Deputada do PL pede prisão preventiva de Lulinha e de Frei Chico, irmão de Lula

Oposição critica governo após caso Lulinha

Reprodução do site do deputado Major Araújo

Gustavo Zucchi
Metrópoles

Uma das autoras do pedido de criação da CPMI do INSS, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) protocolou, nesta quarta-feira (25/2), um pedido de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico.

Nos requerimentos, a parlamentar mato-grossense justifica a iniciativa, alegando que há motivos para prisão preventiva tanto do filho quanto do irmão do presidente Lula.

No caso de Lulinha, a deputada alega haver “risco concreto de fuga e de frustração da aplicação da lei penal” após as notícias de que o filho de Lula viajou para Madri, na Espanha, onde mora atualmente.

RISCO DE FUGA – A parlamentar afirma que é preciso “assegurar a aplicação da lei penal (risco de fuga). “A saída de Fábio Luís Lula da Silva do país em meio às investigações, somada a notícias sobre pedidos de medidas cautelares pessoais (tornozeleira, retenção de passaporte etc.), revela quadro de perigo real de evasão do distrito da culpa”, justifica.

Como mostrou o Metrópoles na coluna de Andreza Matais, o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis negociam uma delação premiada no caso e nas negociações já teriam citado Lulinha.

No caso de Frei Chico, a deputada aponta o risco de “influência sobre testemunhas”, “destruição de provas” e “risco concreto de continuidade delitiva” para defender a necessidade de prisão preventiva.

PRISÃO DE VORCARO – Além dos dois parentes de Lula, a deputada Coronel Fernanda protocolou outro requerimento mirando Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ela pede que a prisão domiciliar do banqueiro seja convertida em preventiva.

“A manutenção da prisão domiciliar, em vez da preventiva, compromete a aplicação da lei penal (§ 2º do art. 312 do CPP), permitindo que Vorcaro continue influenciando testemunhas ou dissipando patrimônio, em esquema de fraudes com repercussão nacional e quebra de sigilos já determinada pela CPMI”, afirma, explicando que a CPI foi criada para investigar as fraudes contra aposentados e pensionistas, mas a convocação de Vorcaro é necessária, porque o banco Master participou do esquema criminoso.

Sem medo do ridículo, Moraes impõe tornozeleira até em vigilante da Receita

Regis Soares – A tornozeleira do mito – BigPB

Charge do Regis Soares (Arquivo Google)

José Marques
Folha

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (25) mandado de busca e apreensão e instalação de tornozeleira eletrônica contra mais um suspeito de participar do vazamento de dados de integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e de seus parentes. A determinação foi feita pelo ministro Alexandre de Moraes, que é responsável por supervisionar a investigação.

O mandado foi cumprido em relação a uma pessoa do Rio de Janeiro. Moraes já havia determinado as mesmas medidas contra um servidor do Serpro (empresa estatal de processamento de dados) cedido à Receita Federal e contra um vigilante do prédio do Fisco.

ERAM QUATRO… – No último dia 17, a PF deflagrou uma operação contra quatro pessoas que teriam acessado dados de ministros. Nota do STF na ocasião afirmou que houve “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”.

Um dos investigados é o servidor do Serpro, Luiz Antônio Martins Nunes. Havia indícios de que ele acessou irregularmente os sistemas do Fisco e repassou a terceiros dados sigilosos de autoridades e de familiares. A reportagem não localizou a defesa de Nunes.

Os demais alvos foram os técnicos Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e o auditor Ricardo Mansano de Moraes.

UM VIGILANTE – Dois dias depois, no dia 19, um vigilante da Receita foi alvo das mesmas medidas. Seu nome não foi divulgado.

 

MAIS SUSPEITOS – Ruth Machado dos Santos, que é agente administrativa, é suspeita de acessar dados fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Ela afirmou em depoimento à Polícia Federal que estava em um atendimento presencial no momento em que as informações foram acessadas.

Já Ricardo Mansano é suspeito de acessar os dados de uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes, filha da advogada Guiomar Feitosa. Ele estava em um cargo na chefia de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório, em Presidente Prudente (SP), e foi retirado do posto.

Segundo pessoas que acompanham as apurações, ele acessou dados de ao menos dois anos da ex-enteada de Gilmar, de 2008 e de 2024.

DIZ A DEFESA – Sua defesa tem dito que ele é um “profissional de reputação ilibada que, ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal do Brasil, jamais respondeu a qualquer falta funcional”.

Disse ainda que os fatos “serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá” e que não obteve acesso integral às acusações e aos elementos de investigação.

O alvo da operação atua no Centro de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. A unidade é a mesma em que trabalha o servidor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) — estatal de tecnologia do governo federal — suspeito de vazar informações sigilosas sobre ministros do STF e familiares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Depois da fama e do sucesso, quando a imprensa amestrada o idolatrava e dizia que ele iria ensinar os Estados Unidos a regulamentar o uso da internet, agora Moraes investe contra servidores da Receita e do Serpro, incluindo um vigilante, que nem é funcionário público, vejam a que ponto chega a presunção dessa gente… Como seu objetivo é identificar quem divulgou dados sobre o enriquecimento ilícito de sua família, constata-se que Moraes não tem dignidade nem medo do ridículo. (C.N.)  

CPI quebra sigilos para obter provas e conseguir incriminar Moraes e Toffoli 

CPI do Crime Organizado | Agência Brasil

Contarato e Viera, dois delegados comandam CPI do Crime

Marcela Cunha, Afonso Ferreira
TV Globo e g1

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (25) requerimentos para convocar José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A comissão também aprovou a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, da empresa Maridt Participações e da empresa Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

Toffoli e os irmãos são sócios da empresa Maridt Participações. A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, e começou a vender sua participação no empreendimento em 2021.

CONEXÕES DIRETAS – O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira, afirmou que os depoimentos foram solicitados com base em indícios de conexão entre os três e a Reag Trust, por meio de participações no resort em Ribeirão Claro (PR) (entenda mais abaixo).

O colegiado também determinou oitivas de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e de outros diretores ligados à instituição financeira. Além de convites para ouvir os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci, esposa de Moraes.

Em relação às convocações dos irmãos do ministro Toffoli e do empresário Mario Degani, o relator da CPI do Crime Organizado afirmou que os depoimentos foram solicitados com base em indícios de conexão entre os três e a Reag Trust, por meio de participações no resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR).

LIGAÇÃO COM PCC – “A intermediação de negócios envolvendo o Arleen, administrado pela CBSF (antiga Reag Trust), traz o tema para o centro do escopo da CPI. A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”, diz Alessandro Vieira.

“Ainda, segundo as notícias, o fundo Arleen tinha como único cotista o cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master”, prosseguiu no requerimento. O parlamentar cita ainda a “existência de um cassino com mesas de blackjack e apostas em dinheiro no resort”, o que pode configurar a prática de contravenção penal.

Toffoli era relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e tomou medidas no inquérito que são questionadas nos mundos político e jurídico. Em 12 de fevereiro, ele deixou a relatoria, que atualmente está sob responsabilidade do ministro André Mendonça.

CASO TH JOIAS – Estava prevista para esta quarta-feira (25) uma oitiva do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

O ex-parlamentar foi preso em setembro do ano passado após ser acusado de ter ligações com o Comando Vermelho. Após a prisão dele, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto também foi detido, suspeito de ter vazado o mandado que ele mesmo expediu contra o ex-parlamentar.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a oitiva não vai acontecer porque o Supremo Tribunal Federal (STF) não deu aval em tempo hábil para o deslocamento do detido. “A CPI oficiou ao ministro desse caso, Alexandre de Moraes, e ainda não obtivemos resposta. Por esta razão não teremos a parte da oitiva do senhor Thiego”.

OS CONVOCADOS – O colegiado aprovou requerimentos para convocar ou convidar (no caso de ministros) os seguintes envolvidos:

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos e sócios do ministro Dias Toffoli; Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Fabiano Campos Zettel, cunhado e operador de Vorcaro; e João Carlos Falbo Mansur, fundador da Reag Investimentos.

E mais: Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master; Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master; Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do Banco Master; e Paulo Henrique Costa, presidente afastado do Banco de Brasília (BRB).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, junto com Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, lutaram como leões para impedir que a CPI votasse as quebras de sigilos e os chamados para depoimentos. O presidente Lula, o ministro Rui Costa, da Casa Civil, e os senadores Jaques Wagner e Randolfe Soares também entraram no circuito, mas foi tudo em vão. Comandada por dois delegados de Polícia (Fabiano Contarato e Alessandro Vieira) e um general de quatro estrelas (Hamilton Mourão), esta CPI vai virar o país pelo avesso em pleno ano eleitoral. (C.N.)

No regime militar, um oficial se destacava como intelectual e educador em Brasília

Tribuna da Internet | Ao exaltar a Universidade de Brasília, Lula esqueceu  de seu maior reitor

José Carlos Azevedo é um nome a ser lembrado na UnB

Vicente Limongi Netto

Neste 23 de fevereiro de 2026 o memorável e competente José Carlos Azevedo, ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) completou 16 anos que partiu para nível mais elevado da vida. Baiano de Salvador, Azevedo nasceu dia 11 de janeiro. Teria, hoje, 94 anos de idade.  

Oficial da Marinha, Azevedo era citado pela torpe e doentia patrulha apenas como capitão de mar-e-guerra, numa estúpida e covarde tentativa de diminui-lo profissionalmente.

QUALIFICADO – A turba ignara omitia, por má-fé ou ignorância, que Azevedo tinha mestrado em Engenharia e Arquitetura Naval, e era PHD em Física e Engenharia Nuclear pelo respeitado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos.

