura a presidente era então considerada imbatível.

LULA/BARBA – O PT foi criado em 1980 e cumpriu fielmente o objetivo de Golbery. Assim, nove anos depois, o próprio Lula/Barba derrotava Brizola no photochart e ia ao segundo turno contra Fernando Collor, que venceu com inestimável ajuda da Organização Globo, na tristemente famosa edição do debate, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz.

Mas tudo isso é passado distante. Quando chegou ao poder em 2003, Lula da Silva já não era mais Barba, tinha vida própria, comandava o PT com mão de ferro e impedia que qualquer outro petista se destacasse no partido.

Esmagado por um eterno complexo de inferioridade, Lula jamais leu um livro e abominava os intelectuais atuantes no PT, como o sociólogo Francisco Oliveira, o jurista Helio Bicudo, o jornalista e escritor Nilmário Miranda e o economista Aloizio Mercadante, que nunca conseguiram se destacar no partido e dois deles até desistiram de apoiar Lula e o PT (Oliveira e Bicudo). 

ELEIÇÃO DERRADEIRA– Esta é a última eleição a ser disputada por Lula, que já está meio depauperado e não diz mais coisa com coisa. Mesmo assim, corre o risco de se eleger aos 81 anos, e será o mais velho presidente a tomar posse no mundo democrático, eleito pelo povo. Jamais se viu nada igual.

Como a vida média do homem brasileiro é de 74 anos, na eleição Lula estará fazendo hora extra há sete anos. Suas chances de sobrevivência diminuem a cada dia, porque o tempo não para, como lembrava o cantor Cazuza, que procurava uma ideologia para viver e não encontrou.

Se ficar impossibilitado de exercer a presidência em função da idade, o criador do PT será substituído por Geraldo Alckmin, que é sete anos mais jovem, mas nunca foi, não é nem jamais será petista. Isso significa que o partido ficará sem voz, futuro ou destino. Sem Lula, o PT “non ecziste”, diria padre Quevedo, o velho desmistificador de charlatães.

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P.S. –
Perto dos 81 anos, mais cansado de guerra do que a Tereza Batista criada por Jorge Amado, Lula terá de esgotar suas energias em mais uma campanha. Será que vale a pena gastar assim a fase final da vida? É um político milionário, enriquecido ilicitamente e que hoje diz ser “um socialista refinado”, mas não tem como aproveitar o que resta pela frente… E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta, especialmente em ano de Copa. (C.N.)

O grito de revolta de Caetano Veloso que marcou o início do Tropicalismo

Festival de 1967, da Record - 20/10/2017 - Banco de Dados - Fotografia -  Folha de S.Paulo

Pela primeira vez, houve guitarras nos festivais

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, o genial Caetano Veloso, na letra de “Alegria, Alegria” apresentada no III Festival de MPB da TV Recor, em 1967, rompeu com todos os estilos até então escritos e consegue burlar a censura do  regime ditatorial no Brasil.

Com essa música, que marcou o início do Tropicalismo, Caetano procura conscientizar e incentivar a população a se rebelar e protestar contra o governo da época. Em consequência, foi perseguido e teve de viver na Inglaterra, junto com Gilberto Gil, até a situação melhorar.

A música “Alegria, Alegria” foi gravada por Caetano Veloso em Compacto simples, em 1967, pela Philips.

ALEGRIA, ALEGRIA
Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes,
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e brigitte bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento,
Eu vou

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não…

Caiado ataca a polarização, mas a anistia abre o risco de agravar a crise institucional

Pedro do Coutto

Ao se lançar como pré-candidato à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tentou ocupar um espaço cada vez mais raro no cenário político brasileiro: o de quem promete romper a lógica binária que domina o debate público desde 2018. Em seu discurso, apresentou-se como alternativa à disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, afirmando que é preciso “encerrar a polarização” entre lulismo e bolsonarismo.

A proposta, à primeira vista, dialoga com um sentimento real de fadiga do eleitorado. Pesquisas recentes de institutos como Quaest e Datafolha têm apontado que uma parcela significativa dos brasileiros demonstra cansaço com o confronto permanente e deseja uma agenda mais pragmática. No entanto, o próprio Caiado parece tropeçar na sua principal promessa ao anunciar que, caso eleito, pretende decretar anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

PARADOXO – A contradição é evidente. Ao mesmo tempo em que critica a radicalização política, o pré-candidato adota uma bandeira que está no centro das tensões institucionais do país. A anistia, além de juridicamente controversa, colide diretamente com decisões já consolidadas do Supremo Tribunal Federal, que vem julgando e condenando envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

Mais do que um gesto político, trata-se de um tema sensível para o Estado de Direito — e, portanto, pouco compatível com a ideia de pacificação. Na prática, a proposta tende a reacender, e não a dissipar, os conflitos. Isso porque qualquer tentativa de anular ou relativizar decisões judiciais definitivas inevitavelmente será interpretada como afronta institucional. A história recente do Brasil mostra que o embate entre Executivo e Judiciário tem alto potencial de instabilidade, algo que o próprio Caiado diz querer evitar.

