Senadores reagem e articulam ofensiva para limitar poder do STF após derrota em CPI

6 thoughts on “Senadores reagem e articulam ofensiva para limitar poder do STF após derrota em CPI

  1. Excessos puseram a perder a CPI do Crime Organizado

    Embora relator tenha apresentado argumentos para indiciar ministros do Supremo, nenhum era suficiente

    O contraste era evidente: apesar de o relatório dedicar dezenas de páginas às facções e milícias armadas, os indiciamentos não incluíram nenhum de seus líderes

    Depois da rejeição do relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento por crime de responsabilidade de três ministros do STF e do procurador-geral da República, o momento exige comedimento das autoridades.

    Houve excessos de Legislativo e Judiciário, e nada seria pior do que manter um clima de ataques, ameaças e xingamentos, que, além de desalentador, é contraproducente.

    No Legislativo, a CPI ficou muito aquém do esperado. Pouco avançou na exposição dos mecanismos usados pelo crime organizado. Não revelou nenhuma novidade surpreendente sobre as ramificações de PCC, CV, milícias e outras organizações criminosas.

    Num momento em que a segurança desponta como maior preocupação dos brasileiros, o Senado perdeu uma oportunidade de responder aos anseios das ruas.

    Em vez disso, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), preferiu o estardalhaço eleitoreiro e deflagrou uma crise institucional ao pedir indiciamento inédito dos ministros Moraes, Toffoli, Gilmar e do procurador-geral Gonet — acusados, sem provas suficientes, de envolvimento no caso Master.

    O contraste era evidente: apesar de o relatório dedicar dezenas de páginas às facções e milícias armadas, os indiciamentos não incluíram nenhum de seus líderes.

    O parecer acabou rejeitado por 6 votos a 4 depois de uma manobra para trocar integrantes da CPI. Não gerará consequência jurídica, nem o principal objetivo político almejado por Vieira — pedidos de impeachment para seus alvos.

    Havia, é verdade, argumentos para incluir o Master no escopo da CPI. “As pessoas acham que crime organizado é só preto, pobre, armado na favela. Não é”, afirmou Vieira no programa Estúdio i, da GloboNews.

    Ele cita o uso de jatinhos por ministros, “ingressos para eventos luxuosos” e contratos milionários com familiares como evidências de crimes de responsabilidade. “Se tivéssemos as ferramentas que o PGR [procurador-geral] não utiliza, poderíamos avançar para ver se houve também crime comum.”

    Diversas ações e decisões do Supremo que dificultaram o trabalho da CPI justificam, no entender de Vieira, os indiciamentos. Gilmar suspendeu a quebra de sigilo de uma empresa de Toffoli e seus irmãos e de um fundo vinculado ao esquema de Daniel Vorcaro, ambos envolvidos na compra de um resort no Paraná.

    Incapazes de criar a CPI do Master devido a resistências políticas, parlamentares desviaram a do Crime Organizado para essa via alternativa. É verdade que Toffoli e Moraes devem explicações no caso Master, mas é evidente que o relatório extrapolou ao tentar indiciá-los.

    O excesso de Vieira, porém, não justifica a reação destemperada de ministros do Supremo. Gilmar pediu à PGR abertura de investigação contra Vieira por “abuso de autoridade”. Chegou a dizer que ele esquecera “seus colegas milicianos” (sem apresentar uma única prova do que dizia).

    Toffoli chamou o relatório de “excrescência” e defendeu cassar “aqueles que abusaram atacando as instituições”. Vieira reagiu dizendo que “não se curva a ameaças”. Ora, investigar Vieira ou cassar seu mandato pelos erros da CPI seria desvario.

    É lamentável que, em tema relevante como o crime organizado, o foco seja desviado para impeachment de ministros do STF e abuso de parlamentares. O país merece mais das autoridades da República.

    O Globo, Opinião, 16/04/2026 00h10 Por Editorial

  2. Batoré não pautará nada disso. Envolvido até o talo e mesmo que não tivesse iria priorizar seus próprios interesses e / ou de quem lhe pagar melhor. Jogo sujo. O povo que se lasque pra essa “gente”.

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