Foi reitor da UnB por dois mandatos (1976 a 1985). Inaugurou diversos cursos de graduação e pós-graduação. Construiu bibliotecas e contratou eméritos professores do Brasil e do exterior, não importava qual ideologia defendessem. 

Azevedo deixou a UnB sem dívidas e respeitada no Brasil e no exterior. Não é preciso raciocinar muito para constatar, portanto, que os desafetos de José Carlos Azevedo não tinham e não têm gabarito intelectual para insultá-lo. Nem colocar em dúvida sua competência, que ele exibia nos artigos que escrevia no Jornal do Brasil e no Correio Braziliense. 

Planalto arma ofensiva na CPI do Crime Organizado para blindar Moraes e Toffoli

“Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks-rurais…”

História de Casa no Campo, de Zé Rodrix - Novabrasil

Tavito e Rodrix, dois gigantes da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O músico e compositor carioca Zé Rodrix 1947/2009), nome artístico de José Rodrigues Trindade,   na letra de “Casa no Campo”, parceira com o músico mineiro Tavito, nome artístico de Luís Otávio de Melo Carvalho, retratou sua intenção de trocar a agitação da cidade grande pela vida simples e tranquila do interior. A canção viria a se tornar um grande sucesso na voz de Elis Regina, através de um compacto duplo gravado em 1971, pela Philips.

CASA NO CAMPO
Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks-rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique, sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais.        

Polícia Federal mira ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra na Operação Vassalos

Revista The Economist diz que STF está envolvido em ‘enorme escândalo’

SUPREMO em CHAMAS: The Economist expõe o AUTORITARISMO de Moraes e do STF

Revista britânica analisa a desmoralização do Supremo

Carolina Faria
Folha

A revista britânica The Economist afirmou que o STF (Supremo Tribunal Federal) está envolvido em um “enorme escândalo”, em texto que relata as suspeitas e questionamentos que têm se acumulado nos últimos meses envolvendo ministros da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O texto diz, por exemplo, que alguns dos juízes “mais poderosos do mundo mantêm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política”.

TOFFOLI E MORAES – Ganham destaque na publicação os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A revista afirma, por exemplo, que investigações sobre o banqueiro levantaram dúvidas sobre a conduta de integrantes do Supremo.

O texto afirma que isso é importante porque candidatos de direita podem ampliar a presença no Senado nas próximas eleições e que parte deles tem como bandeira a abertura de processos de impeachment contra ministros da corte.

Ao falar de Dias Toffoli, que conduziu a relatoria do caso no tribunal até pouco tempo e se afastou após pressão da Polícia Federal, a revista cita, por exemplo, que Vorcaro teria investido em um resort da família do ministro, assim como as alegações feitas pela Polícia Federal em relatório entregue ao Supremo. Acrescenta que o ministro nega irregularidades.

BLINDAGEM – Em relação a Moraes, a revista diz que, após surgirem informações sobre um contrato de advocacia envolvendo a esposa do magistrado e o Banco Master, ele determinou uma investigação sobre suspeita de vazamento de dados fiscais.

Como revelado no ano passado, o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato com o Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês, durante três anos. Na última semana, Moraes tomou diferentes medidas relacionadas a punir vazamento de dados sigilosos de ministros da corte e seus familiares.

Indo além dos episódios ligados ao caso do Banco Master, a publicação afirma que a interação entre empresas e o tribunal é comum e cita o ministro Gilmar Mendes, o decano do STF, acrescentando que ele organiza anualmente em Lisboa um encontro com políticos, magistrados e empresários — alguns deles com processos em andamento no tribunal.

NEPOTISMO – Também chega a afirmar que o nepotismo é disseminado, citando levantamentos indicando processos em que parentes de ministros atuam como advogados nos tribunais superiores.

A revista cita ainda a iniciativa do presidente do STF, Edson Fachin, que tem defendido a criação de um código de ética para os ministros da corte, e que Toffoli e Moraes reagiram, por sua vez, afirmando que a medida seria desnecessária.

A isso, a publicação afirma que independentemente do que pensem os ministros, os inimigos deles no Congresso “estão de olho”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como sempre, o Brasil está sendo difamado no exterior, onde é tido como a meca da corrupção. Nos países desenvolvidos é a mesma coisa, também há corrupção, mas a diferença é de que os envolvidos podem ser presos, como aconteceu recentemente na Inglaterra com o príncipe Andrew, o filho preferido da rainha Elizabeth II. Aqui, ninguém vai preso, é um carnaval permanente. (C.N.)

Herdeiros sem consenso: a sucessão de Bolsonaro e a guerra silenciosa dentro do clã

Candidatura de Flávio não é unanimidade dentro do clã Bolsonaro

Pedro do Coutto

A sucessão presidencial no bolsonarismo, que deveria representar a consolidação de um legado político, transformou-se numa arena de tensões familiares e estratégicas que expõem as fissuras de um movimento ainda dependente da autoridade simbólica de Jair Bolsonaro. A reportagem de O Globo evidencia que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro já ultrapassou o estágio de especulação para se tornar um fato político praticamente irreversível, mas está longe de ser unanimidade dentro do próprio clã.

Uma vez lançado com o aval explícito do pai, Flávio deixou de ter linha de recuo: no universo bolsonarista, hesitar equivale a fraquejar, e recuar seria admitir divisão num movimento que se construiu precisamente sobre a ideia de lealdade incondicional. O problema é que a sucessão não se resume a uma decisão formal; ela envolve a disputa silenciosa pelo papel de herdeiro político e simbólico de Bolsonaro.

DIVERGÊNCIAS – Nesse tabuleiro, os projetos são concorrentes e, por vezes, inconciliáveis. Flávio representa a vertente mais institucional e pragmática, apostando na transição organizada do capital político paterno. Já Michelle Bolsonaro mantém uma ambiguidade estratégica que revela ambições próprias: ao não firmar apoio inequívoco e admitir a possibilidade de integrar uma chapa estadual ao lado de Tarcísio de Freitas, preserva margem de manobra e reforça a percepção de que o bolsonarismo pode vir a ter múltiplos polos de poder.

Paralelamente, Carlos Bolsonaro continua a exercer influência decisiva na comunicação digital do movimento, enquanto Eduardo Bolsonaro mantém protagonismo no campo ideológico e nas articulações internacionais da direita. Essa pluralidade, que no passado funcionou como força motriz do bolsonarismo, converte-se agora em fator de incerteza estratégica.

A candidatura de Flávio é inevitável, mas a sua capacidade de unificar o clã permanece incompleta. O resultado é uma espécie de guerra fria interna: não há ruptura aberta, porém multiplicam-se sinais contraditórios, cobranças veladas e movimentos táticos que revelam a disputa pelo comando do pós-Bolsonaro. Em movimentos personalistas, a sucessão raramente é apenas eleitoral; é, sobretudo, uma batalha pelo direito de interpretar e representar o legado do líder fundador.

SEGMENTOS DIVERSOS – O paradoxo central é claro: o bolsonarismo precisa demonstrar continuidade sem Bolsonaro na linha de frente, mas ainda não dispõe de um sucessor capaz de sintetizar todas as suas correntes. Flávio tem a legitimidade formal e o aval paterno; Michelle possui forte apelo popular e autonomia política crescente; Carlos domina a narrativa digital; Eduardo dialoga com a base ideológica mais radicalizada. Cada um fala a um segmento distinto do mesmo eleitorado, e nenhum, isoladamente, consegue reproduzir a centralidade que o ex-presidente exerceu.

Se essa equação não for resolvida, o movimento corre o risco de entrar em 2026 com candidatura definida, mas liderança disputada — uma condição que fragiliza qualquer projeto de poder. A sucessão de Bolsonaro, assim, revela-se menos um ato de aclamação e mais um processo de acomodação ainda em curso. E, nesse processo, o maior desafio não será escolher um candidato, mas provar que o bolsonarismo é capaz de sobreviver à transição sem se fragmentar sob o peso das próprias ambições.

CPI do INSS vai colocar informações sigilosas sobre Vorcaro em sala-cofre

Tribuna da Internet | Archives | 2025 | maio

Charge do Emerson (Arquivo Google)

Vinícius Valfré e Gustavo Côrtes
Estadão

Presidente da CPI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou nesta segunda-feira, 23, que pretende colocar informações sigilosas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, solicitadas pelo colegiado, em uma sala-cofre. O tratamento será diferente ao dispensado pela comissão a outros alvos, caso se concretize a medida.

Os dados oriundos das quebras de sigilos fiscal e telemático estavam sob custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por ordem do ministro Dias Toffoli.

Com a mudança de relatoria do caso Master, o novo relator, ministro André Mendonça, determinou a entrega dos documentos à CPI. Há uma cadeia de custódia para o tratamento desses papéis. Cabe à Polícia Federal entregá-los à comissão, o que ainda não ocorreu.

ACESSO RESTRITO – A sala-cofre é um local onde os parlamentares que integram a CPI do INSS podem acessar os documentos remetidos pela PF. Ao acessá-la, cada deputado e senador registra sua entrada, observa as versões físicas dos dados e não pode levá-los.

O método de tratamento das informações é diferente daquele conferido aos demais itens de investigação, que são entregues em formato digital a todos os membros da CPI.