APROXIMAÇÃO – Há, ainda, um componente estratégico nessa equação. Ao defender a anistia, Caiado parece buscar aproximação com parcelas do eleitorado conservador que orbitam o campo bolsonarista. É um movimento compreensível do ponto de vista eleitoral, mas arriscado do ponto de vista narrativo: ao tentar dialogar com esse público, ele pode acabar reforçando exatamente a polarização que afirma combater. Em outras palavras, ao estender a mão a um dos polos, enfraquece sua pretensão de equidistância.

Além disso, o debate sobre anistia não é apenas jurídico ou político — é também simbólico. Ele toca diretamente na percepção de justiça, responsabilidade e memória institucional. Países que enfrentaram rupturas democráticas costumam tratar esse tipo de questão com extremo cuidado, justamente para evitar a banalização de episódios que colocaram em risco a ordem constitucional. No caso brasileiro, ainda recente, a discussão ganha contornos ainda mais delicados.

ARTICULAÇÃO – Outro ponto que merece atenção é a viabilidade prática da proposta. A concessão de anistia ampla, nos moldes sugeridos, dependeria de articulação com o Congresso Nacional e enfrentaria forte resistência não apenas no Judiciário, mas também em setores relevantes da sociedade civil. Não se trata, portanto, de uma medida simples ou unilateral, como pode parecer no discurso de campanha.

No fundo, o movimento de Caiado expõe uma dificuldade recorrente na política brasileira contemporânea: a de construir uma alternativa fora da polarização sem, ao mesmo tempo, ser capturado por ela. O espaço existe, mas é estreito e exige coerência rigorosa entre discurso e prática.

Ao iniciar sua caminhada presidencial com essa proposta, o governador de Goiás sinaliza ambição e disposição de confronto — mas também revela um risco: o de que sua candidatura, em vez de inaugurar um novo caminho, acabe apenas reorganizando as tensões já existentes. Porque, no Brasil de hoje, romper a polarização não é apenas uma promessa. É, sobretudo, uma prova de consistência.

Com Caiado, Kassab abre o baú de surpresas e mostra que a terceira via é viável

PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a 'terceira via'... #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Desde a eleição de 2018 já se sabia que a polarização entre Lula e Bolsonaro despertava muita insatisfação. Mesmo assim, acabou prevalecendo, devido às circunstâncias do momento. E o grande filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883/1955) já definiu que “o homem é o homem e suas circunstâncias”, pois tudo depende da época e do contexto em que se vive.

Assim, a polarização levou a política brasileira ladeira abaixo, apesar do inconveniente radicalismo de Bolsonaro e da alta rejeição ao PT desde o fracasso de Dilma Rousseff e seu impeachment, em função das pedaladas do irresponsável Guido Mantega.

IMPUNIDADE – Aliás, Mantega foi o ministro que ficou à frente da Fazenda por mais tempo (9 anos), mas escapou ileso e não sofreu a menor punição pelos crimes de responsabilidade cometidos ao maquiar as contas públicas, vejam como a impunidade é uma circunstância do Brasil.

Quanto ao primeiro turno da eleição de 2018, a facada desferida por Adélio Bispo influiu no resultado e Jair Bolsonaro (PSL) liderou com 46,03% dos votos válidos, seguido por Fernando Haddad (PT) com 29,28%, levando a disputa para o segundo turno.

No total, 13 presidenciáveis concorreram, mas a polarização falou mais alto e destruiu a terceira via. Entre os onze candidatos restantes, somente Ciro Gomes (PDT) obteve uma votação razoável, com 12,47%, enquanto o quarto colocado, Geraldo Alckmin (PSDB) não passava de 4,76%.

DESCONTAMENTO – O fato é que realmente a polarização desperta desagrado desde 2018, pois no segundo turno a abstenção surpreendeu, atingindo 21,30% dos eleitores, enquanto os votos nulos foram 7,43% e os brancos, 2,14%. Ou seja, mais de 30% dos eleitores não aceitaram votar em Bolsonaro ou em Lula.

O desagrado com a polarização na verdade deve ser considerado ainda maior, porque muitos descontentes acabaram optando por Bolsonaro ou Haddad, pela circunstância de votar no menos pior, digamos assim.

