De volta ao futuro, Mercadante quer fazer o quarto polo naval, após os três fracassos

Aloízio Mercadante, o atual presidente do BNDES

Lula obrigou Mercadante a criar o novo programa naval

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Não deu outra, 24 horas depois do anúncio do programa Nova Indústria, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou que a Viúva poderá botar pelo menos R$ 2 bilhões num projeto de recriação da indústria naval. Assim, a geração de Lula será a única que financiou quatro polos navais. Os três anteriores foram a pique.

Mercadante diz que “nós precisamos fazer navios, já fizemos.” Tem toda razão. No século XVII, na Ilha do Governador, construiu-se o galeão Padre Eterno, que pode ter sido o maior barco do mundo. Na mesma fala o doutor informou: “Tivemos uma indústria pujante de construção naval nos anos 70.” Pujante ela era, mas quebrou. Os polos navais quebram porque quando se lança um novo programa não se revisita a causa da ruína dos anteriores.

POLO DE JK – O primeiro polo naval da segunda metade do século XX foi criado por Juscelino Kubitschek. Afundou, mas uma parte da conta foi para os estaleiros. O segundo polo, “pujante”, surgiu no governo Costa e Silva e cresceu com Ernesto Geisel. Danou-se, mas a conta fez um percurso interessante.

Os bancos que financiavam o plano recebiam papéis avalizados pela Viúva. Era um negócio tão bom que um burocrata deu um chá de cadeira de 40 minutos no banqueiro Leopold Rothschild. A primeira denúncia de que alguns desses contratos eram extorsivos vinha de 1971.

Do outro lado do balcão, os bancos emprestaram a estaleiros que iam mal das pernas. Como os papéis eram garantidos pela Viúva, um só banco brasileiro emprestou 100 milhões de dólares a empresas que iam mal. Em 1984 o polo quebrou, e a Viúva não honrou seus avais. Um armador carioca matou-se.

Depois do naufrágio, o mico dos chamados “papéis podres” foi reciclado, virou moeda real e serviu para arrematar empresas estatais de boa qualidade. Assim, o banqueiro que investiu num mau negócio dos estaleiros protegidos pela Viúva, assenhoreou-se de boas empresas da própria senhora.

MALFEITORIAS – O terceiro polo, de Lula 01, nasceu em 2003 e tinha dois braços. Um construiria navios e o outro daria plataformas marítimas para a Petrobras. A primeira denúncia de malfeitoria partiu em 2004 e veio de José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras. Tratava-se de uma disputa na qual estavam de um lado a estatal e a Odebrecht. Do outro, as empreiteiras Camargo e Andrade Gutierrez.

Os estaleiros nacionais tiveram dias de esplendor, chegaram a empregar milhares de pessoas. Criou-se uma empresa para construir dezenas de plataformas oceânicas para a Petrobras e ela se chamou Sete Brasil. Armadores estrangeiros entraram no negócio e chegou-se à gracinha de dar agrément ao presidente de um estaleiro de Cingapura para a função de embaixador de seu país no Brasil.

Na Petrobras, as licitações foram cartelizadas e as encomendas foram superfaturadas. Essa história da Lava-Jato mostrou e acabou em mais de uma dúzia de confissões e cadeias. Uma delas foi a de Antonio Palocci, o ex-ministro da Fazenda de Lula. Ele contou à Polícia Federal que propinas de fornecedores eram canalizadas para o Partido dos Trabalhadores.

SEM INVESTIGAR – A colaboração de Palocci foi divulgada às vésperas da eleição presidencial de 2018 pelo juiz Sergio Moro. Moro viria a ser ministro do presidente Jair Bolsonaro. Suas revelações, algumas das quais eram irresponsáveis, não foram investigadas direito.

O primeiro navio do polo de Lula 01 adernou quando entrou no mar. As roubalheiras resultaram na desmoralização do projeto, no colapso de três grandes estaleiros. Um deles devia R$ 4 bilhões. Cerca de 82 mil trabalhadores perderam seus empregos.

Passou o tempo, o Supremo Tribunal Federal julgou Sergio Moro um juiz suspeito e, nos anos seguintes, decidiu invalidar sentenças, confissões e multas. Assim como no desastre do polo naval da ditadura, a responsabilidade ficou difusa, mas o prejuízo ficou concentrado na Bolsa da Viúva.