Segundo Viana, os dados ficarão nesta sala-cofre “até a gente ter chance de analisar o que está lá”. O presidente da comissão disse que a decisão cabe exclusivamente a ele. “Eu pretendo fazer isso”, disse, antes da reunião da CPI realizada nesta segunda-feira, 23.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O nó está sendo apertado na garganta de Toffoli. Para proteger Lulinha e Frei Chico (filho e irmão de Lula), o ministro do STF entregou as informações a Davi Alcolumbre, que sentou em cima das provas, para tirar proveito próprio, é claro. Mas o novo relator André Mendonça acabou com a brincadeira e logo teremos grandes novidades sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro também no escândalo do INSS. Aliás, desviar dinheiro de aposentado pobre deveria ser crime hediondo, com penas rigorosíssimas. (C.N.)

Silas Malafaia enquadra Eduardo no racha no bolsonarismo: “Calado, ele ajuda mais”

Moraes e Toffoli despencam e Mendonça avança no ranking dos ministros do Supremo

Alexandre de Moraes e André Mendonça batem boca durante julgamento sobre 8 de janeiro no STF | Política | Valor Econômico

Agora, é que Moraes está sendo investigado por Mendonça

Carlos Newton

“Nada como um dia atrás do outro”, diz o velho ditado, que o empresário Adolfo Bloch, criador do grupo Manchete, complementava afirmando que “a vida recomeça todo dia, quando você acorda” Há um ano, o ministro Alexandre de Moraes pontificava no Supremo Tribunal Federal, era um personagem endeusado como suposto “salvador da democracia”.

Mas o tempo não para, e hoje Moraes é uma pálida lembrança do passado, com sua imagem destruída pelo enriquecimento ilícito de sua família, atrelada ao fatídico e ilusório Banco Master. O mesmo aconteceu com Dias Toffoli, que nunca foi líder de nada,  a não ser de si mesmo.

UM MINISTRO LIMPO – Enquanto Moraes e Toffoli literalmente desabam no ranking do STF, o ministro Mendonça cresce de importância a cada dia. Sem qualquer mancha em seu passado, tornou-se advogado da União por concurso e se destacou na gestão de Medina Osório como ministro da AGU. Depois, acabou caindo nas graças do então presidente Jair Bolsonaro, que precisava agradar aos  evangélicos e o nomeou para a AGU.

Mendonça não é evangélico de raiz, pois atua como pastor da Igreja Presbiteriana, de origem calvinista e considerada uma das vertente do protestantismo histórico. Porém, Bolsonaro não quis nem saber, rotulou Mendonça como “terrivelmente evangélico” e o indicou para o STF.

Em meio a enriquecimentos ilícitos e favorecimentos de parentes e amigos, Mendonça é um ministro totalmente limpo, sem nada que o desabone, somente comparável a Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanon, com a diferença de que os três erraram feio ao apoiar Moraes no justiçamento dos réus do 8 de Janeiro, condenando-os como se fossem terroristas e não somente invasores e depredadores de prédios públicos, num radicalismo irracional que Mendonça sempre criticou.

HOMEM DE SORTE – Como se vê, André Mendonça é um homem bafejado pela sorte, que está no lugar certo, na hora exata. Assim, por ironia do destino, acaba de se tornar relator do caso Master, um dos mais importantes processos da História do Supremo.

Como se sabe, Dias Toffoli foi atingido durante pela denúncia feita pela direção da Polícia Federal em relatório com mais de 200 páginas, e o STF teve de afastá-lo da relatoria. O presidente Fachin então determinou o sorteio de novo relator, e Mendonça saiu premiado.

Agora, está tocando INSS e Master, dois processos que envolvem o governo Lula, autoridades diversas políticos e até ministros do STF. Uma de suas primeiras medidas foi proibir os delegados federais de compartilharem com seus superiores hierárquicos as novas informações que foram obtendo no inquérito do Master

SEM INFLUÊNCIAS – Mendonça adotara modelo semelhante no inquérito do INSS, porque havia vazamentos que informavam o Planalto sobre descobertas em relação às fraudes contra aposentados e pensionistas, porque um filho (Lulinha) e um irmão de Lula (Frei Chico) estão citados no escândalo.

Assim, trata-se de uma decisão corajosa, necessária e histórica de André Mendonça. Em tradução simultânea, o ministro está usando seus superpoderes para evitar que Lula siga manobrando para blindar a família e os petistas que estão envolvidos no caso Master e na exploração de aposentados e pensionistas, uma especialidade criada pelo PT quando Paulo Bernardo era ministro do Planejamento e marido de Gleisi Hoffmann.

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P.S.
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Indiciado em vários casos de corrupção, Paulo Bernardo chegou a ser preso em 2016 na Operação Custo Brasil, à época da Lava Jato. Por causa dos seguidos escândalos, o petista-raiz perdeu o ministério, o mandato de deputado e a mulher, Gleisi Hoffmann, que também foi investigada.

P.S. 2 – Na época, Toffoli revogou a prisão de Bernardo e recentemente absolveu o petista em outro processo, alegando que as acusações contra ele partiram de delações premiadas da Odebrecht, que para o ministro do STF têm o mesmo valor dos contratos do resort Tayayá – ou seja, são provas que não valem absolutamente nada. Mas isso é outra história, que depois a gente conta, enquanto o circo do PT ameaça pegar fogo em pleno ano eleitoral. (C.N.)