Com a pandemia e o flagrante despreparo político-administrativo de Bolsonaro, que rivaliza com Lula neste quesito, em 2022 a insatisfação continuava latente, mas não teve força para derrotar a polarização, porque os candidatos da terceira via eram tão fracos que a senadora Simone Tebet (MDB) foi a terceira colocada, com apenas 4,16% dos votos válidos, à frente de Ciro Gomes (PDT), que teve escassos 3,04%.

OUTRA REALIDADE – Quatro anos se passaram e agora é outra realidade. Muitos políticos perceberam que a polarização está enfraquecida. Essa condição animou os governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) a se apresentarem como pré-candidatos, por entenderem que a terceira via tem chances.

Mas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também percebeu e usou a força crescente de seu partido para atrair Leite e Caiado para disputar a candidatura com Ratinho. Com isso deu um tranco enorme na política, o PSD ganhou visibilidade jamais imaginada e Caiado já mostra ser um candidato com possibilidade de vitória.

Nessas manobras, Kassab traiu Ratinho e Leite, por saber que ambos são independentes e jamais aceitariam ser conduzidos por ele. É claro que Caiado também não aceita, somente se filiou ao PSD no último dia 14, mas já vai fazer 77 anos, é sua última eleição e, se vencer, não perturbará Kassab de forma alguma, muito pelo contrário.

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P.S. –
Lula e Flávio Bolsonaro estão apavorados com a estratégia de Kassab, o senhor dos anéis, que sabe como o jogo deve ser jogado. O próximo lance é a escolha dos vices. No desespero, Lula se curvou diante de Geraldo Alckmin, sonhando em captar novamente os votos do centro. Quanto a Flávio Bolsonaro, está de bobeira e já deveria ter convidado a senadora Tereza Cristina, líder do PP. Por fim, circulam informações de que Caiado e Kassab vão convidar Romeu Zema, do Novo, para ser vice. Se tiver juízo, Zema deve aceitar. Por enquanto é só isso, mas já dá para sentir um cheiro de queimado lá pelos lados da polarização. (C.N.)

Um poema muito romântico, mas com desejos de amor platônico

Vetores de Um Desenho De Linha De Homem E Mulher Olhando Um Para O Outro e  mais imagens de Adulto - iStock

Ilustração de Taylan Ozgur (Arquivo Google)

Paulo Peres
Poemas e Canções

A poeta e compositora Márcia Figueiredo Barroso criou um poema romântico ao extremo, “Amantes”, em que estabelece as bases de uma convivência para que possam se suportar e viver juntos, num cotidiano aceitável, uma meta a ser seguida para manter um verdadeiro amor.

AMANTES
Márcia Barroso

Não te quero todo,
Nem te quero meio
Quero-te inteiro!
E inteira quero estar
Ainda que para isso
Tenhamos que juntar
Todos os cacos
Perdidos nas viagens,
Mas que, certamente,
Podemos remontar

Não quero a culpa
Como nossa companheira
Nem seu eterno amor
De mim prisioneiro
Ao contrário,
Quero a liberdade do voo
E a cumplicidade
Do simples desejo de voltar

Não quero promessas sem sentido,
Nem juras mal proferidas
Quero mesmo é ser feliz
Até nas despedidas
Para, assim, testar a saudade
Sem pressa, nem ansiedade,

Afinal se o amor é verdadeiro
Estaremos juntos,
Ainda que distantes
E seremos amantes,
Mesmo que seja
Em sonho, ou bruma,
E viveremos nosso idílio,
Nem que seja
Num só instante!

Só falta Caiado convidar Bolsonaro para subirem juntos a rampa do Planalto…

Ronaldo Caiado será lançado pré-candidato ao Planalto por Kassab

Caiado parece conhecer o chamado caminho das pedras

Vicente Limongi Netto

Médico, alto, jovial, voz forte, Ronaldo Caiado se transforma em super-homem tentando se espelhar no também médico, o eterno Juscelino Kubitschek.  Enche os pulmões de patriotismo e creme de pequi, e declara que sua primeira providência como presidente da República será decretar anistia geral, ampla e irrestrita.

Todos os monumentos e bustos de Brasília serão homenageados com beijos de batom.  Estará, assim, desmoralizada a mais famosa decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente o relator cruel e sanguinário. ministro Alexandre de Moraes.

SUBINDO A RAMPA – É possível que, eleito chefe da nação, Ronaldo Caiado vá pessoalmente convidar o ex-presidente Bolsonaro, seja na Papudinha ou na mansão do condomínio/ para subirem juntos a rampa do Palácio do Planalto. O gesto de grandeza de Caiado ecoará por todo o Brasil. Será difícil segurar as lágrimas. 

