
Alcolumbre pode barrar missão aos EUA
Luísa Marzullo
O Globo
A missão oficial de parlamentares aos Estados Unidos para tratar do caso de Alexandre Ramagem pode não avançar no Congresso, apesar de ter sido aprovada na Comissão de Relações Exteriores da Casa na última semana. Aliados de Davi Alcolumbre (União-AP) afirmam que o presidente tende a não pautar a viagem, que, por envolver custos a serem bancados pelo Senado, dependeria de aval do plenário da Casa.
O requerimento, apresentado pelo senador Jorge Seif (PL-SC), prevê o envio de uma comitiva a Washington e Orlando com o objetivo de “acompanhar a situação de cidadãos brasileiros em situação de custódia”, com foco no ex-chefe da Abin, além de “averiguar a atuação das autoridades brasileiras competentes sobre o tema”.
ASSISTÊNCIA CONSULAR – Na justificativa, o texto afirma que a missão buscaria verificar a prestação de assistência consular, acompanhar eventual processo de extradição e estabelecer diálogo com autoridades americanas e representantes diplomáticos, além de incluir visitas a instalações sob responsabilidade do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). Seif pretende conversar com o presidente do Senado para tentar viabilizar a viagem.
Apesar do aval na comissão, a proposta não tem execução automática. Por se tratar de missão oficial ao exterior com ônus para o Senado — como pagamento de passagens e diárias —, a viagem depende de autorização da Casa. Na prática, cabe a Alcolumbre decidir se leva ou não o pedido adiante.
REPERCUSSÃO – Nos bastidores, interlocutores do presidente do Senado afirmam que esse fator pesa contra o avanço da iniciativa. Além do custo, a avaliação é que a missão envolve um caso individual com forte repercussão jurídica e institucional. Autorizar a viagem, dizem, teria peso de gesto político em um tema sensível, que envolve decisões do Supremo Tribunal Federal e a atuação de autoridades americanas. Com isso, mesmo aprovado na comissão, o requerimento pode permanecer sem efeito prático.
Ramagem foi solto nesta quarta-feira nos Estados Unidos dois dias após ter sido detido por autoridades de imigração do ICE. O registro da detenção chegou a ser incluído no sistema do condado de Orange, com foto (“mugshot”) e indicação de “immigration hold”, o que aponta para uma custódia de natureza migratória, sem acusação criminal local detalhada.
Ele é considerado foragido no Brasil desde que deixou o país após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ramagem é um caso grave de perseguição política pelo ministro Alexandre de Moraes, que condenou o então deputado pelo golpe, embora soubesse que ele não poderia ter participado, pois estava morando no Rio desde abril de 2022, fazendo campanha eleitoral e sem voltar a Brasília. Com facilidade, ela ganhará o asilo político na matriz USA, para desespero da imprensa amestrada aqui na filial Brazil. (C.N.)
Como é fácil voar de graça no Brasil em jatinhos e jatões! Basta ter cargo importante e ‘o que oferecer em troca’
Ricos e poderosos cruzam os céus em jatinhos e jatões, próprios, alugados ou ‘emprestados’; se você tem um cargo, a FAB, empresas e empresários estão à sua disposição
Enquanto milhões de brasileiros vivem com seus filhos em barracos, amontoados em morros, sem esgoto, higiene e o mínimo de segurança e conforto, os ricos e poderosos cruzam os céus do País – e do mundo – em jatinhos e jatões, próprios, alugados ou “emprestados”.
Os muitíssimos ricos do setor privado compram aviões para uso pessoal, se exibir por aí, fazer negócios e paparicar quem lhes possa garantir algum tipo de vantagem.
Os poderosos do serviço público aproveitam seus 15 minutos de fama para usufruir do bom e do melhor, como, por exemplo, os jatinhos da FAB e seus brindes caprichados.
O famoso da vez, Vorcaro, por exemplo, voava alto, cruzava oceanos e, além de “aviões laranjas” de suas empresas, comprou três jatos ultramodernos para ele próprio, com um detalhe: à vista.
Mais interessante ainda é como ele fazia uso das preciosidades: para o próprio desfrute e “ficar bem” com gente importante.
Está muito claro de onde vinha tanta grana para as extravagâncias de um espertalhão que virou banqueiro e, enfim, presidiário.
Já o dinheiro para comprar e manter os jatinhos da FAB tem uma trajetória bem mais direta, nada tortuosa: sai do seu, do meu, do nosso bolso.
‘Farra’ em uso de aviões da FAB por autoridades
Relatório do TCU, revelado por Vinicius Valfré, no Estadão, mostra como é bom voar nas asas da FAB. Foram 791 voos em 2020, 1.531 (quase o dobro) em 2021, 1.879 em 2022, 2.124 em 2023 e 1.166 até julho de 2024.
Como tantas coisas, o gosto por jatinhos oficiais não tem ideologia, vai de Bolsonaro a Lula em velocidade cruzeiro.
Em tradução livre do relatório, todo mundo voa para lá e para cá, não explica direito o motivo da “viagem a serviço”, na maioria das vezes o avião decola e gasta tripulação, combustível e quitutes com uma única autoridade e, daqui e dali, a lista dos passageiros é “descartada”, ninguém sabe, ninguém viu. Uma farra!
Assim, é muito fácil viajar de graça no Brasil, seja para leilões de cavalos em São Paulo, como um certo ex-ministro do governo, ou para jogos de futebol em países vizinhos e reuniões a dois com empresários esquisitões, como faziam dois ministros do STF, e vai por aí.
Se você tem um cargo importante, a FAB, empresas e empresários estão à sua disposição.
Ah! E o crime organizado voa em aviões supersônicos, ninguém pega.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 18/04/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde