Bolsonaro e Valdemar articulam ofensiva para rever penas do 8/1 e pressionar Orçamento de 2026

Ações buscam em vão saída que beneficie o ex-presidente

Luísa Marzullo
O Globo

O PL prepara uma nova ofensiva no Congresso para tentar destravar o projeto que reduz as penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, ao mesmo tempo, acentuar o desgaste do governo Lula em votações consideradas essenciais para a gestão. A estratégia foi traçada nesta segunda-feira durante o encontro entre o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Valdemar chegou ao condomínio de Bolsonaro em Brasília por volta das 14h e saiu às 17h30, após uma reunião descrita por aliados como “longa e política”. Segundo interlocutores, o diagnóstico de ambos é que o texto da dosimetria, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), está paralisado por falta de empenho da cúpula do Congresso.

POSTURA INCISIVA – O ex-presidente defendeu que o PL adote uma postura mais incisiva no Senado, mas sem romper pontes com o Centrão. A orientação é poupar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de ataques diretos, por ele ter demonstrado intenção de dialogar com a oposição, e pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a retomar as negociações.

Valdemar, segundo aliados, se comprometeu a ampliar a movimentação no Senado com apoio de Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a bancada. O partido também avalia recorrer à obstrução das votações como forma de pressão política, caso o tema continue travado.

O projeto de dosimetria, travado há mais de um mês no Senado, é visto como bandeira simbólica para mobilizar as bases bolsonaristas e forçar o Congresso a se reposicionar diante da pressão popular.

OPOSIÇÃO – Bolsonaro também cobrou que o PL endureça a oposição ao governo, especialmente em torno de dois assuntos que podem representar novas derrotas expressivas para o Planalto: a eventual derrubada dos vetos ao licenciamento ambiental e a recomposição orçamentária da MP alternativa ao IOF.

O ex-presidente enxerga nesses temas a oportunidade de vincular o governo ao aumento de gastos e ao avanço de uma “agenda verde” que desagradaria ruralistas. Atuar contra as medidas que o governo avalia para recompor o rombo de R$ 46 bilhões em 2025 e 2026 em função da rejeição da MP também significaria, segundo essa leitura, deixar menos recursos na mão do Planalto em ano eleitoral.

MAPA ELEITORAL – A reunião também serviu para revisar o mapa eleitoral de 2026. Valdemar apresentou levantamentos sobre alianças regionais e nomes competitivos em estados-chave, enquanto Bolsonaro insistiu em priorizar palanques ideológicos em Santa Catarina, Distrito Federal e Rio de Janeiro. Em outros estados, como Bahia, Pará e Ceará, o partido deve apostar em alianças pragmáticas com o Republicanos e o PP.

Durante a conversa, os dois também trataram da iminente indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. A avaliação foi de que o PL deve “dar trabalho” ao governo na sabatina, explorando contradições de seu passado.

O episódio que mais deve ser explorado ocorreu quando Messias era subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Em uma interceptação telefônica divulgada na Lava-Jato, em março de 2016, a então presidente Dilma Rousseff avisou a Lula que enviaria, por meio de “Bessias”, um termo de posse para que ele assinasse e, assim, se tornasse ministro da Casa Civil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA articulação entre Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto para reduzir as penas dos envolvidos no 8 de janeiro e pressionar o governo sobre o Orçamento expõe uma agenda voltada exclusiva e absurdamente à autopreservação política em detrimento do interesse público. Em vez de priorizar temas que afetam diretamente a sociedade, ambos apostam em manobras que tensionam o Congresso e aprofundam a polarização. O gesto revela uma oposição pautada pelo cálculo eleitoral, não pela responsabilidade institucional. (M.C.)

6 thoughts on “Bolsonaro e Valdemar articulam ofensiva para rever penas do 8/1 e pressionar Orçamento de 2026

  1. rsrs… são dois otários metidos a malandro.

    Um já está enjaulado e o outro, tá com a jaula chamando.

    Cacetada, não aprendem!

    Não percebem que o que eles pretendem é irreversível?

    É MUITA BURRICE!