Mesmo Bolsonaro adoentado, merecendo severos cuidados médicos, Caiado mandará que escolha o país que quiser, para ser embaixador.  Bolsonaro sempre gostou de se meter em confusão. Seus filhos e Valdemar Costa Neto apostam que decidirá pelo Irã, Líbano, Ucrânia ou Coréia do Norte.

Como é monoglota o mito de barro levará embaixo do braço o filho falastrão, Eduardo, para ser interprete. Sem ônus para o contribuinte. 

RODINHA ENFADONHA – Na bolorenta Globonews, Valdo Cruz chuta: “Merval tem preferência, sempre”. Deus do céu. Rodinha enfadonha de compadres e comadres. Merval exibindo o ar sinistro de como gaguejar ao vivo. O O Jornalismo brasileiro vive destes formidáveis analistas. Falam pelos cotovelos. Procuram fazer ar de inteligentes. 

O assinante é lesado com boas informações e outras tantas medíocres, geralmente chupadas de impressos. O descaramento é de fazer corar santo de altar de igreja.  

BONS VENTOS – Vice- presidente e ministro Geraldo Alkmin presidiu hoje a primeira reunião do Conselho da Suframa deste ano, agora com novo superintendente, o qualificado servidor de carreira da autarquia, desde 2016, Leopoldo Augusto Melo Montenegro.

Bons ventos de vitórias e conquistas, mais empregos e novas fábricas para o Amazonas e para a Suframa, tendo à frente o engenheiro de produção, na relevante função, Leopoldo Montenegro, que também tem especialidade em gestão de pessoal e de projetos, além de graduação em Direito e Administração.

Donald Trump e a política como exercício de um poder meramente pessoal

Trump acredita ser o “rei” do mundo, sem limites

Pedro do Coutto

A analogia proposta por Demétrio Magnoli, em sua coluna no O Globo, ao associar Donald Trump à figura de um “chefe mafioso”, não pretende ser literal, mas sim oferecer uma lente interpretativa para compreender um fenômeno político mais amplo: a transformação do poder institucional em poder pessoal. Trata-se de uma leitura que dialoga com análises contemporâneas sobre lideranças que operam menos por regras e mais por relações de lealdade, influência direta e enfrentamento sistemático das estruturas tradicionais.

Nesse modelo, o centro da política deixa de ser o conjunto de instituições — Congresso, Judiciário, imprensa — e passa a gravitar em torno da figura do líder. A lógica não é mais a da mediação, mas a da imposição. A força política se mede não pela capacidade de construir consensos, mas pela habilidade de mobilizar seguidores, pressionar adversários e reconfigurar o ambiente institucional em benefício próprio.

PADRÃO COMPORTAMENTAL – É justamente aí que a metáfora ganha sentido: não como acusação criminal, mas como descrição de um padrão de comportamento em que a fidelidade pessoal se sobrepõe às normas impessoais.

Ao longo dos últimos anos, esse tipo de liderança encontrou terreno fértil em sociedades marcadas por desconfiança nas elites, fadiga institucional e polarização intensa. Trump soube explorar esse ambiente com precisão, apresentando-se como alguém capaz de romper com o “sistema” — ainda que, na prática, sua atuação revele uma tentativa de reorganizá-lo sob sua própria lógica.

O discurso antissistema, nesse contexto, funciona como ferramenta de mobilização, enquanto o exercício do poder tende a concentrar decisões e enfraquecer mecanismos de controle. Um dos aspectos mais sensíveis dessa dinâmica é a substituição gradual da legalidade pela lealdade.

RELATIVIZAÇÃO – Em democracias liberais, o funcionamento do Estado depende de regras claras, previsibilidade e limites institucionais. Quando esses elementos são relativizados, abre-se espaço para uma política mais volátil, em que decisões passam a depender da vontade do líder e de sua relação com aliados e opositores. Não se trata apenas de estilo, mas de estrutura: a forma como o poder é exercido começa a alterar o próprio funcionamento do sistema.

Esse processo não ocorre de maneira abrupta, mas sim por meio de tensões constantes. Questionamentos a decisões judiciais, ataques à imprensa, dúvidas lançadas sobre processos eleitorais — todos esses elementos contribuem para desgastar a confiança nas instituições e reforçar a centralidade do líder como única referência legítima. O resultado é um ambiente em que o debate público se empobrece e a política se torna cada vez mais personalizada e menos institucional.