Lula tenta mediar briga de PT e PDT que trava aliança no Rio Grande do Sul

Valdemar Costa Neto desafia Gilberto Kassab e descarta terceira via em 2026

Valdemar diz que eleição será entre Flávio e Lula

Bruno Ribeiro
Folha

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou Gilberto Kassab, presidente do PSD, em um jantar na noite desta segunda-feira (23), com empresários na região da Faria Lima, em São Paulo, e disse duvidar que o colega consiga lançar à Presidência algum dos três pré-candidatos da sigla.

“Não há possibilidade de ter dois candidatos no segundo turno que não sejam [o presidente] Lula [do PT] e o [senador] Flávio Bolsonaro [PL]”, disse Valdemar, ao lado do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, no evento, promovido pelo grupo Esfera. “O ideal seria que nós nos uníssemos no primeiro turno para a gente poder matar esse assunto no primeiro turno”, acrescentou.

ELEITORADO – Valdemar disse que a possibilidade de o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) sair bem colocado na disputa pelo governo do Paraná impossibilitará que um dos candidatos do PSD, o governador Ratinho Jr, se lance à Presidência, uma vez que seu grupo político poderia sair derrotado no estado. Também afirmou que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não teria eleitorado forte fora de seu estado. Ele não citou o terceiro pré-candidato da sigla, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. “Acho que vão ter muita, muita dificuldade de lançar candidato pelo PSD”, disse o presidente do PL.

Valdemar afirmou também aos empresários presentes que Kassab errou, em 2022, ao não se lançar como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o Governo de São Paulo. “Olha o erro que ele [Kassab] cometeu, pois não colocou o nome dele como vice [de Tarcísio] porque ele queria apoiar o Tarcísio para trabalhar contra o Rodrigo Garcia. E aí ele não pôs o nome dele de vice e, hoje, ele [Kassab] dá a vida para ser vice dele [Tarcísio]”, disse.

Após o evento, em entrevista a jornalistas, Valdemar disse ainda avaliar ser possível que Kassab apoie Lula em um eventual segundo turno contra Flávio. “É lógico [que é possível]. Eles têm três ministérios”, afirmou, referindo-se ao PSD.

DESGASTE – A avaliação entre políticos de São Paulo é que a relação entre Kassab e Tarcísio se desgastou diante da insistência do presidente do PSD em manter o cargo de vice na chapa de reeleição do governador, enquanto atuava para ampliar o número de políticos de seu partido e articular uma candidatura presidencial.

Valdemar, ainda durante entrevista aos jornalistas após o evento, defendeu que o posto de vice seja ocupado pelo PL, uma vez que a legenda tem maior bancada na Assembleia Legislativa. “Na outra eleição, eu cedi para o Kassab, que a vice era nossa, e agora é a nossa vez, que a gente tem a maior bancada. Agora, quem decide é ele [Kassab]”, disse.

Na semana passada, vieram à tona informações de que o vice-governador, Felício Ramuth (PSD), teve US$ 1,6 milhão bloqueado pela Justiça de Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro. O vice-governador nega ter cometido ilícitos e disse que o dinheiro no exterior havia sido declarado à Receita Federal. Valdemar disse lamentar a divulgação das informações e afirmou que elas podem enfraquecer a tentativa de Ramuth de se manter na chapa.

INVESTIDAS – Durante o evento, Valdemar também minimizou as investidas jurídicas da oposição por propaganda eleitoral antecipada, decorrentes do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, que homenageou o presidente Lula.

“Isso [elogiar o presidente] é um direito deles, e o processo aí é um processo absurdo, porque só dá multa”, disse. Valdemar, contudo, afirmou aos presentes que seu partido havia feito uma pesquisa interna, não registrada, após o Carnaval, no estado de São Paulo, que mostrou que o presidente teria perdido votos com o desfile.

Relatório interno sobre Correios revela “ciclo vicioso de prejuízos” e risco financeiro cresce

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Vinícius Cassela
G1

Um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) aponta que a estatal entrou em um “ciclo vicioso de prejuízos” nos últimos anos.

O documento, obtido com exclusividade pelo G1, afirma que o agravamento da performance operacional foi o fator principal para a empresa registrar recorrentes prejuízos nos últimos trimestres.

CICLO VICIOSO – “Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”, afirmou a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo.

“As negociações com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — tornaram-se cada vez mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas de resultado”, completou a diretora.

Segundo o documento, a estatal deixou de pagar a fornecedores, empregados e em tributos R$ 3,7 bilhões até setembro de 2025. Outro trecho aponta que o elemento mais crítico para a sustentabilidade da empresa é a insuficiência de caixa.  “Não se trata apenas de um problema financeiro momentâneo. É um sinal de que o modelo atual opera entre no limite entre obrigação legal, pressão competitiva e capacidade real de geração de valor”, apontou o documento.