    José Luis

  2. O show de Janja tem de acabar

    Barba converte sua mulher em ministra extraordinária do governo, desatino que precisa ser contido

    O que fazia Janja sentada ao lado de Barba numa reunião de autoridades no âmbito da FAO, em Roma?

    O que fazia ela sentada junto com os diplomatas e ministros brasileiros no plenário da ONU durante a recente Assembleia-Geral, em que Barba discursou?

    Considerando que Janja não exerce nenhum cargo público, são perguntas pertinentes, para as quais não se sabe a resposta.

    Qualquer que seja a justificativa que Barba crie para dar à Janja tratamento de ministra e de diplomata, sendo que ela não é nem isso nem aquilo, está clara a confusão entre as esferas pública e privada de Barba. E isso não é permitido num regime republicano.

    E já que não há insulto ao qual não se possa adicionar a injúria, Barba tentou, em agosto, dar contornos jurídicos a essa ilegitimidade. No artigo 8.º do decreto 12.604/2025, ele ampliou o acesso de Janja aos serviços do Gabinete Pessoal da Presidência.

    Na semana passada, com razão, a oposição apresentou projetos de decretos legislativos com o objetivo de desfazer a iniciativa de Barba.

    Com ou sem decreto, é tão eloquente quanto constrangedor o esforço desmedido de Janja para exercer influência política e desempenhar papel prático no governo, tarefa para a qual não tem mandato concedido nem pelos eleitores nem pela legislação.

    Trata-se, em suma, de um poder lastreado exclusivamente por sua condição de cônjuge de Barba.

    Embora o decreto presidencial tente mostrar algo diferente, o fato incontornável é a incompatibilidade congênita: como Janja é indemissível, porque primeira-dama não é cargo, seu status impreciso suscita sérias dúvidas sobre o papel e a publicidade de seus atos.

    Questionada, a primeira-dama demonstrou absoluta indiferença aos limites legais e rituais de sua atuação: “Não há protocolo que me faça calar”.

    Além disso, Janja se imiscui em temas afeitos à equipe econômica, teve participação destacada nos eventos ligados à cúpula do G-20 no Rio e frequentemente compete com ministros formalmente nomeados e remunerados para auxiliar o presidente.

    Nada disso, obviamente, encontra respaldo na legislação, e é por essa razão que, na falta de bom senso de Janja e de Barba, deve o Congresso pôr um freio nisso.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 21/10/2025 | 03h00 Por Editorial

  3. Esbanja em “Turnê Solo” pela Europa

    Esbanja viajou com Barba pra Roma dia 11/10/25.

    No dia 13/10, Barba voltou e Esbanja continuou pela Europa em ‘turnê solo’ (?).

    Dia 19/10, Esbanja esticou o périplo até Paris, onde apareceu desfilando ao lado de Brigitte e onde fica até hoje (21/10).

    Aí tem?! Abre o zóio Barba!

    O que Esbanja trabalha no interesse do país é uma coisa impressionante!

  4. Os bolsonaros devem estar torcendo pela condenação e prisão do Boy de Mogi, para assumirem o comando do PL de porteira fechada.

    Ou alguém teria alguma dúvida disso?

  5. Essa dupla, Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, presidente to PL, só trabalha contra os interesses nacionais.
    . A estratégia foi traçada nesta segunda-feira durante o encontro entre o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

    Alexandre de Morais autorizou a visita ontem de Valdemar a Bolsonaro na mansão do falso Mito em Brasília, local da prisão domiciliar com tudo de bom, uma delícia, receber sem fazer nada.Valdemar ficou na mansão de Bolsonaro das 14h até às 17h30, após uma reunião “longa, chata e política”.
    Bolsonaro deu ordens ao presidente do PL para pressionar o Congresso para tocar a Anistia e articular com o Centrão para rejeitar todos os projetos do governo.
    Nada em favor do Brasil, apenas o interesse particular do Bolsonaro e sua família, todos em busca de ANISTIA para os crimes cometidos.

    E aida se dizem patriotas. Quanta ironia, santa Maria.

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