CONCENTRAÇÃO DE PODER – O caso de Trump, portanto, ultrapassa a figura individual e se insere em um movimento mais amplo, observado em diferentes partes do mundo, no qual lideranças fortes emergem prometendo eficiência e ruptura, mas frequentemente entregam concentração de poder e instabilidade institucional. A metáfora utilizada por Magnoli, nesse sentido, cumpre um papel importante: o de provocar reflexão sobre os limites entre liderança forte e erosão democrática.

O que está em jogo não é apenas o estilo de um governante, mas a resiliência das instituições diante de pressões que buscam redefinir seu papel. Democracias não são sistemas automáticos; dependem de equilíbrio, respeito às regras e disposição para o dissenso. Quando esses elementos são substituídos por relações de força e lealdade pessoal, o risco não é apenas político — é estrutural.

“Collor venceu Lula em 1989 e agora será a vez de Caiado”, afirma Kassab

ronaldocaiado, seja oficialmente muito bem-vindo ao PSD. Sua enorme  experiência na política, e sua gestão como governador, entre as mais bem  avaliadas do Brasil, reforçam nosso compromisso de termos no PSD os

Caiado promete anistiar os golpistas logo no primeiro dia

Carlos Newton

Eufórico durante o evento para lançar a pré-candidatura do governador goiano Ronaldo Caiado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, comentava com membros da Comissão Executiva que o partido tem muita chance de vencer essa eleição. Seu argumento é de que, se em 1989 o então governador alagoano Fernando Collor conseguiu derrotar Lula, sendo candidato por um pequeno partido, o PRN, que nem existe mais, agora será a vez de Caiado, que muito mais conhecido e tem apoio de um dos maiores partidos do país.

Kassab, que se considera dono do PSD e atua como se fosse um senhor dos anéis, despreza a legislação eleitoral e indica candidato a Presidência sem promover prévias nem convocar convenção nacional.  

FALSA COMISSÃO – Desta vez, simplesmente formou uma comissão, integrada por ele, Guilherme Afif Domingos, Jorge Bornhausen e Andrea Matarazzo, e liquidou a fatura, embora houvesse outros dois pré-candidatos muito fortes – os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que se tornaram dois perdidos numa política suja, sem saber o que fazer da vida, como diria o dramaturgo e ator Plínio Marcos.

O lançamento de Caiado, que ia disputar de qualquer jeito e somente se filiou ao PSD no dia 14, depois que Kassab lhe garantiu a candidatura, balançou o coreto de outros candidatos, porque é um político experiente e vai tirar votos de todos eles.

Sabe-se que o petista Lula tem, no máximo, 33% dos votos, o que é suficiente para chegar ao segundo turno. Mas depende de quem for o rival, para vencer a eleição. Os adversários mais fortes são Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, que correm na mesma faixa.

CAIADO SURPRENDEU – Logo em seu primeiro discurso, Caiado surpreendeu, ao apresentar um programa e governo consistente e viável, mostrando que não está para brincadeiras.

Sua principal bandeira visa a atrair o voto de bolsonaristas, ao afirmar que seu primeiro ato como presidente seria a concessão de uma anistia, buscando, segundo ele, a pacificação do país.

Na área econômica, defendeu a exploração e processamento de minerais críticos, como as terras raras pesadas. Caiado citou o modelo implementado em Goiás como referência para o país deixar de ser apenas exportador de matéria-prima.

Propôs parcerias com os governos dos Estados Unidos e Japão para promover a indústria de separação desses minerais, essenciais para a fabricação de baterias, imãs e equipamentos de alta tecnologia. E disse mais, muito mais, mostrando que tem bala na agulha também contra a criminalidade.

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P.S. –
Já ia esquecendo. Ao ser aceito por um partido grande, Caiado consolida o apoio do agronegócio, que vai encher de dinheiro sua campanha, deixando Kassab quase desfalecido de tanta felicidade. Como senhor dos anéis e dono do PSD, ele tem a chave do cofre do partido e não empresta para ninguém. (C.N.)

Se você quiser falar com Deus, precisa seguir as recomendações de Gilberto Gil

Salvador celebra Gilberto Gil em noite de homenagem e resistência

Gilberto Gil nos ensina a rezar conforme a música

Paulo Peres
Poemas & Canções

O político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra “Se Eu Quiser Falar Com Deus”, retrata o cotidiano na sua mais pura realidade, enfatizando o desapego aos bens materiais e os sacrifícios de purificação para estar merecedor de estar diante de Deus.

Essa belíssima canção foi composta em homenagem à religiosidade de Roberto Carlos, que não quis gravar, por considerá-la forte demais, e acabou sendo gravada pelo próprio Gilberto Gil, em 1980, pela WEA.

SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Lula acertará se mantiver Alckmin como seu candidato a vice-presidente

Com Alckmin, Lula conseguiu reduzir resistências

Pedro do Coutto

Em política, decisões aparentemente simples costumam carregar grande densidade estratégica. A sinalização de que Luiz Inácio Lula da Silva deve manter Geraldo Alckmin como seu vice na campanha à reeleição em 2026, segundo o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, vai exatamente nessa direção: mais do que uma escolha natural, trata-se de uma decisão politicamente madura — e, ao que tudo indica, a mais acertada.

Desde 2022, a composição entre Lula e Alckmin não foi apenas uma aliança eleitoral, mas uma engenharia política cuidadosamente desenhada para ampliar o campo de apoio do governo. Ao trazer um nome historicamente ligado ao centro e ao eleitorado paulista, Lula conseguiu reduzir resistências, dialogar com setores mais moderados e construir uma base mais ampla em um país profundamente polarizado. Essa lógica não perdeu validade — ao contrário, tornou-se ainda mais relevante.

ESTABILIDADE – A manutenção de Alckmin transmite um sinal claro de estabilidade. Em um cenário político marcado por volatilidade, ruídos institucionais e disputas narrativas intensas, a previsibilidade se torna um ativo valioso. O eleitor médio, especialmente aquele mais distante da militância ideológica, tende a valorizar arranjos que indicam continuidade, equilíbrio e ausência de sobressaltos.

Além disso, há um fator eleitoral decisivo: São Paulo. Maior colégio eleitoral do país, o estado segue sendo peça-chave em qualquer disputa presidencial. Alckmin, com sua longa trajetória política e forte identificação regional, continua sendo um ativo importante para Lula nesse território. Substituí-lo, a esta altura, significaria abrir mão de uma vantagem concreta sem garantia de compensação equivalente.

FRAGMENTAÇÃO – Outro ponto que reforça a correção da escolha é o cenário do campo adversário. O bolsonarismo, que já se apresentou como força coesa e disciplinada, hoje enfrenta sinais de fragmentação e disputa interna. Nesse contexto, a estratégia mais eficiente para o governo não é reinventar sua fórmula, mas consolidar aquilo que já demonstrou funcionar. Manter Alckmin é, portanto, uma aposta na racionalidade política.

Isso não significa ausência de desafios. O próprio Partido dos Trabalhadores enfrenta tensões internas em alguns estados, e a construção de alianças regionais continuará exigindo habilidade e negociação. Mas esses são elementos inerentes ao jogo político — e não se resolvem com mudanças bruscas na chapa presidencial.

Há também o papel de outras lideranças, como Fernando Haddad, que devem atuar de forma complementar na estratégia eleitoral, seja fortalecendo palanques regionais, seja contribuindo para a narrativa econômica do governo. O equilíbrio entre essas forças é justamente o que dá consistência ao projeto.

ALIANÇA – No fim das contas, a manutenção de Alckmin ao lado de Lula revela uma compreensão clara do momento político: em vez de arriscar em movimentos incertos, o presidente opta por preservar uma aliança que amplia, equilibra e agrega.

Em eleições apertadas — como têm sido as brasileiras —, não se trata apenas de conquistar novos votos, mas de não perder aqueles que já foram conquistados. E, nesse aspecto, Alckmin continua sendo um dos principais fiadores dessa base ampliada.

Se a política é, em grande medida, a arte de escolher riscos, Lula parece ter feito aqui uma escolha consciente: reduzir incertezas e apostar na estabilidade. Em tempos de polarização e imprevisibilidade, isso não é pouco — é estratégia.

Brasil vive tempos obscuros: quando parece que vai melhorar, a situação piora

Quem vai rodar? Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira  (23). #meio #newsletter #charge #delacao #vorcaro

Charge do João Spacca (Canal Meio)

Roberto Nascimento

Uma tristeza corrói nossa alma, com o Brasil vivendo tempos nada republicanos. Vejam o exemplo de Cláudio Castro, que era governador do Rio, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral e se tornando inelegível por oito anos, o que seria uma dádiva dos céus para os eleitores. Mas pode recorrer sub judice e ser eleito senador, para ser cassado mais à frente.

Mas será que o Supremo vai confirmar a condenação? Lembrem que ministro André Mendonça, o atual queridinho da Globo e dos jornalistas, também votou pela absolvição de Cláudio Castro, em dobradinha com o ministro Nunes Marques. Os dois foram votos vencidos, perderam de 5 a 2.

E O IBANEIS? Entretanto, há um caso ainda pior do que o de Cláudio Castro. Trata-se das embrulhadas do governador de Brasília, Ibaneis Rocha. Todo dia lemos notícias negativas sobre ele, como o “investimento” de R$ 12 bilhões, jogados fora na podridão do Master pelo Banco Regional de Brasília, que é estatal e seu presidente Paulo Henrique Costa foi nomeado por Ibaneis.

