Irã dos aiatolás caminha para se tornar “sucursal” da China no Oriente Médio

IRÃ : O LABIRINTO DOS AIATOLÁS - Tecnodefesa

Líderes do Irã fazem o país retroceder cada vez mais

Luiz Felipe Pondé
Folha

Ouço as gargalhadas dos aiatolás quando vem a mídia de muitos países ocidentais, incluindo o Brasil, torcendo por eles. Os aiatolás e sua Guarda Revolucionária contam com esse apoio. Ódio ao Trump, amor ao Irã dos aiatolás, ainda que disfarçados em análises de especialistas. Ouvimos os gritos de “bem feito” quando aviões americanos são destruídos ou Israel é bombardeado pelos iranianos.

Lembro de quando criança, sendo criado num ambiente no qual os adultos discutiam política durante a ditadura, de como a inteligência de então torcia pelos vietcongues, Vietnã do Norte, URSS e China na guerra contra os EUA, guerra esta vencida pelos comunistas, apesar de que hoje, longe daquele tempo, vimos o capitalismo vencer tanto na Rússia, quanto na China – ambos regimes ainda totalitários – e no próprio Vietnã, hoje destino turístico de gente chique e metida. A mesma reação é vista com relação a Cuba ainda hoje, uma ditadura mentirosa e miserável. Nada mudou.

ANJOS E INTERESSES – Não se trata de dizer que o capitalismo ou os americanos são anjos. Em geopolítica não há anjos, só interesses pragmáticos e violentos. Não há por que torcer por ninguém, afinal de contas, não é um videogame. Pergunto-me se quem torce pelo Irã preferiria ir para Nova York ou Teerã? Há uma grave dissociação cognitiva nessa torcida pelo Irã.

O regime do Irã pratica feminicídio, perseguição a gays —toco nesses temas porque estão na moda na imprensa— tortura da sua população, corrupção em larga escala.

Há poucos dias vimos milhares de pessoas protestando contra a guerra nos Estado Unidos. Alguém preso? Torturado? Internet cortada? Virou moda dizer, com sustentação supostamente científica, que a democracia americana está em declínio, que a democracia brasileira é melhor. A democracia brasileira é corrupta em todos os poderes, funcionando sob a eterna “lei” de para os amigos tudo, para os inimigos a lei. Vivemos sob ameaça de censura jurídica e acumulam-se leis para processar todo mundo por qualquer coisa que escreva ou fale. O STF hoje é um abraço de afogado para o Lula e o PT.

FEDERAÇÃO DE ARAQUE – A democracia americana é uma federação real, os estados têm enorme autonomia em sua legislação – todo mundo sabe que soberania descentralizada fortalece a democracia – enquanto o Brasil é uma federação de araque em que todo o dinheiro e o poder estão nas mãos de Brasília. Quando os democratas ganharem as eleições americanas, tudo muda, e o Irã poderá fazer sua bomba atômica em paz.

Logo a sociedade civil americana tirará os Estados Unidos da guerra, como fez com o Vietnã, com a ajuda massiva da mídia. Os aiatolás “celebrarão a resistência” contra americanos e israelenses, graças a pressão do petróleo. E os defensores da democracia poderão ficar felizes com a vitória da “democracia iraniana”.

O livro de Mohsen M. Milani, “Iran’s Rise and Rivalry with the US in the Middle East”, lançado em 2025, pode nos ajudar a entender a geopolítica de fundo desta guerra, ao invés de ficarmos xingando Trump como adolescentes jogando War.

PODER INIMIGO – Desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979, o país se definiu como um poder inimigo e competidor dos Estados Unidos na disputa pelo poder no Oriente Médio, poder esse atravessado pelo seu fanatismo religioso.

Nunca houve confronto direto entre os dois países até agora, mas o conflito sempre foi indireto, “by proxies” –por procuração – como se diz. O Irã, país agressivo geopoliticamente na região, alimenta e alimentou vários grupos violentos e terroristas: Houthis no Iêmen, o ex-governo da Síria que massacrava sua população, grupos armados xiitas no Iraque, Hezbollah que visa destruir Israel e destruiu o Estado Libanês, Hamas em Gaza.

O Irã, ao longo dos anos, buscou tornar-se a maior potência da região, mesmo contra a Arábia Saudita, aliado dos EUA, além de Israel. Portanto, o Irã dos aiatolás, sim, é um regime agressivo que invade e interfere nos Estados a sua volta.

AÇÃO ESTRATÉGICA – Como escreve o analista geopolítico Marco Vicenzino no jornal português Expresso, “O que está a surgir é uma nova forma de ação estratégica: a geopolítica das cadeias de abastecimento – o uso da infraestrutura econômica como instrumento de poder”.