ENTRADAS DE CAIXA – A incapacidade de recuperar as receitas fez com que a empresa tivesse uma redução de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa entre janeiro e setembro de 2025. O valor representa uma redução de 17,6% em relação ao mesmo período de 2024.

“As entradas de caixa nos nove primeiros meses de 2025 totalizaram R$ 16,94 bilhões, frente aos R$ 18,37 bilhões registrados no mesmo período de 2024. As saídas, por sua vez, atingiram R$ 16,68 bilhões, contra R$ 20,65 bilhões observados no mesmo período do ano anterior”, apontou o relatório.

A empresa foi atrás de empréstimos e contrataram R$ 13,8 bilhões em 2025 para tentar melhorar a situação, mas a maior parte dos recursos, no entanto, entrou no caixa apenas em 30 de dezembro.

PROJEÇÃOO mesmo documento traz uma projeção de prejuízo menor do que a que vinha apresentando até o 3º trimestre do ano passado. A nova expectativa dos Correios é fechar o ano com um resultado negativo de R$ 5,8 bilhões, um pouco menor do que o acumulado até setembro, de R$ 6 bilhões.

Para 2026, a diretoria estima que o rombo será maior que o do ano passado e deve atingir R$ 9,1 bilhões. “Executando o pagamento de todas as obrigações (despesas correntes) incluídas no Programa vigente de Dispêndios Globais, havia a projeção de déficit na ordem de R$ 7,9 bilhões em dezembro de 2025, posteriormente reajustada para R$ 5,8 bilhões; e déficit de R$ 9,1 bilhões em dezembro de 2026”, arremata o documento.

A corrida desesperada de Daniel Vorcaro para fazer caixa em meio à crise do Master

Banqueiro articula venda de hotel luxuoso em SP

Rafael Moraes Moura
O Globo

Além do Gulfstream G700, o jatinho comprado no ano passado por R$ 538 milhões para deslocamentos no Brasil e no exterior, o executivo Daniel Vorcaro, dono do Master, também articula nos bastidores a venda do hotel luxo Botanique, localizado na região do Triângulo das Serras, em Campos do Jordão (SP), por R$ 150 milhões. As diárias por lá podem chegar à faixa dos R$ 9 mil.

A equipe da coluna conversou com duas pessoas a quem o hotel foi oferecido, já depois da operação que prendeu Vorcaro e da liquidação do Master pelo Banco Central. Embora Vorcaro afirme não ser mais dono do avião e a Prime You também informe que o banqueiro não é mais sócio da empresa, no restrito universo de potenciais compradores do jato e interessados pelo hotel, a venda tem sido descrita como uma forma de o banqueiro tentar fazer caixa para enfrentar os processos judiciais e compensar as perdas de recursos após a liquidação.

LISTA DE ATIVOS – Outra preocupação apontada pelas pessoas procuradas pela Prime You para avaliar não só o jato e o hotel, mas uma lista de ativos, é evitar que, com o aprofundamento das investigações do caso Master e a mudança de relatoria no Supremo, novas decisões judiciais venham a ampliar o bloqueio de bens, alcançando inclusive aqueles que não estão oficialmente no nome de Vorcaro ou do Master. A aeronave está sendo negociada por US$ 80 milhões (o equivalente a R$ 415 milhões, na cotação atual do câmbio).

Vorcaro teve os bens bloqueados por decisão da Justiça Federal de Brasília, mas o jato e o hotel foram poupados das medidas cautelares até agora. Isso porque o proprietário oficial da aeronave e quem administra o estabelecimento hoteleiro é o grupo Prime You – pelo menos no papel.

Até o início de setembro de 2025, o banqueiro era dono da Prime You junto com Maurício Quadrado, que também foi seu sócio no Master. Segundo a companhia informou ao Valor Econômico, os dois venderam a parte deles para a própria empresa. E até 2023, o empresário Nelson Tanure, investigado pela Polícia Federal por suspeita de ser sócio oculto do Master, também era sócio da Prime You.

EXPERIÊNCIAS EXCLUSIVAS –  O Botanique ocupa uma área de 2 milhões de metros quadrados na Serra da Mantiqueira e promete “momentos aconchegantes, experiências exclusivas e sabores autênticos onde a arquitetura se encontra com as maravilhas da Serra da Mantiqueira”. Entre as atividades oferecidas aos hóspedes estão passeio a cavalo, workshop de drinks, degustação de queijos com vinhos nacionais, observação de pássaros, aulas de ioga, massagens e meditação com tigelas tibetanas.

As diárias giram em torno de R$ 4,1 mil e R$ 8,9 mil para o feriado de Páscoa, em abril, dependendo do tipo de hospedagem – sete suítes construídas com madeira de jacarandá e pedras naturais ou 13 vilas individuais espalhadas ao longo de colinas da região. O local também serve de cenário para cerimônias de casamento com capacidade de receber um público de até 120 pessoas.

