
Oposição tenta aprovar PECs para conter o STF
Lauriberto Pompeu
O Globo
Senadores tentam avançar nos próximos dias com medidas para conter o Supremo Tribunal Federal (STF). A articulação ocorre logo depois de a CPI do Crime Organizado derrotar o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pedia o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
As articulações são encabeçadas principalmente por senadores da oposição, que apoiaram o relatório de Vieira. A ideia é reforçar, com mudanças legislativas, os instrumentos da CPI e mudar regras que retirem a influência do Supremo nas comissões parlamentares de inquérito.
PEC – O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), por exemplo, designou o senador Esperidião Amin (PP-SC) para relatar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que obriga o comparecimento de todos os investigados e testemunhas a comparecer na CPI.
Decisões recentes do Supremo desobrigam uma série de convocados da CPI do Crime e do INSS de comparecerem aos colegiados. Um dos casos aconteceu com os irmãos de Toffoli, que foram liberados de participar da CPI do Crime.
COMPARECIMENTO – O texto é de autoria do senador Sergio Moro (PL-PR) e diz que “o direito ao silêncio não autoriza o intimado a não comparecer à comissão parlamentar de inquérito” e quem não comparecer ficará sujeito à condução coercitiva.
“Esta PEC, que é de autoria do senador Sergio Moro, foi distribuída para eu relatar e eu vou fazer o relatório a favor. As CPIs estão sendo desmontadas pelo fato de que quem é convocado não é obrigado nem a comparecer e nem a falar. A conspiração contra a CPI é esta, nós vamos enfrentar”, disse Amin, que deve apresentar o parecer na semana que vem: ” Isso é uma coisa real e combate uma falseta que está sendo praticada. Por que não se colher informação nessa CPI (do Crime)? As pessoas são dispensadas de comparecer e de falar”, completou o senador.
DERROTA – O relatório de Vieira na CPI do Crime foi derrotado por seis votos contrários e quatro a favor. Amin era um dos votos favoráveis e um dos principais senadores a fazer críticas ao STF. Após o relatório ser divulgado, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli sinalizaram que Alessandro Vieira cometeu abuso de autoridade e deveria ficar inelegível.
Gilmar Mendes também pediu à Procuradoria-Geral da República que o senador fosse investigado por abuso de autoridade. Em resposta, o relator disse que os magistrados “não são donos do país” e que não se curvará a “ameaças” de punição.
Na reta final, governistas promoveram a substituição de dois senadores de oposição em uma ofensiva para impedir a votação do texto ou derrotá-lo na última sessão da comissão. Deixaram o colegiado Sergio Moro e Marcos do Val (Avante-ES), ambos integrantes do Bloco Parlamentar Democracia (MDB, PSDB, Podemos e União Brasil) e favoráveis ao parecer. Em seus lugares, entraram Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo.
AUTOCRÍTICA – Mesmo entre aqueles que foram contra o relatório de Vieira há quem concorde que o Supremo precisa fazer uma autocrítica em relação à exacerbação das competências da Corte. O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), foi um dos que se posicionou contra o parecer, mas pregou a autocrítica do STF.
Eduardo Braga, que é líder do MDB no Senado, também declarou que vai apresentar uma PEC para conter o STF. A ideia é criar um código de conduta que todas as autoridades públicas precisarão seguir. “As democracias morrem por falta de informação, uso de fake news e desrespeito às instituições. As instituições precisam se fazer respeitar”, declarou Braga.
O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a sugerir que o Supremo criasse um código, mas a ideia não tem avançado e encontrado respaldo de outros integrantes da Corte. A PEC do líder do MDB nesse sentido ainda está em estágio inicial e deve ser protocolada na semana que vem.
AVALIAÇÃO – Alessandro Vieira declarou que “ainda vai avaliar” a elaboração de mais medidas legislativas em reação ao STF. Ele também elogiou a PEC de Braga. “Acho uma boa iniciativa”, afirmou.
O relatório de Vieira na CPI do Crime tinha como eixo o caso do Banco Master e pedia o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade.
JUDICIALIZAÇÃO – texto apontava suspeição, quebra de decoro e interferência nas investigações da CPI por parte dos ministros, além de atribuir ao STF um ambiente de “judicialização intensa”, com decisões que suspenderam diligências, limitaram o acesso a dados e esvaziaram depoimentos.
