“Pressão” de ministro do TCU revela o grau de podridão no caso do banco Master

Vídeo: veja entrevista completa com o presidente do TCU, Vital do Rêgo

Vital do Rego neutralizou a manobra em favor do Master

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual nas relações entre os três Poderes da República, que estão cada vez mais apodrecidas. Basta analisar a postura de Jhonatan de Jesus, um ex-deputado de trajetória controversa, digamos assim, e que em 2023 chegou ao Tribunal de Contas da União por indicação do todo-poderoso deputado Arthur Lira, então presidente da Câmara.

Não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, esse ministro Jhonatan de Jesus se julgou no direito de questionar a atuação do Banco Central no intrincadíssimo caso do Master, criando uma tremenda confusão.

PARCIALIDADE – Em pleno recesso, quando o TCU nem está funcionando, a voracidade com que o ministro tenta desmoralizar a atuação do Banco Central é altamente significativa., pois ele se comporta como se fosse advogado do Banco Master.

Exibe uma postura tendenciosa, parcial e indigna, porque nem ele nem qualquer outro ministro do TCU tem informações sobre o caso, porque a liquidação extrajudicial do Master corre em absoluto sigilo.

Mesmo assim, o irrefreável ministro Jhonatan de Jesus se acha no direito de criticar o Banco Central e exigir informações que não podem lhe ser oferecidas, segundo as normas que regem o funcionamento do BC.

INFORMAÇÕES – Na semana passada, o arrojado ministro do TCU abandonou o recesso para exigir que o BC lhe desse explicações sobre a liquidação do Master, embora o caso esteja sob sigilo processual.

Foi atendido pela diretoria do Banco Central, que lhe enviou uma Nota Técnica de 18 páginas, relatando as falcatruas cometidas, a gestão ruinosa, a iliquidez e a possibilidade de aumentar o prejuízo, calculado em cerca de R$ 40 bilhões, que atingirá fundos de pensão e investidores de toda espécie. Mas o ministro o TCU  não ficou nada satisfeito.

“Os pontos centrais afirmados na Nota Técnica – embora relevantes como narrativa institucional – não foram acompanhados de prova documental nos autos”, protestou Jhonatan de Jesus.

DISSE JHONATAN – “A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, destacou o ministro, que então determinou uma “inspeção técnica” do TCU no Banco Central, vejam a que ponto chega a insensatez dessa gente.

A situação ficou tão constrangedora que o presidente do TCU, Vital do Rego, foi obrigado a intervir. Com muita diplomacia, confirmou o pedido de inspeção feito por Jhonatan, porque assim o assunto passa automaticamente para a área técnica do TCU e o ministro-relator não terá condições de seguir atacando o Banco Central.

Portanto, a decisão de Vital do Rego favorece o BC, que já avisou que os técnicos do tribunal passarão pelo rigoroso sistema de controle exigido pela autoridade monetária.

Os técnicos do TCU deverão assinar  termos de confidencialidade, para terem suas consultas analisadas e respondidas pelo Banco Central, quando for o caso, porque o TCU não tem poderes para intervir em casos de liquidação ainda em andamento.

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P.S.
– Com impressionante habilidade, Vital do Rego neutralizou Jhonatan de Jesus, que não poderá ficar dando palpites sobre assunto que está na área técnica do TCU. Isso enfraquece o lobby montado pelo banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que ficou preso durante apenas uma semana e foi libertado pelo ministro Dias Toffoli, que também tenta reverter a liquidação do banco. Mas quem se interessa? (C.N.)

8 thoughts on ““Pressão” de ministro do TCU revela o grau de podridão no caso do banco Master

  1. Prezado Editor. A ação deletéria do ministro Jhonatan de Jesus, está sendo tão acintosa, que se o Brasil fosse um país sério e o Congresso trabalhasse pelo povo, ele Jhonatan não seria nomeado para o Tribunal de Contas, órgão auxiliar do Legislativo e nomeado deveria sofrer o impeachment e preso por causar danos financeiros ao país e reduzir o grau de investimentos de bancos, fundos e empresas americanas, européias e asiáticas.

    Mas, vai ficar o mais do mesmo e vida que segue.
    Esse Jhonatan não terá coragem de através de medida cautelar reverter a liquidação do Banco arapuca Master. Já era, porque qual o maluco que vai aplicar dinheiro nessa furada, um queijo suíço.

  2. O caso Master é, de longe, o maior desastre do sistema financeiro

    Quem tem interesse nisso? Vorcaro, claro, e um amplo elenco de políticos e governantes que fizeram negócios com o Master.

    As possíveis fraudes e operações impróprias passam de uma dezena de bilhões de reais.

    E colocam na mesa questões tão cruciais como as relações de ministros do STF e escritórios de advocacia de cônjuges e parentes.

    Dias Toffoli colocou todo o caso sob sigilo.

    Fonte: O Globo, Economia, Opinião, 05/01/2026 00h05 Por Carlos Alberto Sardenberg

  3. Senhor Botelho Pinto , por quais cargas d’água os humanoides civilizados sempre , culpam pejorativamente os utilíssimos ” ASNOS ” , por suas mazelas , sendo que os asnos são em muitos casos , muito mais sensatos que os humanoides .

  4. O cheiro de podre, que vem do TCU e do STF, nas figuras grotescas de Jhonatan de Jesus e Dias Toffoli, ambos tentando atuar como advogado de Vorcaro é impressionante.

    A atuação do ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, indicado pelo Centrão, digo Arthur Lira, chega as raias do absurdo.

    O Banco Central entrou com recurso no TCU contra a inspeção no Banco e pasmem, o recurso caiu de paraquedas no gabinete de quem: Jhonatan de Jesus.

    Gregos e troianos, dão como certo, que Jhonatan vai proibir a venda dos ativos de Vorcaro, para pagar os investidores do Banco Master, porque a grita numa eventual reversão da Liquidação do Master, pode redundar na extinção do TCU. Acho que deveria ser extinto mesmo, aquilo não serve para nada, uma arapuca que abriga deputados e senadores em fim de carreira ou que desistem de disputar eleições.

    Já tem gente querendo ir às ruas protestar contra essa corrupção de gente graúda tentando ajudar Daniel Vorcaro a sair dessa encrenca.

    Vorcaro atua para não ser preso e manter sua fortuna conseguida através de apropriação fraudulenta de recursos públicos.

    Dois governadores deveriam ser presos imediatamente junto com Vorcaro: O Ibanéis Rocha e Cláudio Castro. Mas, esperar essa decisão do Relator no STF, Dias Toffoli, equivale a morrer na praia de tanto esperar e não sair nada dali. É praticamente impossível a criminalização dos dois governadores.

    Depois dessa armação, passei a não acreditar em mais nada.

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