/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/8/B/haH7X3QFGu7kMOHhBWAw/zettel-2.jpeg)
Defesa de Zettel diz que não teve acesso ao documento
Victoria Azevedo,
Eduardo Gonçalves,
Dimitrius Dantas e
Sarah Teófilo
O Globo
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o empresário Fabiano Zettel movimentou em sete meses R$ 99,2 milhões, montante “incompatível com a capacidade financeira”. O volume representa, em média, R$ 14,1 milhões em transações a cada 30 dias, valor mais de duzentas vezes superior à renda de R$ 66 mil mensais declarada por ele.
As informações do Relatório de Inteligência Financeira, a que O Globo teve acesso, revelam ainda a transferência de R$ 1,5 milhão ao irmão de um servidor do Banco Central que atuava na fiscalização do Banco Master, que pertence a Daniel Vorcaro, cunhado de Zettel.
RECURSOS DE TERCEIROS – O relatório mapeou R$ 49,9 milhões que entraram na conta e R$ 49,3 milhões em débitos entre junho de 2021 e janeiro de 2022. O órgão afirma ainda que o perfil da movimentação indica que a conta “aparentemente” foi usada para o “trânsito de recursos de terceiros”. O mecanismo reforça, segundo investigadores, a suspeita sobre a atuação de Zettel como operador financeiro de Vorcaro. A defesa do empresário disse que não vai se manifestar porque não teve acesso ao documento.
“As movimentações em conta estão incompatíveis com a capacidade financeira declarada, bem como a conta aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros (…) Há transferências eletrônicas de mesma titularidade que entram e saem da conta, incomuns com o perfil de pessoa física, dificultando a identificação da origem e destinação de parte dos recursos, bem como, recebimento de recursos com envio imediato, de valores expressivos, sem causa aparente”, diz o relatório do Coaf.
Zettel e Vorcaro estão presos preventivamente desde a semana passada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O magistrado destacou no despacho que o empresário atuava na “intermediação e operacionalização de pagamentos” da organização criminosa, “participando da definição de mecanismos destinados a viabilizar transferências financeiras e a estruturar instrumentos contratuais utilizados para justificar tais repasses”. A defesa do dono do Banco Master nega irregularidades e diz que ele sempre colaborou com a Justiça.
REPASSES – O órgão de inteligência financeira detalhou duas transferências de Zettel, totalizando R$ 1,5 milhão, para o empresário Luis Roberto Neves — uma de R$ 750 mil em 18 de dezembro de 2021 e outra de R$ 750 mil em 18 de janeiro de 2022.
Ele é irmão do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza, que foi alvo de mandados de busca e apreensão na semana passada, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A área era uma das responsáveis por monitorar as atividades do Master. O servidor foi afastado e está impedido de frequentar a sede do BC.
Segundo a decisão de Mendonça, Paulo Sergio Neves de Souza é suspeito de atuar como um “interlocutor interno dos interesses” do Banco Master dentro do Banco Central, “buscando influenciar a análise de processos administrativos”. Conforme o despacho, há indícios de que o ex-diretor tenha recebido “vantagens indevidas associadas aos interesses defendidos junto à instituição financeira investigada”.
INDÍCIOS – No dia da operação, o Banco Central informou que havia identificado “indícios de percepção de vantagens indevidas”, o que levou ao afastamento do servidor antes mesmo da decisão judicial. Procurado novamente, o BC não se manifestou. As defesas de Paulo Sergio Neves de Souza e do irmão não se manifestaram.
O ex-diretor do BC também vendeu por R$ 3 milhões uma propriedade rural em Minas Gerais à empresa Pipe Participações, que tem Zettel como sócio, como mostrou o jornal “Valor Econômico”. O irmão do servidor administra uma empresa que é sócia da Pipe.
COMPRA DE RESORT – As transações mapeadas na conta bancária coincidem com o período em que Zettel comprou a participação da empresa do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um resort no Paraná. O relatório mostra que o empresário transferiu ao todo R$ 25,6 milhões divididos em onze repasses para o fundo Leal, do qual era cotista e estava sob gestão da Reag, também suspeita de fraudes. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, responsável pela compra da participação de Toffoli no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, a operação custou R$ 20 milhões.
Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que o Arleen virou sócio do empreendimento em 27 de setembro de 2021, data próxima aos quatro repasses de Zettel ao fundo Leal detalhados pelo Coaf: 20 de julho de 2021, 29 de julho de 2021, 20 de setembro de 2021 e 3 de novembro de 2021.
VALOR DE MERCADO – Em nota divulgada quando o caso veio à tona, Toffoli informou que a Maridt, empresa da qual é sócio, vendeu a sua parte no grupo Tayayá ao fundo Arleen “a valor de mercado”. No texto, o ministro declarou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel” e que a venda da empresa ao fundo Arleen ocorreu, de fato, em setembro de 2021.
Toffoli deixou a relatoria do caso Master no Supremo após a revelação de um relatório da Polícia Federal que citava mensagens de Vorcaro e Zettel discutindo pagamentos à empresa do ministro do STF. Após uma reunião entre os 11 integrantes da Corte, houve um novo sorteio, e Mendonça foi escolhido.
OUTRAS TRANSFERÊNCIAS – O relatório destaca ainda um repasse de R$ 1,5 milhão para a empresa Super Empreendimentos, da qual Zettel era diretor e que é apontada como peça-chave no suposto esquema de fraudes financeiras; R$ 1 milhão para um piloto de avião com quem Vorcaro mantinha contato frequente; e R$ 763 mil para uma loja de joias localizada na rua Oscar Freire, uma das mais nobres de São Paulo.