Depois da cumplicidade com a roubalheira do Vorcaro, vem a noticio de que o escritório de advocacia de Ibaneis, hoje administrado pelo filho, vendeu os honorários de precatórios, no total de 85,5 milhões de reais, a um fundo de investimentos ligado à Reag, financeira que fazia lavagem de dinheiro para o Master. Essas operações ocorreram entre 2019 e 2024.

E não acontece nada. Todos os pedidos e impeachment foram rejeitados pela Câmara Distrital. O Judiciário faz de conta que Ibaneis não existe. Qualquer criminoso de elite consegue escapar.

FORA DA CURVA – A prisão de Vorcaro foi apenas um ponto fora da curva. O que vai acontecer a Ibaneis é a pergunta que não quer calar e grita nos ouvidos moucos da República, aquela que está longe de ser dos nossos sonhos.

Agora teremos um novo Tribunal Superior Eleitoral. Como se sabe, o TSE é composto por sete ministros, três do Supremo Tribunal Federal e quatro indicados entre ministros do Superior Tribunal de Justiça e advogados com experiência em questões eleitorais.

Atualmente a ministra Carmem Lúcia é a presidente. A partir de agosto, finda o mandato dela e o novo presidente que está na fila é justamente o ministro Nunes Marques, o vice-presidente será o ministro André Mendonça e o terceiro, Dias Toffoli.

FUNDO DO POÇO – Essas três peças raras vão compor o Tribunal Eleitoral nas eleições de outubro. A gente pensa que chegou ao fundo do poço e não há mais como piorar, mas logo surgem péssimas novidades.

E assim a crise institucional se torna um mistério das Mil e Uma Noites. Triste Brasil. O povo é trabalhador e resiliente, mas a elite não vale um tostão furado.

“Uma delação Sob Medida” é título de música de Chico e Edu Lobo. Como tudo gira em torno de dinheiro, quem acertar os termos da delação de Daniel Vorcaro, o fraudador, lavador de dinheiro, operador financeiro e encantador de serpentes dos três Poderes, com destaque para o Centrão, vai levar uma bolada das grandes. Delação meia-sola ou meia-bomba, é o que gregos e troianos acreditam na bolsa de apostas em Brasília.

O que estará faltando para o presidente decretar intervenção no Estado do Rio?

Fachin assume STF em meio crise interna e pressão externa

Fachin não consegue fazer os ministros se entenderem

Jorge Béja

A situação do Estado do Rio de Janeiro, seja no tocante à segurança pública, e mais ainda, à garantia do livre exercício do Poder Executivo, se encontra no momento propício para a decretação, pelo presidente da República, da intervenção federal, tantas são as esculhambações e desatinos.

Tudo é vergonhoso e danoso para a história e para o sentimento da população fluminense. Os motivos aqui indicados independem de comprovação, por serem públicos e notórios. E estão previstos expressamente no artigo 34, III e IV da Constituição Federal.

“A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para….III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública…IV – garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas Unidades da Federação “.

CAOS ESTADUAL – Em razão da notoriedade do caos em que se encontra a administração do Estado, o presidente da República nem precisa ser provocado, nem depende de solicitação ou requisição de qualquer dos Poderes do Estado do Rio para decidir sobre a decretação da intervenção.

E se tanto fosse exigido, o desembargador presidente do Tribunal de Justiça, que ocupa provisoriamente o cargo vacante de governador, ele  próprio tem poder e legitimidade para endereçar a solicitação ao presidente da República.

É o que prevê o artigo 36, I, da Constituição Federal: “Art. 36 – a decretação da intervenção dependerá:  I – no caso do artigo 34, IV, de solicitação do Poder Executivo coacto…”.

INCOMPATIBILIDADE – Nada mais claro e evidente. O desembargador comanda o Tribunal de Justiça e não pode, ao mesmo tempo, governar o Estado e presidir o Poder Judiciário.

Diga-se ainda que as querelas que tramitam no Supremo Tribunal Federal, cujos ministros não se entendem a respeito da sucessão do governo do Rio, perderão sua eficácia e seus efeitos, ante à decretação da intervenção federal até 31 de dezembro de 2026.

E as águas de março vieram mais uma vez, como Tom Jobim tinha previsto…

No Brasil é tudo importado: eu, você, a língua, os índios, a cana-de-açúcar e o café.... Frase de Tom Jobim.Paulo Peres
Poemas & Canções

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor carioca Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira e um dos criadores do movimento da bossa nova.