No site de viagens TripAdvisor, o hotel tem uma pontuação de 4.7, classificada como “muito boa”, numa escala que varia de 1 a 5. Mesmo assim, amarga um vigésimo lugar num ranking de 92 hotéis da região de Campos do Jordão. Entre os aspectos mais bem avaliados estão a limpeza e o atendimento – já o custo da hospedagem é o ponto mais baixo, segundo os usuários do site.

QUEIXAS – Apesar do tom predominante elogioso, há relatos com queixas sobre “aquecedor quebrado num frio de 4 graus”, quartos com aranhas e falhas na manutenção da piscina aquecida. A Prime You afirmou “desconhecer” a informação sobre a venda do Botanique e considerá-la “de cunho especulativo”.

A informação fornecida aos clientes da Prime You sobre o jatinho é a de que a aeronave está estacionada na Europa e acumula dívidas de alguns milhões de dólares com manutenção, taxas aeroportuárias e despesas com funcionários.

Em 17 de dezembro, exatamente um mês após a primeira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, a sociedade controlada pela Prime You registrou na Junta Comercial um documento autorizando a alienação da aeronave, comprada em junho de 2025 pela PS-MGG Administração por R$ 538 milhões.

CONTRATO DE ALIENAÇÃO – O Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) do Gulfstream G700 indica que a PS-MGG registrou a Prime como operadora do avião junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) logo após comprá-lo da empresa capixaba Comexport Trading Comércio Exterior, que se apresenta em seu site como líder em importações diretas no Brasil. O RAB não tem informação sobre um eventual contrato de alienação, o que pode indicar que o jato foi comprado à vista.

A ata protocolada na Junta Comercial não detalha quem é o novo dono da aeronave multimilionária. Mas informa que os acionistas da empresa autorizaram os diretores a concluir o alienamento do jatinho, descrito como “bem próprio da empresa”, a um “terceiro” de maneira “irrevogável, irretratável e sem ressalvas”.

Gilmar aponta ‘desordem’ em penduricalhos e proíbe fura-teto nos tribunais

Adoção da Jornada de 6×1 aumentará em 13% a inflação, diz Tadros, da CNC 

Roberto Tadros, "coronel do patronato", manchete da Folha

Tadros: “Comércio garante 10 milhões de empregos”

Vicente Limongi Netto

Um parecer técnico-econômico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) detalha os impactos das propostas de lei que buscam reduzir as cargas horárias, textos que acabariam com a jornada de trabalho 6×1 no Brasil.

O estudo detalha os prejuízos que o país enfrentará se a jornada semanal for reduzida para um máximo nacional de 36 horas sem que os salários sejam diminuídos. A análise foi divulgada em evento em Brasília, nesta segunda-feira.

DEBATE TÉCNICO – O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, alerta: “O setor de comércio é um dos maiores empregadores do país, com mais de 10 milhões de trabalhadores formais. Atualmente, 93% desses trabalhadores cumprem jornadas acima de 40 horas semanais, o que os coloca no centro dessa mudança. Esse debate e a avaliação dos projetos de lei devem ser técnicos antes de serem políticos, pois vão mudar o rumo da economia do Brasil.”

Segundo o estudo feito pela Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico, para que as lojas e estabelecimentos comerciais e de turismo se adaptassem ao novo limite de horas de trabalho, o gasto extra seria de R$ 122,4 bilhões por ano.

EFEITO ARRASADOR – Esse valor seria necessário para que as empresas contratassem novos funcionários ou pagassem ajustes para manter o atendimento ao público funcionando com o quadro pessoal que existe hoje.

O mesmo aconteceria no setor de serviços, com o chamado “custo de adequação” chegando a R$ 235,7 bilhões. A somatória do impacto para estes setores na economia brasileira seria de R$ 358,1 bilhões.

A análise também calcula como esse aumento de gastos fatalmente será repassado ao consumidor. Segundo os modelos matemáticos da pesquisa, esse choque de 21% nos custos com funcionários causaria um aumento médio de 13% nos preços de serviços e dos produtos nas prateleiras. 

Flávio Bolsonaro quer controlar o governador do Rio e ameaça apoiar a cassação dele

Augusto dos Anjos dizia que indomável, mesmo, só o coração dos poetas

Augusto dos Anjos, da descrença à esperança ❤️ #poesia #poema #livro  #literaturaPaulo Peres
Pomas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) escrevia poesias com características marcantes de sentimentos de desânimo e pessimismo, além de mostrar inclinação para a morte. O soneto “Vencedor” mostra outra faceta de Augusto dos Anjos, quando afirma que o coração do poeta pode ser indomável.

VENCEDOR
Augusto dos Anjos

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E a rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração – estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pode domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois de um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem…
E não pude domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!