Lula está ensinando ao Supremo que em política não existe gratidão nem lealdade

Charge do Zé Dassilva: Ninguém precisa saber - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

William Waack
Estadão

Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia”, e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativo ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.

Explícito nesse conselho é o reconhecimento de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado. Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.

SALVAR A PELE – As posturas públicas de integrantes das duas principais alas em que se divide hoje o Supremo indicam que a luta por “preservar” a imagem da instituição cedeu lugar à luta para salvar literalmente a pele de alguns de seus integrantes. Não ganhou tração no debate a tentativa de tratar a crise em que se encontra o Supremo como esforço para preservar a institucionalidade diante de ataques infundados.

Formou-se um tipo de “onda”, de “momento” na política, no qual a hipertrofia do STF é percebida amplamente como intolerável. E surgiu bastante distante, mas está na linha do horizonte, o temor de algum tipo de desobediência civil. A tal da “autocontenção” sequer é percebida como tal.

Ao contrário. A resposta à crise dada pelo STF é vista pelo público como o emprego mal disfarçado de subterfúgios “técnicos” para limitar o poder de investigação do Legislativo, cercear a distribuição de conteúdo obtido por órgãos como a PF, mudar regras do jogo para dificultar a tramitação de pedido de impeachment dos ministros e, por último, contestar o alcance e valor de delações – quando virão várias no Master.

NOVA LAVA JATO – Talvez seja a arrogância do poder irrestrito que tenha levado alguns integrantes do STF a acreditarem que está em curso um novo tipo de lavajatismo. O paralelo possível com aqueles tempos é outro: é o grau da indignação em vários setores da sociedade com a podridão e falta de moral no “sistema”. A Lava Jato foi um grande grito de “basta”. É o que se ouve novamente.

As duas “saídas” em curso no momento para a situação do Supremo são o forte espírito corporativista do Judiciário em geral e da corte suprema em particular. E um tipo de entendimento “informal” com um Senado que não mais comanda o mesmo respeito que já teve. Ficou mais parecido com a Câmara dos Deputados e suas “negociações”, inclusive políticas.

Seria mesmo difícil vislumbrar como “saída” uma eventual ajuda vinda de um mandatário que admite em público estar no cargo graças ao Supremo. Lula ensinou que em política não existe gratidão e nem lealdade.

10 thoughts on “Lula está ensinando ao Supremo que em política não existe gratidão nem lealdade

  1. O Judiciário é o mais perigoso dos ditadores desde que não obedece a Lei, atropela os fatos, frauda as provas.

    Sonho com o dia em que juiz será um servidor que aplica a Lei, conforme os fatos e as provas e não um vendedor de decisões, um mercador do tráfico de influência como é hoje com seu poder arbitrário e ilimitado, sempre contra a Lei vigente.

  2. Para preservar e higienizar as instituições da *res publica*, é indispensável começar pela assepsia de seus representantes — afinal, sem eles, aquelas não passam de abstrações inertes. E sendo estes feitos de carne, osso e apetites bem terrenos, não raro subordinam o interesse público às suas conveniências privadas, quase sempre distantes do ideal republicano.

  3. “Lula está ensinando ao Supremo que em política não existe gratidão nem lealdade.”
    Não é verdade!
    À exemplo dos sequenciados Lugo, Kirschner, Chaves, em razão de seus Khazarianos “titubeios”(rebeldia à agenda) foi-lhes inoculado células cancerígenas e perdas de mandatos ou mortes. Lula e Dilma voltaram atrás e são exemplares serviçais, enquanto a “resistencia” de Chaves, causou-lhe o agravamento e a morte.
    Mero jogo: Cumprem seus garantidos, apátridas e corruptos papéis, inimputados e salutarmente, sem pestanejar!

  4. O ditado já dizia, farinha pouca, meu pirão primeiro.
    Sempre foi assim, a ação é bem vinda, quando é o “venha a nós”, mas quando passa ser ao ” vosso reino”, dai a coisa sai do esquadro.
    Com esses políticos que temos no Brasil, lealdade é coisa dos contos da carochinha.
    Desde que a ditadura acabou com PSD, PTB e UDN, siglas partidárias no Brasil são só formalidades para político poder se candidatar, não existem mais afinidades com os partidos e ideologias são apenas
    rótulos para engabelar os incautos e crédulos.

  5. O racista só quer causar.
    O Presidente respeita o STF, tanto que foi em cana sob os olhos deles .Sem provas (postem aqui alguma que consta no processo, com página, se souberem de algo) e nas mãos de bandidos sem caráter como o Moro, Dallagnol,etc.
    E foi em cana como Homem e não como um rato que só ataca o STF.
    Os filhos são iguais, desde sempre.

    • Aliás, os vagabundos que todos os dias atacam os juízes,a cadeia está cheia desse tipo de gente, agora vem com esse papo esquisito.
      É uma corja mesmo.

  6. Postulado: “Quanto mais bem situado na escala econômica/financeira/social está o negão, mais autêntica é a loura que está a seu lado no carrão”

    Para os leigos: teoremas necessitam de prova.

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