O caso do Banco Master era tratado como fio condutor e como exemplo da conexão entre crime financeiro e organizações criminosas. Apesar disso, o parecer não incluía pedidos de indiciamento de operadores diretamente ligados ao esquema.
Ovo com gema mole é proibido? Caso em SP teve até termo de responsabilidade…
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/04/16/termo-responsabilidade-ovo-cru.ghtm?cmpid=copiaecola
fundo do poço….
Excessos puseram a perder a CPI do Crime Organizado
Embora relator tenha apresentado argumentos para indiciar ministros do Supremo, nenhum era suficiente
O contraste era evidente: apesar de o relatório dedicar dezenas de páginas às facções e milícias armadas, os indiciamentos não incluíram nenhum de seus líderes
Depois da rejeição do relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento por crime de responsabilidade de três ministros do STF e do procurador-geral da República, o momento exige comedimento das autoridades.
Houve excessos de Legislativo e Judiciário, e nada seria pior do que manter um clima de ataques, ameaças e xingamentos, que, além de desalentador, é contraproducente.
No Legislativo, a CPI ficou muito aquém do esperado. Pouco avançou na exposição dos mecanismos usados pelo crime organizado. Não revelou nenhuma novidade surpreendente sobre as ramificações de PCC, CV, milícias e outras organizações criminosas.
Num momento em que a segurança desponta como maior preocupação dos brasileiros, o Senado perdeu uma oportunidade de responder aos anseios das ruas.
Em vez disso, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), preferiu o estardalhaço eleitoreiro e deflagrou uma crise institucional ao pedir indiciamento inédito dos ministros Moraes, Toffoli, Gilmar e do procurador-geral Gonet — acusados, sem provas suficientes, de envolvimento no caso Master.
O contraste era evidente: apesar de o relatório dedicar dezenas de páginas às facções e milícias armadas, os indiciamentos não incluíram nenhum de seus líderes.
O parecer acabou rejeitado por 6 votos a 4 depois de uma manobra para trocar integrantes da CPI. Não gerará consequência jurídica, nem o principal objetivo político almejado por Vieira — pedidos de impeachment para seus alvos.
Havia, é verdade, argumentos para incluir o Master no escopo da CPI. “As pessoas acham que crime organizado é só preto, pobre, armado na favela. Não é”, afirmou Vieira no programa Estúdio i, da GloboNews.
Ele cita o uso de jatinhos por ministros, “ingressos para eventos luxuosos” e contratos milionários com familiares como evidências de crimes de responsabilidade. “Se tivéssemos as ferramentas que o PGR [procurador-geral] não utiliza, poderíamos avançar para ver se houve também crime comum.”
Diversas ações e decisões do Supremo que dificultaram o trabalho da CPI justificam, no entender de Vieira, os indiciamentos. Gilmar suspendeu a quebra de sigilo de uma empresa de Toffoli e seus irmãos e de um fundo vinculado ao esquema de Daniel Vorcaro, ambos envolvidos na compra de um resort no Paraná.
Incapazes de criar a CPI do Master devido a resistências políticas, parlamentares desviaram a do Crime Organizado para essa via alternativa. É verdade que Toffoli e Moraes devem explicações no caso Master, mas é evidente que o relatório extrapolou ao tentar indiciá-los.
O excesso de Vieira, porém, não justifica a reação destemperada de ministros do Supremo. Gilmar pediu à PGR abertura de investigação contra Vieira por “abuso de autoridade”. Chegou a dizer que ele esquecera “seus colegas milicianos” (sem apresentar uma única prova do que dizia).
Toffoli chamou o relatório de “excrescência” e defendeu cassar “aqueles que abusaram atacando as instituições”. Vieira reagiu dizendo que “não se curva a ameaças”. Ora, investigar Vieira ou cassar seu mandato pelos erros da CPI seria desvario.
É lamentável que, em tema relevante como o crime organizado, o foco seja desviado para impeachment de ministros do STF e abuso de parlamentares. O país merece mais das autoridades da República.
O Globo, Opinião, 16/04/2026 00h10 Por Editorial
Um local onde a justiça tem uma “corte superior” igual a nossa os corruptos, corruptores e toda espécie de fora da lei prosperam
Batoré não pautará nada disso. Envolvido até o talo e mesmo que não tivesse iria priorizar seus próprios interesses e / ou de quem lhe pagar melhor. Jogo sujo. O povo que se lasque pra essa “gente”.
Esse triunvirato do STF é imbatível.