Essas transferências entraram na mira do Coaf por se enquadrarem em critérios definidos em lei por suspeita de movimentações atípicas ou incompatíveis do cliente, caso em que o órgão atua na prevenção. Quando isso é identificado, é elaborado um Relatório de Inteligência Financeira. O documento não aponta se há crime cometido, mas é distribuído para as autoridades responsáveis por investigar e colher mais elementos.
Moraes volta atrás e veta visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Moraes reconsidera decisão e veta visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Ministro voltou atrás após Itamaraty afirmar não ter sido consultado sobre encontro com ex-presidente
(…)
Revista Veja, Radar, 12 mar 2026, 19h33 Por Daniel Gullino / Robson Bonin
Cresce a pressão para STF libertar Vorcaro
Subiu muitos degraus a pressão para que a Segunda Turma do STF decida por soltar Daniel Vorcaro no julgamento que começa nesta sexta-feira no plenário virtual. Pressão oriunda de políticos influentes a magistrados idem.
Com a desistência de Dias Toffoli de participar da sessão, “por motivo de foro íntimo”, serão quatro os ministros aptos a votar: André Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Nunes Marques.
Os votos de Mendonça e Fux serão pela manutenção da prisão preventiva. Gilmar e Nunes Marques se apresentam como incógnitas. Se o resultado for um empate, Vorcaro irá para casa — livre, leve e solto.
Na decisão que prendeu Vorcaro, Mendonça anotou:
“As investigações também apontam que o grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada, denominada “A Turma”, destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos do conglomerado financeiro (…)
Ainda em relação a esse núcleo específico, identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça.
Quanto a esse último aspecto, foram identificados registros indicando que Daniel Bueno Vorcaro teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.”
O Globo, Política, Opinião, 12/03/2026 08h12 Por Lauro Jardim
Delinquir no mercado financeiro e operar a Realpolitik não é pra amadores.
Fazendo uma política eleitoral porca, irresponsável e amadora desde o assassinato da Lava Jato, o STF tem a ilusão que irá a reverter já no último minuto do último tempo.
O picolé de chuchu pode ir pro sítio pescar e só voltar pra votar e pegar a faixa presidencial.
Tem os mais togados cabos eleitorais em campo.
Não adianta chorar, Fachin, a nega tá lá dentro.
https://www.instagram.com/reel/DOy93aaEbGA/
Não adianta preocupar agora, ao buscarem derrotar o bolsonarismo com instrumentos questionáveis, fizeram-no crescer eleitoralmente a ponto de poder colocar na presidência o seu picolé de chuchu.
Pra quem tem um mínimo de capacidade de análise, com um mínimo de metodologia sabia, há pelo menos uma década, que esta bagaça não ia dar certo.
https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/quaest-66-veem-apoio-a-impeachment-no-stf-como-fator-para-voto-ao-senado/
Se ficarem caladinhos podem evitar que o índice chegue a 100%.
Se votarem pra soltar Vorcaro, aí já era mesmo!
Deveriam pedir férias coletivas até passarem as eleições, se querem ajudar os seus pupilos.
O STF foi meter o bedelho onde não foi convidado e, agora, todos os seus atos, ainda que puramente técnicos, serão considerados meramente eleitorais.
E para prejudicar seus pupilos.
Se eu fosse o predileto, arrumaria uma desculpa e não candidatava.
Vai tomar porrada só da medalhinha pra cima.
Não é à toa que Zema e Caiado continua da corrida.
Previsão do tempo!
https://www.tiktok.com/@bruliane5/video/7184874026345549062
Zema já tá batendo!
https://www.facebook.com/RomeuZemaOficial/videos/por-que-ainda-existem-pol%C3%ADticos-ministros-e-institui%C3%A7%C3%B5es-que-seguem-calados-dian/1220555830123596/
Caiado, na tora.
https://www.youtube.com/watch?v=UJ_sGY-KKTQ
O picolé de chuchu pode ficar na miúda, só contando votos.
Liberação de Vorcaro provocaria enorme crise institucional
Já há várias especulações de que o Toffoli abriu mão do julgamento da prisão do Vorcaro para deixar em número par a votação – quatro ministros – e forçar um empate e, como é um caso criminal, a favor do réu.
Se a 2ª Turma liberar Vorcaro vai aumentar ainda mais a certeza de que o STF está ligado nesta tramoia que ele montou.
É um assunto que está na boca do povo, e ninguém vai entender quaisquer tecnicidades usadas para libertá-lo.
A sensação será de que soltaram porque são cúmplices, e vai estimular mais ainda o voto antissistema.
Muita gente está convencida de que o STF joga em dobradinha com o governo, e que o governo está metido neste caso até o talo.
Lula pediu para o Master empregar Guido Mantega com salário de um milhão de reais, e ele conseguiu quatro audiências de Vorcaro com o presidente.
Na Bahia, todos estão envolvidos – petistas e não petistas. Agora, aparece que ACM Neto recebeu 3,5 milhões por consultorias para o banco.
A percepção da sociedade é de que Lula e STF são parceiros e se o STF tomar uma medida temerária como esta de liberar Vorcaro, será a gota d’água numa crise institucional muito séria.
Esta votação será um sinalizador importante do que pode vir a acontecer e espero que o STF não se deixe levar por esta tentação.
O ministro Zanin negou hoje a abertura da CPI do banco Master, mas no governo Bolsonaro, o STF obrigou o Congresso a abrir uma CPI, com a alegação de que era um direito da minoria.
A jurisprudência no STF vai sendo derrubada de acordo com interesses.
O Globo, Política, Opinião, 12/03/2026 15h54 Por Merval Pereira
Será que provocaria uma enorme crise mesmo?