A letra de “Águas de Março” é basicamente descritiva, repertoriando uma série de elementos que visam construir a atmosfera desencadeada pelas chuvas num ambiente mais rural.

“Águas de Março” é uma das canções mais representativas da trajetória de Tom Jobim como compositor, cuja primeira gravação saiu em um compacto encartado no semanário “O Pasquim”, em 1972. A música contaria depois com a célebre gravação em que Tom fez em dueto com Elis Regina, no disco “Elis & Tom”, gravado em Los Angeles e lançado em 1974.

ÁGUAS DE MARÇO
Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando,
É uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã,
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, minho
Resto, toco, oco, inho
Aco, vidro, vida, ó, côtche, oste, ace, jó

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

Misoginia é um crime grave, que o Brasil ainda se recusa a enfrentar

O escândalo da Previdência e o peso político de uma CPI sem precedentes

Charge do Gilmar Fraga (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) projeta um dos episódios mais delicados da política recente brasileira. Não apenas pelo volume financeiro envolvido — estimado em cerca de R$ 18 bilhões —, mas sobretudo pela dimensão institucional e política dos nomes citados.

Com 215 pessoas arroladas para possível indiciamento, a CPI rompe um padrão histórico de investigações parlamentares no país. Nunca antes uma comissão legislativa havia avançado com uma lista tão extensa, revelando um esquema que, segundo o relatório final, operava de forma estruturada e disseminada dentro da Previdência Social.

EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS – O núcleo da fraude, conforme apontado, estaria concentrado na concessão irregular de empréstimos consignados, muitos deles fictícios, que atingiram diretamente aposentados e pensionistas — justamente o grupo mais vulnerável do sistema. Trata-se, portanto, não apenas de um escândalo financeiro, mas de uma crise moral, na medida em que expõe a exploração sistemática de cidadãos dependentes do Estado.

Entre os nomes citados, destacam-se figuras de elevado peso político, como Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula da Silva, além do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi. A inclusão desses nomes amplia significativamente o impacto político do relatório, sobretudo em um momento de alta sensibilidade eleitoral.

A CPI também recomenda a responsabilização de agentes públicos e políticos que, direta ou indiretamente, teriam contribuído para a perpetuação do esquema. No caso do ex-ministro, a crítica central recai sobre a incapacidade — ou omissão — de impedir que a fraude atingisse proporções sistêmicas durante sua gestão.

QUESTIONAMENTOS – É nesse ponto que o relatório ganha contornos mais complexos. Ainda que parte dos valores desviados tenha origem em irregularidades detectadas em gestões anteriores, inclusive durante o governo de Jair Bolsonaro, o avanço e a continuidade das fraudes durante o atual governo levantam questionamentos inevitáveis sobre falhas de controle e governança.

O Palácio do Planalto, por sua vez, enfrenta um dilema político clássico: ao mesmo tempo em que precisa sustentar a narrativa de recuperação de recursos e reparação aos prejudicados, vê-se pressionado por acusações que atingem figuras próximas ao núcleo de poder. A presença de aliados do chamado “Centrão” entre os citados reforça a percepção de que o problema transcende governos e se enraíza em práticas políticas mais amplas.

No plano eleitoral, o impacto tende a ser imediato. A exposição de nomes ligados ao presidente Lula da Silva ocorre em um contexto de disputa acirrada pela reeleição, abrindo espaço para adversários explorarem o episódio como símbolo de fragilidade ética do governo. Candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema já sinalizam, nos bastidores, a intenção de incorporar o tema ao debate público.

CAUTELA – Ainda assim, é preciso cautela. Relatórios de CPI, embora politicamente relevantes, não possuem caráter condenatório. Caberá ao Ministério Público e ao Judiciário transformar — ou não — as conclusões em responsabilizações formais. A história recente brasileira mostra que o caminho entre denúncia política e condenação judicial é, muitas vezes, longo e incerto.

O que não se pode ignorar, no entanto, é o efeito sistêmico revelado pela investigação. Mais do que casos isolados de corrupção, a CPI descreve um modelo de captura institucional, no qual falhas de controle, interesses políticos e fragilidades administrativas convergiram para produzir um esquema de larga escala.

DESCONFIANÇA – No fim, o maior dano talvez não seja apenas financeiro. É a erosão da confiança pública em um dos pilares do Estado social brasileiro. Quando aposentados — que contribuíram por décadas — tornam-se alvo de fraudes bilionárias, o que está em jogo é a própria legitimidade do sistema.

A CPI do INSS, portanto, não se encerra com a leitura de seu relatório final. Ela inaugura uma nova fase: a do julgamento político e institucional de um escândalo que, pela sua magnitude, dificilmente será esquecido no curto prazo.