Escândalo respinga no Planalto, Lula abandona Toffoli e quer prestigiar PF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a  cerimônia em Brasília

“Aliança” que Luta tinha com o STF já foi para o espaço

Vera Rosa
Estadão

Um ambiente conflagrado e de desconfiança generalizada marcou o retorno das atividades na Praça dos Três Poderes após o carnaval, que não conseguiu abafar o clima de guerra que predomina na relação entre o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) desde que estourou o escândalo do Banco Master.

O fato é que o presidente Lula deu carta branca ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para investigar o ministro Dias Toffoli e seu relacionamento com Daniel Vorcaro, dono do Master. Andrei, que denunciou Toffoli ao presidente do Supremo, Edson Fachin, ganhou tantos pontos com Lula que já é visto na Esplanada como nome certo para ocupar um ministério, provavelmente o da Segurança Pública, a ser criado, caso o presidente conquiste novo mandato.

FIM DA ALIANÇA  – A atitude de Lula, porém, provocou extremo mal-estar entre magistrados. Nos bastidores, ele chegou a ser chamado de “ingrato” por integrantes do STF, que fizeram uma aliança tácita com o governo desde os atos golpistas do 8 de Janeiro.

Sob pressão, Toffoli teve de deixar a relatoria do caso Master, mas, logo em seguida, gravações com elogios a ele na sessão secreta do STF foram vazadas. Havia grampo no Supremo? De repente, nesse enredo envolvendo até resort de luxo, todos viraram suspeitos, como num romance policial de Agatha Christie.

Para ministros, a PF agiu de forma “clandestina e ilegal” ao investigar Toffoli sem autorização da Procuradoria-Geral da República. Andrei Rodrigues rebateu dizendo que todas as informações entregues ao presidente do STF, Edson Fachin, estavam no celular apreendido de Vorcaro.

FIM DO MUNDO – Com o STF em chamas, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news – mais conhecido como “fim do mundo”, por não acabar nunca –pediu à Receita Federal e ao Coaf para rastrear a quebra do sigilo de dados dos magistrados e seus parentes.

Foram identificados acessos não-autorizados, cometidos por servidores da própria Receita – um deles auditor, que recebeu salário de R$ 51 mil em dezembro, além de um funcionário cedido pelo Serpro.

É nesse cenário turbulento que deputados e senadores do Centrão e também da esquerda, candidatos às eleições de outubro, travam uma queda de braço. Apesar do discurso de que tudo será apurado, “doa a quem doer”, a ideia é engavetar propostas de abertura de comissão parlamentar para investigar falcatruas cometidas pelo Master e direcionar os rumos da CPI do INSS.

INSATISFAÇÃO SOCIAL – Depois de um carnaval que já deu o que falar, o Congresso e o Judiciário voltam ao trabalho sob os holofotes de uma insatisfação social que não prescreve.

Embora seja zero a hipótese de Lula ficar inelegível por causa do desfile da Acadêmicos de Niterói em sua homenagem, na Marquês de Sapucaí, é certo que o tema da propaganda antecipada agitará a campanha. Detalhe: Toffoli será um dos titulares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no período de campanha, quando o tribunal estará sob o comando de Nunes Marques e também terá atuação de André Mendonça, novo relator do caso Master no STF.

Nesse jogo do poder, o magistrado que foi indicado por Lula para o STF, em 2009 – e acabou “rifado” por ele agora – pode acabar atuando como “fiel da balança” em julgamentos no TSE por causa da composição do tribunal.

ALCOLUMBRE – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já avisou que não pautará nenhum pedido de impeachment de ministros do STF. O Planalto, por sua vez, tenta tirar dividendos da crise e vê agora chance para aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira da Corte.

Na prática, o governo aposta no enfraquecimento de Alcolumbre após denúncias de ligação do Master com o fundo Amapá Previdência, presidido por um aliado dele.

Evangélico, Messias acabou de voltar de um retiro espiritual, em Brasília. Não sambou na Sapucaí nem alfinetou Toffoli. Para os católicos como Lula, a quaresma – que começou nesta Quarta-Feira de Cinzas – é tempo de reflexão até a Páscoa. Mas haverá mesmo vida nova na Praça dos Três Poderes?

6 thoughts on “Escândalo respinga no Planalto, Lula abandona Toffoli e quer prestigiar PF

  1. Reacionária, neoludita, extemporânea, retrotótica, adotando as banderias da Direita, como a o antissemitismo e o patriotismo, apoiando ditaduras misóginas, homofóbicas e narcotraficantes, com seu shopping da tortura, a tal “esquerda progressista” tornou-se um peso morto, incapaz de equacionar e enfrentar os problemas reais, uma vez que se encastelou na sua realidade esquizo-metafísica e na transformação da ciência, que lhe dá sutentação, com seus gênios imbecilizados, em seita produtora de superstições, inúteis pra interpretação da hodiernidade.

    O seu líder máximo, só tem sobrado ele, com alguma chance de vencer as eleições, onde fingem ser democratas, é um sujeito analógico, que vê na Quarta Revolução Tecnológica tão somente uma ameaça pro seu projeto de perseguir, censurar, prender e arrebentar seus adversários.

    Ao que parece alguém com uns dois neurônios o convenceu de não expor seu pensamente reacionário, da Era da Máquina de Escrever, em encontro internacional sobre a Inteligência Artificial, um enorme bicho papão pra sua cabecinha, situada,se muito, em meados so século passado.

    https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/americo-martins/internacional/lula-cancela-participacao-em-evento-organizado-pelo-brasil-em-cupula-de-ia/

    Seria, somando-se ao rebaixamento interno de sua idiota campanha eleitoral antecipada, o rebaixamento internacional, dado seu esforço medieval de óbice ao avanço inerorável das forças produtivas.

  2. Quem quiser compreender as bases esquizo-metafísica-idealista deste estorvo chamado “esquerda progressista” leia A Sagrada Família (1845) de Karl Marx e Friedrich Engels, em que criticam os chamados “jovens hegelianos”, especialmente Bruno Bauer, por seu idealismo revolucionário, aplicavél in totum pro Aparato Petista

    • Eles argumentam que esses revolucionários acreditavam que mudar as ideias e a consciência seria suficiente para transformar a sociedade.
    • Marx e Engels criticam essa posição como abstrata e distante da realidade material.
    • Defendem que a verdadeira transformação social depende das condições materiais de vida, das relações econômicas e das lutas concretas — não apenas da crítica filosófica.

    Baixe a obra aqui:

    https://archive.org/details/ASagradaFamiliaKarlMarx

  3. Flávio Bolsonaro tem alta em pesquisas no Carnaval e assusta aliados de Barba

    Um salto em pesquisas diárias feitas para o mercado financeiro e que chegaram às mãos de lideranças do PT e de integrantes do governo assustaram os aliados de Barba:

    – Por dois dias, durante o Carnaval, Flávio Rachadinha chegou a ficar à frente do petista nas simulações de segundo turno.

    A rejeição de Barba, por sua vez, também subiu, e chegou a ficar cerca de mais de quatro pontos acima da aprovação.

    Folha de S. Paulo, Política, 20.fev.2026 às 23h00 Por Mônica Bergamo

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