Agora a coisa pegou: o Irã caminha para se tornar um “proxy” da China na região. Todo mundo sabe disso, por isso Trump foi pra guerra.

Controlar a região é controlar o petróleo iraniano e pressionar a China nos seus recursos energéticos. A história dos adultos voltou. O problema com as análises geopolíticas ideologicamente enviesadas é que ignoram a realidade em favor do “parquinho anti-imperialista”.

8 thoughts on “Irã dos aiatolás caminha para se tornar “sucursal” da China no Oriente Médio

  1. E o Brasil já é sucursal da China na America Latina faz 20 anos, com direito até a base militar secreta, porto próprio e cidade chinesa sendo contruída na Bahia.

    E o vira lata é Bolsonaro e bolsoristas, que venderam e entregaram as riquezas do Brasil para os americanos. Agora, o que mesmo Bolsonaro vendeu e entregou aos americanos em seus 4 anos de governo? Nada, absolutamente nada!

  2. “Poder Inimigo”?
    Inimigos são os “buchas de canhões”, havidos multilaterais povos desassemelhados e tidos como prioridade exterminávei(redutora populacional).

  3. A África já é colônia da China. Agora é a vez da América Latina, estão comprando participações em portos brasileiros, estão querendo fazer uma estrada de ferro ligando o Atlântico ao porto que fizeram no Peru. Tem o lítio na Argentina e no Brasil.

  4. Sucursal essa desde a rota da seda original.

    “O Irã é um elo histórico e estratégico na Rota da Seda, conectando o Oriente Médio à Ásia Central e Europa. Na antiguidade, controlava o comércio terrestre na Pérsia. Hoje, o país é vital para a “Nova Rota da Seda” chinesa, com acordos de US$ 400 bilhões para infraestrutura e energia, focando em ferrovias e portos.
    Instituto Humanitas Unisinos – IHU
    Instituto Humanitas Unisinos – IHU
    +2
    Pontos-chave da Rota da Seda no Irã:
    Importância Histórica: A Pérsia funcionava como um “corredor central” onde rotas terrestres se cruzavam, ligando a China ao Mediterrâneo.
    Rotas Antigas: Passavam pelo Khorasan, alcançando Rey, Qazvin, Tabriz, Hamadan e Kermanshah.
    Patrimônio: Cidades como Yazd, Isfahan, Shiraz, Tabriz e Mashhad possuem monumentos do período comercial da Rota da Seda.
    Nova Rota da Seda (Cinturão e Rota): O Irã é considerado indispensável para a conectividade terrestre da China com o Ocidente.
    Investimentos: A parceria estratégica de 25 anos envolve grandes investimentos chineses em energia e ferrovias, como a ligação entre Teerã e Mashhad.
    Instituto Humanitas Unisinos – IHU
    Instituto Humanitas Unisinos – IHU
    +5
    O Irã atua como uma ponte estratégica no projeto atual da China, consolidando seu papel histórico no comércio e na geopolítica.”

    Pondo é um intelectual somente para tablóides de terceira categoria.

  5. Não acredito que isso possa acontecer , uma vez que o IRÃ e seu povo vem lutando bravamente ” contra tudo e contra todos ” ao longo desses 47 anos a fio desde de 1979 , sem nunca esmorecer e ficar de quatro para quem quer que seja , ou seja , mal saiu da revolução sem que estivesse consolidada , foi forçado a entrar numa guerra contra o Iraque durante longo 9/10 anos , além de sofrer sucessivos ataques e bombardeios de Israel x EUA sob a desculpa de impedi-lo de construir a bomba atômica , sendo que ironicamente esses ataques serviram de incentivos para o IRÃ adquirir mais conhecimento de domínio do ciclo do urânio , beneficiando-o para construir uma bomba atômica caso queira , para comprovadamente proteger-se de seus reais inimigos Israel x EUA e seus satélites do mundo Árabe .

  6. Rede TVT:

    CIÊNCIA | As discordâncias com o regime do Irã, não podem ser motivos para subestimar a capacidade científica e militar do país, diz Rodolfo Laterza, mestre em Segurança Pública e especialista em geopolítica e conflitos.
    É praticamente impossível acabar com o programa de mísseis balisticos e drones iranianos, mas os Estados Unidos (EUA) julga possível por rebaixar as capacidades tecnológicas do Irã. “Querem tratar o Irã como medieval, bárbaro”, critica Laterza.
    Segundo o especialista, o Irã é o quarto país que mais produz engenheiros no mundo, 97% da população é escolarizada e 60% dos docentes universitários são mulheres. “Pode se detestar o regime, mas temos que fazer o diagnóstico correto”, afirma.
    #eua #irã #tecnologia #mundo #nerd #ciencia #militar #tvtnews #noticias
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    244 mil

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