SEM RESPONSABILIZAR – Mercadante tem razão quando diz que o Brasil sabe fazer navios, o que o andar de cima do Brasil não faz é responsabilizar burocratas delirantes e larápios contumazes que corroem as iniciativas dos governos.

O Brasil já soube fazer navios. Uma das lendas de uma História mal contada é a de que Portugal proibia a existência de indústrias no Brasil. Até hoje não se explicou como um estaleiro da Ilha do Governador, no Rio, construiu em 1665 o galeão “Padre Eterno”.

Segundo uma edição do jornal Mercúrio Portuguez da época, era “o mais famoso baixel de guerra que os mares jamais viram”. O “Padre Eterno” naufragou anos depois na rota das Índias, e Salvador de Sá ficou injustamente esquecido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom todo o respeito a Elio Gaspari, não é Mercadante que deseja um novo polo naval. Trata-se de ordem direta de Lula, que o presidente do BNDES foi obrigado a acatar, mas só destinou R$ 2 bilhões, que não dão para nada, mas servem para embromar o presidente lunático. (C.N.)

12 thoughts on “De volta ao futuro, Mercadante quer fazer o quarto polo naval, após os três fracassos

  1. Imaginem se TODOS os recursos deste gigante tivessem sido muito bem aplicados (eficiência e eficácia) desde sempre e não houvesse corrupção por aqui. Seríamos o país mais importante do planeta devido às inúmeras reservas de TUDO. Apenas TUDO. Mas ainda podemos liderar a transição energética. Basta querermos com vontade.

  2. A nata da ladroagem já deve estar afiando os dentes pressentindo o butim que vem pela frente.
    Os dois bilhões adiantados são só para a malta sentir o sabor da próxima comilança.

      • O Emilião em questão é aquele que tem ligações intestinais com os Irmãos Metralhas Siameses, Don FHCorleone e o Luladrão.

        -Emílio Odebrecht fala em “caixa oficial e caixa 2” para FHC

        VÍDEO: Emílio Odebrecht diz que FHC pediu ajuda para campanha de 1994 e 1998

        Assista à delação do empresário Emílio Odebrecht, um dos donos do Grupo Odebrecht, base de inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin.

        -CASO ODEBRECHT

        Lula e eu, por Emílio Odebrecht

        Em sua delação, patriarca da empreiteira afirma que sua relação com petista começou nos anos 80

        -Emílio Odebrecht revela favores pedidos a Lula e dinheiro dado ao PT

        Em depoimento à Lava Jato, o empresário contou que distribuiu milhões de reais ao partido e contou, com naturalidade, sobre propinas.

        -Os delatores da Odebrecht revelaram em detalhes e, com uma naturalidade impressionante, como, por três décadas, a empresa cresceu favorecida pela corrupção. Emílio Odebrecht disse que pediu ao ex-presidente Lula favores no BNDES e aprovação de medidas provisórias. Em troca, distribuiu milhões de reais ao PT.

  3. mas servem para embromar o presidente lunático. (C.N.)

    HA!HA!HA!HA!

    Sr. Newton

    O Ladrão acha que vai vender navios para o Planeta inteiro……

    A nova velha política industrial

    Esses 2 bilhões o Emilião toma de cafezinho….

    :0)

  4. No Lula 3.0 só Stalinácio decide, o resto obedece ou cai fora, mas quando as coisas não saírem como o planejado a culpa é deste e daquele, Stalinácio nunca será responsabilizado .

  5. Senhor Elio Gaspari (O Globo/Folha) , lembre-se que a construção ” naval Brasileira ” , não fracassou , mas sim , ela vem sendo sabotada desde o governo José Sarney , chegando ao seu auge no governo Fernando Henrique Cardoso , e que no primeiro governo Lula , a construção naval Brasileira começou a ser reerguida através do então presidente do BNDES Carlos Lessa , que infelizmente não chegou a se consolidar e foi mais uma vez destruída, pelos próprios nacionais Brasileiros na esteira da ” operação lava -jato ” , sob o pretexto de combate a corrupção , colocando no olho da rua , milhares de profissionais multidisciplinares , sendo que o Brasil era o terceiro maior fabricante e exportador de navios mercantes do mundo , e agora comprar sucatas e ferro velho , tal como o porta aviões Francês , para a marinha Brasileira , que tiveram que afundar .

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