Política externa de Lula ajuda a explicar por que ainda somos subdesenvolvidos

A preferência de Lula por ditadores parece ser compulsão

A preferência de Lula por ditadores parece ser compulsão

Alexandre Garcia
Gazeta do Povo

Vou falar um pouco da política externa brasileira, da posição do Brasil no mundo, no chamado “concerto das nações”. O Brasil é um país grande, um dos maiores em extensão territorial e em população, mas não tem o poder político, militar e econômico dos Estados Unidos, por exemplo. Nós fomos colonizados mais ou menos ao mesmo tempo que os norte-americanos e, no entanto, eles são a maior potência do mundo enquanto nós continuamos nos arrastando no subdesenvolvimento – agora falam em “emergente”.

Nós já crescemos mais que a China. Eu me lembro disso porque cobri o milagre brasileiro da primeira metade dos anos 70, estava no Jornal do Brasil. Em cinco anos, crescemos a uma média de 11,2% ao ano; já chegamos a crescer 14%.

Se é possível, porque já fizemos isso, por que não continuamos? Nós hoje estaríamos à frente da China, estaríamos entre as cinco maiores potências econômicas mundiais. Mas não. Trocamos a aliança com o Ocidente pela aproximação com a China e com as ditaduras

MUDAMOS DE LADO – Chamou minha atenção um artigo de Dagoberto Lima Godoy, um gaúcho que presidiu a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e foi representante do Brasil na Organização Internacional do Trabalho (OIT), das Nações Unidas. Ele é experiente e consciente. No artigo, pergunta se mudamos de lado.

Nós éramos parte do Ocidente; não somos mais? Entramos nos Brics, um bloco dominado pela China. Vejam a Dilma Rousseff, presidente do Banco dos Brics. Falam em Sul contra Norte, está mais para Ocidente contra o Oriente.

De quem tomamos partido atualmente? Da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela, do Irã. Eu me lembro do episódio em que duas belonaves iranianas chegaram ao Rio de Janeiro e lá ficaram, enquanto os americanos diziam se tratar de navios espiões. E toda a nossa ligação com a China, pedindo que os chineses façam censura nas redes sociais brasileiras? Será que mudamos de lado?

BRASIL ERA PRAGMÁTICO – Estou há 50 anos em Brasília; antes disso, fiquei três anos no exterior, e por isso tenho certa afinidade com a política externa, que acompanhei e ainda acompanho. A política externa brasileira era uma política de Estado, era a política do Brasil. O Itamaraty tinha uma tradição de pragmatismo responsável.

O governo militar, por exemplo, foi o primeiro a reconhecer o governo comunista de Angola. Em primeiro lugar, vinham os interesses nacionais; a ideologia ficava para trás. Mas hoje o que temos é a ideologia em primeiro lugar. É não qualquer ideologia, mas a ideologia de Lula e do PT, que não corresponde à ideologia de um país conservador como o Brasil.

Mas a maré virou. Longe de ser um estadista, hoje Lula se posiciona contra os Estados Unidos. E sua defesa do Irã mostra que, mais uma vez, o governo Lula está distante do povo brasileiro

VOTO IMPRESSO – Nós falamos tanto da necessidade do voto impresso, e lá no Peru houve a maior confusão com as cédulas na eleição de domingo. Obviamente, não é isso que desejamos aqui no Brasil. A cédula peruana é uma coisa enorme, onde o eleitor vai assinalando seus candidatos, e pondo na urna. Faltaram cédulas, que são fornecidas pelo organizador das eleições – lá não existe Justiça Eleitoral.

O responsável pela logística da eleição foi até preso pela polícia, porque muita gente está dizendo que foi tudo de propósito, para as pessoas não votarem. A filha do ex-presidente Alberto Fujimori foi a mais votada e vai para o segundo turno, mas ainda não se sabe contra quem.

Tudo isso para lembrarmos que logo teremos eleição aqui. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, decidiu sair um mês antes; Nunes Marques assume no lugar dela, e seu vice será André Mendonça. Mas não basta apenas mudar as pessoas; o eleitor tem necessidade de saber como o seu voto é contado. Aqui na Europa, foi isso que os tribunais decidiram: não pode haver um sistema de apuração em que o eleitor não consiga entender como é computado o seu voto.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

4 thoughts on “Política externa de Lula ajuda a explicar por que ainda somos subdesenvolvidos

  1. Porque somos subdesenvolvidos?

    Seguimos à risca o que determina o Consenso de Washington que é a melhor forma que os EUA encontraram de manter o país subdesenvolvido ditando regras e impedindo o investimento na tecnologia, indústria nacional e educação. Temos controle de metas fiscais e privatizamos tudo de bom que país possui. Engraçado que os EUA possuem mais de 7 mil estatais e não vende nenhuma. Vários países da Europa estão privatizando empresas estratégicas como companhia de água e energia e nós fazemos o caminho inverso.

    Pagamos mais de 1 trilhão por ano de juros que é um dos mais altos do mundo. Isso é o que suga tudo que produzimos e falam que o problema do Brasil é a corrupção e alimentam a polarização da direita X esquerda.

    Temos várias ONGs que trabalham a mando do capital estrangeiro, movimentam as massas, e ajudam a roubar todos os recursos do nosso país. O que é pior, nossa elite odeia o Brasil. O sonho da nossa elite é viver em Miami e está se lixando para o Brasil.

    Nos brasileiros só elegemos pessoas que fazem barulho. Políticos que alimentam a polarização e acha que alimentando a luta direita X esquerda é que vai dar certo.

    Somos subdesenvolvidos pois não amamos o Brasil. Somos subdesenvolvidos pois o Brasil vive sem um plano apartidário com meta para os próximos 50 anos. Somos subdesenvolvidos pois o país ao invés de investir em indústria, tecnologia, saúde e educação tem uma direita que só pensa no neoliberalismo e uma esquerda que acha que precisa defender as ideias LGBT….

  2. Um artigo dele sem falar do ex-mito?! Não pareceu meio mudado, não?

    E o governo não é contrário aos States, mas contra Laranjão, por conta do deletério tarifaço.

    É isso.

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